domingo, 25 de agosto de 2013

Reforma: consequência do reavivamento

Comentário da Lição da Escola Sabatina de 24 a 31 de agosto de 2013. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga.

Introdução
            No texto abaixo, da Irmã Ellen G. White traça alguns requisitos para que a reforma aconteça em nossa vida e consequentemente na Igreja. Trabalho, harmonia, humildade, arrependimento e evitar contendas. Há uma sugestão para que as coisas sejam endireitadas e a mensageira afirma que a Igreja não tem necessidade de gastar o seu tempo em discussões.
            Diz o texto: “Os servos de Deus devem trabalhar em perfeita harmonia. A contenda produz separação, conflito e discórdia. Sou instruída de que nossas igrejas não têm necessidade de gastar seu tempo em discussões. Quando o espírito de contenda lutar pela supremacia, detende-vos e endireitai as coisas, se não Cristo virá brevemente a vós, e moverá do seu lugar o vosso castiçal. Seja efetuada diligente e esmerada obra de arrependimento. Permiti que o Espírito de Deus sonde a mente e o coração, removendo tudo o que impede a necessária reforma. Até que isto seja feito, Deus não pode conceder-nos Seu poder e graça. E enquanto estivermos sem o Seu poder e graça, homens tropeçarão e cairão, não sabendo em que tropeçam” (E Recebereis Poder – Meditações p. 290).
E mais: “É chegado o tempo para se realizar uma reforma completa. Quando esta reforma começar, o espírito de oração atuará em cada crente e banirá da igreja o espírito de discórdia e luta” (E Recebereis Poder – Meditação, p. 287). 
A reforma de nossa vida espiritual virá acompanhada de uma reforma de saúde causando uma alteração profunda em nosso estilo de vida. “Grandes reformas devem ser constatadas entre o povo que alega estar aguardando o breve aparecimento de Cristo. A reforma da saúde deve efetuar entre nosso povo uma obra ainda não realizada até agora” (Maranata! – Meditação Matinal, p. 60).
Ao ver as condições da Igreja hoje imaginamos ser impossível ver nela um reavivamento da primeira piedade e uma consequente reforma. Pode ser impossível aos nossos olhos. A igreja de Corinto era a pior igreja nos dias dos apóstolos. Nela existia tudo o que acontecia no mundo e mais um pouco. Mas graças ao Espírito Santo ela saiu de sua letargia. “Agora folgo, não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para arrependimento; pois fostes contristados segundo Deus; de maneira que por nós não padecestes dano em coisa alguma” (2 Coríntios 7:9).
O mesmo poderá acontecer conosco hoje. Basta que não sejamos desobedientes à visão celestial. Sim, para Deus tudo é possível.



Domingo
         O reinado de Josafá foi marcado por expressivos progressos não só na política econômica de Judá, mas também, na vida espiritual do povo. Ele tomou providencias para que o Deus criador fosse adorado e exaltado em todo o reino. Ele chegou a formar uma equipe de evangelismo e reavivamento que percorreu todo o reino promovendo uma mudança espiritual entre o povo.
“No terceiro ano do seu reinado enviou ele os seus príncipes, Bene-Hail, Obadias, Zacarias, Netanel e Micaías, para ensinarem nas cidades de Judá; e com eles os levitas Semaías, Netanias, Zebadias, Asael, Semiramote, Jônatas, Adonias, Tobias e Tobadonias e, com estes levitas, os sacerdotes Elisama e Jeorão. E ensinaram em Judá, levando consigo o livro da lei do Senhor; foram por todas as cidades de Judá, ensinando entre o povo” (2 Crônicas 17:7 a 9).
Deus agiu de maneira poderosa e o resultado foi surpreendente. “Então caiu o temor do Senhor sobre todos os reinos das terras que estavam ao redor de Judá, de modo que não fizeram guerra contra Jeosafá. Alguns dentre os filisteus traziam presentes a Jeosafá, e prata como tributo; e os árabes lhe trouxeram rebanhos: sete mil e setecentos carneiros, e sete mil e setecentos bodes. Assim Jeosafá ia-se tornando cada vez mais poderoso; e edificou fortalezas e cidades-armazéns em Judá” (2 Crônicas 17:10 a 12).
Quando os israelitas empreenderam a jornada do Egito até a Terra Prometida os moabitas não permitiram que eles cruzassem o seu território. O espírito de vingança tomou conta dos israelitas, mas Deus não permitiu que eles lutassem entre si porque eram primos.          
         Agora, quatrocentos anos depois, esse mesmo povo, em muito maior número, se levanta e se propõe a lutar contra o povo de Judá. Seria uma guerra desigual e Judá seria fatalmente vencido e dominado. “Depois disto sucedeu que os moabitas, e os amonitas, e com eles alguns dos meunitas vieram contra Jeosafá para lhe fazerem guerra. Veio alguns homens dar notícia a Jeosafá, dizendo: Vem contra ti uma grande multidão de Edom, dalém do mar; e eis que já estão em Hazazom-Tamar, que é En-Gedi.”
Duas especulações vieram à tona: - Caso Deus tivesse permitido a destruição dos moabitas naquela época, agora eles não seriam uma ameaça tão sinistra. E por que agora quando todo o Judá havia se consagrado ao Senhor? Mas Josafá não demorou nessas conjecturas, antes convidou o povo para uma reforma espiritual e implorar livramento.
 “Então Jeosafá teve medo, e pôs-se a buscar ao Senhor, e apregoou jejum em todo o Judá. E Judá se ajuntou para pedir socorro ao Senhor; de todas as cidades de Judá vieram para buscarem ao Senhor” (2 Crônicas 20:1 a 4).
         A resposta de Deus foi imediata: “Nesta batalha não tereis que pelejar; postai-vos, ficai parados e vede o livramento que o Senhor vos concederá, ó Judá e Jerusalém. Não temais, nem vos assusteis; amanhã saí-lhes ao encontro, porque o Senhor está convosco” (2 Crônicas 20:17). E veio o resultado: “Quando Jeosafá e o seu povo vieram para saquear os seus despojos, acharam entre eles gado em grande número, objetos de valor e roupas, assim como joias preciosas, e tomaram para si tanto que não podiam levar mais; por três dias saquearam o despojo, porque era muito” (2 Crônicas 20: 25).
         Dois pensamentos vem à tona: primeiro, a reforma espiritual em Judá não aconteceu por acaso. O povo acabava de experimentar um genuíno reavivamento.
Segundo, mais importante que a vitória em si e seus resultados econômicos foram os resultados espirituais.

