domingo, 22 de dezembro de 2013

Exortações do santuário


Comentário da Lição da Escola Sabatina de vinte e um a vinte e oito de dezembro de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
O escritor de Hebreus nos desafia a sermos ousados e entrar no santíssimo. O termo não é uma incitação a que sejamos atrevidos e inconsequentes. O escritor quer mostrar que antes do sacrifício de Cristo isso era impossível, mas com a Sua morte o que era impossível se tornou possível e, como pouca gente acredita nessa nova possibilidade que se abriu, temos que agarrá-la com determinação.
Por milhares de anos as atividades do santuário no Céu aconteceram no santuário terrestre, mas Jesus ocultando a Sua glória com o véu da forma humana veio a este mundo e com o Seu sacrifício estabeleceu um novo caminho para a nossa salvação.
A expressão “um novo caminho”, não quer dizer que o método de salvação foi alterado com a morte de Jesus. Ele é o Cordeiro de Deus morto desde a fundação do mundo. O que alterou é que antes da morte de Jesus a nossa salvação passava pela cruz, mas por intermédio de sacerdotes humanos e pecadores e o que se fazia no santuário terrestre era uma sombra do que um dia aconteceria no Céu. Depois da ascensão Jesus entrou no santuário celestial inaugurando não só o caminho para o santuário celestial, mas também as Suas atividades como sacerdote.
Pelo Seu sangue derramado Ele Se tornou o sacerdote e o cordeiro ao mesmo tempo. Sem a presença de homens pecadores atuando como sacerdote e sem a presença de cordeiros Jesus realmente inaugurou um novo caminho que nada mais é do que uma continuação do que já existia. Depois do pecado o santuário celestial sempre existiu com a diferença que, depois da morte de Cristo, ele passou a ser ocupado por Aquele que deu a Sua vida por nós.

Domingo
Vivíamos sem Deus e sem esperança de salvação. “Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo” (Efésios 2:12). Tudo o que se praticou no santuário terrestre perderia a sua eficácia caso Jesus tivesse falhado na cruz.
A Sua morte abriu a cortina para que todo o pecador pudesse ver em letras garrafais uma palavra que até então estava obscura, esperança. Essa palavra nos oferece uma firme certeza de que a salvação, que antes da cruz víamos por sombra, se tornasse real. Ela é a nossa âncora que nos dá segurança junto ao porto de nossa salvação. “A qual temos como âncora da alma, segura e firme, e que penetra até o interior do véu” (Hebreus 6:19).
A morte de Jesus nos proveu acesso direto ao santuário celestial. Certa vez vi um líder religioso dizer que os adventistas e os demais crentes são orgulhosos porque não aceitam a intercessão de Maria em nosso favor. A Bíblia, falando de Jesus, afirma: “Porque em nenhum outro há salvação.” Apenas Cristo abriu o caminho para o santuário celestial.


Segunda
Hebreus 10:22 nos oferecem quatro palavras mágicas que nos garantem acesso direto ao Santuário celestial. São elas: sinceridade, fé, purificação e lavar.
Sinceridade quer dizer o reconhecimento de nossos pecados.
A fé nos proporciona a confiança de que o sacrifício de Jesus é o bastante para a nossa absolvição.
Uma vez purificados pelo sangue de Cristo aceitamos ser lavados pelo batismo como testemunho público de nossa entrega a Cristo.
Quando damos esses quatro passos estamos dizendo ao mundo que aceitamos o sacrifício de Cristo por nós e demonstramos a nossa certeza de que apenas Deus pode purificar o nosso coração.

Terça
A Bíblia afirma que sem fé é impossível agradar a Deus. É necessário inteireza de fé para confiar em todo o plano da salvação. A bíblia fala dessa experiência como “completa certeza”.
Temos que ter completa certeza de que somos pecadores e que nada podemos fazer de bom para nos salvar. Assim como devemos ter plena certeza que Jesus e o nosso único Salvador.
A fé tão necessária para adentrarmos o santuário celestial não brota por acaso e nem se desenvolve sem ser alimentada. Ela é desenvolvida com o estudo da Palavra de Deus.
Existem outras maneiras pelas quais a nossa fé se desenvolve. Uma é testemunhando para o mundo o que Deus tem feito por nós. E outra maneira é mantermos uma vida de oração.
Para adentramos ao trono da graça necessitamos ter confiança, não em nós mesmos, mas no Deus que nos criou e que tudo faz para nos redimir.

Quarta
Ao falar do amor de Jesus pelos discípulos João afirma: “Amou-os até o fim.” O amor de Jesus por nós O levou às últimas consequências. Deus não faz as coisas pela metade. Ele não nos ama até determinado ponto e depois desiste. Ele ama até o fim.
Quantos aceitam o sacrifício de Jesus e promete amá-Lo até o fim, mas tempos depois o amor arrefeceu. Essas pessoas nos fazem lembrar-se daquele hino que diz: “Quantos que corriam bem de Ti longe vão.”
A admoestação bíblica é: “Conservarmos firmes até o fim a nossa confiança e a glória da esperança.” O objetivo de Satanás é disseminar o desanimo e levar os fieis à frustração.
Temos um grande sumo sacerdote. Conhecê-Lo mais e mais é o segredo para jamais abandoná-Lo. “Tendo, portanto, um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou os céus, retenhamos firmemente a nossa confissão” (Hebreus 4:14).
Hoje é comum vermos adesivos de carros afirmando que “Deus é fiel.” Não sei se todas as pessoas que usam tais adesivos tem uma convicção real do que essa frase significa. Realmente Deus é fiel e nos ama. A promessa de salvação nos foi feita por Ele. “Retenhamos inabalável a confissão da nossa esperança, porque fiel é aquele que fez a promessa” (Hebreus 10:23).
A Bíblia nos assegura que é “impossível que Deus minta”.

