domingo, 1 de dezembro de 2013

O Dia da Expiação escatológico

Comentário da Lição da Escola Sabatina de trinta de novembro a sete de dezembro de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            Na lição de número seis estudamos o dia da expiação no santuário terrestre. Já nesta semana estudaremos o Dia da Expiação escatológico, ou seja, veremos o Dia da Expiação apresentado no cumprimento das profecias de Daniel e sua relação com a restauração do santuário celestial. Essa restauração nada tem a ver com a integridade do santuário no Céu e nem com a rotina desenvolvida ali pelo Grande Sumo Sacerdote, mas sim, com o tratamento dado, aqui na Terra, pela ponta pequena de Daniel 8:9 ao santuário celestial e a rotina de trabalho que o Grande Sumo Sacerdote desenvolve ali.
            A ponta pequena cometeu uma dupla usurpação da autoridade divina. Primeiro usurpou a autoridade do Grande Sumo Sacerdote para perdoar pecados e mediar entre Deus e o homem de tal modo que a salvação do ser humano não passa por Cristo no santuário celestial, mas por vigários dentro de confessionários pulverizados pela superfície da Terra. Não contente só com isso ela alterou a Lei de Deus numa tentativa de macular o caráter divino.
O dia escatológico da Expiação é o período de tempo que se estende de 22 de outubro de 1844 até a volta de Jesus. Nesse período três coisas acontecem. Primeiro temos o julgamento pré-advento. Nesse período tudo o que está anotado no Céu concernente aos filhos de Deus está sendo analisado por Aquele que não erra.
Simultaneamente a essa atividade, surgem as três mensagens angélicas de Apocalipse 14 restaurando as verdades bíblicas adulteradas pelo poder da ponta pequena enquanto faz o último apelo para que os pecadores saiam de Babilônia e aceitem a mediação de Cristo no santuário celestial.
            Com todos os esclarecimentos feitos a Daniel pelo anjo do Senhor ele ainda teve dificuldade para entender a visão. “E eu, Daniel, enfraqueci, e estive enfermo alguns dias; então levantei-me e tratei do negócio do rei. E espantei-me acerca da visão, e não havia quem a entendesse” (Daniel 8:27). Provavelmente a sua maior preocupação era saber dos pormenores relacionados aos acontecimentos dos “dias muito distantes” (Daniel 8:26) que, naturalmente, são os nossos dias.
            A Bíblia não relata que Daniel tenha se angustiado e chorado ao saber que seria jogado na cova dos leões. Mas diversas vezes ele experimentou angustia, chorou e jejuou ao ver um resumo do que aconteceria nos “dias muito distantes” ou “tempo do fim” que são os nossos dias.  Ele se angustiou, chorou, orou e jejuou preocupado comigo e com você. Estamos demonstrando a mesma preocupação em compreender as suas profecias ou nos portamos de maneira indiferente e descuidada?
            Não nos esqueçamos de que estamos vivendo os dias mais solenes da história da humanidade. Vivermos de maneira leviana e irresponsável nesses dias é precipitarmos de ponta cabeça na perdição.

Domingo
            A ponta pequena desfere vários atentados contra Deus. O principal é anular o ministério sacerdotal de Cristo introduzindo uma suposta autoridade da Igreja Católica de perdoar pecados e mediar entre Deus e os homens.
No bojo de seus ataques está a adulteração da lei de Deus substituindo o sábado pelo domingo, a adoração de imagens e até a compra da salvação via indulgencias. A irmã Ellen G. White afirma ser por causa dessas tradições criadas pela igreja Católica que levou igreja verdadeira a se apartar de Roma. Diz o texto: “Entre as principais causas que levaram a igreja verdadeira a separar-se da de Roma, estava o ódio desta ao sábado bíblico. Conforme fora predito pela profecia, o poder papal lançou a verdade por terra. A lei de Deus foi lançada ao pó, enquanto se exaltavam as tradições e costumes dos homens. As igrejas que estavam sob o governo do papado, foram logo compelidas a honrar o domingo como dia santo” (O Grande Conflito, p. 65).
Aos poucos a ponta pequena que surgiu representando Roma Pagã foi se robustecendo ganhou força e prestígio e faz da igreja o primeiro poder. Reis e governantes passaram a lhe prestar obediência. Roma Pagã passou a ser Roma papal. Diz Ellen G. White: “No século VI tornou-se o papado firmemente estabelecido. Fixou-se a sede de seu poderio na cidade imperial e declarou-se ser o bispo de Roma a cabeça de toda a igreja. O paganismo cedera lugar ao papado. O dragão dera à besta "o seu poder, e o seu trono, e grande poderio". Apocalipse 13:2. E começaram então os 1.260 anos da opressão papal preditos nas profecias de Daniel e Apocalipse (Daniel 7:25; Apocalipse 13:5-7)” (O Grande Conflito, p. 54). 

Segunda
                Para os personagens que contemplavam o progresso espantoso da ponta pequena tudo parecia incompreensível. Os outros impérios que sucederam a ponta pequena, principalmente o persa e o grego, não foram tão blasfemos como no caso da ponta pequena e todos eles amargaram um fim. E como pode esse poder afrontar o Deus vivo, e, ao invés de ser punido só prosperar?
Dois pensamentos veem à tona. Primeiro, parece que os personagens preocupados com os desmandos da ponta pequena eram seres celestiais. Isso deixa claro que seres celestiais estavam preocupados com a situação e não podiam entender como um poder tão arrogante e blasfemo que atinge o trono do Altíssimo pudesse perdurar impune. Segundo, como pode um poder que atinge a autoridade do Altíssimo, não receber nenhuma punição e ainda continuar crescendo?
Em meio a tanta dúvida no Céu e na cabeça do profeta surge a pergunta: “Até quando durará a visão relativamente ao holocausto contínuo e à transgressão assoladora, e à entrega do santuário e do exército, para serem pisados?” (Daniel 8:13). A resposta veio de imediato: “Ele me respondeu: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; então o santuário será purificado” (Daniel 8:14).

