sexta-feira, 4 de maio de 2012

Levando informação à igreja


Comentário da lição da Escola Sabatina de 9 a 16 de junho de 2012, preparado por Carmo patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano).  O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            Jesus pregava o evangelho, mas notou que havia certo desprezo a Sua pessoa e a tudo o que ensinava. “E estava admirado da incredulidade deles” (Marcos 6:6). Diante do seu aparente fracasso o Salvador decidiu organizar um grupo de seis duplas missionárias e enviá-las para pregarem a mensagem de salvação. Pelos relatos bíblicos os resultados foram surpreendentes. A mensagem foi pregada com autoridade e os resultados foram maravilhosos.   Enquanto as seis duplas missionárias participavam da campanha missionária elaborada por Cristo e experimentavam as alegrias de pregarem o evangelho, João Batista estava sendo decapitado por Herodes.
O Salvador estava sozinho. Repudiado pelo Seu povo vivia um momento de reflexão. Mas uma noticia triste estava a caminho. Ela chegou e se revelou sem pedir licença. João foi decapitado na prisão. Foi degolado aquele que Lhe preparou o caminho. Provavelmente o Mestre ficou imaginando que Ele também teria o seu fim num futuro bem próximo.
Será que Deus trouxe uma palavra de conforto para Aquele coração sofredor? Foi envolto em tristezas que Jesus recebeu os missionários que retornavam transbordando de alegria. O testemunho dos eufóricos discípulos esvoaçou a tristeza e dissipou as dúvidas. O Salvador foi reconfortado com a certeza de que o Seu ministério em favor do homem estava dando certo, portanto compensava qualquer sacrifício.
            Deus tem mil maneiras de como confortar o nosso coração ferido. Mas entre tantas essa praticada naqueles tempos ainda se mostra eficiente em nossos dias.  “E os apóstolos ajuntaram-se a Jesus, e contaram-Lhe tudo”  (Marcos 6:30). O testemunho pessoal na igreja fortalece a fé de nossos irmãos e também a nossa. Nesta semana e na próxima vamos estudar um pouco sobre a importância do nosso relatório.
            Esse relatório está dividido em duas partes. O verbal quando partilhamos com a classe as alegrias vividas durante a semana. E o numérico quando tudo que fizemos é traduzido em números. O primeiro nos fortalece como pessoas e o segundo oferece informações para os administradores da igreja indicando as nossas necessidades como treinamento e incentivo. Relatar é um principio bíblico que muitos membros ainda não entenderam a razão de existir.
Domingo
            Pedro e João estavam cumprindo mais um dia de rotina no ministério. Mas não seria um dia qualquer. Eles restabeleceram a integridade física de um paralítico que por mais de trinta anos permanecia na porta da igreja, mas nunca teve a oportunidade de entrar dentro dela.
            A voz estrondosa daquele homem dando glorias a Deus quebrou a monótona rotina do templo e isso incomodou as autoridades eclesiásticas constituídas da época. Ali estava alguém testemunhando a plenos pulmões do que a graça de Deus foi capaz de operar em sua vida. O homem se tornou livre e, em consequência, os apóstolos perderam a liberdade. Depois de pernoitarem na prisão foram soltos. Retornaram para junto dos irmãos e relataram tudo o que aconteceu. A igreja sentiu a necessidade de orar e o fizeram com fervor. O resultado foi a conversão de cinco mil pessoas.
            Partilhar com a igreja as maravilhas do evangelho fortalece a fé dos irmãos e fazem eles conscientes das necessidades urgentes da pregação. Esse é o resultado de um relatório apresentado com o único objetivo de enaltecer o nome de Deus.
Segunda
            Paulo sentiu a necessidade de ir a Jerusalém e apresentar para a igreja um relatório minucioso do seu evangelismo. Por orientação divina os irmãos tentaram dissuadi-lo da ideia.  Eles tinham razão. Paulo foi atacado violentamente e por pouco não perdeu a vida.
            É interessante que enquanto Tiago e a igreja, com alegria ouviam das maravilhas que Deus fizera por intermédio do apóstolo, existia um grupo que não estava gostando de nada disso e, em fúria, tentou tirar-lhe a vida. As hostes de Satanás detestam ver e ouvir os testemunhos dos filhos de Deus. Soa em seus ouvidos como uma mensagem de derrota e realmente o é.
            O ato de Paulo contar em miúdos as bênçãos de Deus nos dá a entender duas coisas. Primeiro, para ele, todos os detalhes por mais simples que fossem era uma demonstração real do poder de Deus. Segundo, ele sabia o quanto a igreja seria fortalecida ao ver como Deus cuidou dele mesmo nos mínimos detalhes.
