Comentário
da lição da Escola Sabatina de 9 a 16 de junho de 2012, preparado por Carmo
patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista
do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Jesus
pregava o evangelho, mas notou que havia certo desprezo a Sua pessoa e a tudo o
que ensinava. “E estava admirado da incredulidade deles” (Marcos 6:6).
Diante do seu aparente fracasso o Salvador decidiu organizar um grupo de seis duplas missionárias e
enviá-las para pregarem a mensagem de salvação. Pelos relatos bíblicos os
resultados foram surpreendentes. A mensagem foi pregada com autoridade e os
resultados foram maravilhosos. Enquanto
as seis duplas missionárias participavam da campanha missionária elaborada por
Cristo e experimentavam as alegrias de pregarem o evangelho, João Batista
estava sendo decapitado por Herodes.
O
Salvador estava sozinho. Repudiado pelo Seu povo vivia um momento de reflexão. Mas
uma noticia triste estava a caminho. Ela chegou e se revelou sem pedir licença.
João foi decapitado na prisão. Foi degolado aquele que Lhe preparou o caminho. Provavelmente
o Mestre ficou imaginando que Ele também teria o seu fim num futuro bem
próximo.
Será
que Deus trouxe uma palavra de conforto para Aquele coração sofredor? Foi envolto
em tristezas que Jesus recebeu os missionários que retornavam transbordando de
alegria. O testemunho dos eufóricos discípulos esvoaçou a tristeza e dissipou as
dúvidas. O Salvador foi reconfortado com a certeza de que o Seu ministério em
favor do homem estava dando certo, portanto compensava qualquer sacrifício.
Deus tem mil maneiras de como
confortar o nosso coração ferido. Mas entre tantas essa praticada naqueles
tempos ainda se mostra eficiente em nossos dias. “E os apóstolos ajuntaram-se a Jesus, e contaram-Lhe
tudo” (Marcos
6:30). O testemunho pessoal na igreja fortalece a fé de nossos irmãos e também
a nossa. Nesta semana e na próxima vamos estudar um pouco sobre a importância
do nosso relatório.
Esse relatório está dividido em duas partes. O verbal
quando partilhamos com a classe as alegrias vividas durante a semana. E o
numérico quando tudo que fizemos é traduzido em números. O primeiro nos
fortalece como pessoas e o segundo oferece informações para os administradores
da igreja indicando as nossas necessidades como treinamento e incentivo.
Relatar é um principio bíblico que muitos membros ainda não entenderam a razão
de existir.
Domingo
Pedro e João estavam
cumprindo mais um dia de rotina no ministério. Mas não seria um dia qualquer.
Eles restabeleceram a integridade física de um paralítico que por mais de
trinta anos permanecia na porta da igreja, mas nunca teve a oportunidade de
entrar dentro dela.
A voz estrondosa daquele homem dando glorias a Deus quebrou
a monótona rotina do templo e isso incomodou as autoridades eclesiásticas
constituídas da época. Ali estava alguém testemunhando a plenos pulmões do que
a graça de Deus foi capaz de operar em sua vida. O homem se tornou livre e, em
consequência, os apóstolos perderam a liberdade. Depois de pernoitarem na
prisão foram soltos. Retornaram para junto dos irmãos e relataram tudo o que
aconteceu. A igreja sentiu a necessidade de orar e o fizeram com fervor. O
resultado foi a conversão de cinco mil pessoas.
Partilhar com a igreja as maravilhas do evangelho
fortalece a fé dos irmãos e fazem eles conscientes das necessidades urgentes da
pregação. Esse é o resultado de um relatório apresentado com o único objetivo
de enaltecer o nome de Deus.
Segunda
Paulo sentiu a necessidade
de ir a Jerusalém e apresentar para a igreja um relatório minucioso do seu
evangelismo. Por orientação divina os irmãos tentaram dissuadi-lo da ideia. Eles tinham razão. Paulo foi atacado
violentamente e por pouco não perdeu a vida.
É interessante que enquanto Tiago e a igreja, com alegria
ouviam das maravilhas que Deus fizera por intermédio do apóstolo, existia um
grupo que não estava gostando de nada disso e, em fúria, tentou tirar-lhe a
vida. As hostes de Satanás detestam ver e ouvir os testemunhos dos filhos de
Deus. Soa em seus ouvidos como uma mensagem de derrota e realmente o é.
O ato de Paulo contar em miúdos as bênçãos de Deus nos dá
a entender duas coisas. Primeiro, para ele, todos os detalhes por mais simples
que fossem era uma demonstração real do poder de Deus. Segundo, ele sabia o
quanto a igreja seria fortalecida ao ver como Deus cuidou dele mesmo nos
mínimos detalhes.