Segunda
         Era o desejo de Paulo que os corintianos experimentassem uma reforma em sua vida espiritual. Os mesmos pecados praticados no mundo eram vistos dentro da Igreja e mais, os judaizantes amavam discussões e porfias. Diante desse problema Paulo decidiu apenas pregar Cristo crucificado e unicamente Cristo. “Quando o apóstolo Paulo começou seu ministério em Corinto, populosa, rica e ímpia cidade, poluída pelos revoltantes vícios do paganismo, disse: "Nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e Este crucificado" I Cor. 2:2” (O desejado de Todas as Nações, p 510).
Os resultados foram surpreendentes. “Escrevendo posteriormente a alguns que foram corrompidos pelos mais vis pecados, pôde dizer: "Mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito de nosso Deus." I Cor. 6:11. "Sempre dou graças ao meu Deus por vós pela graça de Deus que vos foi dada em Jesus Cristo." I Cor. 1:4.” (O Desejado de Todas as Nações, p 510). 
Não existia uma igreja mais corrupta do que a de Corinto. Parecia um caso sem esperança. Imagino que em algum momento Paulo teve vergonha de se identificar com eles como irmãos em Cristo. Os corintianos vieram para a Igreja e trouxeram o mundo com eles. Paulo viu que eles necessitavam de uma profunda reforma espiritual e para que ela se concretizasse ele viu apenas uma solução: Cristo.
Cristo é o único capaz de fazer a diferença em nossa vida. A medida que o conhecemos Ele vai moldando a nossa vida. E é essa mudança de vida que vai atrair as pessoas do mundo.
Certa vez eu estava em uma oficina mecânica e vi uma haste de metal com um pedacinho de ferro na ponta. Perguntei para o proprietário qual era a sua utilidade e ele me respondeu: “Esse pedacinho de fero é um ima. E quando um parafuso ou alguma peça pequena cai dentro das engrenagens do motor eu consigo pesca-la com esse ima. Jesus é o grande Ima que nos tira do emaranhado deste mundo. Grudados Nele seremos transformados. (Ver meditação Reavivar a Esperança, p. 170). Sem Cristo em nossa vida nenhum reavivamento ou reforma terá êxito.

Terça
            “Éfeso não era somente a mais magnificente, como também a mais corrupta das cidades da Ásia. A superstição e os prazeres sensuais mantinham domínio sobre sua fervilhante população. À sombra de seus templos encontravam guarida os criminosos de toda espécie, e floresciam os mais degradantes vícios” (Atos dos Apóstolos, p. 286). Entre os muitos deuses adorados pela sua população, Diana sobressaia proporcionando uma grande fonte de renda para os adivinhos e encantadores.
            Mas foi justamente nessa cidade que Paul viu um fértil campo missionário.
“Porque uma porta grande e eficaz se me abriu; e há muitos adversários” (1 Coríntios 16:9). Ele sabia que o poder de Cristo poderia transformar aquelas pessoas.
            Os anos se passaram e não demorou muito para que algumas práticas do passado voltassem a influenciar a vida de alguns irmãos ali. Não só as praticas de Balaão eram pregadas pelos Nicolaitas, eles defendiam também que uma vida promiscua não desagradava a Deus. Uma outra acusação foi: “abandonaste o seu primeiro amor”.
            Das sete igrejas do Apocalipse a Igreja de Éfeso é a que mais elogios recebeu porém, existia algo a melhorar. Deus não Se esqueceu de suas boas ações mas reprovou o que de errado existia.  Deus deixou claro que o alvo da vida cristã é cem por cento e que sem a chama do amor a arder em nós uma reforma espiritual é inviável.