            Nunca saberemos o poder que o nosso testemunho pode causar nas pessoas que nos ouvem. Por mais simples que sejam as nossas experiências elas causarão um impacto positivo nos demais e que foge à nossa capacidade de mensurar. Contar o que Deus tem feito por nós faz tremer as hostes do mal, pois a igreja é levada a testemunhar com mais ousadia do nome de Cristo.
Terça
            Imagino se trouxéssemos a pergunta três da lição para os nossos dias. O que seria de nossa igreja se não soubéssemos das experiências maravilhosas que ouvimos na igreja, na rede Novo Tempo, na internet e em nossas revistas? Ou perguntando melhor, o que seria de nós?
             Quanta injeção de ânimo recebemos quando tomamos conhecimento de como Deus tem operado por intermédio de Seu povo ao redor do mundo e que alegria nos envolve ao imaginar que fazemos parte deste povo! E mais: que maravilha é imaginar que o mesmo Deus que atuou de maneira tão poderosa na igreja primitiva está ansioso para operar as mesmas maravilha no meio de nós e por nós.
Bom seria se a igreja atual escrevesse um novo Livro de Atos recheado com relatórios e testemunhos semelhantes aos de outrora. Deus e o mundo esperam por isso. Ellen G. White adverte: “Haja um reavivamento da fé e poder da primitiva igreja.” (Historia da Redenção, p 325).
Quarta
            Fazer relatórios sempre fez pare do povo de Deus. Os irmãos de José sempre que retornavam do Egito traziam um minucioso relatório da viagem e o apresentava ao seu pai. Foram os relatórios que Hanani trouxe de Jerusalém por ocasião do cativeiro babilônico que comoveu Neemias. Ele se colocou de joelhos e implorou o favor de Deus; e ai, começou o grande movimento de libertação do povo de Deus e a reconstrução de Jerusalém. Foi o relatório que Noemi apresentou ao seu povo contando o resultado de sua triste peregrinação nas terras de Moabe, que comoveu todo o Israel e fez com que o seu nome fosse incluído na genealogia de Cristo.
            Ao fazer o nosso relatório devemos ter três coisas em mente. A primeira é usar de veracidade. A segunda é enfatizar a atuação do poder de Deus na vida das pessoas com quem entramos em contato. E a terceira é manifestar a certeza de que Deus esta dirigindo a nossa vida em prol das pessoas. No caso dos espias dez falharam redondamente. Talvez tenham usado de veracidade, mas não confiaram na direção divina.
            O nosso relatório deve ter um conteúdo conciso e pessoal e jamais a elevação do eu deve sobressair. Quando Absalão foi morto pelas tropas de Davi, Aimaás se apressou em levar o fatídico relatório ao rei Davi, mas Joabe não lhe permitiu. E Cuse foi o escolhido para apresentar a triste noticia. Porém, Aimaás decidiu que correria também e ele chegou primeiro. Ao ser-lhe franqueada a oportunidade de relatar apenas disse que viu um grande alvoroço mas não sabia de nada. Logo chegou Cusi e a sua mensagem tinha conteúdo (2 Samuel 18:19-21). Temos que nos ater a fatos reais e não ficar por ai propagando alvoroço. O nosso relatório deve ser o resultado de nossa experiência pessoal.
Quinta
            Pedro estava diante de uma encruzilhada. Entrar na casa do gentio Cornélio e lhe mostrar o amor de Deus ou permanecer amarrado aos princípios judaicos de distanciamento dos gentios. Tudo foi aclarado com a visão do lençol contendo animais limpos e imundos.
            A principio, o seu relatório foi repudiado pela igreja. Mas Pedro relatou a visão que tivera e, então, fez a pergunta que acalmou a todos: “quem era então eu, para que pudesse resistir a Deus”? (Atos 11:17).
            Foi um relatório bem feito e apresentado com humildade que levou os irmãos de Jerusalém a aceitarem os gentios como irmãos em Cristo. Sabemos que essa aceitação não foi total e irrestrita. Alguns setores da igreja continuaram questionando com Paulo a esse respeito. Mas a verdade foi esclarecida com um relatório. Era apenas uma questão de aceitação.
Conclusão
            No caso da noticia da morte de Absalão a noticia era uma das piores para Davi e Aimaás não teve a humildade de aceitar a ordem do comandante. Mas a sua atitude serviu apenas para alardear um alvoroço despertando o interesse pelo relatório final.
            Em nossa atuação na igreja temos de cuidar muito do que relatar, como relatar e a quem relatar. Tem muitas pessoas na igreja que são ávidas em propagar alvoroço. Se alguma coisa não vai bem peçamos a direção divina e aguardemos com calma a providencia de Deus. Muito cuidado para que o nosso relatório não seja apenas fofoca.  
  