Quinta
            Davi era um apaixonado pela igreja ele deixou isso bem claro. “Porque vale mais um dia nos teus átrios do que mil. Preferiria estar à porta da casa do meu Deus, a habitar nas tendas dos ímpios” (Salmos 84:10).  Jesus tinha por costume ir à igreja. “E, chegando a Nazaré, onde fora criado, entrou num dia de sábado, segundo o seu costume, na sinagoga, e levantou-se para ler” (Lucas 4:16). Vemos também que Paulo seguia o exemplo de Cristo: “E Paulo, como tinha por costume, foi ter com eles; e por três sábados disputou com eles sobre as Escrituras” (Atos 17:2).
            Para que a nossa presença na igreja seja uma constante é necessário que tenhamos um motivador. Esse motivador nada mais é do que o amor. Amor a Deus e amor ao próximo. “Isto vos mando: Que vos ameis uns aos outros” (João 15:17). Faltando o amor, servir a Deus e a constante presença na igreja se tornam um fardo. Caso percamos o interesse de estar no santuário de Deus na Terra como nos aproximaremos do santuário celestial?
            “A igreja necessita da experiência nova e viva dos membros que mantêm uma habitual comunhão com Deus. Testemunhos e orações insípidos, batidos, destituídos da presença de Cristo, não ajudam o povo” (Serviço Cristão, p. 212). 
            Vivemos em uma época de muita correria e a cada dia que passa se torna mais fácil negligenciarmos a nossa comunhão com Deus e o nosso relacionamento com os irmãos fica comprometido. Nunca o conselho bíblico foi tão oportuno como nos dias de hoje: “Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia” (Hebreus 10:25).
            É curioso o comportamento de uma ninhada de cachorrinhos ou gatos. Na ausência da mãe eles se unem uns aos outros e, assim, permanecem aquecidos. A unidade é imprescindível para a sobrevivência de todos.
            “Procure toda alma responder agora à oração de Cristo. Que toda alma ecoe essa oração em espírito, em petições, em exortações, para que todos eles sejam um, assim como Cristo é um com o Pai, e labutem com essa finalidade” (Mensagens Escolhidas - Volume 3, páginas 17 e 18). 

Conclusão
            Despidos de exaltação própria “Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno” (Hebreus 4:16). Essa mensagem está soando desde o Éden até os nossos dias. Ela é uma mensagem de esperança envolta em um desafio a todo o pecador: “Cheguemos, pois, com confiança.” Que sublime exortação o santuário nos faz!
           


Na próxima semana, novo ano, novo tema, novas oportunidades para aprimorar os nossos conhecimentos. Obrigado por nos ter acompanhado em 2013 e contamos com a sua atenção em 2014.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O conflito cósmico sobre o caráter de Deus

Comentário da Lição da Escola Sabatina de quatorze a vinte e um de dezembro de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia–Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            Em 1337 o rei francês Felipe VI invadiu uma região no atual sul da França que na época pertencia à Inglaterra. A resposta do monarca britânico, Eduardo III, foi a invasão do país rival, dando início à Guerra dos Cem Anos.
Apesar de os ingleses terem levado a melhor nas primeiras décadas da guerra, eles terminaram perdendo os territórios que controlavam na atual França. A Batalha de Castillon, vencida pelos franceses no sul do país em 1453, é considerada o marco histórico do final da guerra.  
A Guerra dos Cem Anos é o mais longo conflito entre nações registrado na história. O conflito que perdurou por tanto tempo teve alguns períodos de aparente trégua. Nesses momentos de relativa calma as partes em conflito refaziam os seus exércitos e equipamentos e logo tornavam a se digladiar.
Embora tenha durado cem anos, esse não é o mais longo conflito registrado no Universo. O mais longo conflito presenciado pelos seres celestiais perdura por mais de seis mil anos. Ele teve a sua origem com a queda de Satanás e não sabemos quando isso aconteceu. O que sabemos é que eu e você estamos cem por cento envolvidos nele.
Esse é um conflito real permanente e sem tréguas. Trata-se de um conflito cuja parte desafiante é plenamente consciente de sua derrota. Vamos ver na parte de domingo que ao se instalar o conflito Deus instou com Satanás para ele retrocedesse e deu o máximo de tempo possível para que isso acontecesse.
Com a queda, Satanás teve uma ideia mirabolante: levar o homem à queda também. Assim, ao Deus salvar o homem ele também seria salvo e caso Deus não provesse salvação, unido ao casal, eles assaltariam o jardim do Éden e comeriam da árvore da vida e todos viveriam eternamente.
Veja o comentário de Ellen G. White: “Seus seguidores foram procurá-lo, e ele, erguendo-se e assumindo um ar de desafio, informou-os de seus planos para arrebatar de Deus o nobre Adão e sua companheira Eva. Se pudesse, de alguma forma, induzi-los à desobediência, Deus faria alguma provisão pela qual pudessem ser perdoados, e então, ele e todos os anjos caídos obteriam um provável meio de partilhar com eles a misericórdia de Deus. Se isto falhasse, podiam unir-se com Adão e Eva, pois, se esses viessem a transgredir a lei divina ficariam sujeitos à ira de Deus, como eles próprios estavam. Sua transgressão os colocaria, também, num estado de rebelião, e eles podiam unir-se a Adão e Eva, tomar posse do Éden, e conservá-lo como seu lar. E se pudessem ter acesso à árvore da vida no meio do jardim, sua força seria, pensavam, igual à dos santos anjos, e nem mesmo o próprio Deus poderia expulsá-los” (História da Redenção, páginas 27 e 28).
O plano do inimigo falhou e o conflito cósmico iniciado no Céu teve outros desdobramentos. O caráter de Deus era duramente questionado por Satanás e só o amor seria capaz de mostrar para o Universo a justiça de Deus. O conflito instalado nas cortes celestiais envolveu o homem e colocou Deus à prova. O Senhor sabia que a melhor maneira de convencer o Universo de quão terrível é o pecado era deixar que o mal desse os seus frutos.
“Necessitamos entender mais claramente o que está em jogo no grande conflito em que nos achamos empenhado. Precisamos compreender com mais plenitude o valor das verdades da Palavra de Deus, e o perigo de permitir que nosso espírito seja delas desviado pelo grande enganador” (A Ciência do Bom Viver, p. 451).