Quarta
Ouço com frequência pessoas dizer que a Igreja Católica é a primeira igreja a surgir no mundo sendo ela então a única certa. Pena que os seus líderes proibiram a leitura congregacional da Bíblia e foram substituindo as verdades eternas por tradições humanas.
O foco da salvação deixou de ser Jesus e passou a serem outros intermediários. A igreja passou a ensinar a salvação pelas obras e não mais pela fé. É triste ver tantas pessoas que tem em seus líderes religiosos verdadeiros santos. Mas foram eles que introduziu na Igreja uma enxurrada de tradições humanas.
Os reformadores se levantaram contra tudo isso e abrindo a Bíblia ao povo mostravam que a salvação é pela graça e não pelas obras. Essa era uma mensagem muito diferente da que eles, reformadores aprenderam nos seminários. A mensagem bíblica de salvação pela graça era apresentada dos púlpitos e muitos entenderam o recado.
Textos bíblicos como os apresentados na lição de hoje eram assimilados com avidez. Jesus passou a ser apresentado como o único Salvador e mais, a salvação por Ele oferecida era de graça. Eles tinham base para crer que “nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Romanos 8:1).
A Reforma proposta por Martinho Lutero ofereceu condições para que as três mensagens angélicas se propagassem com maior impacto e verdades bíblicas como o sábado fossem revitalizadas.
O que temos hoje não surgiu do acaso. Foi resultado de muita oração e apego á Palavra de Deus.

Quinta
            O reavivamento e a reforma propostos por Deus para o seu povo remanescente tem um significado especial. São dois acontecimentos que vão preparar a Igreja para uma vida eterna com Cristo.
            Nenhum movimento reformatório se revestiu de tamanha importância como o atual. É triste ver a indiferença de alguns com esse tema em um momento que os Céus estão fazendo os últimos apelos para os cristãos professos. Será muito triste para aqueles que olvidaram o apelo divino. Em breve eles constatarão que foram pesados na balança do Senhor e foram achados em falta.
            Antes de pregarmos as três mensagens angélicas temos que vivê-las. Isso envolve um relacionamento íntimo com Deus. As três mensagens angélicas se resumem no evangelho eterno. Esse é um evangelho de salvação a ser apresentado ao mundo.
            O mundo precisa saber que a Lei de Deus será a norma do juízo. Vivemos em um tempo em que doutrinas como a imortalidade da alma, a observância de um dia espúrio e a de que Deus não será tão justo assim saltam de púlpito em púlpito nas igrejas que tem a Bíblia na mão.
            O recado é sair dessa Babilônia. O reavivamento e a reforma são as armas que Deus nos oferece para pregarmos com ousadia as mensagens para esse tempo.


 Conclusão
            Para concluir deixo as palavras da irmã Ellen G. White: “Quero dirigir estas linhas aos que têm tido luz, aos que têm tido privilégios, aos que têm recebido advertências e apelos, mas não têm feito decidido esforço para entregar-se completamente a Deus. Desejo advertir-vos para que tenhais receio de pecar contra o Espírito Santo, ficando então entregues aos vossos próprios caminhos, caindo em letargia moral e nunca mais obtendo perdão. Por que consentiríeis em continuar sendo educados na escola de Satanás e seguir uma linha de procedimento que torne impossível o arrependimento e a reforma? Por que resistir às propostas da misericórdia? Por que dizer: "Deixem-me em paz", até que Deus seja compelido a satisfazer o vosso desejo, porque quereis que seja assim?” (E Recebereis Poder – Meditação Matinal, p. 37). 
                                   
           



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sábado, 10 de agosto de 2013

Unidade: o vínculo do reavivamento



Comentário da Lição da Escola Sabatina de 10 a 17 de agosto de 2013. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            Ultimamente tenho pensado na possibilidade de a nova Jerusalém ser dividida em bairros onde os mais iguais se agrupem formando subdivisões de uma população não homogenia, mas dividida pelas picuinhas que vivenciamos aqui.
            Quem sabe, veremos situações em que determinado grupo ao participar da programação de sábado queira superar o seu antecessor numa espécie de competição egocêntrica e destrutiva. Provavelmente, a sobremesa do almoço de sábado seja fazer comentários negativos diante das crianças quanto à participação de A ou B no culto divino.
            Com certeza, veremos carruagens de mudanças circulando pelas ruas de ouro à procura de uma mansão onde a vizinhança seja mais receptiva e calorosa aos caprichos e modos de ser do interessado.
            Ás vezes imagino que ao chegarem lá, alguns ao se certificarem de que serão vizinhos de Y ou Z passe de largo e sigam em frente, à procura até de um retorno. As divisões não ficarão apenas por ai. Os bairros preferidos e mais valorizados serão aqueles que se situam às margens do rio da Vida onde a “gentalha” não terá vez.
            Caso isso aconteça é porque, com certeza, erramos o caminho e esse suposto rio da Vida nada mais será do que um o lago de fogo.
            A lição dessa semana aborda um tema difícil de ser vivenciado entre nós e de uma necessidade premente para a descida do Espirito Santo. Creio que o autor, ciente dessa situação, o colocou em pauta e será frustrante para ele e para o Céu se a Igreja considera-lo de maneira leviana e descompromissada.
            A nossa Igreja atual se assemelha, em parte, a igreja de Corinto onde as divergências afloravam e Satanás se divertia prazerosamente. “Pois a respeito de vós, irmãos meus, fui informado pelos da família de Cloé que há contendas entre vós” (1 Coríntios 1:11). O puxão de orelha de Paulo naqueles irmãos, infelizmente, é válido para nós hoje.

