sábado, 15 de novembro de 2014

A humildade da sabedoria celestial

Comentário da Lição da Escola Sabatina de quinze a vinte e dois de novembro de dois mil e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            Tiago apresenta oito qualidades presentes na vida daqueles que aceitam a sabedoria que vem do alto. Ele afirma que a sabedoria que emana de Deus mexe em sete aspectos de nossa vida. Sabemos que o número sete indica perfeição e podemos imaginar que um homem perfeito é a soma desses sete atributos escassos no mundo de hoje, mesmo entre os membros da igreja.
Tiago enumera as características daqueles que se propõem em aceitar a sabedoria oferecida por Deus. Trata-se de uma pessoa pura de coração. Apenas Jesus pode mudar os trapos de imundice do nosso caráter e nos revestir de pureza. Em segundo lugar uma pessoa que aceita a sabedoria do Céu promove a paz e esse promover a paz não é promover a guerra pela paz e sim desenvolver a paz com a paz e pela paz. Hoje temos dois tipos de pessoa pacífica. A primeira é aquela pessoa que está preocupada em promover a paz e, nesse afã, se acomoda diante de coisas erradas simplesmente para não contrariar alguém essa é uma atitude antagônica aos princípios de Deus. O outro tipo de pessoa pacífica é aquele que diante de coisas erradas é capaz de desenvolver tato para mostra o caminho correto a seguir. Essa é uma atitude impossível de ser desenvolvida sem que Deus esteja dirigindo a nossa vida.
O terceiro aspecto desenvolvido por um adepto da sabedoria Divina é a prática do amor em sua vida. Uma pessoa amorável é aquela que demonstra amor em ações. Tiago afirma que uma pessoa sábia é compreensiva. Ser compreensivo significa tolerar, entender, aceitar ou compreender as razões de alguém mediante uma situação que deveria ter outro desfecho.    Jesus afirmou: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mateus 5:7). Mas o que é ser misericordioso? Alguém afirmou: “É alguém que sente piedade ou compaixão por aqueles que sofrem e tentam ajudá-los.” É o que Jesus fez e faz por nós. Tiago mostra como penúltima característica dos que aceitam a sabedoria de Deus é a sua imparcialidade no trato para com as pessoas. Isso significa dispensar tratamento igualitário para todos independente de cor, classe social, raça ou poder financeiro. Por último ele apresenta a sinceridade como um dos resultados da sabedoria que vem de Deus. Ser sincero é viver sem máscara. É ser a mesma coisa quando estamos de frente ou quando estamos longe das pessoas.
Mas a principal característica de quem pratica a sabedoria celestial é a humildade. É ter a humildade de despir se todo o conhecimento humano e se abeberar da verdadeira fonte.

Domingo
            Parece que Tiago está advertindo os que se diziam sábios e inteligentes para demonstrar essa sabedoria em ações de humildade. Quando uma pessoa demonstra a sua sabedoria no invólucro da humildade e da mansidão ela nunca se sobrepõe às demais.
            Alguém escreveu: “Eu resumo a mansidão em a total ou mínima falta de orgulho e graciosa humildade. Um estagio ainda desconhecido de qualquer humano na terra ...” Podemos afirmar que mansidão, conforme o princípio, bíblico vai além disso.  Quem tem a sabedoria do Céu não vai se orgulhar nem mesmo um mínimo que seja e podemos ter a certeza de que, graças a Deus, existem pessoas com essa sabedoria e que jamais se demonstraram jactanciosas por isso.
            Não é fácil associar mansidão com sabedoria. Geralmente o sábio deseja arvorar o seu conhecimento em detrimento dos demais. Na minha juventude conheci um jovem que, naquela época, havia cursado várias faculdades, inclusive a de teologia. Ele era bastante preparado e pregava sermões envolventes e sofisticados. Em sua conversação entre amigos deixava claro o seu ar de superioridade. Aquele jovem fracassou no ministério e na vida espiritual. Enveredou pelo caminho da bebida e todo o seu saber foi parar na lata de lixo. Não sei, se nos últimos momentos de sua vida, houve reconciliação com Deus. Na experiência daquele jovem deu pra ver claramente o princípio bíblico: “Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado” (Lucas 18:14).
            A orientação de Tiago foi dirigida não apenas aos lideres da igreja, mas sim, a toda a igreja. Todos nós corremos o mesmo perigo. Unicamente escudados por Cristo seremos vitoriosos no uso da sabedoria com a qual Deus nos agraciou.

Segunda
            A sabedoria humana cheira mal. Somos propensos à exaltação própria e a nos endeusar. A sabedoria que vem de baixo não enaltece as pessoas. As pessoas que a consegue são semelhantes a balões inflados. São cheias, belas e atraentes, mas qualquer alfinetada que a vida lhe der perdem o brilho se murcham e, a sua beleza se esvai para a lata de lixo. Essas pessoas vivem momentos esplendorosos, porém voláteis. Tiago é enfático: “Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica” (Tiago 3:15)
            A sabedoria que vem de Deus é diferente. Ela enaltece Quem a concedeu e não quem a recebeu. Tiago esclarece: “Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia” (Tiago 3:17-18).
            Jesus afirma que o novo nascimento para obtermos a sabedoria que vem do alto. Paulo declara que o cristão pensa nas coisas que vem do alto.
            Hoje existe uma tendência para valorizar o vulgar e efêmero e, como filhos de Deus, devemos mostrar para o mundo a nossa real paternidade.