Terça
É curioso observar que as respostas às dúvidas de Daniel e das pessoas envolvidas com ele acontecem de maneira muito rápida no transcorrer do seu livro. Vejamos alguns exemplos:
            No capítulo um temos Aspenaz, chefe dos eunucos do rei Nabucodonosor, temendo atender ao pedido de Daniel para trocar a sua dieta especial por legumes e água. No fim de três anos Daniel e os de mais cativos escolhidos pelo rei seriam submetidos a um rigoroso exame e caso o rendimento de Daniel e seus companheiros fosse abaixo dos demais o chefe dos eunucos fatalmente seria executado por haver contrariado uma ordem real. Daniel se adiantou: “não é necessário esperar três anos, experimente por dez dias”. Sabemos que os resultados foram suficientes para aplacar os temores de Aspenaz. (Daniel 1:5 e 18 a 20).
            No capitulo cinco o rei Belsazar, filho de Nabucodonosor, organizou um grande banquete usando os vasos sagrados retirados do templo do Senhor. Uma escrita, a qual nenhum dos sábios de Babilônia soube interpretar, apareceu na parede. Daniel foi chamado. A interpretação foi dada na hora. Babilônia foi invadida naquela mesma noite, Belsazar foi executado e o reino caiu nas mãos de Dario da Pércia.
            No capitulo oito temos dois episódios. Quando um ser celestial perguntou ao outro até quando a ponta pequena iria afrontar o Deus vivo a resposta veio imediatamente. (Daniel 8: 13 e 14). No segundo episódio Daniel está angustiado para entender o significado da visão e imediatamente Gabriel recebeu a ordem para ajuda-lo a entender. (Daniel 8: 15 a 27).
             No capitulo nove Daniel viu que o fim do cativeiro do seu povo em Babilônia seria o marco inicial dos dois mil e trezentos dias. Ele analisa e confessa os pecados do seu povo, causa do cativeiro. Ele quer saber como o cativeiro terminara e como terá inicio os dois mil e trezentos dias. Quando ele iniciava a sua oração o homem Gabriel veio voando “rapidamente” para fazer-lhe entender a visão. (Daniel 9:21-27).
            Mais uma vez Daniel está confuso ao ter uma visão sobre a sucessão dos reinos do mundo. No momento de angustia surge o homem vestido de linho e fala com ele: “Então me disse: Não temas, Daniel, porque desde o primeiro dia em que aplicaste o teu coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, são ouvidas as tuas palavras; e eu vim por causa das tuas palavras” (Daniel 10:12). Veja que as respostas de Deus sempre aconteciam de maneira rápida e precisa.
            No último capitulo do seu livro Daniel relata a sua última visão. A volta de Jesus, a ressurreição dos justos e o juízo final. Daniel quis saber como seria os últimos dias. Mas o Senhor transferiu esse privilégio para nós que vivemos no tempo do fim. “E ele disse: Vai, Daniel, porque estas palavras estão fechadas e seladas até ao tempo do fim” (Daniel 12:9).
            Estamos estudando as profecias de Daniel com o mesmo empenho para entendê-las assim como Daniel se comportou ao recebê-las? Se o fizermos com oração e jejum o Senhor terá pressa em nos atender.
            Fora do estudo de hoje apenas uma observação me vem à mente: É interessante que nos seis primeiros capítulos do livro de Daniel ele está empenhado em interpretar e realizar os sonhos do rei. Mas na última metade do seu livro o Rei do Universo lhe dá o privilégio de ele realizar os seus próprios sonhos. E que sonhos! Esse é o resultado de colocarmos os sonhos do rei em primeiro lugar.

Quarta
            O chifre pequeno desafia a Deus, o santuário e o povo de Deus. Para executar os seus intentos ele conta com o apoio do Dragão. A sua estratégia é desviar a atenção da humanidade do ritual desenvolvido no santuário celestial. Essa estratégia implica em manter aqui na Terra uma imitação do que é realizado no Céu em favor do homem.
            A ponta pequena estabelece um meio de salvação próprio instituindo sacerdotes com a autonomia para “perdoar pecados” ou determinar penitencias para que o perdão se concretize. Institui a adoração a “santos” falecidos, que segundo o dogma da ponta pequena estão vivos no Céu e intercedem pelos pecadores.
            Roma pagã passa a ser Roma papal com a autoridade de interferir diretamente no estado.  A perseguição aos que refutam os seus dogmas é instituída e milhões são martirizados. Os próprios seres celestiais estão estarrecidos com as atrocidades que se cometem na Terra. E fazem a solene pergunta: “Até quando?”
A resposta veio de imediato: “Ele me respondeu: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; então o santuário será purificado” (Daniel 8:14).