Domingo
         Um dos argumentos que os ecumenistas usam para incentivar e promover a união das igrejas é o de que o mundo não acreditará em cristãos divididos entre si. Eles usam as mesmas palavras de Jesus em João 17:21: “Para que todos sejam um; assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti, que também eles sejam um em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.”
         É sabido que a igreja primitiva distanciou muito dos princípios doutrinários pregados por Jesus e confirmados pelos apóstolos. Esse distanciamento deu origem ao movimento da reforma de Martinho Lutero. E desde então as divergências marcam cada denominação religiosa que surge no mundo.
         O estudo de hoje está voltado não para a Babilônia religiosa de nossos dias, mas sim, para a igreja que professa guardar os mandamentos de Deus e que tem a fé de Jesus.
         A oração de Jesus pela unidade da Igreja não foi fácil de ser entendida pelos apóstolos. Foi resultado de muita oração e exame pessoal que eles alcançaram o sonhado patamar proposto pelo Céu: ”Da multidão dos que criam, era um só o coração e uma só a alma” (Atos 4:32).
         Podemos imaginar a felicidade de Cristo ao ver o Seu sonho de unidade aflorar na Igreja primitiva. Esse mesmo motivo de felicidade Ele espera que se manifeste entre nós.

Segunda
         Quando lemos 1 Coríntios deparamos com uma Igreja complicadíssima. Era a igreja de causar calafrios no pastor que fosse indicado para pastoreá-la.  Entre os muitos problemas dos corintianos estava a desarmonia entre irmãos.
Mas a Igreja de Corinto tinha algo de bom. Uma atitude louvável mantinha a igreja de pé. Paulo afirma: “Sempre dou graças a Deus por vós, pela graça de Deus que vos foi dada em Cristo Jesus; porque em tudo fostes enriquecidos nele, em toda palavra e em todo o conhecimento” (1 Coríntios 1:4 e 5).
Os irmãos de Corinto aceitaram de coração os ensinamentos de Cristo. Mas embora tivessem uma base doutrinária sólida permitiram que Satanás semeasse muito joio entre eles.
Havia disputa sobre qual pastor era mais importante. Alguns preferiam Apolo, outros Cefas e um terceiro grupo, aparentemente mais forte defendia Paulo. Ao falar da importância da unidade entre irmãos o apostolo justifica a sua repreensão demonstrando o seu amor por eles. “Não escrevo estas coisas para vos envergonhar, mas para vos admoestar, como a filhos meus amados” (1 Coríntios 4:14).
Ao assemelhar a Igreja a um corpo, Paulo estava apresentando um patamar difícil de ser alcançado pelos corintianos. As porfias eram comuns entre eles e muitas vezes as divergências chegavam aos tribunais seculares. “Rogo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que sejais concordes no falar, e que não haja dissensões entre vós; antes sejais unidos no mesmo pensamento e no mesmo parecer” (1 Coríntios 1:10).
Paulo compara a Igreja ao corpo humano. Essa é uma metáfora fácil de ser entendida porque todas as pessoas tem um corpo e sabem muito bem da importância de cada membro do corpo e a interdependência entre eles.
Por sua vez Pedro também usa uma metáfora inteligente. Para ele todos nós somos tijolos e pedras na edificação de uma casa. Cada tijolo e cada pedra têm a sua importância na solidez da construção. Uma ilustração fácil de entender, uma vez que todos moram em algum tipo de casa e sabe muito bem da importância de cada componente na construção.
A nossa Igreja é parecida com a de Corinto. Temos uma sólida base doutrinária, porém falhamos nos relacionamentos.


 Terça
         O plano de Deus para a Sua Igreja hoje não é diferente do que foi nos dias dos apóstolos. Pregar o evangelho de salvação a toda nação, tribo, língua e povo. A Igreja Adventista do Sétimo Dia não surgiu por acaso.
         A Igreja está centrada nas profecias bíblicas. Ela faz parte dos sonhos de Deus para salvação da humanidade. Se a Igreja não existe por acaso, muito menos nós, não fazemos parte dela por acaso. Temos uma mensagem e a missão de fazê-la conhecida no mundo.
Os comerciantes de Filipos ao ver as vendas de imagens cairem se revoltaram contra os apóstolos e em fúria os prenderam. A principal acusação: perturbadores. ‘’E, apresentando-os aos magistrados, disseram: Estes homens, sendo judeus, perturbaram a nossa cidade” (Atos 16:20).
Os apóstolos estavam sedentos para levar a mensagem de salvação a todo o mundo. Ignorando perigos eles iam de cidade em cidade anunciando a Palavra. Eles eram os perturbadores do mundo de então. Quem dera que todas as cidades e vilas da Terra fossem perturbadas por nós com a mensagem de salvação.
Somos uma igreja com uma missão: testemunhar de Cristo para o mundo. O testemunho individual formará o coletivo. Irmanados em um só objetivo a unidade não será uma exigência, mas sim consequência.

Quarta
          Há poucos dias participei de um encontro de família onde a maioria das pessoas é praticante da Igreja Católica. Nos quinze minutos em que me oportunizaram falar, abordei três pontos especiais: A razão do nosso nome, a organização da Igreja e o nosso estilo de vida. 
         Falar como a nossa Igreja é organizada é um tema que nos deixa muito à vontade. É graças a essa organização que a mensagem está chegando a quase todos os países do mundo. Graças a ela temos um corpo de doutrinas que é pregado de maneira uniforme em todos os cantos do planeta.
         Em 1969 participei do único congresso mundial de jovens de nossa Igreja realizado na Suíça. Ali tivemos uma melhor ideia dos resultados de uma Igreja organizada. Milhares de pessoas vindas de todas as partes do mundo irmanadas em uma só doutrina, propósito e objetivo. De uma coisa não devemos nos esquecer: a mesma unidade doutrinária que professamos deve refletir na unidade dos irmãos entre si.
A organização da Igreja não saiu de uma cabeça qualquer. O Espirito Santo foi e é o Seu mentor. E essa é a razão de nossa Igreja ser o que é.
Os apóstolos trabalharam sob uma liderança. Nenhum deles agia por conta própria. Havia uma liderança colegiada.