            

Uma resposta de amor


Comentário da lição da Escola Sabatina de dois a nove de junho de 2012, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor da meditação Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
            Certa vez uma enfermeira atendia a um paciente coberto de chagas purulentas e fétidas. Alguém que passava por perto disse: “Eu não faria isso por dinheiro nenhum.” Ao que a enfermeira respondeu: “Eu também não.”
            O autor da lição nos admoesta que o único motivo que nos deve impulsionar no trabalho missionário é o reconhecimento do amor de Deus por nós. Um estudo bíblico apresentado por obrigação perde a sua verdadeira essência. Sem amor o nosso testemunho é destituído de vitalidade e se torna vazio. Gosto do lema dos desbravadores: “O amor de Cristo nos constrange” (2 Coríntios 5:14). É esse lema que leva o desbravador a fazer longas caminhadas, a escalar montanhas, a se embrenhar na mata e se expor a chuva, ao sereno e ao Sol escaldante.
O nosso testemunho deve ser algo espontâneo que brote naturalmente de nossos lábios e da nossa maneira de ser. É a consciência de que se eu fosse o único pecador no mundo, mesmo assim Jesus teria suportado as agonias do Calvário por mim. Diz Ellen G. White: “Quando alguns, unidos os seus esforços humanos com os divinos, procuram alcançar as profundezas dos ais e misérias humanos, sobre eles repousará ricamente a bênção de Deus. Mesmo que apenas poucos aceitem a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, sua obra não será vã; pois uma vida é preciosa, muito preciosa, aos olhos de Deus. Cristo teria morrido por uma só pessoa, a fim de que ela pudesse viver pelos séculos eternos. ...” (Beneficência Social, p 249). 
Domingo
            A Bíblia apresenta 365 vezes a mensagem “não temas”. Para quem compreende a profundidade do amor de Deus por nós realmente não há razões para temer. O Seu amor é infinito.
 Um carro atropelou uma criança que ficou presa debaixo dele. Um grupo de pessoas logo se formou ao redor e discutiam como retirar a criança. Enquanto trocavam ideias uma senhora chegou e sozinha ergueu o carro. Ela era a mãe do pequeno. O amor de mãe fez a diferença.
            O nosso amor por Cristo por mais expressivo que seja não é um amor raiz. João afirma que Jesus nos amou primeiro. Hoje existe vários tipos de amor que geralmente giram em torno de interesses pessoais, econômicos e outros. Muitas vezes são amores temporários que duram enquanto perduram os interesses. O amor de Jesus é diferente. Ele nos amou independente de nossa rebeldia e indiferença. A Bíblia ao falar do amor de Jesus pelos Seus discípulos afirma que o Seu amor não tem solução de continuidade: “Ora, antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim” (João 13:1). Amar até o fim é o amor que independente do que acontecer ele permanece imutável.
            O verbo constranger tem duas aplicações opostas. Pode significar vergonha, acanhamento a que uma pessoa cause a outra. Ou pode ser uma força que nos impele a fazer algo por alguém. Em nosso relacionamento com Cristo as duas excreções podem estar em jogo. O Seu amor me constrange a fazer tudo por Ele ou a minha resposta ao Seu amor pode Lhe causar constrangimentos.
            O autor da lição nos lembra de uma premissa básica. O amor é a força propulsora que nos impulsiona a fazermos a vontade de Cristo. Sem amor a obediência é impraticável.
Segunda
            A nossa ação em testemunhar deve ser espontânea. Ela deve ser tão natural como comer e beber. O testemunho quando surge de frequentes apelos ou ameaças como: “Ai de mim se não pregar o evangelho” não traduz à gratidão que realmente deve nos impulsionar.
             A nossa resistência em falar do evangelho com as pessoas é algo natural do ser humano e não deixa de revelar o nosso egoísmo. Por que deter algo de tão bom só para mim? Temos que suplantar essas barreiras. O evangelho só produz a verdadeira paz e alegria em nossa vida se o partilharmos com as outras pessoas.
Terça
            Uma das perguntas para meditação no rodapé da página de terça feira nos interroga: “Como podemos ter a certeza de que fazemos as coisas para Deus com a motivação certa?” Uma coisa é clara. A motivação oriunda de frequentes apelos humanos pode até funcionar, mas por períodos curtos e sazonais.
            O verdadeiro missionário não é resultado de frequentes apelos pastorais  mas de um estilo de vida que não o permita viver sem anunciar o evangelho. O que Cristo fez por cada um de nós deve ser o suficiente fazer de todos nós verdadeiros portadores de luz.
            A nossa ação missionária deve ser tão voluntária e tão natural em nossa vida como foi o sacrifício de Cristo por nós.
Quarta  
             A parte de quarta feira aborda um outro aspecto que, equivocadamente, pode levar alguém a pregar o evangelho. Ser obediente. Falo do evangelho para as pessoas e assim Deus me considera uma pessoa boazinha. Nesse aspecto vivo em paz com a minha consciência.
            O fato de eu testemunhar não me torna mais santo se este testemunho não for impulsionado por um único motivo: amor. O nosso amor a Cristo deve ser o motivador a nos impulsionar permanentemente para junto daqueles que não conhecem o amor que redime.
Quinta  
            Muitos encontram dificuldade para entender a verdadeira liberdade que Cristo oferece. “O verdadeiro cristão jamais se queixará de que o jugo de Cristo é torturante. Ele considera o serviço de Cristo como a mais autêntica liberdade. A lei de Deus é todo o seu prazer. Em vez de procurar baixar as ordens divinas, para estarem de acordo com as suas deficiências, ele se esforça constantemente por, elevar-se ao nível de sua perfeição” (Maranata-Meditação Matinal p. 22). Uma vez convertido não somos mais escravos de Satanás.
Afirma Ellen G. White: “Não há constrangimento na obra da redenção. Não se exerce nenhuma força externa. Sob a influência do Espírito de Deus, o homem é deixado livre para escolher a quem há de servir. Na mudança que se opera quando a alma se entrega a Cristo, há o mais alto senso de liberdade. A expulsão do pecado é ato da própria alma” (O Desejado de Todas as Nações p 446).
Quando mais entendemos o amor de Deus mais compreendemos a verdadeira liberdade que Ele oferece.  “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8:36). Antes de nossa conversão éramos escravos do pecado para morte mas depois nos tornamos escravos de Cristo para a vida.
Conclusão
            Costumo dizer que somos bons de iniciativa, mas pecamos em finiciativa. Sempre começamos bem mas pecamos na continuidade e muitas vezes os nossos projetos morrem ao longo do caminho. Nem sempre a chama do amor permanece viva em nosso coração. A recomendação bíblica é: "Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nEle." Col. 2:6. Uma coisa é estar no caminho outra coisa muito diferente é permanecer caminhando.
             A Bíblia afirma que Jesus nos amou até o fim. É esse o amor que Ele espera de cada um de nós. Fogo de palha é bonito mas não faz churrasco. Isso é válido para todas as dimensões de nossa vida. Até mesmo na vida profissional. “Se em vós permanecer o que desde o princípio ouvistes, também permanecereis no Filho e no Pai” (1 João 2:24).
            