Quinta
A chave para descobrirmos o inicio dos dois mil e trezentos dias está em Daniel 9:25: “Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém até o ungido, o príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; com praças e tranqueiras se reedificará, mas em tempos angustiosos.”
Esse período teve o seu início com a ordem para reconstruir Jerusalém. Foram expedidos três decretos relativos à reconstrução de Jerusalém. Em sequencia temos Ciro, Dario e Artaxerxes. O do rei Artaxerxes de 457 A.C. que dava autonomia jurídica a Jerusalém é considerado como o marco para o inicio das setenta semanas que faz parte do primeiro período dos dois mil e trezentos dias anos. As setenta semanas terminaram com o apedrejamento de Estevão no ano 34 d.C. Para 2300 anos faltam 1810 anos e alcançam 1844 como fim da apostasia e desmandos da ponta pequena.
Verdades como a observância do sábado, o ministério de Cristo no santuário celestial e a mortalidade da alma foram restauradas. Em 1844 Jesus passou do santo para o santíssimo onde Ele realiza o juízo investigativo e continua o Seu trabalho de intercessão pelos pecadores. Os três anjos de Apocalipse 14 fazem o último apelo aos pecadores. Proclamam a autoridade divina, convidam às nações para adorar a Deus, conclamam o mundo para sair de Babilônia e anuncia que é chegado o juízo de Deus.

Conclusão
            A resposta do ser celestial à pergunta “até quando?” encontradas em Daniel 8:13 e 14 mais do que identificar o Dia da expiação escatológico se tornou em uma das doutrinas identificatória da Igreja Adventista do Sétimo Dia. 
 O apedrejamento de Estevão no ano 34 dC. selou a rejeição de Cristo pelo povo judeu e, desde então, eles deixaram de ser o povo especial de Deus. A salvação passou a ser oferecida a todos os povos e chegou até nós. “Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto” (Efésios 2:13).
Não esqueçamos de que somos os três anjos de Apocalipse 14 e esse será o estudo da próxima semana. É nossa responsabilidade anunciar essas verdades de maneira rápida e em bom som.

Acompanhe o comentário da Lição da Escola Sabatina em nosso blog:

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domingo, 24 de novembro de 2013