Quinta

         Como exemplo de unidade ninguém melhor do que Jesus. Ele foi e é o Líder perfeito. Uma das grandes preocupações de Jesus antes de subir para o Céu foi transmitir à sua igreja orientações sobre a necessidade de se manter unida. Para isso Ele deu o exemplo. ``E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Filipenses 2:8).
         Um ponto importante na vida de Cristo era a Sua unidade com o Pai e o Espírito Santo. E foi esse exemplo de unidade que Ele deixou para a Sua Igreja e foi por essa unidade que Ele orou insistentemente: “Para que todos sejam um; assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti, que também eles sejam um em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste” (São João 17:21).
         Em Mateus 28:16 a 20 Jesus deixou claro que Ele é o nosso líder. A nossa unidade entre irmãos não prosperará caso não estejamos em íntimo relacionamento com o Céu. É de lá que vem o poder para vencermos as tendências da carne.
Essa unidade pela qual Cristo orou não é fácil de ser alcançada. Mesmo depois do Pentecostes os apóstolos tiveram dificuldades em manter o padrão de unidade apresentado por Cristo. Não foi por acaso que naquela época Jesus orou por nós hoje. ``E rogo não somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim “(São João 17:20).

Conclusão
          Concluindo, faço uso das palavras do autor da Lição encontradas na página 89: ``Os discípulos não permitiram que os seus diferentes traços de personalidade, pontos de vista sobre várias questões ou preferencias pessoais impedissem o cumprimento da missão.”
          Diz Ellen G. White: “Quem acha que nunca terá de abandonar uma opinião formada, e nunca terá ocasião de mudar de critério, será decepcionado. Enquanto nos apegamos obstinadamente às nossas próprias ideias e opiniões, não podemos ter a unidade pela qual Cristo orou.” (A Igreja Remanescente, p 26).

sábado, 3 de agosto de 2013

Confissao e arrependimento: as condiçoes do reavivamento


Comentário da Lição da Escola Sabatina de 3 a 10 de agosto de 2013. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

            O reavivamento vai mostrar para o mundo aquele crente sem máscaras. Não mais fingimentos de alguém que se diz amar e que no íntimo guarda indiferenças. Não mais sorrisos pré-fabricados apresentados pelo rosto e negado pelo coração.

            Não haverá também nenhum pecado que não tenha sido confessado e abandonado. Diante da conjuntura atual pensar numa Igreja assim parece utópico. Mas se realmente estivermos empenhados no reavivamento isso terá de acontecer ou não acontecerá nada.

            O reavivamento não virá por acaso. Sem o empenho de cada membro da Igreja ele não será realidade entre nós. E o mais sério é que, ou seremos envolvidos nele ou estaremos sendo atados em molhos para o fogaréu que se aproxima. Não haverá meio termo.

            Talvez a nossa maior necessidade no momento é  implorar para que o Espírito Santo nos mobilize para que haja confissão e verdadeiro arrependimento em nós e entre nós.

 

Domingo

            O arrependimento é um dom de Deus que pode ser ou não aceito por nós.

            É difícil alguém contemplar a Cristo crucificado e não ser tocado pelo Seu grande amor. O Seu sacrifício é o start que sacode o nosso ser nos alertando para uma mudança de vida.

            O verdadeiro arrependimento aconteceu na vida dos discípulos. Quando Pedro aconselhou os seus ouvintes a se arrepender ele estava falando de algo que ele experimentou a custa de muitas lágrimas.

            Para que haja arrependimento duas coisas são necessárias: contemplar o Calvário e fazer um profundo exame de coração. Diz Ellen G. White: “Muitos há que, detendo-se demasiadamente na teoria, têm perdido de vista o poder vivo do exemplo do Salvador... O que eles necessitam é contemplar a Jesus” (A Ciência do Bom Viver, p 457).

            Caso não estejamos orando para que Deus opere em nossa vida as mudanças necessárias para experimentarmos o prometido reavivamento, estamos cometendo um grave equivoco de vida.

 

 

 Segunda

            Ao falar da conversão dos corintianos Paulo enfatiza que eles foram contristados ou seja, eles ficaram entristecidos ao tomarem conhecimento do que Jesus fez por eles que viviam em pecado. Essa tristeza pelo pecado faz nascer o desejo de uma mudança de vida.

            A tristeza pelo pecado é mesclada com a alegria de ter a certeza de que Deus perdoou todos os pecados. Por maior que sejam os nossos pecados a misericórdia divina a todos suplanta.

            O arrependimento que causa mais dor é o de alguém que se arrependeu de ter arrependido tarde demais. Esse talvez seja o arrependimento que acontece além do alcance do Céu. É esse arrependimento que vai martirizar mais pessoas depois do fechamento da porta da graça. Ele acometerá aqueles que foram insensíveis ao toque do Espírito Santo.

            Essa é uma situação que poderá nos envolver. Acostumamos frequentar a Igreja e facilmente tudo se transforma em uma rotina sem vida e monótona e pior, facilmente nos acostumamos a ela. Temos que, diariamente, renovar a nossa experiência com Cristo.