Liberdade para ministrar


Comentário da lição da Escola Sabatina de 26 de maio a 2 de junho de 2012, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
            Ninguém deve permanecer inativo na igreja. Para que isso não aconteça duas coisas são necessárias. Primeiro que cada membro da igreja descubra o seu dom e procure desenvolve-lo da melhor forma possível. Em segundo lugar a liderança da igreja deve proporcionar a cada membro incentivo, treinamento e trabalho planejado. Nem o membro nem a liderança deve esperar por supostos milagres para que isso aconteça. “Esta é a obra em que nós também nos devemos empenhar. Em vez de viver na expectativa de algum tempo especial de agitação, cumpre-nos aproveitar sabiamente as oportunidades presentes, fazendo o que deve ser feito para que almas sejam salvas” (Mensagens Escolhidas, p 186).
            Sou bastante tímido para estabelecer um contato missionário com alguém. Já aconteceu de eu encontrar pessoas que, sem que eu soubesse, estavam desejosas de conhecer a Bíblia e quando “acordei” elas já estavam frequentando outra igreja. A timidez é um de nossos maiores inimigos. Às vezes nos falta aquela certeza oferecida a Paulo: “A minha graça te basta.”
Domingo
Compartilhar responsabilidades é um aspecto bastante delicado no trabalho missionário. Às vezes o líder delega e, por motivos vários, não é correspondido. Por outro lado ele tenta fazer tudo sozinho e se arrebenta.
Certa vez acompanhei um jovem pastor em seu novo distrito. Já estava marcado um treinamento para todas as lideranças que aconteceria no mês seguinte em uma cidade vizinha. Toda a administração do campo estaria presente. Aquele pastor assumiu sozinho a responsabilidade de contratar os ônibus e de acertar com cada irmão.
Perguntei por que estava fazendo tudo sozinho e ele respondeu que existiam vários motivos como:
- Ele não conhecia os irmãos e não sabia quem poderia assumir uma responsabilidade assim.
- Essa era uma oportunidade de conhecer melhor os lideres de cada uma de suas igrejas.
- Agindo direto ele poderia levar mais pessoas e o treinamento seria muito importante para o bom andamento das igrejas.
- A associação estava com um novo presidente e ele desejava que todos os líderes de departamentos de seu distrito o conhecesse.
O treinamento foi um sucesso. O seu distrito conseguiu reunir o maior número de participantes naquela ocasião. Quando o líder conhece bem a sua equipe é mais fácil delegar. Jetro aconselhou Moises a escolher líderes capazes.  Isso implica em conhecer as pessoas e o potencial de cada uma. Moisés escolheu líderes de dez e de cem. Ele teve o cuidado de não delegar responsabilidade acima da capacidade de cada um. Mas são necessários também treinamento e motivação.
Segunda
Compartilhar responsabilidades é necessário mas, o líder deve estar preparado para possíveis fracassos. Correr riscos faz parte de qualquer administração. Há um dito popular que diz; “Quem não arrisca não petisca.” Só que não podemos confundir esse dito com desorganização. As ações devem ser bem planejadas.
Quando Jesus afirma que somos conhecidos pelos frutos que apresentamos isso envolve os frutos advindos de nossa vida espiritual e de nosso desempenho. Em que área produzimos os melhores resultados?
Jesus afirmou que existem árvores boas e árvores más. Esse é um ponto delicado, pois não conhecemos o íntimo das pessoas. A nossa única salvaguarda é pedir a direção do Espírito Santo.
Um ponto importante também é que muitos líderes esperam que cada liderado faça as coisas tal qual ele faz. Mas cada pessoa tem a sua maneira e o seu jeito de trabalhar. Alguns detalhes, às vezes, tem que serem relevados.
Terça
O rápido crescimento da igreja primitiva mostrou aos discípulos a necessidade de um grupo especial. Alguém que servisse as mesas. A escolha dos sete diáconos possibilitou a igreja a oferecer junto com o pão espiritual, o pão material.
Certa vez escrevi um folheto e foi votado pela comissão da igreja que ele seria entregue em todas as quadras do bairro onde a igreja estava localizada. O propósito era distribuir o folheto em um fim de semana e alguns dias depois fazer uma repescagem à procura de algum interessado.
Para distribuir o folheto a adesão da igreja foi total, mas na hora de fazer a segunda visita alguns se intimidaram. Um jovem me procurou e, tremendo disse que uma família mórmon queria conversar com mais tempo na segunda visita. Ele foi claro a afirmar que não iria lá de jeito nenhum. Naquela oportunidade entendi que nem todos que distribuíram os folhetos tinham a mesma facilidade para fazer a repescagem. Montamos uma nova equipe para que esse trabalho fosse feito.
Tem um dizer popular de que cada macaco deve ficar no seu galho de árvore.  Só que nem sempre as coisas funcionam assim.  Conheço inúmeros irmãos que sentiram a necessidade de se prepararem para trabalhar com determinado tipo de pessoas. Alguns tiveram que aprender outras línguas e conhecer melhor os costumes e modos de vida de outros países. Um professor que trabalha com indígenas deve ter um preparo e disposição diferentes daquele que lecionam para o homem branco como eles nos identificam.
Mas o importante é que a colheita acontece em todos os lugares. Deus está conduzindo a pregação do evangelho. Ele tem as pessoas certas para ir a toda nação, tribo, língua e povo.


