segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Justificação pela fé

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Comentário da Lição da Escola Sabatina de 15 a 21 de outubro de 2011.
Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, autor de a Meditação Avivar a Esperança.
É membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
Na revista Adventista de setembro de 2011, o pastor Denílson Storch, em seu artigo “Pilar da mensagem adventista,” afirma que “o povo do advento tem práticas e crenças muito peculiares”. Entre estas crenças ele menciona “cremos em toda a Bíblia e harmonizamos a Lei com a Graça”.
Essa harmonia que estabelecemos entre a Lei e a graça têm sido contestada por centenas de religiosos que não pensam assim. E a afirmação encontrada no título da nossa lição desta semana deve causar espanto naqueles que nos intitulam de legalistas. “A idéia de justificação pela fé, é um conceito estranho para muitos. Embora seja simples em sua natureza, tem confundido até mesmo os mais inteligentes” (Lição de Jovens, p 29). Assim como defendemos a perpetuidade da Lei de Deus, acreditamos também, que somos justificados apenas pela graça. E não haveria necessidade de um Salvador se a Lei não me mostrasse que sou pecador.
Alguns judeus imaginavam que ser considerados filhos de Abraão era a credencial para a salvação, enquanto para outros judeus, o Céu já estava reservado para aqueles que praticavam a circuncisão. Eles ainda tinham muito o que aprender. Justificação não é uma bênção coletiva e nem hereditária. Ela exige entrega individual e zelo por toda a vida. “De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor” (Filipenses 2:12).
Domingo
            Pedro, que ainda defendia a separação entre Judeus e gentios se misturou com estes quando visitou Antioquia, mas, com a chegada de Tiago mudou de postura. A atitude de Pedro foi um prato cheio para Paulo que assim se expressou: “Nós somos judeus por natureza, e não pecadores dentre os gentios” (Gálatas 2:15).  
            As palavras de Paulo nesse texto não visavam aprofundar as diferenças entre judeus e gentios apregoadas pela maioria dos apóstolos. Existem pelo menos duas razões para a sua afirmação. Primeiro ele esta chamando a atenção de Pedro por sua incoerência que, até a pouco, estava misturado com os gentios, mas mudou de postura com a chegada de Tiago. Segundo, com essa afirmação ele se aproximava mais dos judeus que estavam sempre com um pé atrás a respeito de suas pregações.
            No verso seguinte Paulo afirma que as obras da lei não têm nenhum mérito para a nossa salvação e mostra a nossa necessidade de um salvador. Com a firmação do verso 15, Paulo ganhou um pouco mais de confiança da parte dos Judeus e aproveitou esse momento para apresentar o cerne da justificação pela fé.
Segunda
O autor da lição apresenta varias alternativas para a definição de lei no contexto paulino (ler o primeiro parágrafo da nota as pergunta 3). Podemos acrescentar mais um adendo: os judeus fizeram uma “regulamentação da lei de Deus” e ai foram incorporadas muitas tradições consideradas, por eles, como parte da Lei. (Ex.: quantos metros uma pessoa poderia caminhar em um dia de sábado).
A lição afirma que por 121 vezes Paulo menciona a palavra lei. E em vários momentos usa a expressão: “obras da lei”. Isso tem pelo menos duas razões. Primeiro, a justificação pela fé era o âmago das discussões nos dias da igreja primitiva e, segundo, Essa era uma linguagem bem conhecida dos judeus.
A lei deve ser observada como uma resposta de amor a Aquele que deu a vida por nós. O viver uma nova vida em Cristo implica em deixar de praticar as coisas erradas de antes e viver em novidade de vida. Passamos a praticar não as obras da carne, mas a produzir os frutos do Espírito. Quando Jesus salvou a pecadora de ser apedrejada, a Sua orientação foi: “vai-te, e não peques mais” (João 8:11). Os que se firmam nos escritos de Paulo para pregarem a não observancia da Lei deverian meditar em textos paulinos como: “Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade” (Efésios 4:28).
Terça
Alguém afirmou: “A nossa fé nada acrescenta à justificação, como se fosse meritória” e esclarece: “mas é o meio pelo qual nos apegamos a Cristo”. Pela fé aceitamos o sacrifício de Cristo em nosso favor. O batismo e a Santa Ceia são os únicos meios concretos de manifestação de nossa aceitação do sacrifício de Cristo na cruz. Mas esses atos oferecem apenas uma visão externa do que passa em nosso interior que pode ser real ou não.  O que vai em nosso íntimo é uma questão pessoal entre nós e Deus.