            Paulo volta a mencionar a sua conversão e o que mudou em sua vida. O arrependimento que não leva a uma mudança de vida é aquele que não aconteceu. Paulo é enfático: “Assim andemos nós em novidade de vida.”

 

Terça

         O arrependimento produz em nós o desejo de nunca mais repetir a mesma falha. Esse desejo gera a verdadeira confissão e quando as duas coisas acontecem Deus cumpre a Sua promessa: perdoa. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1:9).

         Quantas vidas já foram restauradas com essa promessa divida. Em quantas pessoas ela restaurou aquela paz que excede a todo o entendimento. Essa é a paz que você sentiu quando aceitou a Jesus como salvador pessoal. É a paz que Ele oferece a toda alma conturbada e aflita.

         A confissão deve ser precedida profundo exame de coração. Cada falha deve ser examinada com um profundo sentimento de nunca mais cometê-la. É comum ouvirmos orações onde o penitente pede perdão “de todos os pecados”.  Parece que pecamos no varejo e pedimos perdão no atacado. A promessa divina é: perdão. Mas o perdão deve ser precedido de um profundo exame pessoal. Temos que identificar uma a uma as nossas falhas e com o firme proposito de nuca mais pratica-las aguardar e aceitar o perdão divino.

         Mais uma vez Paulo relata a sua experiência de conversão. Ele afirma: “Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial” (Atos 26:19).  Ele não só foi obediente à voz do Espirito Santo, mas foi humilde o suficiente para confessar os seus pecados e viver em novidade de vida.

 

Quarta

         A nota da lição esclarece bem a diferença entre o arrependimento genuíno e o falso arrependimento. Os personagens bíblicos apresentados foram movidos por perda, interesse financeiro, privilégios e remorso. Jamais se apresentaram a Deus contristados como fizeram os corintianos. Caso houve alguma tristeza ela foi oriunda de desejos carnais contrariados, mas não por terem ofendido o Deus criador. As pessoas citadas não foram movidas por um profundo arrependimento.

         Judas é um caso diferente. Ele reconheceu o seu pecado, mas não buscou o perão divino. Dizem que Judas foi movido pelo remorso e não pelo arrependimento. O verdadeiro arrependido se apega a Deus, enquanto aquele movido pelo remorso se apega a si mesmo. O remorso conduz ao desespero e à morte enquanto o verdadeiro arrependimento conduz à vida.

         Veja que a nota da pergunta apresenta três características do arrependimento. Ou seja: consciência de que ferimos o coração de Deus, assumir pessoalmente o pecado cometido e o abandono da pratica pecaminosa.

         O nosso arrependimento não deve ter a sua origem no medo da justiça divina, embora ela possa contribuir para um retorno  positivo para os braços de Deus. A Bíblia afirma: “Porque, havendo os teus juízos na terra, os moradores do mundo aprendem justiça”(Isaias 26:9).

         Sem o verdadeiro arrependimento não experimentaremos o reavivamento. E sem o verdadeiro reavivamento seremos incapazes de promover uma reforma em nossa vida espiritual. E sem o reavivamento e a reforma não participaremos da chuva serôdia.

 

Quinta

         No momento em que escrevo esse comentário vejo, pela televisão, alguns jovens eufóricos depois de terem confessado com o papa Francisco. Embora saibamos que a Bíblia nos orienta a confessar diretamente com Cristo e que apenas Ele pode perdoar pecados, não se pode negar o efeito positivo que tal ato produziu na vida daqueles jovens.

         No verso três do salmo oito o salmista afirma: “Quando eu guardei silêncio, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido em todo o dia.” falando sobre esse verso o pastor batista Elton Melo faz o seguinte comentário:

 - Nós não podemos conviver com a culpa – para isso Deus criou confissão.

 - A não confissão do pecado nos faz adoecer física (consumiram-se os meus ossos), emocional (meu bramido durante todo o dia) e espiritualmente (tua mão pesava sobre mim), veja como isso acontece:

- O silêncio demonstra uma resistência teimosa em admitir nossa culpa;

- Quanto mais adia, mais você sofre;

- O resultado é: envelhecimento precoce, falta de paz, peso, opressão sobre o corpo.

- Feridas na pele e no corpo – baixa imunidade;

- Fraqueza / desânimo / desassossego do coração;

- Os olhos perdem o brilho – sequidão de estio – como um pingo d`água num asfalto quente;

- Mente confusa.

A cura pela confissão

- Confessar o pecado é o começo do tratamento;

- Confessar com Deus é concordar com ELE sobre o que ELE nos diz;

- Confessar é agradecer pois já temos o perdão para todos os pecados;

- Confessar é arrepender = mudar de atitude, ação, direção;

- Quando confessamos, podemos orar – nossa oração é ouvida, mesmos distantes;

- Quando confessamos, recebemos a misericórdia sobre nós;

- Quando confessamos, as dores cessam;

- Quando confessamos, o Senhor nos enche de alegria;

- Quando confessamos, somos justificados (o publicano e o fariseu).

Ellen G. White faz uma advertência para a Igreja: “Nas igrejas [adventistas do sétimo dia] deverá haver admirável manifestação do poder de Deus, mas ela não influirá sobre os que não se têm humilhado diante do Senhor, abrindo a porta do coração pela confissão e arrependimento” (Eventos Finais, p 209).

 

Conclusão:

            Confissão, arrependimento e abandono do pecado foram fundamentais na vida de Davi para que ele se tornasse ``O homem segundo o coração de Deus.”