juízo pré-advento


Comentário da Lição da Escola Sabatina de 23 a 30 de novembro de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma Meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
A Bíblia declara que Jesus ficou 18 séculos (do ano 31 até 22/10/1844) intercedendo em nosso favor no Lugar Santo. Após este período Ele está no lugar Santíssimo realizando o juízo pré-advento. Apenas um detalhe: após 1844 Cristo não faz apenas o trabalho de advogado, mas também o de Juiz! Nesse julgamento celeste somente passa pelas mãos de Cristo o caso dos filhos de Deus. Começa desde Adão e Eva ate chegar à época presente, dos santos vivos. Por exemplo: o caso de Abel é examinado, mas o de Caim não, já que negou Deus abertamente. Seguindo 4000 mil anos no futuro, o caso de Pedro é examinado, mas o de Pilatos, Judas ou Herodes não passa pelas mãos de Cristo, pois eles morreram sem advogado e, portanto, estão literalmente condenados.
No santuário terrestre o sacrifício contínuo que era oferecido diariamente no pátio e no lugar santo era realizado também no dia da expiação. No santuário celestial acontece o mesmo. Desde 22 de outubro de 1844 vivemos o dia da expiação. Nesse grande dia, enquanto Jesus realiza o juízo dos que O aceitaram Ele continua no ofício de intercessor dos ímpios que aceitarem o último apelo do Céu.
O tempo é solene não só para os santos vivos que estão sendo julgados, mas também para os ímpios que estão recebendo o último chamado. Dessa forma, quando terminar o juízo dos santos vivos, Cristo retornará para dar a cada um segundo as suas obras.
Em Apocalipse 14:6 a 10 João enfatiza a urgência da mensagem que deve ser dada ao mundo. Perceba que o anjo voa. Isso é urgente. Voar significa rapidez. Não há mais tempo a perder. A mensagem é dada em alta voz. Isso não pode ser ignorado por mais tempo. Precisa ser proclamado em toda a Terra e para todos os seres humanos. E, finalmente, veja que este evangelho é eterno. Não é nada novo; algo que foi inventado por alguém. Trata-se da história do maravilhoso amor de Deus pelos seres humanos.”
Faz bem recordar o relato que a irmã Ellen G. White faz da visita que fez no santuário celestial. Vi um anjo voando rapidamente em direção a mim. Em pouquíssimo tempo, me levou da Terra à santa cidade. Ali vi um templo, em que entrei. Passei por uma porta antes de chegar ao primeiro véu. Levantou-se esse e passei para o lugar santo. Ali vi o altar de incenso, o castiçal com sete lâmpadas, a mesa sobre que estavam os pães da proposição. Depois de ver a glória do lugar santo, Jesus levantou o segundo véu, e passei para o santo dos santos. 
            No lugar santíssimo vi uma arca, cujo cimo e lados eram de ouro puríssimo. Em cada uma de suas extremidades estava um lindo querubim, com as asas estendidas sobre ela. Tinham o rosto voltado um para o outro, e olhavam para baixo. Entre os anjos havia um incensário de ouro. Por cima da arca, onde os anjos estavam, havia uma glória extraordinariamente fulgurante, com a aparência de um trono em que Deus habitava. Jesus ficou ao lado da arca e, ao ascenderem para Ele as orações dos santos, o incenso ardia e, com o incenso, Ele oferecia as orações a Seu Pai” (Vida e Ensinos, p. 91). 
Domingo
            Daniel descreve a sucessão dos reinos de maneira clara. Três capítulos especificamente falam do surgimento e queda das nações. Enquanto a ponta pequena cresce e comete atrocidades contra Deus e o Seu povo, o Senhor está no Céu procedendo ao julgamento final e preparando a recompensa dos fieis.
            Quando Jesus Se despir das vestes sacerdotais e Se vestir das vestes de Juiz terá terminado todo o julgamento. Isso ocorrerá no fechamento da porta da graça. O Deus que por tantos milênios ofereceu perdão a todos os pecadores agora Se prepara para aplicar a Sua justiça. A ação do juízo parece incompatível com o caráter de um Deus que é amor. Isaias fala dessa situação como o “estranho ato de Deus” (Isaias 28:21).
            O julgamento está na sua faze final. Quando Jesus voltar, a situação de cada pessoa que pisou esse planeta já foi resolvida nas cortes celestiais. Agora está sendo definido quem morará no santo monte de Deus. Ele virá e “dará a cada um segundo as suas obras”. Lembrando que as obras que serão levadas em conta são as obras de aceitação do sacrifício de Cristo seguidas de arrependimento.
            Nesse momento em que a justiça humana é falha e a verdade tropeça pelas ruas como afirma Isaías “Por isso o direito se tornou atrás, e a justiça se pôs de longe; porque a verdade anda tropeçando pelas ruas, e a equidade não pode entrar” (Isaías 59:14), o Senhor Deus está procedendo ao juízo isento de qualquer dolo.  “... porque vem a julgar a terra; com justiça julgará o mundo, e o povo com equidade” (Salmos 98:9).
Segunda
            Ao comerem do fruto proibido, o casal edênico se conscientizou de que haviam assinado a sua pena de morte e rapidamente procuraram se esconder. O resultado seria a morte imediata dos transgressores.
 Mas Deus, que antes de ser justo é amoroso e longânime, procurou o casal para uma conversa. A morte fulminante aconteceu naquele momento, mas não foi o casal que morreu. No momento crucial um cordeiro foi morto no lugar deles.
No monte Moriá um cordeiro salvou a vida de Isaque. E no Egito os cordeiros salvaram a vida dos primogênitos.
É curioso que Deus não age de maneira unilateral. No julgamento ele ouve os acusados não para Se inteirar do que aconteceu porque Ele é onisciente. O diálogo visa mostrar o Seu amor e propor um meio de escape. 
No momento em que os filhos de Deus são escarnecidos o Ancião de Dias Se levanta para fazer justiça. Daniel afirma que embora a justiça pareça estar longe, chegará o “tempo em que os santos possuirão o reino”.
Caso não houvesse o juízo, toda a nossa vida cristã teria sido em vão, o mal se sobreporia ao bem e uma grande dúvida mancharia o caráter de Deus.
Terça
            Deus não é precipitado para justiçar o pecador. Assaf imaginou que a justiça nunca alcançaria os ímpios. Para ele as coisas estavam demorando demais e a aparência era de que a justiça nunca seria feita. Ao conhecer melhor o santuário ele entendeu que a aparente demora de Deus nada mais é do que oportunidades oferecidas para que o “ímpio deixe o seu caminho”. 
            Enquanto o “o quarto animal, terrível e espantoso, e muito forte, o qual tinha dentes grandes de ferro” devora e faz “em pedaços, e pisa aos pés o que sobeja” (Daniel 7:7), Deus está conduzindo o julgamento. Quando Jesus voltar os reinos deste mundo deixará de existir e Ele estabelecerá o Seu domínio universal. Por mais opulento e arrogante que for qualquer poder político, religioso ou econômico, todos se humilharão diante do Senhor de toda a terra.
            No calendário divino está marcado um dia específico para o acerto de contas. Quando isso acontecer todos os mundos criados concluirá que “verdadeiros e justos são os Teus juízos” (Apocalipse 16:7).
            Para os cansados e perseguidos chegará, ou chegou o tempo do Senhor fazer justiça. Assaf queria a atuação imediata de Deus contra os inimigos do bem. Mas ele entendeu que Deus não estava inoperante e que em breve chegaria a hora de cada um responder pelos seus atos.
            O povo de Deus não será esquecido pelo Altíssimo. “E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a Ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles?”
(
Lucas 18:7).
Quarta
            Deus sabe quem Lhe é fiel e quem é rebelde ao Seu querer independente dos registros no Céu. Aparentemente não há razão para um julgamento que se arrasta por milênios. O Seu interesse em registrar o proceder dos homens e realizar o juízo conforme o que foi encontrado a respeito de cada um é para que o Universo veja que houve justiça.
No final do juízo quando os santos forem coroados e os ímpios receberem a sua recompensa não ficará nenhuma duvida nos mundos não caídos sobre a justiça e o caráter de Deus.
 Fico imaginando o momento em que Jesus retirar as vestes sacerdotais. O julgamento chegou ao final. A terra está em convulsão e multidões se dão conta de que foram enganadas por falsos mestres e falsos cristos. O desespero é generalizado. Não há mais o que fazer.
            Diz a irmã Ellen G. White: “Todos se unem em acumular suas mais amargas condenações contra os ministros. Pastores infiéis profetizaram coisas agradáveis, levaram os ouvintes a anular a lei de Deus e a perseguir os que a queriam santificar. Agora, em seu desespero, esses ensinadores confessam perante o mundo sua obra de engano. As multidões estão cheias de furor. "Estamos perdidos!” exclamam; "e vós sois a causa de nossa ruína"; e voltam-se contra os falsos pastores. Aqueles mesmos que mais os admiravam, pronunciarão as mais terríveis maldições sobre eles. As mesmas mãos que os coroavam de lauréis, levantar-se-ão para destruí-los” (O Grande Conflito, páginas 655 e 656). 
 Um pequeno grupo está feliz. Aceitou o sacrifício de Cristo e ao ver o Rei em glória e majestade clama jubiloso: “Eis que este é o nosso Deus, a quem aguardávamos, e Ele nos salvará; este é o Senhor, a quem aguardávamos; na Sua salvação gozaremos e nos alegraremos” (Isaías 25:9).  Nesse momento Jesus vê que o Seu sacrifício não foi em vão. “Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito” (Isaías 53:11).
Quinta
            Algumas pessoas demonstram medo quando o assunto é juízo, fim do mundo ou acerto final. Esse é um quadro real na vida dos ímpios. Diz o texto bíblico: “Mas uma certa expectação horrível de juízo, e ardor de fogo, que há de devorar os adversários” (Hebreus 10:27).
Para os que aceitam o sacrifício de Jesus não há o que temer, pelo contrário, temos a certeza de um mundo melhor. “Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça” (2 Pedro 3:13).
Esse é o quadro que está sendo pintado no santuário celestial. Cabe a cada um de nós escolhermos hoje em grupo estaremos quando as trombetas soarem.
Os que aceitam o sacrifício de Jesus devem estar dispostos a abrir mão das coisas mundanas e a manter um relacionamento diário com Cristo. Eles passam por provações e perseguições, mas Paulo afirma que eles buscam uma pátria que está além do rio. “Porque, os que isto dizem, claramente mostram que buscam uma pátria” (Hebreus 11:14).
Conclusão
            Atentemos para alguns aspectos do juízo. Todas as pessoas serão julgadas. Paulo afirma: “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal” (2 Coríntios 5:10).
Esse “todos” incluem realmente todas as pessoas independente de cultura, cor e classe social.
Outro aspecto do juízo é que ele é presidido por Alguém que não erra. “Não consintas que a tua boca faça pecar a tua carne, nem digas diante do anjo que foi erro; por que razão se iraria Deus contra a tua voz, e destruiria a obra das tuas mãos?”(Eclesiastes 5:6). E mais: “Não faria justiça o Juiz de toda a terra?” (Gênesis 18:25).  
Às vezes vem o pensamento de que só o caminho para o Céu passa pelo santuário. Não esqueçamos de que o caminho para o inferno também passa por ele.
Meditação
“Poderá o pecador resistir a esse amor; poderá recusar-se a ser atraído para Cristo. Se, porém, não se opuser, será levado para Ele. O conhecimento do plano da salvação levá-lo-á ao pé da cruz, arrependido de seus pecados, que causaram os sofrimentos do amado Filho de Deus” (Caminho a Cristo, p. 27).


