Comentário da lição da Escola Sabatina de 26 de maio
a 2 de junho de 2012, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal
Esperança e autor de Reavivar a
Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da
Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Ninguém deve permanecer inativo na
igreja. Para que isso não aconteça duas coisas são necessárias. Primeiro que
cada membro da igreja descubra o seu dom e procure desenvolve-lo da melhor
forma possível. Em segundo lugar a liderança da igreja deve proporcionar a cada
membro incentivo, treinamento e trabalho planejado. Nem o membro nem a
liderança deve esperar por supostos milagres para que isso aconteça. “Esta é a obra em que nós também
nos devemos empenhar. Em vez de viver na expectativa de algum tempo especial de
agitação, cumpre-nos aproveitar sabiamente as oportunidades presentes, fazendo o que deve ser feito para que almas sejam salvas” (Mensagens
Escolhidas, p 186).
Sou bastante tímido para estabelecer um contato
missionário com alguém. Já aconteceu de eu encontrar pessoas que, sem que eu
soubesse, estavam desejosas de conhecer a Bíblia e quando “acordei” elas já
estavam frequentando outra igreja. A timidez é um de nossos maiores inimigos.
Às vezes nos falta aquela certeza oferecida a Paulo: “A minha graça te basta.”
Domingo
Compartilhar responsabilidades é um aspecto
bastante delicado no trabalho missionário. Às vezes o líder delega e, por
motivos vários, não é correspondido. Por outro lado ele tenta fazer tudo
sozinho e se arrebenta.
Certa vez acompanhei um jovem pastor em seu
novo distrito. Já estava marcado um treinamento para todas as lideranças que
aconteceria no mês seguinte em uma cidade vizinha. Toda a administração do
campo estaria presente. Aquele pastor assumiu sozinho a responsabilidade de
contratar os ônibus e de acertar com cada irmão.
Perguntei por que estava fazendo tudo sozinho
e ele respondeu que existiam vários motivos como:
- Ele não conhecia os irmãos e não sabia quem
poderia assumir uma responsabilidade assim.
- Essa era uma oportunidade de conhecer
melhor os lideres de cada uma de suas igrejas.
- Agindo direto ele poderia levar mais
pessoas e o treinamento seria muito importante para o bom andamento das
igrejas.
- A associação estava com um novo presidente
e ele desejava que todos os líderes de departamentos de seu distrito o
conhecesse.
O treinamento foi um sucesso. O seu distrito
conseguiu reunir o maior número de participantes naquela ocasião. Quando o
líder conhece bem a sua equipe é mais fácil delegar. Jetro aconselhou Moises a
escolher líderes capazes. Isso implica
em conhecer as pessoas e o potencial de cada uma. Moisés escolheu líderes de
dez e de cem. Ele teve o cuidado de não delegar responsabilidade acima da
capacidade de cada um. Mas são necessários também treinamento e motivação.
Segunda
Compartilhar responsabilidades é necessário
mas, o líder deve estar preparado para possíveis fracassos. Correr riscos faz
parte de qualquer administração. Há um dito popular que diz; “Quem não arrisca
não petisca.” Só que não podemos confundir esse dito com desorganização. As
ações devem ser bem planejadas.
Quando Jesus afirma que somos conhecidos
pelos frutos que apresentamos isso envolve os frutos advindos de nossa vida
espiritual e de nosso desempenho. Em que área produzimos os melhores
resultados?
Jesus afirmou que existem árvores boas e
árvores más. Esse é um ponto delicado, pois não conhecemos o íntimo das
pessoas. A nossa única salvaguarda é pedir a direção do Espírito Santo.
Um ponto importante também é que muitos líderes
esperam que cada liderado faça as coisas tal qual ele faz. Mas cada pessoa tem
a sua maneira e o seu jeito de trabalhar. Alguns detalhes, às vezes, tem que
serem relevados.
Terça
O rápido crescimento da igreja primitiva
mostrou aos discípulos a necessidade de um grupo especial. Alguém que servisse
as mesas. A escolha dos sete diáconos possibilitou a igreja a oferecer junto
com o pão espiritual, o pão material.