Domingo
Satanás tinha pleno convívio no santuário celestial. Ele era um dos querubins que assistia diante de Deus e era o responsável pelo coro celeste. Podemos imaginar que a sua queda surpreendeu o Universo.
Ellen G. White afirma que por muito tempo Deus esperou que ele reconhecesse o seu pecado e retrocedesse. Diz o texto: “Muito tempo foi ele conservado no Céu. Reiteradas vezes lhe foi oferecido o perdão, sob a condição de que se arrependesse e submetesse. Esforços que apenas o amor e a sabedoria infinitos poderiam conceber foram feitos a fim de convencê-lo de seu erro” (O Grande Conflito, p. 496).
            Não sabemos por quanto tempo Satanás permaneceu no Céu depois da rebelião. A mensageira do Senhor afirma que foi um longo período de tempo. “Com grande misericórdia, de acordo com o Seu caráter divino, Deus suportou longamente a Lúcifer” (Patriarcas e Profetas, p. 39). E continua: “Embora tivesse deixado sua posição como querubim cobridor, se contudo estivesse ele disposto a voltar para Deus, reconhecendo a sabedoria do Criador, e satisfeito por preencher o lugar a ele designado no grande plano de Deus, teria sido reintegrado em suas funções” (Patriarcas e Profetas, p. 39).
            Uma nota triste: “O espírito de descontentamento e desafeição nunca antes havia sido conhecido no Céu. Era um elemento novo, estranho, misterioso, inexplicável. O próprio Lúcifer não estivera a princípio ciente da natureza verdadeira de seus sentimentos” (Patriarcas e Profetas, p. 39).
             “Aquele que fora um querubim cobridor lembra-se donde caiu. Ele, um serafim resplandecente, "filho da alva" quão mudado, quão degradado! Do conselho onde tantas honras recebera, está para sempre excluído” (O Grande Conflito, p. 669).
            A Bíblia afirma que “Deus é amor.” Satanás não desejava ser igual a Deus em amor. Ele queria ser igual a Deus apenas em poder e domínio. Ele sabe que tudo está perdido. Agora o seu empenho é levar o máximo de pessoas com ele.

Segunda
            Ao ver frustrada a sua tentativa de usurpar o trono celestial, Satanás se propôs a magoar os santos do Altíssimo certo de que aquilo que dói nos filhos dói no Pai. A sua principal arma continua sendo a mesma com a qual, no passado e ainda hoje, ele se empenha para atingir a integridade do caráter de Deus, ou seja: a acusação.
            No caso de Jó temos uma acusação falsa e uma afirmação também falsa. No primeiro caso Satanás acusa Jó de servir a Deus por interesse. Ou pelo menos, como faz muita gente, apenas quando as coisas vão indo bem. No segundo caso os mensageiros que levaram as trágicas noticias para Jó colocaram que as saraivas, as chamas e tudo de ruim que aconteceu vieram de Deus.
No caso de Zacarias Satanás acusa Josué de se apresentar sujo diante de Deus. Nesse momento Jesus intervém e, ao mostrar os sinais dos cravos, ordena que as roupas sujas de Josué sejam trocadas por vestes brancas de justiça. A pergunta de Jesus teve como resposta o mudo silêncio do acusador. Diz Ellen G. White: “Então o Anjo, que é o próprio Cristo, o Salvador dos pecadores, reduz ao silêncio o acusador do Seu povo, declarando: "O Senhor te repreende, ó Satanás, sim, o Senhor, que escolheu Jerusalém, te repreende; não é este um tição tirado do fogo?"  Zacarias 3:2” (A Verdade Sobre os Anjos, p. 148).
Algo pior do que ser acusado por esse inimigo é quando membros da igreja se propõem a fazer o seu serviço, denegrindo a vida de outros irmãos. A recomendação inspirada é: “Não vos julgueis melhores que outros homens, nem vos arvoreis em juízes seus. Uma vez que não vos é dado discernir os motivos, sois incapazes de julgar um ao outro. Ao criticá-lo, estais-vos sentenciando a vós mesmos; pois mostrais ter parte com Satanás, o acusador dos irmãos” (O Desejado de Todas as Nações, p. 314). 
           
Terça
A resposta que Satanás procurava mesmo sabendo, ao acusar Josué, está em Romanos 3:21 a 26. Ele nos enlameou com o pecado, mas Jesus em Seu grande amor, Se propôs a nos lavar com o Seu próprio sangue. “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Romanos 3:24).
Apenas Jesus tem a autoridade de Se interpor entre o transgressor e as exigências da Lei de Deus. Ele verteu o Seu sangue para nos dar a vida. Ele fez por nós o que Jamais Satanás teria coragem de fazer. Esse amor desmedido de Cristo pelo pecador deixa o inimigo enfurecido.
Não é atoa que o poder da ponta pequena tenta atingir o Santuário de Deus instituindo na Terra um sistema falso e antagônico do que se realiza no santuário celestial.  “Ao qual Deus propôs como propiciação, pela fé, no seu sangue, para demonstração da sua justiça por ter ele na sua paciência, deixado de lado os delitos outrora cometidos” (Romanos 3:25).
Na nota do rodapé da página de terça feira Ellen G. White esclarece: “Com intenso interesse, os mundos não caídos observavam para ver Jeová Se levantar e assolar os habitantes da Terra. [...] Em lugar de destruir o mundo, porém, Deus enviou Seu Filho para o salvar. [...] Justo no momento da crise, quando Satanás parecia prestes a triunfar, veio o Filho de Deus com a embaixada da graça divina” (O desejado de Todas as Nações, p. 37). A cruz é a mais contundente prova de que Deus realmente é amor. Um amor que tem causado espanto em todo o Universo.