Terça
            Quando somos levados a pedir sabedoria, como fez o rei Salomão estamos reconhecendo a nossa real necessidade. Esse humilhar é colocar de lado a nossa sabedoria humana para alcançar a sabedoria divina.
Para que os nossos pedidos a Deus sejam aceitáveis temos de fazê-los depois de solicitarmos de Deus o mais importante: A Sua sabedoria. De posse dela saberemos pedir com prudência. Nada será solicitado para alimentar o nosso ego. Nessas condições Deus ouve o clamor do solicitante. As igrejas estão cheias de pessoas que estão pedindo mal. Tiago esclarece: “Cobiçais, e nada tendes; matais, e sois invejosos, e nada podeis alcançar; combateis e guerreais, e nada tendes, porque não pedis. Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites” (Tiago 4:2-3).
Saber pedir é uma característica de todo aquele que nasceu de novo. Ele faz do pedir a Deus uma arte. Certo jovem trabalhava em um palácio. O rei simpatizou pela sua maneira de ser e, em dado momento, ofereceu para o rapaz o que ele pedisse e acrescentou: “Até metade do reino.” O jovem pediu a filha do rei em casamento. Como genro um dia ele seria o dono de tudo.

Quarta
            A história do povo de Deus sempre foi marcada por uma forte tendência de amor ás coisas do mundo. Na interpretação do autor, a Bíblia fala com razão das fraquezas da igreja e mostra a insatisfação de Deus com essa atitude.  Isaias fala que mesmo com essa tendência para o mal somos considerados a esposa de Deus, e que, mesmo com recalcitrantes traições Ele não Se esquece de nós.
            A verdadeira sabedoria nos orienta a quem devemos amar e ter como primordial em nossa vida. As coisas do mundo passam e se amarmos o mundo passaremos com ele. Temos que pensar nas coisas lá de cima para que um dia possamos estar lá em cima também. A amizade com o mundo significa inimizade com Deus. Paulo esclarece: “Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser” (Romanos 8:7)
            Temos necessidade de manter um relacionamento diário e íntimo com Deus. Sem essa aproximação diária com Ele estamos fadados ao fracasso. Satanás está se empenhando ao máximo para nos envolver com o mundo. Ele não espera uma amizade declarada de uma vez. A sua estratégia é nos envolver aos poucos. Temos que estar vigilantes.

Quinta
            Tiago faz uma dura repreensão aos filhos de Deus que persiste com seus flertes dom o mundo. Ele qualifica as pessoas que se comportam assim como alguém de duplo animo. Diz ele: “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo (itálico nosso), purificai os corações” (Tiago 4:8).
            Não podemos servir a Deus e a Mamom ao mesmo tempo. Deus é ciumento e exige dedicação exclusiva e, graças porque Ele é assim. É esse amor ou esse “ciúme” que O leva a nos buscar com insistente perseverança. Sábio é aquele que reconhece a sua necessidade de se submeter a esse amor infinito. Aquele que é sábio vai optar por estar sempre em união com Cristo.
A verdadeira sabedoria nos exalta. Pedro nos aconselha: “Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte” (1 Pedro 5:6). Salomão descobriu cedo a importância da verdadeira sabedoria. “A sabedoria é a coisa principal; adquire pois a sabedoria, emprega tudo o que possuis na aquisição de entendimento. Exalta-a, e ela te exaltará; e, abraçando-a tu, ela te honrará” (Provérbios 4:7-8).

Conclusão

Tiago nos adverte para uma mudança de vida e a um rompimento brusco com o mundo. Diz ele: “Senti as vossas misérias, e lamentai e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo em tristeza” (Tiago 4:9. Agindo assim expressamos o nosso desejo de romper com a sabedoria do mundo e, com humildade, se apropriar da sabedoria celestial. Isso é reavivamento e reforma. Essa é a nossa maior necessidade nos dias de hoje.


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Pensamento

A língua é semelhante a uma cobra venenosa. Vive escondida mas quando desfere o bote pode ser fatal - Carmo

Domando a língua


Comentário da Lição da Escola Sabatina de oito a quinze de novembro de dois mil e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga.

 

Introdução

            Na maioria das vezes em que tropeçamos no falar terminamos por atropelar alguém. Quando tropeçamos e caímos sozinhos ainda vala. O pior é quando tropeçamos no falar e, ao invés de cairmos terminamos por derrubar pessoas ao nosso redor. Tiago não poupa a sua língua em nos descascar. Ele é enfático, radical e preciso. Ele considera perfeito aquele que consegue domar a língua e ai, eu concluo: pensando em seu conceito estou longe de ser perfeito. Às vezes quero proferir um punhado de palavras e quando vejo produzi uma grande trovoada. Victor Hugo já dizia: “As palavras têm a leveza do vento e a força da tempestade.” Que tal sermos senhores de nossa língua, para não sermos escravos de nossas palavras. Essa não é uma tarefa fácil.

Dizem por ai que o peixe morre pela boca, mas o homem às vezes morre por causa do que ele tem dentro da boca. A língua mata amizades e expulsa a felicidade.

Os problemas com a língua não são restritos apenas na nossa maneira de falar, se aplicam também ao que omitimos de falar quando é necessário falar. Ezequiel apresenta uma mensagem forte. Diz ele: “Quan­do eu disser a um ímpio que ele vai morrer e você não o advertir nem lhe falar para dissuadi-lo dos seus maus caminhos e salvar a vida dele, aque­le ímpio mor­rerá por sua iniquidade; para mim, porém, você será responsável pela morte dele” (Ezequiel 3:18). Esse é o grave pecado da omissão.

Outro pecado susceptível, principalmente, às pessoas dotadas de boa oratória é o da vanglória. É usar o púlpito para a projeção do eu. Conheci o padre Antônio. Ele era um exímio professor de português. De vez em quando ele desaparecia da sala de aulas por até trinta dias. Certa vez o encontrei alcoolizado em uma das praças de nossa cidade. Com voz pastosa ele me disse: “O meu fracasso foi que me vangloriei de muitas glórias.” E continuou: “Eu sempre foi um bom orador e era o escolhido para falar em festas de aniversários ou casamentos. Eu me julgava o cara. Nas festas eu aprendi a beber e, hoje me retiro para o mato onde permaneço ao relento bebendo por semanas. Tenho vergonha de beber diante de meus alunos.” Cambaleante ele desapareceu na escuridão da noite.