Nunca saberemos o poder que o nosso testemunho pode causar
nas pessoas que nos ouvem. Por mais simples que sejam as nossas experiências
elas causarão um impacto positivo nos demais e que foge à nossa capacidade de
mensurar. Contar o que Deus tem feito por nós faz tremer as hostes do mal, pois
a igreja é levada a testemunhar com mais ousadia do nome de Cristo.
Terça
Imagino se trouxéssemos a
pergunta três da lição para os nossos dias. O que seria de nossa igreja se não
soubéssemos das experiências maravilhosas que ouvimos na igreja, na rede Novo
Tempo, na internet e em nossas revistas? Ou perguntando melhor, o que seria de
nós?
Quanta injeção de
ânimo recebemos quando tomamos conhecimento de como Deus tem operado por
intermédio de Seu povo ao redor do mundo e que alegria nos envolve ao imaginar
que fazemos parte deste povo! E mais: que maravilha é imaginar que o mesmo Deus
que atuou de maneira tão poderosa na igreja primitiva está ansioso para operar
as mesmas maravilha no meio de nós e por nós.
Bom seria se a igreja atual
escrevesse um novo Livro de Atos recheado com relatórios e testemunhos
semelhantes aos de outrora. Deus e o mundo esperam por isso. Ellen G. White
adverte: “Haja um reavivamento da fé e poder da primitiva igreja.” (Historia da
Redenção, p 325).
Quarta
Fazer relatórios sempre fez pare do
povo de Deus. Os irmãos de José sempre que retornavam do Egito traziam um minucioso
relatório da viagem e o apresentava ao seu pai. Foram os relatórios que Hanani
trouxe de Jerusalém por ocasião do cativeiro babilônico que comoveu Neemias.
Ele se colocou de joelhos e implorou o favor de Deus; e ai, começou o grande
movimento de libertação do povo de Deus e a reconstrução de Jerusalém. Foi o
relatório que Noemi apresentou ao seu povo contando o resultado de sua triste
peregrinação nas terras de Moabe, que comoveu todo o Israel e fez com que o seu
nome fosse incluído na genealogia de Cristo.
Ao fazer o nosso relatório devemos
ter três coisas em mente. A primeira é usar de veracidade. A segunda é
enfatizar a atuação do poder de Deus na vida das pessoas com quem entramos em
contato. E a terceira é manifestar a certeza de que Deus esta dirigindo a nossa
vida em prol das pessoas. No caso dos espias dez falharam redondamente. Talvez
tenham usado de veracidade, mas não confiaram na direção divina.
O nosso relatório deve ter um
conteúdo conciso e pessoal e jamais a elevação do eu deve sobressair. Quando
Absalão foi morto pelas tropas de Davi, Aimaás se apressou em levar o fatídico relatório ao rei Davi,
mas Joabe não lhe permitiu. E Cuse foi o escolhido para apresentar a triste
noticia. Porém, Aimaás decidiu que correria também e ele chegou primeiro. Ao
ser-lhe franqueada a oportunidade de relatar apenas disse que viu um grande
alvoroço mas não sabia de nada. Logo chegou Cusi e a sua mensagem tinha
conteúdo (2 Samuel 18:19-21). Temos que nos ater a fatos reais e não ficar por
ai propagando alvoroço. O nosso relatório deve ser o resultado de nossa
experiência pessoal.
Quinta
Pedro estava diante de uma
encruzilhada. Entrar na casa do gentio Cornélio e lhe mostrar o amor de Deus ou
permanecer amarrado aos princípios judaicos de distanciamento dos gentios. Tudo
foi aclarado com a visão do lençol contendo animais limpos e imundos.
A principio, o seu relatório foi
repudiado pela igreja. Mas Pedro relatou a visão que tivera e, então, fez a
pergunta que acalmou a todos: “quem era então eu, para que pudesse resistir a Deus”? (Atos 11:17).
Foi um relatório bem feito e apresentado com humildade
que levou os irmãos de Jerusalém a aceitarem os gentios como irmãos em Cristo.
Sabemos que essa aceitação não foi total e irrestrita. Alguns setores da igreja
continuaram questionando com Paulo a esse respeito. Mas a verdade foi
esclarecida com um relatório. Era apenas uma questão de aceitação.
Conclusão
No caso da noticia da morte de Absalão a
noticia era uma das piores para Davi e Aimaás não teve a humildade de aceitar a
ordem do comandante. Mas a sua atitude serviu apenas para alardear um alvoroço
despertando o interesse pelo relatório final.
Em nossa atuação na igreja temos de cuidar muito do que
relatar, como relatar e a quem relatar. Tem muitas pessoas na igreja que são
ávidas em propagar alvoroço. Se alguma coisa não vai bem peçamos a direção
divina e aguardemos com calma a providencia de Deus. Muito cuidado para que o
nosso relatório não seja apenas fofoca.
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