Quarta
            Certa vez eu passava de carro na frente de um shopping onde havia uma faixa de pedestres. Ao chegar à faixa parei para dar passagem para alguns transeuntes. Eu estava na faixa interna. Ao lado estava um ônibus que parou no ponto próximo da faixa.
            Não sei por que, o motorista que estava na minha frente recusou passar pelo ônibus e o transito parou. Na calçada estava um policial conversando com uma senhora e de costas para a avenida. Todos nós motoristas olhávamos para ele na expectativa de que ele volvesse para a avenida e normalizasse o trânsito, o que não aconteceu.
            O ônibus se arrancou e o motorista que estava à minha frente se foi. Assim que eu me desloquei um pedestre atravessou na minha frente fora da faixa. Pisei no freio e o cara se safou. Com o barulho, o policial voltou a sua atenção para o trânsito e me aplicou uma multa. De nada valeram as explicações. O seu julgamento foi falho, pois ele estava de costas para os carros.
            Quantos milhares de julgamentos falhos se fazem sobre a face da Terra. Quantas acusações infundadas passam por verdades!  O acusador de nossos irmãos, usando do que lhe é próprio, mentira e falsidade, já conduziu milhões para as masmorras e para as fogueiras. A Bíblia afirma que ele nos acusa dia e noite. Mas a promessa divina é que em breve ele será derrubado para nunca mais se levantar. “Porque já o acusador de nossos irmãos é derrubado, o qual diante do nosso Deus os acusava de dia e de noite” (Apocalipse 12:10).
Uma das pessoas que mais sofreu acusações injustas foi o apostolo Paulo. Ele suportou tudo porque confiou no “justo Juiz”. “Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda” (II Timóteo 4:8).

Quinta
            “Livres da mortalidade alçarão voo incansável para os mundos distantes - mundos que fremiram de tristeza ante o espetáculo da desgraça humana, e ressoaram com cânticos de alegria ao ouvir as novas de uma alma resgatada. ... Com visão desanuviada olham para a glória da criação, achando-se sóis, estrelas e sistemas planetários, todos na sua indicada ordem, a circular em redor do trono da Divindade. Em todas as coisas, desde a mínima até a maior, está escrito o nome do Criador, e em todas se manifestam as riquezas de Seu poder” (O Grande Conflito, págs. 677 e 678). 
“Na vitória final, Deus não terá lugar para as pessoas que, no tempo do perigo, quando as energias, a coragem e a influência de todos são necessárias para atacar o inimigo, não se podem encontrar em parte alguma” (Obreiros Evangélicos, p. 322).
            “A igreja é hoje militante. Enfrentamos agora um mundo em trevas de meia-noite, quase inteiramente entregue à idolatria. Mas aproxima-se o dia em que a batalha terá sido ferida, e ganha a vitória. A vontade de Deus deve ser feita na Terra como o é no Céu. Então as nações não possuirão outra lei senão a do Céu. Juntas, constituirão uma família feliz, unida, trajada com as vestes de louvor e ações de graça - vestes da justiça de Cristo. A Natureza toda, em sua inexcedível beleza, oferecerá a Deus um constante tributo de louvor e adoração. O mundo se inundará da luz do Céu. Os anos transcorrerão em alegria. A luz da Lua será como a do Sol, e a deste será sete vezes mais brilhante do que é hoje. Ante aquele cenário as estrelas da alva cantarão juntamente, e os filhos de Deus aclamarão de alegria, enquanto Deus e Cristo Se unirão ao proclamar: "Não mais haverá pecado, tampouco haverá morte."” (Vida e Ensinos, p. 229).
            Israel foi humilhado, vilipendiado e o nome de Deus blasfemado pelos adversários. O povo foi disseminado pela face da Terra. Deus não Se esqueceu de Seu povo. A Sua promessa foi: “E os resgatados do Senhor voltarão; e virão a Sião com júbilo, e alegria eterna haverá sobre as suas cabeças; gozo e alegria alcançarão, e deles fugirá a tristeza e o gemido” (Isaías 35:10).
            Deus espera que exaltemos o Seu nome neste mundo e quando formos reunidos no Céu o Seu nome e o Seu caráter será reconhecido e exaltado por todo o Universo. “Porque tenho para mim, que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por últimos, como condenados à morte; pois somos feitos espetáculo ao mundo, aos anjos, e aos homens” (1 Coríntios 4:9).

Conclusão
            “O grande conflito terminou. Pecado e pecadores não mais existem. O Universo inteiro está purificado. Uma única palpitação de harmonioso júbilo vibra por toda a vasta criação. Daquele que tudo criou emanam vida, luz e alegria por todos os domínios do espaço infinito. Desde o minúsculo átomo até ao maior dos mundos, todas as coisas, animadas e inanimadas, em sua serena beleza e perfeito gozo, declaram que Deus é amor” (O Grande Conflito, p. 678). Os mundos não caídos anseiam por este momento. E nós?