Geralmente o verbo domar é aplicado quando propomos domesticar um animal arredio. E quando se trata de um animal selvagem, poucas pessoas se atrevem a adestrá-lo. Em alguns casos é mais difícil domar um animal selvagem do que domar a língua. Jesus nos deixou uma seria advertência: "Porque pelas tuas palavras serás justificado, e pelas tuas palavras serás condenado." (Mateus 12:37).

 

Domingo

            Tiago chama a nossa atenção para a responsabilidade que temos no ensinar. Na tradução católica desse texto a mensagem é apresentada de maneira mais enfática. Diz o texto: “Meus irmãos, não haja muitos entre vós a se arvorar em mestres; sabeis que seremos julgados mais severamente” (Tiago 3:1- Versão Católica). Com frequência vemos alguns irmãos sedentos para usar o púlpito. A expressão “arvorar” dá a ideia de alguém despreparado e que se oferece para transmitir a mensagem e, sempre que o fazem, deixam a desejar. Muitos deles não imaginam a responsabilidade que isso implica.

            Têm outros que se arvoram como pregadores tendo objetivos escusos. Deturpam o texto bíblico no afã de conseguir o máximo de dinheiro e ajunta de maneira inescrupulosa grandes fortunas.

            O ensinar não está afeto apenas a quem usa o púlpito. No nosso testemunho diário estamos sempre transmitindo algum conhecimento que pode ser positivo ou negativo. A responsabilidade atinge a cada crente em sua esfera de ação.

            Um ponto importante que não pode ser esquecido é o fato de algum pregador que conhece a mensagem, apresentá-la de maneira superficial no intuito de simplesmente ser agradável aos seus ouvintes.

            Em qualquer lugar que estejamos e em qualquer situação as nossas palavras devem sempre ser temperadas com sal. Paulo nos adverte: “O seu falar seja sempre agradável e temperado com sal, para que saibam como responder a cada um” (Colossenses 4:6).  

 

Segunda

             “E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos” (Deuteronômio 6:6-7). Sempre gosto de associar este texto com Provérbios 22:6 onde lemos: “Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele.” Esses versos mostram de maneira clara o poder que as palavras dos pais exercem sobre os filhos. E podemos acrescentar um adendo: O poder destas palavras terá uma maior magnitude quando pronunciadas com amor e acompanhadas pelo testemunho.

            Jesus é o nosso exemplo máximo em tudo e não é diferente quando atentamos para a Sua maneira de falar. Mas um detalhe me chama a atenção. As pessoas se maravilhavam com as palavras de Jesus não só pela força que elas exerciam em Seus ouvintes, mas, principalmente, pela origem humilde do Mestre: Ele era filho de um carpinteiro de pouca cultura. Esse texto nos ensina duas coisas: Primeiro independente de qual seja a nossa origem as nossas palavras podem ser poderosas. E em segundo lugar, por mais humildes que tenham sido os pais de alguém eles podem passar para os seus filhos princípios que vão deixar extasiadas às pessoas com quem eles se relacionarem no futuro. “Todos falavam bem dele e estavam admirados com as palavras de graça que saíam de seus lábios. Mas perguntavam: "Não é este o filho de José?" (Lucas 4:22).

“Se você confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo” (Romanos 10:9).

 

Terça

            Costumo dizer que são os pormenores que tornam as coisas maiores. Esse pensamento é mais verdade quando se trata de palavras. Um pequeno comentário pode causar um grande desastre. Enquanto a língua está escondida dentro da boca é uma beleza, mas quando ela se mostra é que está o perigo. Trabalhei muitos anos cultivando abacaxis. Quantas vezes, ao capinar a plantação, me deparei com cascavéis escondidos em meio às moitas de mato prontos para dar o bote.

            Na minha juventude por várias vezes tive que participar de mutirões para apagar incêndios em nossa propriedade e nas dos vizinhos. As causas eram quase sempre as mesmas. Alguém decidiu queimar uma pequena porção de lixo no quintal e inesperadamente o fogo ficou fora de controle. Mas o pior de tudo é que depois de um exaustivo esforço e quando todos se preparavam para voltar para as suas casas um foco surgia do nada e recomeçava a agonia de novo. Pequenas fagulhas eram levadas pelo vento ou mesmo brisa e as chamas se alastravam de novo. Com o que falamos acontece a mesma coisa. Quando imaginamos que o desastre foi corrigido, tudo pode recomeçar e os danos são incalculáveis. Tiago dá o alerta: “Vejam como um grande bosque é incendiado por uma simples fagulha” (Tiago 3:5).

Temos de estar vigilantes e prontos para manter a calma em situações adversas. Os discípulos não esperavam que alguém fosse capaz de recusar hospedar Jesus por apenas uma noite e a primeira reação foi de ira. “Que desça fogo do Céu e destrua a todos” bradaram eles. Jesus mostrou que as coisas não funcionam assim.

 

Quarta

            Tiago esclarece que o homem consegue dominar todos os animais da Terra. Aliás, essa foi a ordem de Deus no final da criação: “Então disse Deus: "Façamos o homem à nossa imagem, con­for­me a nossa semelhança. Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os grandes animais de toda a terra e sobre todos os pequenos animais ­que se movem rente ao chão” (Gênesis 1:26).

            Com autoridade para sujeitar os grandes animais da Terra o homem tem dificuldade para dominar um pequeno órgão de seu corpo, a sua própria língua. Tiago afirma que a língua não domada contamina todo o corpo. Esse contaminar todo o corpo tem muito a ver com o nosso testemunho. Podemos usar de caridade para com as pessoas, podemos ser âncoras na igreja, podemos ser exímios dizimistas e exemplares guardadores do sábado, mas se não conseguimos domar a língua todas as nossas boas ações são contaminadas e a nossa vida espiritual se dilui.

            Tiago parece que vai ao extremo ao dizer que ninguém consegue domar a língua. Diz ele: “A língua, porém, ninguém consegue domar. É um mal incontrolável, cheio de veneno mortífero” (Tiago 3:8). O que Tiago apresenta é de desanimar qualquer cristão. Sabemos que por forças humanas esse domínio é realmente impossível. Temos que nos apegar a Jesus. Aquele que fez a nossa língua é o único capaz de nos proporcionar esse domínio. Paulo encontrou a solução para todas as suas limitações. Disse ele: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4:13). 