Quarta
            O autor da lição faz um alerta de que não devemos pregar o evangelho apenas com o objetivo de manter viva a nossa fé. O desejo premente de quem anuncia o evangelho é de contribuir para a salvação de pessoas.
            Mas é natural que uma pessoa motivada a pregar o evangelho e que o faz com zelo e oração permanece mais intimamente ligada com Deus. O seu fervor a levou a testemunhar e esse testemunhar fortalece ainda mais a sua fé.
            Gostei da colocação do autor quando ele salienta que “os que vivem de acordo com a verdade bíblica que conhecem receberão maior luz”.  Isso não quer dizer que Deus esteja fazendo acepção de pessoas. Um professor não vai oferecer um conteúdo para um aluno cujo conhecimento esteja muito aquém do pretendido pelo professor. Para anunciar o evangelho com eficácia temos de crescer em conhecimento e espiritualidade. Esse é o segredo para recebermos galardão.
Quinta
            Uma senhora foi condenada à morte. O rei promoveu uma última reunião para determinar o ritual da execução. Nesse momento o esposo pede a palavra, se ajoelha e em seu pedido de clemencia se oferece para morrer em lugar da esposa. O rei comovido decide que um casal que se ama tanto não pode sofrer uma separação tão abruta e perdoou a condenada.
            Já em casa o esposo perguntou para a esposa o que ela achou do esplendor do trono do rei. E ela respondeu: “Eu não vi o trono. Eu estava com os olhos fitos em um homem que naquele momento de joelhos se ofereceu para morrer em meu lugar.” 
            A nossa atenção está sempre voltada para aquilo que mais nos cativa. Focados na pregação do evangelho as diferenças que poderiam surgir entre irmãos não serão percebidas. O segredo da unidade dos apóstolos foi permitir que o Espírito Santo participasse de suas decisões. Até aquele momento não havia partidarismos.
            A aplicação que o autor da ao texto de Atos 15:36-40 deixa a entender que Paulo e Barnabé souberam administrar as divergências que surgiram entre eles. Mas as diferenças foram a extremos a tal ponto que a separação dos dois foi iminente. O mérito está em Deus que, com o incidente, formou duas equipes de grande potencial evangelístico. Não podemos usar este incidente para avalizar as nossas picuinhas entre irmãos. 
Conclusão
            Romanos 10:15 não está dizendo que a formosura de alguém esteja no vestir elegantemente ou no cantar bonito e nem na fala eloquente.  São os pés incansáveis, que não medem distancias e que estão dispostos a suplantar obstáculos na caminhada em direção ao pecador e que, com carinho, o traz aos pés de Cristo. Estes pés, calejados, empoeirados, feridos e maltratados, sim, são estes os pés formosos por excelência.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Comentário ocasional

Comentário ocasional
"NÃO SOU ADVENTISTA, MAS VEJO QUE É UM POVO BEM RESOLVIDO, ALEGRE; VERDADEIRAMENTE UM POVO SEPARADO QUE VIVE O QUE PREGA".


Certa vez passando pelo youtube  me deparei com esta declaração que, ao mesmo tempo em que me encheu de alegria despertou em mim uma profunda reflexão.  Será que a pessoa que escreveu está realmente falando toda a verdade sobre nós e falando sobre todos os adventistas?
Como eu desejo ser assim! Como eu desejo que toda a igreja seja assim!  

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Preparação para evangelizar e testemunhar