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domingo, 8 de dezembro de 2013

A nossa mensagem profética



Comentário da Lição da Escola Sabatina de sete a quatorze de dezembro de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            A mensagem do “evangelho eterno” anunciado pelo anjo de Apocalipse 14:6 e 7 contém duas verdades que fazem dele um evangelho eterno. Primeiro ele é eterno porque anunciado no Éden, pregado no Velho Testamento e confirmado no Novo Testamento ele sempre foi e continuará sendo o único meio de salvação para o pecador. Em segundo lugar ele é eterno porque os seus resultados são eternos.
            Esses versos de Apocalipse 14 eram os preferidos de minha mãe. Sempre que os leio ou ouço, duas coisas me veem à mente. Primeiro a agradável lembrança de vê-la recitando esses versos nos cultos de por de Sol e, em segundo lugar, a emoção de fazer parte deste exército que desde Adão vem anunciando esse evangelho eterno de geração em geração.
            A voz do primeiro anjo se concentra na pregação do evangelho eterno e tem uma tríplice mensagem centralizada em Deus. A primeira é um convite para temer a Deus e dar-Lhe glória. Essa mensagem começou a soar justamente na época em que Charles Darwin proclamou a inexistência de Deus através da evolução.
            A segunda mensagem do primeiro anjo da o motivo pelo qual devemos temer a Deus e dar-Lhe glória: “Vinda é a hora do Seu juízo.” Esse Deus ignorado por Charles Darwin e seus seguidores é um Deus justo e dará a cada um segundo as suas obras e, mais: “chegou a hora do Seu juízo”.
            Na terceira mensagem é feito um convite para adorar quem criou “o Céu, a Terra, o mar e as fontes das águas”. O que existe no Universo, incluindo cada um de nós, não é fruto da evolução, mas de um Deus criador o único que merece a nossa adoração.

Domingo
            O verso onze do capitulo dez do Apocalipse mostra João, que nesse caso representa o povo de Deus, recebendo um livrinho fechado das mãos Daquele que reina para todo o sempre.
            O livrinho (Daniel) contém uma mensagem doce como o mel que, segundo a interpretação daquele grupo seleto de estudantes da Bíblia Jesus voltaria em 1844, fim dos dois mil e trezentos dias.  O tempo passou Jesus não veio e aquela mensagem que era doce como mel se tornou amarga. Houve um equívoco de interpretação, pois o santuário a ser purificado não seria a Terra e sim, o santuário celestial com o inicio do juízo investigativo em 22 de outubro de 1844.
            A Igreja Adventista do Sétimo Dia é acusada de torcer a interpretação da profecia para ter nela uma base de sustentação. Quanto a isso temos duas observações a fazer. A primeira é de que a interpretação do inicio do juízo investigativo para essa data é a que mais se coaduna com o sentido bíblico e histórico. E em segundo lugar essa conclusão não surgiu por acaso. Ela partiu de um grupo de pessoas que estavam estudando o livro de Daniel com muito zelo, oração e jejum.

Segunda
            Moro em um condomínio fechado que se localiza nos fundos de uma igreja católica e, no passado, era comum os “fieis” estacionar os seus carros dentro do condomínio. Certa vez, um dos moradores advertiu a alguns motoristas que aquela área se tratava de um condomínio particular. Um a um os carros foram saindo. Um senhor alcoolizado que acompanhava a cena interveio perguntando: “E o respeito para com a Divindade?”
Vivemos em uma época de banalização das coisas espirituais. É comum vermos pessoas se referir a Deus como “o cara lá de cima’ e a Jesus como o “JC”. E pior, geralmente expressões assim partem de pessoas que não demonstram nenhum relacionamento com Deus. São expressões de mofa e zombaria.
            O que vemos na música é algo estarrecedor. O nome de Deus é banalizado em shows que nada tem a ver com o respeito à Divindade e a verdadeira adoração. As coisas espirituais são tratadas de maneira vulgar e rasteira. Relacionam com Deus como se Ele fosse um de seus iguais.
            Certa vez um apresentador de televisão perguntou para um grupo de adolescentes: “Vocês acreditam que Adão e Eva foram criados por Deus?” Um garotão respondeu rápido: “Bicho eu boto fé que sim” ao que o apresentador perguntou: “Porque você bota fé”? “Bem”, disse o jovem, “boatos rolam”.
            Quando Deus dá uma mensagem é porque o mundo esta necessitando dela. E nenhuma mensagem é tão oportuna para o momento atual como essa: “Temei a Deus e dai-Lhe glória.” O temor a Deus reivindicado pelo anjo tem muito a ver com as palavras daquele bêbado: “E o respeito para com a Divindade?”
            Em se tratando de desrespeito a Deus a ponta pequena foi longe demais. Deus sempre tem um “basta” para os desatinos do homem quando estes atingem determinado limite, e no caso da ponta pequena o Senhor disse: “basta”.

Terça
O Papado  perseguiu o povo de Deus por 1260 anos. A supremacia legalmente reconhecida do Papa começou em 538 D.C., quando o Imperador Justiniano elevou o Bispo de Roma para o cargo de Chefe de todas as Igrejas. Isto é conhecido como o Edito de Justiniano.
Adicionando 1.260 anos a 538 AD nos leva a 1798, ano em que o Papa foi deposto pelo general francês Berthier, sob o comando Napoleão. Em dez de fevereiro daquele ano, as tropas francesas invadiram a cidade de Roma e prenderam o papa Pio VI. Ele foi expulso do Vaticano e morreu exilado na França no ano seguinte. O poder da ponta pequena foi ferido de morte conforme afirma Apocalipse 13:3: “Vi uma de suas cabeças como se fora ferida de morte.”
Esse acontecimento sinalizou o fim do domínio papal dos 1200 anos da ponta pequena preditos em Apocalipse 13:15: “E foi-lhe dada uma boca, para proferir grandes coisas e blasfêmias; e deu-se lhe poder para agir por quarenta e dois meses.” Durante os 1260 anos o papado oprimiu o povo santo, mudou os tempos e a Lei e atingiu o santuário celestial. (Daniel 7:21 e 25).
            Em Apocalipse 14:7 afirma: “Pois é chegada a hora do Seu juízo.” De 1798 para cá, as verdades do santuário, do sábado, do estado do homem na morte foram restauradas enquanto é feito um último apelo para que a humanidade adore a Deus.
            Enquanto isso, o nosso Sumo Sacerdote esta no santíssimo procedendo ao julgamento dos justos e daqueles que atenderam o último apelo da graça: ”Sai dela povo meu.” Depois que o último caso for visto Ele virá para “dar a cada um segundo as suas obras”.