 

Quinta

            Tiago apresenta o descompasso de alguém que não consegue dominar a língua. Caso da mesma boca saia bênçãos e maldições alguma coisa errada está acontecendo. Essa é uma demonstração clara de que essa pessoa não está ligada à Videira.  Quem está ligado à Videira verdadeira só pode produzir uvas e uvas de primeira qualidade.

            O autor da lição chama a nossa atenção para comportamentos que nos levam a nos separar de Cristo e consequentemente nos induz a produzir uvas azedas. Muitos alimentam a alma durante a semana com o baixo palavreado dos meios de comunicação ou se deixam levar pelo que se ouve nas ruas e no trabalho. Temos que, com a ajuda de Cristo, nos afastar da poluição linguística dos dias de hoje.

            Voltamos ao pensamento de Tiago: “Se alguém não tropeça no falar, tal homem é perfeito, sendo também capaz de dominar todo o seu corpo” (Tiago 3:2).

 

Conclusão

            “Devemos contemplar a Jesus como modelo perfeito; devemos solicitar o auxílio do Espírito Santo, e em Seu poder procurar adestrar todos os órgãos para um trabalho perfeito” (Parábolas de Jesus, pág. 336).            

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Fé atuante


Comentário da Lição da Escola Sabatina de primeiro a oito de novembro de 2014, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga DF.

 

Introdução

            A nota introdutória do estudo da Lição apresenta uma história triste e chocante. Ela fala de um médico que era tido como exemplo de cristianismo prático e que foi encontrado morto em seu apartamento, vítima se overdose. Tratava-se de um membro de igreja atuante, porém se assemelhava aos sepulcros caiados mencionados por Cristo em São Mateus 23:27.

            Tiago não queria ver essa pratica ser repetida entre os judeus que se converteram a Jesus e aceitaram o cristianismo como um novo caminho. O rompimento com essas práticas antigas tinha muito a ver com a nova vida cristã que desabrochava. Tiago esperava da Igreja que nascia, frutos dignos de arrependimento e, uma vida fantasiosa estava longe da imagem que ele esperava ver nos novos conversos.

            Creio que a mensagem da Lição dessa semana tem muito a ver com a nossa vida espiritual. Nesse mundo corrupto e regido pelas aparências existe o perigo de a nossa vida espiritual exterior não ser um puro reflexo da vida interior. O cristianismo interior deve falar mais alto e deve ser realmente cristocêntrico.  Isso significa uma fé atuante em todas as facetas de nossa vida, em todas as situações e circunstancias.

            O nosso cristianismo dentro as igreja não deve ser diferente do praticado em nosso relacionamento no lar, no trabalho e nem mesmo quando estamos a sós dentro de quatro paredes. Qualquer descompasso nesse paralelo nos identifica como hipócritas. Tiago não queria ver a prática das fantasias tão comuns entre os judeus de seu tempo.

 

Domingo

            O estudo de domingo discute o contraste de uma fé atuante e aborda uma fé morta desprovida de qualquer ação que qualifique o seu possuidor. Mas se a fé está morta é porque aquele que deveria detê-la morreu primeiro.

            Uma lida rápida de Tiago 2:14 dá a entender que a salvação é pelas obras, quando ele afirma: “De que adianta, meus irmãos, alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Acaso a fé pode salvá-lo?” Tiago não está dizendo que as obras salvam o que ele deixa claro é que se alguém exerce fé isso vai se refletir em obras. Veja os versos seguintes nos quais ele esclarece que se afirmamos termos fé, mas ignoramos as necessidades do próximo isso não é fé. A fé se desdobra em ações em favor dos necessitados.

            No verso dezessete ele esclarece qualquer dúvida. Diz ele: “Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta.” Não tem como uma pessoa realmente convertida não produzir frutos dignos de arrependimento. Caso uma pessoa que se diz convertida permaneça em apatia espiritual, realmente ela está enganando a si própria.

            Realmente as obras não salvam, mas mostram que fomos salvos. “Pois sustentamos que o homem é justificado pela fé, independente da obediência à Lei” (Romanos 3:27,28). Em Efésios 2:8 e 9 Paulo esclarece porque não somos salvos pelas obras. Diz ele: “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie.

 

 

Segunda

            “Mas alguém dirá: "Você tem fé; eu tenho obras". Mostre-me a sua fé sem obras, e eu mostrarei a minha fé pelas obras” (Tiago 2:18). Aqui Tiago chama a atenção não para as obras da carne e, sim, para as obras da fé. Para ele não tem como alguém provar a sua fé sem as obras oriundas dessa fé.

            Paulo afirma que antes de praticarmos as obras da fé Deus nos preparou para isso: “Deus preparou antes” afirma Ele. Sem esse preparo que a graça nos concede somos impedidos de produzir bons frutos porque o nosso corpo ainda está mergulhado na natureza carnal. Após a conversão as coisas mudam: “...vocês têm demonstrado: o trabalho que resulta da fé, o esforço motivado pelo amor e a perseverança proveniente da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Tessalonicenses 1:3).

            Tito nos mostra o segredo para praticarmos boas obras. Diz ele: “Ele se entregou por nós a fim de nos remir de toda a maldade e purificar para si mesmo um povo particularmente seu, dedicado à prática de boas obras” (Tito 2:14). Jesus em nós é o segredo. Como Cristo em nós? Paulo afirma que é um mistério. “A ele quis Deus dar a conhecer entre os gentios a gloriosa riqueza deste mistério, que é Cristo em vocês, a esperança da glória” (Colossenses 1:27).

 

Terça

Paulo afirma: “Não usamos de engano e nem torcemos a Palavra se Deus.” É o que mais vemos hoje. A Bíblia é torcida para se adaptar aos gostos e interesses escusos de muitos pregadores. Não há nenhum interesse em aprender e apresentar a verdade que emana da Palavra. E o pior de tudo é que muitos pregadores aliam esse desconhecimento da Palavra a uma avalanche de milagres como frutos de uma fé operante.