Certa vez escrevi um folheto e foi votado
pela comissão da igreja que ele seria entregue em todas as quadras do bairro
onde a igreja estava localizada. O propósito era distribuir o folheto em um fim
de semana e alguns dias depois fazer uma repescagem à procura de algum
interessado.
Para distribuir o folheto a adesão da igreja
foi total, mas na hora de fazer a segunda visita alguns se intimidaram. Um
jovem me procurou e, tremendo disse que uma família mórmon queria conversar com
mais tempo na segunda visita. Ele foi claro a afirmar que não iria lá de jeito
nenhum. Naquela oportunidade entendi que nem todos que distribuíram os folhetos
tinham a mesma facilidade para fazer a repescagem. Montamos uma nova equipe
para que esse trabalho fosse feito.
Tem um dizer popular de que cada macaco deve
ficar no seu galho de árvore. Só que nem
sempre as coisas funcionam assim.
Conheço inúmeros irmãos que sentiram a necessidade de se prepararem para
trabalhar com determinado tipo de pessoas. Alguns tiveram que aprender outras
línguas e conhecer melhor os costumes e modos de vida de outros países. Um
professor que trabalha com indígenas deve ter um preparo e disposição
diferentes daquele que lecionam para o homem branco como eles nos identificam.
Mas o importante é que a colheita acontece em
todos os lugares. Deus está conduzindo a pregação do evangelho. Ele tem as
pessoas certas para ir a toda nação, tribo, língua e povo.
Quarta
O
autor da lição faz um alerta de que não devemos pregar o evangelho apenas com o
objetivo de manter viva a nossa fé. O desejo premente de quem anuncia o
evangelho é de contribuir para a salvação de pessoas.
Mas
é natural que uma pessoa motivada a pregar o evangelho e que o faz com zelo e
oração permanece mais intimamente ligada com Deus. O seu fervor a levou a
testemunhar e esse testemunhar fortalece ainda mais a sua fé.
Gostei
da colocação do autor quando ele salienta que “os que vivem de acordo com a
verdade bíblica que conhecem receberão maior luz”. Isso não quer dizer que Deus esteja fazendo
acepção de pessoas. Um professor não vai oferecer um conteúdo para um aluno
cujo conhecimento esteja muito aquém do pretendido pelo professor. Para
anunciar o evangelho com eficácia temos de crescer em conhecimento e espiritualidade.
Esse é o segredo para recebermos galardão.
Quinta
Uma senhora foi condenada à morte. O rei promoveu uma
última reunião para determinar o ritual da execução. Nesse momento o esposo
pede a palavra, se ajoelha e em seu pedido de clemencia se oferece para morrer
em lugar da esposa. O rei comovido decide que um casal que se ama tanto não
pode sofrer uma separação tão abruta e perdoou a condenada.
Já
em casa o esposo perguntou para a esposa o que ela achou do esplendor do trono
do rei. E ela respondeu: “Eu não vi o trono. Eu estava com os olhos fitos em um
homem que naquele momento de joelhos se ofereceu para morrer em meu
lugar.”
A nossa atenção está sempre voltada
para aquilo que mais nos cativa. Focados na pregação do evangelho as diferenças
que poderiam surgir entre irmãos não serão percebidas. O segredo da unidade dos
apóstolos foi permitir que o Espírito Santo participasse de suas decisões. Até
aquele momento não havia partidarismos.
A
aplicação que o autor da ao texto de Atos 15:36-40 deixa a entender que Paulo e
Barnabé souberam administrar as divergências que surgiram entre eles. Mas as
diferenças foram a extremos a tal ponto que a separação dos dois foi iminente.
O mérito está em Deus que, com o incidente, formou duas equipes de grande
potencial evangelístico. Não podemos usar este incidente para avalizar as nossas
picuinhas entre irmãos.
Conclusão
Romanos
10:15 não está dizendo que a formosura de alguém esteja no vestir elegantemente
ou no cantar bonito e nem na fala eloquente.
São os pés incansáveis, que não medem distancias e que estão dispostos a
suplantar obstáculos na caminhada em direção ao pecador e que, com carinho, o
traz aos pés de Cristo. Estes pés, calejados, empoeirados, feridos e
maltratados, sim, são estes os pés formosos por excelência.
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