Quarta
            O desejo de ser adorado no lugar de Deus nasceu com Lúcifer no Éden. Desde então ele tem trabalhado para ser adorado pessoalmente ou através de pessoas e coisas. No monte da tentação, ardilosamente o inimigo propôs a Cristo que o adorasse. O Mestre respondeu com a Bíblia na mão, ou melhor, na cabeça: “Então lhe disse Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás” (Mateus 4:10). Mesmo assim os intentos do inimigo tem dado certo. Líderes religiosos e imperadores encaminharam milhões para o martírio por recusar-lhes a adoração.
            O mundo se prostrou diante do bezerro de ouro das teorias de Charles Darwin e o tem como o Deus da ciência. Milhões tem os seus ídolos no cinema, na televisão e no esporte. Enquanto a moda escraviza e impõe as suas regras vem o alerta divino: “Adore a Deus.”
            Cientes de que apenas Deus merece a nossa adoração temos inúmeros exemplos na Bíblia de criaturas recusando serem adoradas. Os melhores exemplos temos no livro do Apocalipse. O apostolo João sabia perfeitamente que só Deus deve ser adorado. Mas ao se deparar diante de um anjo glorioso, imaginou estar diante de Deus. A sua reação imediata foi de adoração e, rapidamente, o anjo o repreende: “E disse-me: Olha, não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus” (Apocalipse 22:9).
            Um exemplo claro aconteceu com Pedro que é considerado pelos católicos como o primeiro papa. Cornélio ao se deparar diante do apostolo, se curva em adoração. De imediato é repreendido. Diz o texto bíblico: “Mas Pedro o levantou, dizendo: Levanta-te, que eu também sou homem” (Atos 10:26).
            O quarto mandamento do Sábado identifica Deus como o criador de todas as coisas e tem razões de sobra para ser odiado por Satanás. Sabemos que no final da história desse mundo o sábado será a grande pedra de toque. Diz Ellen G. White: “Como o sábado se tornou o ponto especial de controvérsia por toda a cristandade, e as autoridades religiosas e seculares se combinaram para impor a observância do domingo, a recusa persistente de uma pequena minoria em ceder à exigência popular, fará com que esta minoria seja objeto de execração universal” (O Grande Conflito, pág. 615). 



Quinta
         É interessante que logo depois de apresentar a identificação dos santos, João fala dos que morrem na esperança da vida eterna. Diz o texto: “Então ouvi uma voz do céu, que dizia: Escreve: Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, pois as suas obras os acompanham” (Apocalipse 14:13).
         João devia escrever a respeito deles, pois é a representação viva e não morta de pessoas que permaneceram fieis até o último momento e os seus nomes estão escritos nos livros do Céu. Essa ordem recebida por João é uma prova de que eles não são esquecidos.
         Ás vezes o desânimo nos assalta e vem aquele pensamento de jogarmos tudo para cima e sairmos de baixo. Desistir parece ser a melhor opção. Nesse momento Deus nos orienta não só a olhar para aquele grupo que chamou a atenção de João e de todo o Universo, mas nos vermos fazendo parte dele. Que privilégio nos aguarda!
         A primeira qualidade dos fieis apresentada por João é a perseverança. A perseverança fez a diferença na vida de Noé, José, Abraão, Davi, Jó, Isaias e tantos heróis da fé que no passado enfrentaram a fogueira atiçada pela ponta pequena.
         Esse seleto grupo será apresentado ao Universo quando o julgamento chegar ao fim. Ele será motivo do regozijo de Cristo. Diz Isaías: “Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito” (Isaías 53:11). Jesus foi perseverante e nos amou até o fim. “Ora, antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, como havia amado os Seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim” (João 13:1).
         É curioso que a observância dos mandamentos é uma das características desse grupo assim, como também, a fé em Jesus. Primeiro vem a Lei como o padrão do julgamento divino. Esse grupo de observadores da Lei exercitou a sua fé no sacrifício de Jesus.

Conclusão
         “Vinda é a hora do Seu juízo.” Essa é a grande mensagem para esse tempo. As mensagens de advertência se sucedem de maneira clara e inequívoca. Os salvos atenderam a essas mensagens. Deus não toma nenhuma medida a respeito do pecador sem antes enviar repetidas palavras de orientação.
Deus é amor. Ele amou os ninivitas e enviou Jonas para adverti-los e o arrependimento tomou conta daqueles corações e a cidade, antes ímpia, foi poupada. Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Amós 3:7).
O empenho do Senhor é salvar a todos. “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânime para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se” (2 Pedro 3:9).
Salvar, salvar e salvar! Esse é o objetivo da mensagem profética encontrada em toda a Bíblia.

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domingo, 1 de dezembro de 2013