Uma pessoa não recebe nenhum sinal concreto, vindo do Céu, de que o seu passado foi perdoado e que ela está justificada. A fé é que nos oferece essa certeza. Caso não exercitemos a nossa fé em Cristo, estamos fadados ao fracasso. “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem” (Hebreus 11:1). A base da nossa salvação é o sacrificio de Cristo e, a fé, o instrumento que nos leva a Ele.
Cristo tomou a forma humana e viveu entre nós. Caso houvesse pecado jamais o plano redentivo seria consumado. O que o Ceu poderia fazer em nosso favor foi feito. 
Quarta
Na primeira parte do verso de Genesis 15:6 temos o segredo para a nossa justificação. Afirma o texto que Abraão “creu”. Crer na promessa divina é o elemento básico para a nossa justificação. Quando cremos estamos abrindo mão de qualquer possibilidade humana para resolver o nosso problema. Humanamente era impossível Abraão e Sara desfrutarem da paternidade. O crer de todo o coração nos traz aquela paz que o mundo não pode oferecer. Semelhante a experiência de Abraão foi a dos israelitas atacados pelas serpentes venenosas do deserto. Não havia nenhum soro antiofídico ou algum medicamento capaz de poupar a vida de alguém picado por elas. Por outro lado, a serpente de metal era inerte e sem vida. Mas quem olhasse para ela seria salvo. O israelita uma vez ferido e que obedeceu o conselho divino, desviava o olhar da serpente que o feriu e se voltava para a serpente de metal e a sua vida era poupada.
Não há motivos para estarmos remoendo os nossos pecados. Uma vez confessados a Jesus podemos e devemos esquecê-los para sempre. Devemos mudar o foco e, não olhar mais para a serpente que nos feriu, mas sim “para Jesus autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-Se à destra do trono de Deus” (Hebreus 12:2).
            No caso de Abraão, ele obedeceu a orientação divina e aguardou o cumprimento da promessa. Os israeleitas feridos pelas serpentes tinham que aceitar a orientação divina. Deus não eliminou as serpentes e elas continuaram a ferir os Seus filhos, mas ofereceu o antidoto correto. Para usá-lo estava implicito o ato de obedecer. Tinham que olhar para a serpente de metal.
            A conversão gera em nós novidade de vida. Sabemos o que o pecado causou a Jesus e, com os olhos fitos Nele, decidimos mudar o nosso proceder. Essa obediencia aos principios divinos não é motivada por medo do juízo  e nem porque alguém está exigindo que eu viva assim. Ela resulta de nossa compreensão de quão terrivel é o pecado e de quão imenso é o amor de Deus por nós.
Quinta
Alguns acham estranho que Jesus, quando esteve entre nós, tenha falado tão pouco sobre a observancia do sábado e que, em alguns casos, Ele criticou a maneira de como ele era observado. Ele nasceu entre um povo observador do sábado e pregar sobre este assunto seria chover no molhado. Ele tocava neste assunto, com o intuito apenas de corrigir os extremismos.
Paulo foi acusado de pregar um evangelho fácil demais para ser verdade e que tudo o que ele falava não passava de incentivo para as pessoas continuarem transgredindo a Lei. Para ele a observancia da lei era algo tão claro e evidente que ele achou um absurdo que os seus opositores imaginassem que a sua pregação induzisse alguém, depois de convertido, a continuar pecando.
Diante desta acusação ele foi enfático no verso 17: “De maneira nenhuma.” E não é a única vez que ele responde com essa expressão aos seus provocadores. Em Romanos 3:31 ele usa as mesmas palavras com a mesma  ênfaze: “Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei” e “Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum” (Romanos 6:15).
 Era difícil para os oponentes de Paulo entenderem o raciocínio conciliador entre a lei e a justificação pela fé. Mas neste particular ele estava repetindo o raciocínio de João: “Qualquer que permanece Nele não peca; qualquer que peca não O viu nem O conheceu” (1 João 3:6).  E o apostolo conclui: “E assim a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom”(Romanos 7:12).
Conclusão
A conciliação de salvação pela graça e a perpetuidade da Lei de Deus é um assunto pregado exclusivamente pelos adventistas, como afirma o pastor Denílson Storch.  E a confusão que esse assunto gerou, não aconteceu apenas com os opositores de Paulo. Ela é abundante hoje no mundo evangélico e é objeto de críticas contundentes aos adventistas.
Sabedores do que nos espera por defendermos a perptuidade da Lei de Deus, é mais do que necessário estudar este assunto com afinco para que, num futuro próximo, tenhamos essa base doutrinária que ajudará a nos manter de pé.

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