Satanás não apenas sabe que Deus existe como sabe também ser Ele justo e que um dia eliminará do mundo o pecado e a sua raiz. Diante dessa verdade tão clara na Bíblia o inimigo treme porque reconhece que os seus caminhos são de impiedade. Satanás sabe o que é correto, mas não associa esse conhecimento da prática e, em sua insana tarefa, induz a humanidade a uma vida de rebeldia contra Deus.

Estamos vivendo tempos difíceis. Na semana em que escrevo esse comentário o papa Francisco vem a publico externar o seu apoio a diabólica teoria do Big Bem. Pessoas que em seus cultos enaltecem a Bíblia, ignoram a página da criação dando lugar a uma teoria blasfêmica e ante Deus. Como pode ter a Bíblia nas mãos e aceitar uma heresia deste tamanho. Para aceitar essa teoria é necessária uma fé maior do que a que se exige para aceitar o relato Bíblico. Essa é realmente uma fé demoníaca.

Os escritores da Bíblia apresentam a necessidade de conhecermos a verdade que a Bíblia apresenta. “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (São João 8:32). A Bíblia não só nos apresenta a verdade como nos adverte da necessidade de viver essa verdade no nosso dia a dia. Esse viver diário, pautando a nossa vida com a verdade bíblica é que vai diferenciar a fé que praticamos daquela fé aterrorizante exercida pelos demônios.

 

Quarta

            Ao falar de uma fé operante Paulo toma como exemplo a experiência de Abraão no monte Moriá. E, diga-se de passagem, esse é um relato que esclarece bem o que são as obras da fé. Caso Abraão não tivesse fé que Deus poderia ressuscitar Isaque, caso ele fosse ofertado sobre o altar e, com certeza, Abraão teria recuado. A sua fé o levou a produziu as obras.

            Duas coisas levaram Abraão a se expor ao sacrifício máximo. Primeiro foi seu amor a Deus. Ele era amigo de Deus e o que um amigo não é capaz de fazer por outro amigo? Esse amor a Deus desenvolveu a sua fé. Tanto o amor como a fé foram desenvolvidos graças ao relacionamento. Sem um relacionamento íntimo com Deus o nosso amor a Ele não desenvolve e a nossa fé não evolui.

             A justificação esta centrada na fé. Uma fé que opera obras dignas de arrependimento. Essa é a fé apresentada por Abraão. Ele foi justificado pela fé que produziu as obras. A sua fé lhe proporcionou a força necessária para ir às últimas consequências. “Se de fato Abraão foi justificado pelas obras, ele tem do que se gloriar, mas não diante de Deus” (Romanos 4:2).

 

Quinta

            Raabe era uma mulher que vivia longe dos padrões éticos daquele tempo e de hoje. Aparentemente ela estaria excluída do convívio da igreja. Provavelmente ela foi uma das melhores pessoas encontradas por Deus em Jericó.

            Raabe conhecia a história do povo de Israel e mais do que conhecer a história do povo de Israel ela conhecia o Deus de Israel. Imagino que ela desejava ser uma israelita para desfrutar das bênçãos outorgadas a esse povo.

            Raabe era uma mulher excluída de sua sociedade e sabia muito bem o que é ser alguém à margem do caminho. Ela sabia que ser uma israelita era estar sob o guarda chuva de um Deus poderoso que não faz acepção de pessoas. O seu encontro com os mensageiros de Josué lhe abriu a esperança de pertencer a esse povo mesmo que fosse por adoção.

            Ela aceitou a sugestão de colocar um fio vermelho em sua casa na certeza de que no afã da guerra ela não seria esquecida. Isso é a fé que opera. A orientação partiu de um suposto inimigo de morte, mas ela exerceu fé. Ela creu que em meio ao sonido das trombetas, o desmoronarem das muralhas e a cortina de poeira provocada pela destruição, o seu nome seria lembrado por um pequeno pedaço de cordão vermelho que tremulava em meio ao caos total.

            Ela era uma adultera? Sim! Era uma mentirosa? Sim! Mas apesar de tudo isso foi alguém que desenvolveu uma fé que a transportou do mar de lama da promiscuidade para a galeria dos heróis da fé e mais do que isso, foi uma das cinco mulheres mencionadas na genealogia de Cristo. “Salmom gerou Boaz, cuja mãe foi Raabe; Boaz gerou Obede, cuja mãe foi Rute; Obede gerou Jessé” (Mateus 1:5) e “Pela fé a prostituta Raabe, por ter acolhido os espiões, não foi morta com os que haviam sido desobedientes” (Hebreus 11:31).

 

Conclusão

            A fé que opera é aquela que mesmo mediante fracassos e quedas se apega aos méritos de Cristo para se levantar e continuar a caminhada em retidão. Qual teria sido o final da história de Abraão, Raabe, Davi e tantos heróis da fé caso eles não tivessem exercido inteireza de fé nos méritos de Cristo? A fé atuante é a fé exercitada, provada e que, revestida de humildade, se apoia diariamente nos braços de Jesus.

 

 

Comentário da Lição da Escola Sabatina de primeiro a oito de novembro de 2014, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga DF.

 

Introdução

            A nota introdutória do estudo da Lição apresenta uma história triste e chocante. Ela fala de um médico que era tido como exemplo de cristianismo prático e que foi encontrado morto em seu apartamento, vítima se overdose. Tratava-se de um membro de igreja atuante, porém se assemelhava aos sepulcros caiados mencionados por Cristo em São Mateus 23:27.

            Tiago não queria ver essa pratica ser repetida entre os judeus que se converteram a Jesus e aceitaram o cristianismo como um novo caminho. O rompimento com essas práticas antigas tinha muito a ver com a nova vida cristã que desabrochava. Tiago esperava da Igreja que nascia, frutos dignos de arrependimento e, uma vida fantasiosa estava longe da imagem que ele esperava ver nos novos conversos.