O Dia da Expiação escatológico

Comentário da Lição da Escola Sabatina de trinta de novembro a sete de dezembro de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            Na lição de número seis estudamos o dia da expiação no santuário terrestre. Já nesta semana estudaremos o Dia da Expiação escatológico, ou seja, veremos o Dia da Expiação apresentado no cumprimento das profecias de Daniel e sua relação com a restauração do santuário celestial. Essa restauração nada tem a ver com a integridade do santuário no Céu e nem com a rotina desenvolvida ali pelo Grande Sumo Sacerdote, mas sim, com o tratamento dado, aqui na Terra, pela ponta pequena de Daniel 8:9 ao santuário celestial e a rotina de trabalho que o Grande Sumo Sacerdote desenvolve ali.
            A ponta pequena cometeu uma dupla usurpação da autoridade divina. Primeiro usurpou a autoridade do Grande Sumo Sacerdote para perdoar pecados e mediar entre Deus e o homem de tal modo que a salvação do ser humano não passa por Cristo no santuário celestial, mas por vigários dentro de confessionários pulverizados pela superfície da Terra. Não contente só com isso ela alterou a Lei de Deus numa tentativa de macular o caráter divino.
O dia escatológico da Expiação é o período de tempo que se estende de 22 de outubro de 1844 até a volta de Jesus. Nesse período três coisas acontecem. Primeiro temos o julgamento pré-advento. Nesse período tudo o que está anotado no Céu concernente aos filhos de Deus está sendo analisado por Aquele que não erra.
Simultaneamente a essa atividade, surgem as três mensagens angélicas de Apocalipse 14 restaurando as verdades bíblicas adulteradas pelo poder da ponta pequena enquanto faz o último apelo para que os pecadores saiam de Babilônia e aceitem a mediação de Cristo no santuário celestial.
            Com todos os esclarecimentos feitos a Daniel pelo anjo do Senhor ele ainda teve dificuldade para entender a visão. “E eu, Daniel, enfraqueci, e estive enfermo alguns dias; então levantei-me e tratei do negócio do rei. E espantei-me acerca da visão, e não havia quem a entendesse” (Daniel 8:27). Provavelmente a sua maior preocupação era saber dos pormenores relacionados aos acontecimentos dos “dias muito distantes” (Daniel 8:26) que, naturalmente, são os nossos dias.
            A Bíblia não relata que Daniel tenha se angustiado e chorado ao saber que seria jogado na cova dos leões. Mas diversas vezes ele experimentou angustia, chorou e jejuou ao ver um resumo do que aconteceria nos “dias muito distantes” ou “tempo do fim” que são os nossos dias.  Ele se angustiou, chorou, orou e jejuou preocupado comigo e com você. Estamos demonstrando a mesma preocupação em compreender as suas profecias ou nos portamos de maneira indiferente e descuidada?
            Não nos esqueçamos de que estamos vivendo os dias mais solenes da história da humanidade. Vivermos de maneira leviana e irresponsável nesses dias é precipitarmos de ponta cabeça na perdição.

Domingo
            A ponta pequena desfere vários atentados contra Deus. O principal é anular o ministério sacerdotal de Cristo introduzindo uma suposta autoridade da Igreja Católica de perdoar pecados e mediar entre Deus e os homens.
No bojo de seus ataques está a adulteração da lei de Deus substituindo o sábado pelo domingo, a adoração de imagens e até a compra da salvação via indulgencias. A irmã Ellen G. White afirma ser por causa dessas tradições criadas pela igreja Católica que levou igreja verdadeira a se apartar de Roma. Diz o texto: “Entre as principais causas que levaram a igreja verdadeira a separar-se da de Roma, estava o ódio desta ao sábado bíblico. Conforme fora predito pela profecia, o poder papal lançou a verdade por terra. A lei de Deus foi lançada ao pó, enquanto se exaltavam as tradições e costumes dos homens. As igrejas que estavam sob o governo do papado, foram logo compelidas a honrar o domingo como dia santo” (O Grande Conflito, p. 65).
Aos poucos a ponta pequena que surgiu representando Roma Pagã foi se robustecendo ganhou força e prestígio e faz da igreja o primeiro poder. Reis e governantes passaram a lhe prestar obediência. Roma Pagã passou a ser Roma papal. Diz Ellen G. White: “No século VI tornou-se o papado firmemente estabelecido. Fixou-se a sede de seu poderio na cidade imperial e declarou-se ser o bispo de Roma a cabeça de toda a igreja. O paganismo cedera lugar ao papado. O dragão dera à besta "o seu poder, e o seu trono, e grande poderio". Apocalipse 13:2. E começaram então os 1.260 anos da opressão papal preditos nas profecias de Daniel e Apocalipse (Daniel 7:25; Apocalipse 13:5-7)” (O Grande Conflito, p. 54). 

Segunda
                Para os personagens que contemplavam o progresso espantoso da ponta pequena tudo parecia incompreensível. Os outros impérios que sucederam a ponta pequena, principalmente o persa e o grego, não foram tão blasfemos como no caso da ponta pequena e todos eles amargaram um fim. E como pode esse poder afrontar o Deus vivo, e, ao invés de ser punido só prosperar?
Dois pensamentos veem à tona. Primeiro, parece que os personagens preocupados com os desmandos da ponta pequena eram seres celestiais. Isso deixa claro que seres celestiais estavam preocupados com a situação e não podiam entender como um poder tão arrogante e blasfemo que atinge o trono do Altíssimo pudesse perdurar impune. Segundo, como pode um poder que atinge a autoridade do Altíssimo, não receber nenhuma punição e ainda continuar crescendo?
Em meio a tanta dúvida no Céu e na cabeça do profeta surge a pergunta: “Até quando durará a visão relativamente ao holocausto contínuo e à transgressão assoladora, e à entrega do santuário e do exército, para serem pisados?” (Daniel 8:13). A resposta veio de imediato: “Ele me respondeu: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; então o santuário será purificado” (Daniel 8:14).