            Caso aspiremos ser bafejados pelo Espirito Santo não podemos fugir de dar esses passos que fizeram parte da experiência cristã de todos que no passado, deixando o mundo para trás, se voltaram para Cristo.

 

“A Bíblia, tal qual nela se lê, deve ser nosso guia. Coisa alguma é tão adequada a ampliar a mente e fortalecer o intelecto, como o estudo da Bíblia. Nenhum outro estudo assim elevará a alma e dará vigor às faculdades como o estudo dos vivos oráculos”

(Mente, Caráter e Personalidade Volume 1, p. 93).

 

 

sábado, 27 de julho de 2013

Obediência: fruto do reavivamento


Comentário da Lição da Escola Sabatina de 27 de julho a 3 de agosto de 2013. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação matinal para qualquer ano. O autor é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

            No estudo dessa semana vamos ver que uma vida reavivada é dirigida pelo Espírito Santo e consequentemente passa a produzir os frutos do Espírito. Isso foi o que aconteceu com Pedro, Paulo, Estevão e tantos outros que permitiram  serem dirigidos pelo Espírito Santo.

            Uma coisa que a Lição mostra é que ser dirigidos pelo Espírito Santo não nos isenta de tribulações pois, continuaremos a mercê das forças do mal. A luta entre as coisas da carne e as do Espírito se acentua ainda mais.

            Veremos também que a presença do Espírito Santo em nossa vida nem sempre se apresenta com fenômenos espetaculares e que a principal manifestação se vê numa vida transformada e produtiva. Entre os frutos do Espírito, o mais evidente é a disposição de obedecer a vontade de Deus. Uma vida reavivada pelo Espírito Santo jamais permanecerá enclausurada na indiferença e mesmice. Os frutos do Espírito como obediência e testemunho fruirão de maneira natural e espontânea.

            O reavivamento é uma experiência que deve acontecer em nossa vida de maneira ininterrupta dia após dia. A oração e o estudo da Palavra diariamente são essenciais para a busca do Espírito e consequente obediência e testemunho. 

            Alguns afirmam que uma vez aceitando a Cristo a nossa obediência se faz automaticamente. Mas não é isso que Paulo afirma. O verso áureo é bem claro. Estamos envolvidos em um conflito e temos de lutar mesmo usando as armas oferecidas pelo Espírito Santo. Esse subjugar o corpo envolve uma luta diuturna. Confessa o apóstolo: “Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado” (1 Coríntios 9:27).

            O crente reavivado encontrará forças e motivos para obedecer, mas isso não o isenta da luta. Paulo adverte: “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” “Efésios 6:12).

           

Domingo

            A vida espiritual de Pedro passou por três fases. Antes da cruz ele se julgava ser um discípulo modelo, disposto a obedecer mesmo diante da morte. Mas logo depois concluiu que não estava tão maduro assim na fé.

Na segunda fase Jesus o interroga e Pedro fica constrangido e conclui que caso amasse a Jesus de todo o coração não O teria traído. Mesmo assim expressou o seu amor ao Mestre.  

Depois do Pentecostes Pedro desafia as autoridades de então confessando estrita obediência a Cristo mesmo diante das ameaças de morte.

É curioso observar que Pedro só experimentou essa maturidade espiritual depois de ter experimentado o reavivamento. É ele que nos proporciona forças para obedecer. Sem o reavivamento a vida espiritual é um fardo difícil de suportar. Ele não nos isenta da luta mas nos oferece a energia necessária.

A nota da Lição esclarece: “O derramamento do Espírito Santo no Pentecostes fez enorme diferença na vida de Pedro, que foi transformado de um cristão fraco e vacilante, em um discípulo cheio de fé e obediente” (Página 56 da Lição).

 

Segunda

            Comentei na introdução que a nossa obediência não acontece automaticamente. Enfrentamos lutas e aflições. Estevão foi obediente e pagou com a vida. Se a morte por apedrejamento foi o seu quinhão que resultados Estevão percebeu de sua obediência irrestrita? Falando de sua execução diz o texto sagrado: “Mas ele, estando cheio do Espírito Santo, fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à direita de Deus; e disse: Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do homem, que está em pé à mão direita de Deus” (Atos 7:55-56).

            No momento fatidigo o próprio Jesus Se apresentou para Estevão e lhe proporcionou forças para ser obediente até o último suspiro. Estevão viu os céus abertos. Podemos imaginar o contraste de senário que ele contemplou. O Céu aberto com anjos entoando louvores a Deus e todas as maravilhas que o esperavam. Deus o Pai e Jesus Se apresentam e lhe proporcionam o alento nesse momento crítico.

            Aqui na Terra está Ele (Estevão) em meio a uma turba exacerbada, movida por Satanás, que em fúria lhe atiram pedras sem piedade.

            Essa vida de obediência, mesmo diante da morte, só foi possível porque Estevão estava cheio do Espírito Santo. “Mas ele, estando cheio do Espírito Santo, fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à direita de Deus” (Atos 7:55).

            Sabemos que dias difíceis estão diante de nós nos quais a nossa fé será provada ao máximo e a nossa vitória só será possivel se estivermos cheios do Espírito Santo. O que estamos fazendo agora para armazenar o precioso azeite? As trevas cobrem a Terra, mas em meio à escuridão o noivo está chegando.