domingo, 17 de novembro de 2013

Pansamento

O futuro chegou e eu descobri que ele é um presente. Carmo

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Cristo, nosso sacrifício


Comentário da Lição da Escola Sabatina de nove a dezesseis de novembro de 2013. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia - Central Taguatinga, DF.

Introdução
            Uma das características de Isaías é o fato de Javé ser o Redentor de Israel. Esse título para Javé só é usado quatro vezes em outros livros; todavia, ele é utilizado mais de dez vezes no livro de Isaías.
A expressão “meu Servo” é usada algumas vezes no livro de Isaías ao Javé Se referir a Israel e ao rei Ciro. Ciro foi um dos protagonistas da libertação de Israel do domínio Babilônico e um antítipo de Cristo, o “meu servo” como narra Isaías nos capítulos 42 e 43. É através do sofrimento do Servo que a salvação, em sentido mais pleno, é lavada a efeito.
Isaías apresenta o Servo do Senhor em cinco cânticos. O primeiro cântico descreve a missão universal de Cristo como salvador de toda a raça humana. No segundo cântico ele fala que o Servo sofredor iria cumprir a Sua missão de levar o povo redimido de volta para o Pai.
No terceiro cântico o Servo do Senhor narra pessoalmente o Seu sofrimento no Calvário. O quarto cântico o Servo do Senhor é exaltado e humilhado ao mesmo tempo (Isaías 52: 13-15). O quinto cântico mostra o final do desfecho: o Servo sendo glorificado.
 Na introdução o autor conta a história de um prisioneiro que foi condenado a morrer de fome, mas foi poupado porque um padre ao ouvir os lamentos do moribundo se compadeceu e assumiu o lugar do miserável.
Quando os anjos souberam que Jesus daria a Sua vida pelos pecadores eles se ofereceram para morrer e poupar Cisto da morte. Veja o que diz Ellen G. White: “Os anjos prostraram-se diante Dele. Ofereceram suas vidas. Jesus lhes disse que pela Sua morte salvaria a muitos; que a vida de um anjo não poderia pagar a dívida. Sua vida unicamente poderia ser aceita por Seu Pai como resgate pelo homem” (Primeiros Escritos, p. 150).
            Quando Abraão foi desafiado a sacrificar o seu filho Isaque, no momento crucial ele ouviu a voz de Deus dizendo: “Basta.” No Calvário não se ouviu essa palavra, pelo contrário, Cristo experimentou o abandono do Pai. O Seu sacrifício foi completo.