Comentário da Lição da Escola Sabatina de 19 a 26 de maio de 2012 preparados por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia-Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            O verso áureo traz uma verdade que deve ser considerada por todos nós. É Jesus, através do Espirito Santo, quem nos convida para a salvação e ao mesmo tempo é Ele quem nos prepara para anunciar o evangelho aos outros.
            Nem todos são chamados para o evangelismo, mas todos são chamados para testemunhar, mesmo quem foi chamado para o evangelismo. Testemunhar deve ser um estilo de vida adotado por todos que aceitam Jesus como o Seu Salvador. Testemunhar é um dom concedido automaticamente a todo o crente.  Diz Ellen G. White: “Todo verdadeiro discípulo nasce no reino de Deus como um missionário. Assim que vem a conhecer o Salvador, deseja pôr os outros em contato com Ele. A santificadora verdade não pode ficar encerrada em seu coração. Aquele que bebe da água viva torna-se uma fonte de vida. O recipiente vem a ser um doador. A graça de Cristo na alma é como uma fonte no deserto, vertendo para refrigerar a todos, e fazendo com que os prestes a perecer tenham sede da água da vida” (A Ciência do Bom Viver, págs. 102 e 103).
            O testemunho se prende mais às nossas atitudes de momento. É lógico que todo testemunho se for precedido de treinamento alcançará melhores resultados.         Mas fazer evangelismo depende de um preparo especial que às vezes envolve toda uma equipe. Além de preparo, o evangelismo depende de planejamento. Não esquecer que nem todos tem o dom de evangelizar, mas isso não quer dizer que todos não possam participar de uma campanha evangelística.
            Seja com testemunho ou com evangelismo todos nós que um dia foi fisgado pelo evangelho seremos pescadores de homens. Um detalhe: toda pescaria tem as suas técnicas e os seus “macetes”.
            Quando criança mamãe nos ensinava algumas técnicas de pescaria. Começava pelo tipo de peixe pretendido. Depois então ver o tamanho do anzol, o tipo de isca, se em água limpa ou suja, a fase da lua, se de manhã ou de tarde e assim por diante (Ver meditação Reavivar a Esperança, p. 165). Na pregação do evangelho é importante conhecer as pessoas com quem vamos trabalhar como religião, situação econômica, cultural, gostos e costumes, etc. De posse desses dados ver a melhor maneira de apresentar a mensagem para cada uma delas.
Domingo
            A empresa que não se preocupa em treinar corretamente os seus funcionários está fadada ao fracasso. Uma das coisas que faz parte de um treinamento é despertar a consciência dos treinandos de que ele responde por toda a empresa independente do setor em que trabalha. Caso a solicitação de um cliente seja fora de sua área o funcionário deve encaminhá-lo a alguém capaz de atendê-lo. 
Esse é o principio bíblico. A Bíblia afirma: “Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1 Pedro 3:1).
Ao planejar um treinamento é necessário conhecer o nível de conhecimento do grupo sobre o assunto a ser abordado para que haja melhor aproveitamento e não aconteça algo parecido com o descrito por Jansen de Queiroz Ferreira administrador pós-graduado em Recursos Humanos e Finanças pela FGV e Economista pela UERJ. Ele escreveu: “Normalmente, no período de treinamento, ocorre uma embriagues de conhecimento seguida de uma ressaca de frustração.” O seu comentário refere a um treinador que usa palavras e métodos muito acima do nível de absorção de seus treinandos o que resulta em um grande equívoco.
Deus espera todo o nosso empenho em anunciar o evangelho a toda criatura.
Segunda
            Jesus apresentava a mensagem de tal modo a deixar um gostinho de quero mais. Isso era tão comum com Jesus que às vezes era difícil encontrar tempo e lugar para descanso.
 “O povo escutava as palavras da vida, tão abundantemente brotadas dos lábios do Filho de Deus. Ouvia as graciosas palavras, tão simples e claras, que eram como o bálsamo de Gileade para sua alma. A cura de Sua mão divina trouxe alegria e vida aos moribundos, e conforto e saúde aos que padeciam de moléstias. O dia afigurou-se-lhes o Céu na Terra, e ficaram inteiramente inconscientes do tempo que fazia desde que tinham comido qualquer coisa” (O Desejado de Todas as Nações p. 365).
E mais: “Unicamente os métodos de Cristo trarão verdadeiro êxito no aproximar-se do povo. O Salvador misturava-Se com os homens como uma pessoa que lhes desejava o bem. Manifestava simpatia por eles, ministrava-lhes às necessidades e granjeava-lhes a confiança. Ordenava então "Segue-Me"” João 21:19 (A Ciência do Bom Viver, pág. 143). Essa deve ser a nossa maneira de testemunhar. Não há testemunho eficaz sem envolvimento com as pessoas. Observar com atenção o método usado por Cristo é o segredo do nosso testemunhar.
            João Batista tinha dúvidas se Jesus era mesmo o Messias prometido. O Salvador foi claro ao solicitar que ele devia observar os resultados de Seu ministério. Um ministério exercido com simpatia é revestido de poder.
Terça
            Durante os meus estágios como enfermeiro ao entramos em uma enfermaria para conhecer aquele que seria o nosso paciente, todos os colegas já sabiam qual seria o meu. A supervisora escolhia o mais complicado para mim. Embora o proposito fosse dificultar a minha aprovação, recebi uma experiência que nenhum outro colega teve. Essa atitude mesquinha na época me proporcionou uma experiência profissional que sempre me destacou ao longo do exercício da profissão.
            É comum ouvirmos dizer que sem cair na água ninguém aprende a nadar. A melhor escola é aquela em que se aprende fazendo. As águias constroem os seus ninhos nos penhascos no alto das montanhas. Ali os seus filhotes estão a salvo de predadores. Mas chega o momento em que eles são empurrados do ninho para o imenso abismo vazio. Sobre este assunto alguém escreveu bonito: “Enquanto eles não aprenderem a voar, não compreenderão o privilégio que é nascer águia.”
            O mesmo acontece conosco. Enquanto não trabalhamos para levar pessoas a Cristo não vamos compreender o privilégio de sermos filhos de Deus. O nosso crescimento espiritual tem muito a ver com o nosso testemunhar. Podemos ter muito conhecimento doutrinário mas se não repartimos com alguém ele se torna ineficaz em nossa vida. Temos tudo em mãos para um crescimento uniforme. “Os que tiveram o privilégio de ouvir a verdade, e foram impressionados pelo Espírito Santo a receber as Escrituras Sagradas como a voz de Deus, não têm desculpa para serem pigmeus na vida religiosa” (E Recebereis Poder – Meditação Matinal, p 69). 
Quarta
            Hoje estudamos a parte mais complicada do aprendizado. Aprender com as falhas. Quem aprende com os próprios erros é inteligente, mas quem aprende com os erros de terceiros é sábio.
            Eugênio Mussak educador e escritor afirmou: “Errou não faz mal, desde que você seja lúcido para admitir que errou, seja humilde para assumir a responsabilidade, seja esperto para consertar o resultado, seja sábio para incorporar o aprendizado.”
Em Joinville, uma empresa colocou na entrada uma placa que dizia: "Aqui é permitido errar". Trata-se de uma empresa adulta e atenta e, claro, competitiva e rica.  Paulo Vanzolini, cientista e poeta, é autor do célebre rifão: “Levanta, sacode a poeira, e dá a volta por cima". Não podemos confundir tais posturas como incentivo ao erro mas um alerta para não errar e caso aconteça não permanecer no erro.
            O desejo de mostrar Jesus para o próximo deve suplantar o nosso medo de testemunhar. Podemos ter a certeza de que sempre teremos anjos de plantão prontos a nos socorrer.
Quinta
            A depender da mão em que está o sucesso é uma espada de dois gumes. Quantos diante do sucesso se exaltam como Nabucodonosor: “Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com a força do meu poder, e para glória da minha magnificência?” (Daniel 4:30). O rei babilônico foi uma prova de que o sucesso nas mãos de pessoas despreparadas pode ser o maior fracasso. E o que dizer daquele fazendeiro que diante da farta colheita exclamou: “E direi à minha alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te.” O verdadeiro sucesso é aquele que sufoca o eu e faz nítida a direção divina. Bill Gates afirmou: “O sucesso é um professor perverso. Ele seduz as pessoas inteligentes e as faz pensar que jamais vão cair.”
            Poucos têm a humildade de aceitar o sucesso como um presente divino e estão aptas a receber mais.  Se é difícil administrar de maneira positiva o nosso próprio sucesso, mais difícil ainda é colher lições positivas do sucesso de outrem. Quando o sucesso sobe à cabeça facilmente o corpo desequilibra e cai no abismo.
Conclusão
            “Quem acha que não precisa de treinamento, precisa de tratamento” Robson Dutra.