 

Terça

Ananias tremeu nas bases quando recebeu a ordem divina para receber Paulo e orar por ele. Ele estava cego? Ótimo. Quem sabe seria uma intervenção divina para arrefecer o seu ímpeto de perseguidor!

É interessante que Ananias estava temeroso. Ele sabia que Paulo “tinha poder” para prender e matar os cristãos. “E aqui tem poder dos principais dos sacerdotes para prender a todos os que invocam o teu nome” (Atos 9:14). Deus estava preparando Paulo para receber “um outro poder”.

Jesus derrubou Paulo do cavalo. Ele caiu do alto de sua prepotência e num instante se tornou um dependente de terceiros para se locomover. Para Paulo era muito estranho o que estava acontecendo e para Ananias a ordem divina era mais estranha ainda.

Será que tudo não era uma farsa e um embuste para abocanhar mais cristãos? Será que ao ter a visão restaurada ele não voltaria a perseguir, sendo Ananias a primeira vitima?

A atuação do Espírito Santo foi fundamental na conversão de Paulo. Ele não só atuou na sua conversão como preparou a igreja para recebê-lo. A frase “quantos males tem ele feito a Igreja” foi alterada por “quantas bênçãos ele trouxe para a Igreja”.

Imagino como foi difícil para Paulo aceitar a repreensão de Cristo e obedecer a Sua Palavra. Guiado pelo Espirito ele se humilhou e se entregou sem reservas. Pouco depois ele confessou: “Não fui desobediente à visão celestial.” Caso Ananias recusasse a obedecer à orientação divina, Deus teria de providenciar outro meio para que Paulo fosse aceito pela Igreja.

Felizmente o Espirito Santo continua atuando poderosamente e,  milhares ao redor do mundo, tem obedecido aquela voz por de traz de si dizendo “este é o caminho andai por ele``.

 

Quarta

            Agripa e Festo ouviram de Paulo um dos mais comoventes apelos apresentados na Bíblia. Eles estão diante de um homem prisioneiro, algemado e indefeso. Esse condenado se levanta e começa a falar. Ao ver a sua eloquência, o seu entusiasmo e a sua sinceridade Festo confuso exclama: “Estas loco, Paulo. As muitas letras te fazem delirar!”

            Paulo observou que Agripa o ouvia comovido e, então, lhe faz uma intrigante pergunta: “Acredita, ó rei Agripa, nos profetas?” E ele mesmo responde: “Bem sei que acreditas.” Enquanto Festo viu em Paulo um delirante louco, Agripa comovido exclama: “Por pouco me persuades a me tornar cristão.”

            Paulo faz um último apelo extensivo aos dois monarcas e a todo o auditório: “Não apenas tu, ó rei, porém todos os que hoje me ouvem se tornassem tais qual eu sou, exceto essas cadeias.”

            Paulo foi sensível ao apelo do Espírito Santo enquanto Agripa e os demais que ali estavam ficaram no quase. Talvez a posição politica e social sufocou a semente semeada no coração de Agripa. O Espirito Santo faz o Seu trabalho, mas a decisão final cabe a cada um de nós.

            Naquele dia Paulo experimentou um desapontamento comum a muitos de nós nos dias de hoje. Quantas vezes, ao terminar uma serie de estudos bíblicos, o nosso interessado usa uma frase muito comum hoje: “Quero que me dê um tempo.” Tal pessoa “ganha o tempo” mas perde a eternidade.

 

Quinta

            Jesus é o maior exemplo de obediência que o mundo já conheceu. Ele abriu mão de Sua divindade para, na carne humana, vencer o pecado. A Sua obediência foi fruto de continuo relacionamento com o Pai. Ela foi resultado de Suas noites de oração. Comunhão com Deus é o segredo de uma vida santificada.

            A vida cristã não é um mar de rosas. É claro que Deus estará conosco em todas as provações, mas deve haver em nós a disposição para lutar. Jesus foi submisso em tudo e foi mais do que vencedor. A vida cristã não nos enclausura em uma zona de conforto. Deve haver renúncia, humildade e submissão.

            Paulo fala da necessidade de um morrer diário para o mundo e de uma luta permanente entre os desejos da carne e a ação do Espírito Santo em nossa vida. A obediência aos princípios divinos não acontece por acaso.

 Contrariando o que normalmente se prega e se vê ao nosso redor o Espírito Santo não Se manifesta nos fieis com alvoroço e barulho, mas no silencio de uma vida transformada.  Um estudo bíblico ministrado por Jesus na calada da noite mostrou para Nicodemos como funciona a atuação do Espírito Santo na vida do crente.

Assim como a atuação do Espirito Santo acontece de maneira silenciosa a nossa luta diária pode ser imperceptível aos que estão ao nosso redor. Mas em ambos os momentos o Espírito Santo está em plena atuação nos mostrando o caminho e nos oferecendo forças para percorre-lo.

 

Conclusão

            O reavivamento deve operar um novo viver em cada um de nós. Caso ele não provoque uma transformação em nossa vida é porque estamos enganando e sendo enganados. Esse novo viver produz fruto. E esse fruto do Espírito se traduz em obediência.

            Parece paradoxo. Sem a atuação do Espirito Santo é impossível produzir o precioso fruto da obediência. Por outro lado é impossível que, sob a atuação do Espírito Santo, alguém deixe de produzir os frutos da obediência.

            O nosso exemplo é Jesus. Com a ajuda do Espirito Santo Ele foi obediente até a morte e morte de cruz.