Comentário da lição da Escola Sabatina de dois a
nove de junho de 2012, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do
Jornal Esperança e autor da meditação Reavivar
a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da
Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Certa
vez uma enfermeira atendia a um paciente coberto de chagas purulentas e
fétidas. Alguém que passava por perto disse: “Eu não faria isso por dinheiro
nenhum.” Ao que a enfermeira respondeu: “Eu também não.”
O autor da lição nos admoesta que o
único motivo que nos deve impulsionar no trabalho missionário é o reconhecimento
do amor de Deus por nós. Um estudo bíblico apresentado por obrigação perde a
sua verdadeira essência. Sem amor o nosso testemunho é destituído de vitalidade
e se torna vazio. Gosto do lema dos desbravadores: “O amor de Cristo nos
constrange” (2 Coríntios 5:14). É esse lema que leva o desbravador a fazer
longas caminhadas, a escalar montanhas, a se embrenhar na mata e se expor a
chuva, ao sereno e ao Sol escaldante.
O
nosso testemunho deve ser algo espontâneo que brote naturalmente de nossos
lábios e da nossa maneira de ser. É a consciência de que se eu fosse o único
pecador no mundo, mesmo assim Jesus teria suportado as agonias do Calvário por
mim. Diz Ellen G. White:
“Quando
alguns, unidos os seus esforços humanos com os divinos, procuram alcançar as
profundezas dos ais e misérias humanos, sobre eles repousará ricamente a bênção
de Deus. Mesmo que apenas poucos aceitem a graça de nosso Senhor Jesus Cristo,
sua obra não será vã; pois uma vida é preciosa, muito preciosa, aos olhos de
Deus. Cristo teria morrido por uma só pessoa, a fim de que ela
pudesse viver pelos séculos eternos. ...” (Beneficência Social, p 249).
Domingo
A Bíblia apresenta 365 vezes a
mensagem “não temas”. Para quem compreende a profundidade do amor de Deus por
nós realmente não há razões para temer. O Seu amor é infinito.
Um carro atropelou uma criança que ficou presa
debaixo dele. Um grupo de pessoas logo se formou ao redor e discutiam como retirar
a criança. Enquanto trocavam ideias uma senhora chegou e sozinha ergueu o
carro. Ela era a mãe do pequeno. O amor de mãe fez a diferença.
O nosso amor por Cristo por mais
expressivo que seja não é um amor raiz. João afirma que Jesus nos amou
primeiro. Hoje existe vários tipos de amor que geralmente giram em torno de
interesses pessoais, econômicos e outros. Muitas vezes são amores temporários
que duram enquanto perduram os interesses. O amor de Jesus é diferente. Ele nos amou independente de nossa rebeldia e
indiferença. A Bíblia ao falar do amor de Jesus pelos Seus discípulos afirma
que o Seu amor não tem solução de continuidade: “Ora,
antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a sua hora de passar
deste mundo para o Pai, como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os
até o fim” (João
13:1).
Amar até o fim é o amor que independente do que acontecer ele permanece
imutável.
O verbo constranger tem duas
aplicações opostas. Pode significar vergonha, acanhamento a que uma pessoa
cause a outra. Ou pode ser uma força que nos impele a fazer algo por alguém. Em
nosso relacionamento com Cristo as duas excreções podem estar em jogo. O Seu
amor me constrange a fazer tudo por Ele ou a minha resposta ao Seu amor pode
Lhe causar constrangimentos.
O autor da lição nos lembra de uma
premissa básica. O amor é a força propulsora que nos impulsiona a fazermos a
vontade de Cristo. Sem amor a obediência é impraticável.
Segunda
A nossa ação em testemunhar deve ser
espontânea. Ela deve ser tão natural como comer e beber. O testemunho quando
surge de frequentes apelos ou ameaças como: “Ai de mim se não pregar o
evangelho” não traduz à gratidão que realmente deve nos impulsionar.
A nossa resistência em falar do evangelho com
as pessoas é algo natural do ser humano e não deixa de revelar o nosso egoísmo.
Por que deter algo de tão bom só para mim? Temos que suplantar essas barreiras.
O evangelho só produz a verdadeira paz e alegria em nossa vida se o
partilharmos com as outras pessoas.
Terça
Uma
das perguntas para meditação no rodapé da página de terça feira nos interroga:
“Como podemos ter a certeza de que fazemos as coisas para Deus com a motivação
certa?” Uma coisa é clara. A motivação oriunda de frequentes apelos humanos
pode até funcionar, mas por períodos curtos e sazonais.
O verdadeiro missionário não é
resultado de frequentes apelos pastorais
mas de um estilo de vida que não o permita viver sem anunciar o
evangelho. O que Cristo fez por cada um de nós deve ser o suficiente fazer de
todos nós verdadeiros portadores de luz.
A nossa ação missionária deve ser
tão voluntária e tão natural em nossa vida como foi o sacrifício de Cristo por
nós.
Quarta
A parte de quarta feira aborda um
outro aspecto que, equivocadamente, pode levar alguém a pregar o evangelho. Ser
obediente. Falo do evangelho para as pessoas e assim Deus me considera uma
pessoa boazinha. Nesse aspecto vivo em paz com a minha consciência.
O
fato de eu testemunhar não me torna mais santo se este testemunho não for
impulsionado por um único motivo: amor. O nosso amor a Cristo deve ser o
motivador a nos impulsionar permanentemente para junto daqueles que não
conhecem o amor que redime.
Quinta
Muitos encontram dificuldade
para entender a verdadeira liberdade que Cristo oferece. “O verdadeiro cristão
jamais se queixará de que o jugo de Cristo é
torturante. Ele considera o serviço de Cristo como
a mais autêntica liberdade. A lei
de Deus é todo o seu prazer. Em vez de procurar baixar as ordens divinas, para
estarem de acordo com as suas deficiências, ele se esforça constantemente por,
elevar-se ao nível de sua perfeição” (Maranata-Meditação Matinal p. 22). Uma
vez convertido não somos mais escravos de Satanás.
Afirma Ellen G. White: “Não há constrangimento na obra da
redenção. Não se exerce nenhuma força externa. Sob a influência do Espírito de
Deus, o homem é deixado livre para escolher a quem há de servir. Na mudança que
se opera quando a alma se entrega a Cristo,
há o mais alto senso de liberdade.
A expulsão do pecado é ato da própria alma” (O Desejado de Todas as Nações p
446).
Quando mais entendemos o
amor de Deus mais compreendemos a verdadeira liberdade que Ele oferece. “Se, pois, o Filho vos libertar,
verdadeiramente sereis livres” (João 8:36). Antes de nossa conversão éramos escravos
do pecado para morte mas depois nos tornamos escravos de Cristo para a vida.
Conclusão
Costumo dizer que somos bons de iniciativa, mas pecamos
em finiciativa. Sempre começamos bem mas pecamos na continuidade e muitas vezes
os nossos projetos morrem ao longo do caminho. Nem sempre a chama do amor
permanece viva em nosso coração. A recomendação bíblica é: "Como, pois,
recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nEle." Col. 2:6. Uma
coisa é estar no caminho outra coisa muito diferente é permanecer caminhando.
A Bíblia afirma
que Jesus nos amou até o fim. É esse o amor que Ele espera de cada um de nós.
Fogo de palha é bonito mas não faz churrasco. Isso é válido para todas as
dimensões de nossa vida. Até mesmo na vida profissional. “Se em vós permanecer o que
desde o princípio ouvistes, também permanecereis no Filho e no Pai” (1
João 2:24).
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