domingo, 8 de abril de 2012

Evangelismo corporativo e testemunho

Comentário da lição da Escola Sabatina de 12 a 19 de maio de 2012, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            Na semana passada foi enfatizada a nossa participação individual no trabalho missionário. Agora estudaremos a nossa participação nas programações da igreja em todos os níveis. Por exemplo, nestes dias estamos envolvidos no projeto missionário A Grande Esperança, promovido pela DSA.
            A nossa participação corporativa não é só participar dos projetos, mas também apoiar a liderança que está à frente deles. Hoje acontece com frequência de o calendário de atividades da associação ou união restringirem o espaço para projetos locais de uma igreja ou grupo. É comum ver irmãos descontentes com isso.
A receptividade era bastante desenvolvida na Igreja Primitiva. Tanto Lídia como o carcereiro recepcionaram os líderes da Igreja em suas casas. Nos dias atuais a receptividade de lideres da obra em nossa casa se faz de maneira muito limitada e se vê mais em regiões interioranas. Há pouco passei um mês acompanhando meu filho em seu ministério em Santana do Araguaia no Pará. O seu distrito cobre uma área com mais de duzentos quilômetros de uma extremidade a outra e as estradas são péssimas. Ali é comum os irmãos acolher em casa o seu pastor e demais lideres da obra.
            A igreja que conheci aos cinco anos de idade era bem mais receptiva do que hoje. Papai sempre manteve as portas abertas para pastores, comportares e estudantes dos nossos colégios. Hoje lembro com saudades de estudantes como Otávio Costa e Rubens Lessa e de pastores atuantes na época como José Campos, Neil Gros e José Lessa. E o que dizer da lista de comporto como Leovegildo Reis, Herculano Rocha, Lázaro Bueno, Sebastião e Almerita Resende? Todos eles repousaram sob o nosso teto. Mas se hoje dedicarmos em apoiar os projetos desenvolvidos pela administração da Igreja já está de bom tamanho.
O nosso testemunhar deve estar envolvido com o planejamento da igreja como um todo. Somos parte de um corpo e o nosso viver e existir deve ser voltado para a edificação coletiva do Corpo de Cristo.
O verso áureo nos chama a atenção quanto à responsabilidade de passar para outros as verdades que nos trouxeram esperança e paz.
Domingo
            A cada dia que passa se acentua mais e mais o trabalho em equipe. Hoje uma das principais preocupações de uma empresa, ao selecionar funcionários, é testar a capacidade de trabalhar em equipe de seus candidatos. A cada dia se torna mais claro o pensamento de que ninguém é uma ilha.
            A nossa participação corporativa na igreja pode envolver o nosso trabalho isolado, mas afinado com os propósitos da igreja ou em duplas ou em alguma equipe voltada para algum projeto que promova o crescimento corporativo de nossa instituição.
O trabalho corporativo tem a ver também com o que podemos dizer continuidade. Na igreja não deve existir projetos individuais. Quem assume um cargo na igreja deve ter a humildade de dar prosseguimento ao trabalho já em andamento. A marca do eu tão comum entre políticos não deve existir entre nós. E isso apenas será possível se desenvolvermos o princípio de Cristo: “Viver para servir e não para ser servido.”
O carcereiro de Paulo e Silas estava em uma posição de superioridade em relação a eles, mas ao ser tocado pelo Espirito Santo sentiu a sua pequenez e a necessidade de ser ajudado pelos apóstolos.
Outro detalhe importante é que no desempenho de nossas atividades na igreja, necessitamos, com frequência, de algum conselho ou palavra de ânimo. A pessoa isolada fica atada a sua própria capacidade ou deficiência de absorver dúvidas e impactos e, portanto, é mais exposta ao desânimo. 
Segunda
            O estudo de hoje chama a nossa atenção para o perigo do individualismo. Nenhuma atividade da igreja deve ser desenvolvida de maneira isolada. Quando algum líder de departamento age de maneira particular ele não só cria uma área de conflito na igreja como também espoe o seu departamento ao fracasso.
            Geralmente uma igreja trabalha com uma agenda geral que envolve todos os seus departamentos. Tudo é amplamente discutido e cada evento de cada departamento deve se encaixar nas atividades gerais da igreja. Nessas discussões devem ser eliminadas todas as dúvidas.
            Duas coisas devem fazer parte de um planejamento. Objetivos e meios. Caso o objetivo de uma igreja é evangelizar uma determinada área ela deve oferecer aos seus membros as ferramentas de trabalho como materiais, treinamento e incentivo. A motivação inerente a cada um de nós deve ser reforçada e reavivada pela liderança. Uma igreja motivada avança a passos largos.