            Creio que a mensagem da Lição dessa semana tem muito a ver com a nossa vida espiritual. Nesse mundo corrupto e regido pelas aparências existe o perigo de a nossa vida espiritual exterior não ser um puro reflexo da vida interior. O cristianismo interior deve falar mais alto e deve ser realmente cristocêntrico.  Isso significa uma fé atuante em todas as facetas de nossa vida, em todas as situações e circunstancias.

            O nosso cristianismo dentro as igreja não deve ser diferente do praticado em nosso relacionamento no lar, no trabalho e nem mesmo quando estamos a sós dentro de quatro paredes. Qualquer descompasso nesse paralelo nos identifica como hipócritas. Tiago não queria ver a prática das fantasias tão comuns entre os judeus de seu tempo.

 

Domingo

            O estudo de domingo discute o contraste de uma fé atuante e aborda uma fé morta desprovida de qualquer ação que qualifique o seu possuidor. Mas se a fé está morta é porque aquele que deveria detê-la morreu primeiro.

            Uma lida rápida de Tiago 2:14 dá a entender que a salvação é pelas obras, quando ele afirma: “De que adianta, meus irmãos, alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Acaso a fé pode salvá-lo?” Tiago não está dizendo que as obras salvam o que ele deixa claro é que se alguém exerce fé isso vai se refletir em obras. Veja os versos seguintes nos quais ele esclarece que se afirmamos termos fé, mas ignoramos as necessidades do próximo isso não é fé. A fé se desdobra em ações em favor dos necessitados.

            No verso dezessete ele esclarece qualquer dúvida. Diz ele: “Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta.” Não tem como uma pessoa realmente convertida não produzir frutos dignos de arrependimento. Caso uma pessoa que se diz convertida permaneça em apatia espiritual, realmente ela está enganando a si própria.

            Realmente as obras não salvam, mas mostram que fomos salvos. “Pois sustentamos que o homem é justificado pela fé, independente da obediência à Lei” (Romanos 3:27,28). Em Efésios 2:8 e 9 Paulo esclarece porque não somos salvos pelas obras. Diz ele: “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie.

 

 

Segunda

            “Mas alguém dirá: "Você tem fé; eu tenho obras". Mostre-me a sua fé sem obras, e eu mostrarei a minha fé pelas obras” (Tiago 2:18). Aqui Tiago chama a atenção não para as obras da carne e, sim, para as obras da fé. Para ele não tem como alguém provar a sua fé sem as obras oriundas dessa fé.

            Paulo afirma que antes de praticarmos as obras da fé Deus nos preparou para isso: “Deus preparou antes” afirma Ele. Sem esse preparo que a graça nos concede somos impedidos de produzir bons frutos porque o nosso corpo ainda está mergulhado na natureza carnal. Após a conversão as coisas mudam: “...vocês têm demonstrado: o trabalho que resulta da fé, o esforço motivado pelo amor e a perseverança proveniente da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Tessalonicenses 1:3).

            Tito nos mostra o segredo para praticarmos boas obras. Diz ele: “Ele se entregou por nós a fim de nos remir de toda a maldade e purificar para si mesmo um povo particularmente seu, dedicado à prática de boas obras” (Tito 2:14). Jesus em nós é o segredo. Como Cristo em nós? Paulo afirma que é um mistério. “A ele quis Deus dar a conhecer entre os gentios a gloriosa riqueza deste mistério, que é Cristo em vocês, a esperança da glória” (Colossenses 1:27).

 

Terça

Paulo afirma: “Não usamos de engano e nem torcemos a Palavra se Deus.” É o que mais vemos hoje. A Bíblia é torcida para se adaptar aos gostos e interesses escusos de muitos pregadores. Não há nenhum interesse em aprender e apresentar a verdade que emana da Palavra. E o pior de tudo é que muitos pregadores aliam esse desconhecimento da Palavra a uma avalanche de milagres como frutos de uma fé operante.

Satanás não apenas sabe que Deus existe como sabe também ser Ele justo e que um dia eliminará do mundo o pecado e a sua raiz. Diante dessa verdade tão clara na Bíblia o inimigo treme porque reconhece que os seus caminhos são de impiedade. Satanás sabe o que é correto, mas não associa esse conhecimento da prática e, em sua insana tarefa, induz a humanidade a uma vida de rebeldia contra Deus.

Estamos vivendo tempos difíceis. Na semana em que escrevo esse comentário o papa Francisco vem a publico externar o seu apoio a diabólica teoria do Big Bem. Pessoas que em seus cultos enaltecem a Bíblia, ignoram a página da criação dando lugar a uma teoria blasfêmica e ante Deus. Como pode ter a Bíblia nas mãos e aceitar uma heresia deste tamanho. Para aceitar essa teoria é necessária uma fé maior do que a que se exige para aceitar o relato Bíblico. Essa é realmente uma fé demoníaca.

Os escritores da Bíblia apresentam a necessidade de conhecermos a verdade que a Bíblia apresenta. “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (São João 8:32). A Bíblia não só nos apresenta a verdade como nos adverte da necessidade de viver essa verdade no nosso dia a dia. Esse viver diário, pautando a nossa vida com a verdade bíblica é que vai diferenciar a fé que praticamos daquela fé aterrorizante exercida pelos demônios.

 

Quarta

            Ao falar de uma fé operante Paulo toma como exemplo a experiência de Abraão no monte Moriá. E, diga-se de passagem, esse é um relato que esclarece bem o que são as obras da fé. Caso Abraão não tivesse fé que Deus poderia ressuscitar Isaque, caso ele fosse ofertado sobre o altar e, com certeza, Abraão teria recuado. A sua fé o levou a produziu as obras.

            Duas coisas levaram Abraão a se expor ao sacrifício máximo. Primeiro foi seu amor a Deus. Ele era amigo de Deus e o que um amigo não é capaz de fazer por outro amigo? Esse amor a Deus desenvolveu a sua fé. Tanto o amor como a fé foram desenvolvidos graças ao relacionamento. Sem um relacionamento íntimo com Deus o nosso amor a Ele não desenvolve e a nossa fé não evolui.