Domingo
            Creio que a resposta da pergunta um é `tudo`. Sim, Cristo fez tudo o que é necessário à nossa salvação. Isaías mostra que o sofrimento de Cristo foi muito além da cruz. Ele padeceu vergonha, escárnio, humilhação e tomou “as nossas dores”. Porém, padeceu tudo isso sem pecado.
            Ao falar de Cristo, o Novo Testamento mostra a estreita realidade que existe entre as profecias messiânicas e a veracidade das mesmas comparadas com o que aconteceu com o “Homem de dores.” Detalhes e minúcias que os profetas, em visão, viram e escreveram tiveram o seu cumprimento fidedigno.
            Isaías 53 teve o seu cumprimento de maneira clara e inequívoca. O eunuco ficou maravilhado ao ler esse capitulo da Bíblia embora não soubesse a quem ele se referia. E, ao saber que era Jesus pediu de imediato o batismo.
            Nem mesmo as cenas do Calvário nos dão uma mensagem tão clara do que Cristo fez e sofreu por nós do que as profecias de Isaías. Isso porque as profecias de Isaías referentes à Cristo foram apresentadas em bloco e o seu cumprimento se deu de maneira salpicada, um pouco aqui um pouco ali. Mas o importante que nada profetizado a Seu respeito passou em branco.

Segunda
Imagino que esse “padecer muitas vezes desde a fundação do mundo” de Hebreus 9:28 é uma referencia aos inúmeros sacrifícios de animais que foram feitos ao longo da história a começar com o primeiro cordeiro morto no Jardim do Éden.
Abel, Enoque, Noé, Arão e os demais patriarcas ofereceram sacrifícios e em todos esses sacrifícios Jesus via o Calvário retratado.  Talvez, o que mais Lhe marcou, tenha sido o que aconteceu no monte Moriá. Ele sabia que no Calvário não seria ouvida a palavra “basta”. “Doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; (Itálico nosso) mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo” (Hebreus 9:28).
Na encarnação, Jesus foi feito menor que os anjos, ou semelhante a nós. Com a Sua vida sem pecado e com a Sua morte na cruz Ele Se tornou o nosso grande Sumo sacerdote. Como Ele não pecou morreu pelo nosso pecado.
O pecado é coisa terrível. Ele custou à morte de Cristo. Essa redenção acontece motivada pelo “Seu muito amor.” Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou” (Efésios 2:4).

Terça
         Das oito passagens apresentadas no livro de Hebreus enfatizando a importância do sangue de Cristo em nossa salvação a que mais me chama a atenção é Hebreus10:19. Diz o texto: “Tendo pois, irmãos, ousadia para entrarmos no santíssimo lugar, pelo sangue de Jesus.”
         Essa ousadia é endossada em Hebreus 4:16. Diz o texto: “Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.” Essa ousadia não deve ser interpretada como atrevimento, mas sim, confiança, decisão e disposição.
         Isaías é o profeta que melhor descreve o sacrifício de Cristo. Ele usa uma linguagem clara e comovente. Ele tinha certeza de que tudo que Deus lhe revelava a respeito do Messias se cumpriria de maneira fidedigna. Podemos imaginar a emoção de Isaías, depois de ressuscitado, ver que tudo que o Senhor lhe mostrou se cumpriu e, ver também, o alcance de suas visões com milhões de pessoas adentrando o Lar dos Remidos porque creram no Jesus descrito por ele.
O sangue de Cristo é a nossa garantia de vida eterna e, isso implica em ressurreição dos mortos. Diz a Bíblia: “Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:15).
            O Servo do Senhor, embora ferido e sem formosura seja nossa única chance de salvação. Pelas Suas pisaduras fomos sarados.

Quarta
            Todos os animais oferecidos em sacrifício não portavam nenhum defeito físico. Eles apontavam para Jesus, o Cordeiro de Deus, que sem pecado daria a Sua vida para resgate de muitos. Esse “muitos” envolve todos que O aceitaram como Salvador e não quer dizer que Deus não deseja salvar a todos. A Bíblia afirma que o Senhor não quer que nenhum se perca. Pedro afirma: "O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se” (2 Pedro 3:9).
            É curiosa a expressão de Pedro ao se referir ao sacrifício de Jesus: "Não foi com coisas corruptíveis, ... que fostes resgatados, ... mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado" (I Pedro 1:18 e 19). Ele usa duas palavras para definir a pureza de Jesus. Diz ele: “imaculado e incontaminado”. Vemos na lição que vários escritores bíblicos apresentam Jesus como imaculado. Imaculado vem de mácula ou lesão de pele e estava relacionada com a lepra. A pessoa com máculas pelo corpo tinha de ser examinada pelo sacerdote e caso fosse constatada a lepra ela estava contaminada e tinha de ser isolada da comunidade.
Jesus não tinha nenhuma mácula ou ferida na pele. Ele foi e é imaculado. Hoje no meio católico é comum ouvirmos a expressão: “Imaculado coração de Maria.” Como ser humano ela tinha máculas (pecados) e carecia de um Salvador como qualquer outra pessoa. Ela mesma reconheceu que Deus era o Seu Salvador. Lucas relata as suas palavras: “E o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador” (Lucas 1:47).
Cristo não apresentou defeito físico e nem de caráter. Ele foi e é perfeito em tudo. Diz Pedro: “O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano” (1 Pedro 2:22).