            O salmo 37 é um precioso manual para todo aquele que deseja ser vitorioso no testemunhar. Ele nos oferece a certeza de que Deus está no comando e atento em nos oferecer segurança e firmeza no testemunhar.
Terça
            Cada um de nós deve ter a humildade necessária para assumir qualquer lugar na execução do projeto geral da igreja. Muitos se melindram ao serem indicados para um cargo de pouca notoriedade.
            Sempre que toco neste assunto me vem em mente a história de Moisés quando Israel lutou com os amalequitas. Em quanto as mãos de Moisés estavam estendidas, Israel prevalecia, como as suas mãos eram pesadas, Arão e Hur as seguraram até o fim da batalha.  Diz o verso: “Porém as mãos de Moisés eram pesadas, por isso tomaram uma pedra, e a puseram debaixo dele, para assentar-se sobre ela; e Arão e Hur sustentaram as suas mãos, um de um lado e o outro do outro; assim ficaram as suas mãos firmes até que o sol se pós” (Êxodo 17:12).
            Alguns se recusam a sustentar as mãos de alguém e não aceitam serem atores coadjuvantes. Caso não apareçam voluntários para carregar o piano o concerto não acontece.
A disposição dos filipenses em pregar o evangelho impressionou o apostolo Paulo. Disse ele: “Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós,
Fazendo sempre com alegria oração por vós em todas as minhas súplicas,
Pela vossa cooperação no evangelho desde o primeiro dia até agora” (Filipenses 1:3-5).
Fico imaginando a felicidade de um pastor que conta com uma igreja assim!
Quarta
            Antes de Paulo exortar os irmãos de Éfeso a promoverem o crescimento da igreja ele faz uma séria advertência: “Para que não sejamos mais meninos inconstantes” (Verso 14). Você já observou como que as crianças mudam de ideia com facilidade. Elas ainda não possuem firmeza de propósitos. Ao mesmo tempo em que estão desenvolvendo um projeto em equipe se desentendem e partem para projetos individuais. Paulo condena esse comportamento infantil dentro da igreja.
 Paulo usa duas palavras mágicas para que o crescimento da igreja aconteça.  Unidade e Amor.  Sem que haja espírito de unidade e amor as coisas não deslancham. Cada um deve desempenhar a sua parte sem rivalidade pensando no bem comum.
Cada pessoa deve fazer a sua parte com espontaneidade dando preferencia aos seus dons, mas isso não significa que ninguém tem o dom de fazer determinadas coisas. Certa vez participei de uma pamonhada promovida por determinada igreja. Observei que todos se recusavam a ralar milho.  Não me lembro de nunca eu ter ralado tanto milho como naquele dia.
Paulo afirma que “todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor” (Efésios 4:16).  
É curioso ver a organização funcional das formigas. Elas se revezam em equipes e assim trabalham diuturnamente. Além da rainha, num formigueiro existem  as sentinelas (segurança), operárias (fazem os túneis do formigueiro e buscam alimentos) e as enfermeiras (cuidam das larvas). Elas não dependem de chefias e cada uma desenvolve o seu trabalho com esmero e dedicação. Organizadas assim elas impingem medo aos agricultores e podem destruir uma plantação em apenas uma noite. Imagine se tal organização existisse entre nós!
Quinta
            O evangelho não é propriedade exclusiva de ninguém. Quem recebe o evangelho e permanece inativo sem passa-lo adiante comete suicídio espiritual. Tal atitude demonstra que a pessoa não está convertida. As boas novas devem fluir automaticamente de minha vida.
            A nossa vida espiritual é como andar de bicicleta. Temos que estar em movimento, do contrario caímos. Trabalhei muito com enxadas, machado, foices e facas. Uma ferramenta por mais bem afiada que esteja, caso não seja usada, com o tempo ela perde o fio.
            Uma das coisas que Paulo enfatiza é a necessidade transmitir ao converso toda a instrução possível. Ele deve receber toda a orientação necessária para testemunhar com sabedoria. Esse testemunhar com sabedoria não quer dizer apenas conhecimento, mas ter desenvoltura ao faze-lo. Um conhecimento transmitido de cabeça baixa e cara fechada dificilmente dará resultados positivos.
Conclusão
            Qualquer projeto da igreja não deve ser lançado sem um exaustivo planejamento que envolve pontos básicos como:
- Possibilidades financeiras da igreja.
- Material humano necessário para a execução.
- Material de consumo adequado.
- Equipamentos disponíveis.
- Orientações básicas para a (as) equipe(s).
- Promover o envolvimento da igreja como um todo.