             A justificação esta centrada na fé. Uma fé que opera obras dignas de arrependimento. Essa é a fé apresentada por Abraão. Ele foi justificado pela fé que produziu as obras. A sua fé lhe proporcionou a força necessária para ir às últimas consequências. “Se de fato Abraão foi justificado pelas obras, ele tem do que se gloriar, mas não diante de Deus” (Romanos 4:2).

 

Quinta

            Raabe era uma mulher que vivia longe dos padrões éticos daquele tempo e de hoje. Aparentemente ela estaria excluída do convívio da igreja. Provavelmente ela foi uma das melhores pessoas encontradas por Deus em Jericó.

            Raabe conhecia a história do povo de Israel e mais do que conhecer a história do povo de Israel ela conhecia o Deus de Israel. Imagino que ela desejava ser uma israelita para desfrutar das bênçãos outorgadas a esse povo.

            Raabe era uma mulher excluída de sua sociedade e sabia muito bem o que é ser alguém à margem do caminho. Ela sabia que ser uma israelita era estar sob o guarda chuva de um Deus poderoso que não faz acepção de pessoas. O seu encontro com os mensageiros de Josué lhe abriu a esperança de pertencer a esse povo mesmo que fosse por adoção.

            Ela aceitou a sugestão de colocar um fio vermelho em sua casa na certeza de que no afã da guerra ela não seria esquecida. Isso é a fé que opera. A orientação partiu de um suposto inimigo de morte, mas ela exerceu fé. Ela creu que em meio ao sonido das trombetas, o desmoronarem das muralhas e a cortina de poeira provocada pela destruição, o seu nome seria lembrado por um pequeno pedaço de cordão vermelho que tremulava em meio ao caos total.

            Ela era uma adultera? Sim! Era uma mentirosa? Sim! Mas apesar de tudo isso foi alguém que desenvolveu uma fé que a transportou do mar de lama da promiscuidade para a galeria dos heróis da fé e mais do que isso, foi uma das cinco mulheres mencionadas na genealogia de Cristo. “Salmom gerou Boaz, cuja mãe foi Raabe; Boaz gerou Obede, cuja mãe foi Rute; Obede gerou Jessé” (Mateus 1:5) e “Pela fé a prostituta Raabe, por ter acolhido os espiões, não foi morta com os que haviam sido desobedientes” (Hebreus 11:31).

 

Conclusão

            A fé que opera é aquela que mesmo mediante fracassos e quedas se apega aos méritos de Cristo para se levantar e continuar a caminhada em retidão. Qual teria sido o final da história de Abraão, Raabe, Davi e tantos heróis da fé caso eles não tivessem exercido inteireza de fé nos méritos de Cristo? A fé atuante é a fé exercitada, provada e que, revestida de humildade, se apoia diariamente nos braços de Jesus.

sábado, 25 de outubro de 2014

O amor e a lei


Comentário da Lição da Escola Sabatina de vinte e cinco de outubro a primeiro de novembro de dois mil e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga.

 

Introdução

            Imagino que a Epistola de Tiago ocasionou um reboliço entre a membresia da igreja naquela época. Com a morte de Jesus os judeus tradicionais imaginaram estar livres para sempre de serem recriminados por suas atitudes discriminatórias em fazer acepção de pessoas. Cristo chegou a chamá-los de raça de víboras.

            Quando tudo parecia tranquilo aparece Tiago com uma mensagem pesada e direta ao reafirmar que a vida cristã tem mais a ver com a prática do que com a teoria. Ao escrever a sua epistola ele desdobra as ações do amor em um leque que tinha tudo a ver com vida espiritual de seus conterrâneos. Tiago não queria que a igreja que estava nascendo herdasse as mazelas cultivadas há anos pelo povo Judeu.

            O pior da situação era que os judaizantes se esforçavam por manter os princípios de apego à lei sem nenhum comprometimento com a sua verdadeira essência que é a prática do amor aos seus da mesma linhagem e ao próximo em geral. Para os judeus daquele tempo, próximo seriam apenas aqueles ligados por laços familiares e pertencentes à elite da época. Os demais não eram próximos e sim, distantes e quão distantes!  Para os judeus não havia problema em dizer que amavam a Deus, mas demonstrar esse amor ao seu próximo, dependendo de quem fosse ele, seria muito difícil ou, talvez, desnecessário.

            Tiago esclarece que de nada vale se apresentar como um observador da lei se o amor ao próximo é colocado em último plano, ou talvez esteja fora de planos. Uma atitude discriminatória não condiz com o amor, que é a verdadeira essência da lei.

            Quando vemos a nossa Igreja subdividida em pequenos grupos que mais parecem às famosas panelinhas, creio ser sobejamente oportuno o nosso estudo sobre a epístola de Tiago. Com certeza ela tem muito a nos ensinar a praticar o evangelho que pregamos.

 

Domingo

            Dos seis “ais” sobre os fariseus apresentados por Lucas o segundo “ai” tem a ver com a importância que eles reivindicavam para si ao exigirem os melhores lugares em todos os aspectos da vida. Essa postura está aliada à situação apresentada por Tiago. Ele condena qualquer diferenciação de tratamento para com pessoas que tenham qualquer proeminência intelectual, financeira, social ou política.

            Que lição de humildade nos dá o centurião romano. Ele recorreu a Jesus para que a sua filha fosse curada.  Ele era um dos homens mais proeminentes da época, mesmo assim não se achava digno de receber Jesus em sua casa. “Fale apenas uma palavra.” Quanta demonstração de fé e humildade ao mesmo tempo.

            Os judeus chegaram ao máximo de exclusão ao considerarem pecado grave um judeu se misturar com outras etnias. Eles se esqueceram que pecado era justamente o fato de recusarem o contato com tais pessoas. Jesus Se envolvia com as pessoas. Essa era a sua principal arma para atraí-las a Si.