Quinta
            Já comentei em lições anteriores que na época do santuário e do templo os israelitas tinham de estar sintonizados com os rituais do santuário. Isso implicava em uma permanente vigilância de seus próprios atos e que tipo de sacrifício cada pecado exigia.
            Outro ponto crucial é que cada pecador tinha de por as mãos sobre o animal a ser imolado e confessar sobre ele o seu pecado. E depois vinha o ato de sacrificar a oferta, ciente de que esse animal morria pelo seu pecado.
            Além dessa rotina diária o pecador se angustiava no dia da expiação do santuário. Ela era realizada uma vez no ano e se Deus não Se manifestasse favorável à oferta do Sumo sacerdote todos estariam perdidos.
            Aceitar o sacrifício de Cristo hoje parece ser bem mais fácil. Tanto é que há o perigo de banalizarmos o Seu sacrifício. Presenciamos atualmente uma vulgarização do nome de Cristo. Ele está estampado em camisetas, músicas e já vi um bar com o nome de Jesus. Outros se referem a Ele como o JC ou o Cara lá de cima. Isso além de ser um desrespeito para com Cristo é tomar o Seu Santo nome em vão.
            É comum ouvirmos pessoas orarem pedindo perdão por “todos os pecados cometidos” sem uma verdadeira análise de quais pecados quais pecados está se referindo. Parece que pecam no varejo e pedem perdão por atacado.
            Mas o que a Lição mais enfatiza é o perigoso fato de sabermos que determinada atitude é pecado e permanecermos na sua prática de maneira deliberada e contumaz. Com esse proceder, afirma Paulo, Jesus é crucificado de novo. “E recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério” (Hebreus 6:6).

Conclusão

            O sacrifício de Cristo por nós é resultado do Seu grande amor com que nos amou. O Seu sacrifício foi eficaz e completo. Ele nos oferece a chance de escaparmos da morte eterna e de vivermos eternamente ao Seu lado.

domingo, 3 de novembro de 2013

O dia da expiação



Comentário da Lição da Escola Sabatina de 2 a 9 de novembro de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma Meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia-Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            Não confundir expiação com o dia da expiação. Tudo no santuário tinha como objetivo expiar a culpa do transgressor fosse ele povo ou sacerdote. A expiação diária tinha a ver com as pessoas e o dia da expiação tinha a ver com o santuário.
            Todo ser humano tinha o seu ou os seus dias de expiação. Cada pecado cometido tinha de ser confessado sobre a cabeça de um animal inocente e este era degolado. O sacerdote levava o sangue para dentro do santuário e o colocava nas pontas do altar do incenso.
A expiação era o ato de passar os pecados do transgressor para o santuário e o dia da expiação era o dia especial do ano no qual era oferecido um bode para purificação do santuário e outro, o emissário, que era conduzido vivo ao deserto. Ele representava Satanás. É ele que levou as pessoas a pecarem e, depois de perdoadas, os seus pecados foram transferidos para o santuário. Ele é o responsável pelos pecados daqueles que foram justificados e cujos pecados contaminaram o santuário.
 Os pecados acumulados no santuário durante o ano eram eliminados no dia da expiação. Este assunto estudará na próxima lição.
No resumo da lição temos os sete passos que identificam a expiação da culpa. Relembrando: 1 – O pecador arrependido leva ao santuário a sua oferta pelo pecado;
2 – Ele impõe as mãos sobre o animal inocente; 3 – O animal é sacrificado; 4 - A carne do animal era comida pelo sacerdote; 5 – O sangue do animal sacrificado no altar do holocausto que ficava no pátio era transportado pelo sacerdote para dentro do santuário e aspergido nas pontas do altar do incenso; 6 - O pecador era purificado; 7 – Ao receber o sangue do sacrifício o santuário ficava contaminado. Estes sete pontos foram estudados na lição anterior.
            Esse procedimento diário de repasse dos pecados para o santuário exigia um dia no ano para a sua purificação. Esse era o dia da expiação.

Domingo
            Quatro coisas curiosas aconteciam no dia da expiação. Primeiro, nesse dia não cessava o sacrifício continuo. O sacrifício continuo e o ritual da expiação aconteciam simultaneamente. Mesmo no dia da expiação o povo carecia da intercessão sacerdotal. Em Números 29:11 afirma que o holocausto era “contínuo”.
Segundo, nesse dia dois animais eram oferecidos e tinham destinação distinta. O sumo sacerdote oferecia um novilho pelos seus pecados e um bode, no qual não haveria imposição de mãos, era sacrificado para limpeza do santuário, pois durante todo o ano os pecados de todo o Israel foram acumulados ali.
            Terceiro, Depois de todo o ritual de sacrifício do bode pelo Senhor era trazido o bode emissário. A imposição de mãos sobre ele significava que ele estava assumindo os pecados de Israel não como redentor, mas sim como o causador. O bode emissário não tem nada a ver com remissão. Ele não é sacrificado e sabemos que sem sangue não há remissão de pecados. Ele é encaminhado ao deserto numa clara alusão a Satanás responsável pelo pecado no mundo.
            Quarto, Deus deixou bem claro que o bode emissário levava os pecados do santuário para bem longe dali. Dessa forma o santuário era considerado novinho em folha e seria como se nunca pecado algum tivesse sido transferido para ele. Satanás, o causador do pecado, responderá pelos pecados dos justos, não como salvador e sim, como causador.
            Um dia Deus eliminará os ramos do pecado (os pecadores) e a raiz do pecado (Satanás). Porque eis que aquele dia vem ardendo como fornalha; todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como a palha; e o dia que está para vir os abrasará, diz o Senhor dos Exércitos, de sorte que lhes não deixará nem raiz nem ramo” (Malaquias 4:1).