Terça
É curioso observar que as respostas às dúvidas de Daniel e das pessoas envolvidas com ele acontecem de maneira muito rápida no transcorrer do seu livro. Vejamos alguns exemplos:
            No capítulo um temos Aspenaz, chefe dos eunucos do rei Nabucodonosor, temendo atender ao pedido de Daniel para trocar a sua dieta especial por legumes e água. No fim de três anos Daniel e os de mais cativos escolhidos pelo rei seriam submetidos a um rigoroso exame e caso o rendimento de Daniel e seus companheiros fosse abaixo dos demais o chefe dos eunucos fatalmente seria executado por haver contrariado uma ordem real. Daniel se adiantou: “não é necessário esperar três anos, experimente por dez dias”. Sabemos que os resultados foram suficientes para aplacar os temores de Aspenaz. (Daniel 1:5 e 18 a 20).
            No capitulo cinco o rei Belsazar, filho de Nabucodonosor, organizou um grande banquete usando os vasos sagrados retirados do templo do Senhor. Uma escrita, a qual nenhum dos sábios de Babilônia soube interpretar, apareceu na parede. Daniel foi chamado. A interpretação foi dada na hora. Babilônia foi invadida naquela mesma noite, Belsazar foi executado e o reino caiu nas mãos de Dario da Pércia.
            No capitulo oito temos dois episódios. Quando um ser celestial perguntou ao outro até quando a ponta pequena iria afrontar o Deus vivo a resposta veio imediatamente. (Daniel 8: 13 e 14). No segundo episódio Daniel está angustiado para entender o significado da visão e imediatamente Gabriel recebeu a ordem para ajuda-lo a entender. (Daniel 8: 15 a 27).
             No capitulo nove Daniel viu que o fim do cativeiro do seu povo em Babilônia seria o marco inicial dos dois mil e trezentos dias. Ele analisa e confessa os pecados do seu povo, causa do cativeiro. Ele quer saber como o cativeiro terminara e como terá inicio os dois mil e trezentos dias. Quando ele iniciava a sua oração o homem Gabriel veio voando “rapidamente” para fazer-lhe entender a visão. (Daniel 9:21-27).
            Mais uma vez Daniel está confuso ao ter uma visão sobre a sucessão dos reinos do mundo. No momento de angustia surge o homem vestido de linho e fala com ele: “Então me disse: Não temas, Daniel, porque desde o primeiro dia em que aplicaste o teu coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, são ouvidas as tuas palavras; e eu vim por causa das tuas palavras” (Daniel 10:12). Veja que as respostas de Deus sempre aconteciam de maneira rápida e precisa.
            No último capitulo do seu livro Daniel relata a sua última visão. A volta de Jesus, a ressurreição dos justos e o juízo final. Daniel quis saber como seria os últimos dias. Mas o Senhor transferiu esse privilégio para nós que vivemos no tempo do fim. “E ele disse: Vai, Daniel, porque estas palavras estão fechadas e seladas até ao tempo do fim” (Daniel 12:9).
            Estamos estudando as profecias de Daniel com o mesmo empenho para entendê-las assim como Daniel se comportou ao recebê-las? Se o fizermos com oração e jejum o Senhor terá pressa em nos atender.
            Fora do estudo de hoje apenas uma observação me vem à mente: É interessante que nos seis primeiros capítulos do livro de Daniel ele está empenhado em interpretar e realizar os sonhos do rei. Mas na última metade do seu livro o Rei do Universo lhe dá o privilégio de ele realizar os seus próprios sonhos. E que sonhos! Esse é o resultado de colocarmos os sonhos do rei em primeiro lugar.

Quarta
            O chifre pequeno desafia a Deus, o santuário e o povo de Deus. Para executar os seus intentos ele conta com o apoio do Dragão. A sua estratégia é desviar a atenção da humanidade do ritual desenvolvido no santuário celestial. Essa estratégia implica em manter aqui na Terra uma imitação do que é realizado no Céu em favor do homem.
            A ponta pequena estabelece um meio de salvação próprio instituindo sacerdotes com a autonomia para “perdoar pecados” ou determinar penitencias para que o perdão se concretize. Institui a adoração a “santos” falecidos, que segundo o dogma da ponta pequena estão vivos no Céu e intercedem pelos pecadores.
            Roma pagã passa a ser Roma papal com a autoridade de interferir diretamente no estado.  A perseguição aos que refutam os seus dogmas é instituída e milhões são martirizados. Os próprios seres celestiais estão estarrecidos com as atrocidades que se cometem na Terra. E fazem a solene pergunta: “Até quando?”
A resposta veio de imediato: “Ele me respondeu: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; então o santuário será purificado” (Daniel 8:14).

Quinta
A chave para descobrirmos o inicio dos dois mil e trezentos dias está em Daniel 9:25: “Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém até o ungido, o príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; com praças e tranqueiras se reedificará, mas em tempos angustiosos.”
Esse período teve o seu início com a ordem para reconstruir Jerusalém. Foram expedidos três decretos relativos à reconstrução de Jerusalém. Em sequencia temos Ciro, Dario e Artaxerxes. O do rei Artaxerxes de 457 A.C. que dava autonomia jurídica a Jerusalém é considerado como o marco para o inicio das setenta semanas que faz parte do primeiro período dos dois mil e trezentos dias anos. As setenta semanas terminaram com o apedrejamento de Estevão no ano 34 d.C. Para 2300 anos faltam 1810 anos e alcançam 1844 como fim da apostasia e desmandos da ponta pequena.
Verdades como a observância do sábado, o ministério de Cristo no santuário celestial e a mortalidade da alma foram restauradas. Em 1844 Jesus passou do santo para o santíssimo onde Ele realiza o juízo investigativo e continua o Seu trabalho de intercessão pelos pecadores. Os três anjos de Apocalipse 14 fazem o último apelo aos pecadores. Proclamam a autoridade divina, convidam às nações para adorar a Deus, conclamam o mundo para sair de Babilônia e anuncia que é chegado o juízo de Deus.

Conclusão
            A resposta do ser celestial à pergunta “até quando?” encontradas em Daniel 8:13 e 14 mais do que identificar o Dia da expiação escatológico se tornou em uma das doutrinas identificatória da Igreja Adventista do Sétimo Dia. 
 O apedrejamento de Estevão no ano 34 dC. selou a rejeição de Cristo pelo povo judeu e, desde então, eles deixaram de ser o povo especial de Deus. A salvação passou a ser oferecida a todos os povos e chegou até nós. “Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto” (Efésios 2:13).
Não esqueçamos de que somos os três anjos de Apocalipse 14 e esse será o estudo da próxima semana. É nossa responsabilidade anunciar essas verdades de maneira rápida e em bom som.

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