 

Segunda

            O quadro apresentado por Tiago é sombrio. Acepção de pessoas no mundo sempre existiu, mas ver essa pratica dentro da igreja é algo inaceitável. Era o que estava acontecendo nos dias da Igreja primitiva. Parece que o comportamento do mundo judaico naquela época, onde samaritanos e outros tipos de pessoas eram excluídas do convívio da elite religiosa daquele tempo, ainda estava presente entre os judeus convertidos. Os mais pobres eram humilhados ao ponto de ser impedido de prestar qualquer queixa no âmbito jurídico.

            Tiago não podia entender como pessoas que aceitaram a Cristo como o seu Salvador pessoal vivesse tão distante do seu líder que veio para servir e não para ser servido. Não dava para entender como pessoas que defendiam tanto a lei vivessem alienadas de seu princípio máximo: o amor ao próximo.

            O pior de tudo nesse contexto era o exemplo negativo que davam para um mundo que começava a conhecer as maravilhas do evangelho. Dizem por ai que “as palavras convencem, mas os exemplos arrastam”. No caso desses cristãos o exemplo que davam estava em descompasso com aquilo que pregavam. Essa é uma mensagem para nós hoje. Tem um pensamento que diz: “Pregue o evangelho e, se for necessário, fale.”

            Nos dias de hoje temos um problema entre nós no que tange a empregados e empregadores. Já ouvi muitos empresários adventistas afirmarem que os empregados adventistas causam mais problemas à empresa do que os não conversos. Caso o empregado adventista julgue no direito de usar de algumas liberdades pelo fato de seu patrão ser adventista está equivocado. O mesmo cabe ao patrão. O espírito cristão não pode ser perdido de vista.

 

Terça

            Os judeus tinham grandes dificuldades para amar pessoas estranhas às suas comunidades. Para eles próximo tinha a ver com o grau de parentesco e a proximidade cultural, religiosa e social. Sai aceitar a orientação de Cristo de amar os próprios inimigos significava um abismo praticamente intransponível.

            No sentido de poupar os israelitas de se contaminar com mundanismo ao redor e estimular a união entre eles Deus orientou que o amor fraternal fosse exercido somente entre eles. As nações vizinhas eram inimigas acérrimas do povo de Deus e não se cansavam de buscar a sua destruição e para sobrevivência dos israelitas, Deus não exigiu, naquela época, o amor aos inimigos.

            Jesus orientou o Seu povo a amar os seus inimigos. Essa orientação, para eles quase absurda, tinha como objetivo fazê-los entender o plano da salvação. Jesus deu a vida por todos os seres humanos independente de raça, cor, status e grau de santidade. Todos são convidados a receber a salvação por Ele oferecida. Cabe a cada um de nós participarmos do plano redentivo, apresentando o convite da salvação a todas as pessoas, quer sejam amigas ou inimigas. Disse Jesus: “Eu vos dei o exemplo, para que sigais as minhas pisadas” (João 13:15).

 

Quarta

            Para os judeus era normal observar toda a lei de Deus, inclusive o sábado. Eles se julgavam exímios observadores da lei. Jesus viu que eles falhavam redondamente na principal prática da lei que é o amor ao próximo. Jesus foi claro: “Quem tropeça em um só mandamento é culpado de todos. Eles necessitavam de uma profunda transformação de vida. Seria realmente um “nascer de novo”.

            Ao ser interrogado sobre qual seria o maior mandamento da lei, Jesus colocou todos os mandamento no mesmo nível e sob o guarda chuva do amor a Deus e ao próximo.  Existe graduação de pecados, mas em se tratando dos mandamentos não existe um maior do que o outro. Em nossa avaliação humana levantar falso testemunho seja mais brando do que matar, mas perante Deus a transgressão de um representa a culpabilidade de todos.

            Muitos observadores do domingo afirmam que Jesus mencionou todos os mandamentos menos o sábado. Guardar o sábado fazia parte do viver de cada judeu. Não foi a guarda do sábado a maior falha que Jesus identificou entre eles e sim o amor ao próximo.

            É importante lembrar que observar a lei excluindo Cristo de nossa vida transforma a observância da lei em um peso insuportável.  Quando aceitamos a Cristo como o Senhor de nossa vida tomamos sobre nós o Seu jugo e o nosso jugo se torna suave e leve. Passamos a observar a lei não para sermos salvos e, sim porque fomos salvos.

            As perguntas do rodapé do estudo de quarta-feira nos chamam a atenção para uma obediência calcada no amor e não em mera obrigação.

 

Quinta

            O estudo de hoje causa muita dúvida, principalmente no meio evangélico. Como ser julgados pela lei se, somos salvos pela graça? Quando eu aceito a Jesus como o meu Salvador estou me apoderando de Sua graça e Ele perdoa todos os meus pecados. Nesse caso a lei não me condena porque aceitei que Jesus assumisse o meu lugar de transgressor da lei. Quando eu rejeito o favor imerecido da graça me exponho automaticamente à condenação da lei. Todo o ser humano é julgado pela lei com uma diferença: Quem aceita o sacrifício de Cristo está coberto pela graça. Todos serão julgados pela lei e o que nos livra da condenação que ela nos impõe é o sábio uso que fizermos da graça oferecida por Cristo.

            A nossa obediência não tem mérito nenhum caso não seja motivada pelo amor a Deus. Ele fez por nós o que o Universo jamais imaginou que Ele faria. O Seu amor não tem limites. Diz a Bíblia: “Ele é longânime para conosco não querendo que nenhum se perca” (2 Pedro 3:9).

 

Conclusão

            A lei é o resultado do amor de Deus. Para nos preservar Ele nos deu a Sua lei. Cada não da lei de Deus é uma salvaguarda à nossa vida. As leis dos homens são pautadas pela lei de Deus com uma enorme diferença: a misericórdia não interfere na lei dos homens. Com a lei de Deus isso não acontece. O maior pecador poderá ser salvo da condenação da lei divina. Isso é amor. E a Bíblia afirma: “Ele nos amou primeiro.” Jesus espera que amemos uns aos outros assim como Ele nos amou.