Segunda
            No dia da expiação o sumo sacerdote oferecerá um novilho em seu favor e a favor de sua família. O dia da expiação era repleto de atividades para o sumo sacerdote. Ele oficiava em favor dos sacerdotes, de si próprio e a favor do santuário. Toda a atenção de Israel estava voltada para ele naquele dia. Caso algum pecado não foi confessado ou alguma falha no ritual foi cometida ao longo do ano Deus Se manifestaria como um fogo consumidor e o sumo sacerdote seria eliminado. A sua responsabilidade era imensa.
            Naquele dia o sumo sacerdote deveria purificar todo o santuário. Embora os pecados tenham sido perdoados ao longo do ano eles permaneciam acumulados no santuário. A purificação do santuário não envolvia perdão. Era exclusivamente uma ação, como a própria palavra esclarece, de purificação. O bode (para o Senhor) que era sacrificado no dia da expiação não recebia a imposição das mãos. Os pecados já haviam sido perdoados e transferidos para o santuário. A sua morte não era em benefício das pessoas, mas apenas do santuário.

Terça
            O autor da lição enfatiza o que a Bíblia deixa claro: “O ritual com o bode vivo não era uma oferta.” Ele só entrava em sena depois de concluído todo o cerimonial do dia da expiação.
            O bode para o Senhor não recebia a imposição das mãos. Ele participava da cerimonia de purificação do santuário e não era uma oferta pelo pecado de alguém. Já o bode emissário recebia a imposição das mãos não como oferta, mas como o responsável pelo cometimento de todos os pecados depositados no santuário. Ele tipifica Satanás, o causador de todos os pecados.
            Em todo o cerimonial da expiação é nítido o antagonismo existente nos seres que os dois bodes representam. Jesus Se sacrificou por nós enquanto Satanás é o originador do Seu sacrifício. No deserto o bode emissário morria de fome e sede carregando os pecados de todos os israelitas. Ele não morria pelos pecados, mas com todos os pecados.

Quarta
            O dia da expiação sofreu algumas alterações dentro da cultura judaica no decorrer do tempo. A ordem divina passou por “uma espécie de regulamentação”. Diz um comentário atual: “É o dia do perdão - quando Deus perdoa a todo Israel. Durante esse dia, nada pode ser comido ou bebido, inclusive água. Não é permitido lavar a boca, escovar os dentes ou banhar o corpo. Somente o rosto e as mãos podem ser lavados pela manhã, antes das orações. Não se pode carregar nada, acender fogo, fumar, nem usar eletricidade. O jejum não é permitido para crianças menores de nove anos, pessoas gravemente enfermas, mulheres grávidas e aquelas que deram a luz há menos de trinta dias. As relações conjugais são proibidas, bem como o uso de perfumes e unguentos, exceto para fins médicos. Além disso, sapatos e outras peças da indumentária feitas de couro não podem ser usados no Yom Kippur, pois não se pode usar nenhum material para o qual seja necessário matar um animal.”
            Vamos ver alguns pontos. Sabemos que no dia da expiação todos os pecados de Israel cometidos durante o ano foram perdoados um a um no altar do holocausto e passados para o santuário ao ser o sangue do sacrifício colocado nas pontas do altar do incenso no lugar santo. O fato de afligir as almas era o angustiar-se pela aceitação ou não de Deus ao ato de purificação do santuário. Caso Deus não aceitasse a purificação, o santuário não teria condições de receber o pecado de mais ninguém. Isso seria o fim do plano da redenção. Realmente esse suspense gerava angustia. Na Bíblia não há especificações de quem deveria ou não jejuar. Não temos também nenhum esclarecimento bíblico quanto o não uso de artefatos de couro. Quanto à abstenção de relações sexuais e o uso de perfumes é condizente com a seriedade que envolve esse dia.
            Cada israelita tinha o seu ou os seus Yom Kippur. Cada pecado cometido envolvia arrependimento, contrição e sacrifício. Depois que o pecado era passado para o santuário ficava a expectativa se o santuário seria purificado ou não. Essa é uma expressão que se adequa bem a expiação do pecador, mas não do santuário em si. 
           
Quinta
            Um exemplo claro de alguém que teve o seu "Yom Kippur" é o de Isaías quando teve a visão do trono de Deus. Ele imaginou que seria fulminado, mas o fogo que, a seu ver, o consumiria o purificou fazendo dele um homem mais precioso que o ouro de Ofir. Veja que a iniquidade dele foi perdoada. O santuário não necessitava de perdão e sim de purificação.
No caso do pecador esse é o verdadeiro Yom Kippur. Ele envolve perdão.
É interessante a colocação do autor da lição. Referindo a Isaías ele diz: A divina obra de purificação nos leva do “ai de mim!” para o “eis-me aqui envia-me a mim.” Cada pecador tinha o seu ou os seus Yom Kippur. Esse era o momento em que o pecador reconhecia ser culpado.
O nosso ou os nossos Yom kippur é um brilhante momento no qual vemos a graça revelada. O autor da lição afirma: “gratidão motiva a missão. Pecadores absolvidos são os melhores embaixadores de Deus” (Lição Professor, p 73). Sugerimos a leitura da página 212 de nossa meditação Reavivar a Esperança.

Conclusão

            “O dia da expiação antitípico abrange o período culminante da história da salvação (o tempo do fim). Durante esse período, Cristo, o Sumo Sacerdote do Universo, vai para o lugar mais sagrado do Universo O lugar santíssimo do santuário celestial), para realizar a mais sagrada obra de todos os tempos (a obra final de expiação)” (Lição do professor, p.76).