quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Meditação Reavivar a Esperança

Gostou deste artigo? Então clique no botão ao lado para curti-lo! Aproveite para nos adicionar no Facebook e assinar nosso Feed.
15  de setembro
                             
 A velha mesa 
Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Mt 22:39.

     Certo dia o meu neto Thales, de cinco anos, perguntou para o meu genro: “por que o vovô sempre que prega fala do seu pai, da sua cidade e da igreja”? Conhecer a mensagem adventista aos cinco anos de idade foi para mim, a maior bênção que aconteceu em minha vida e foi a cidade de Monte Alegre de Minas que me abriu as cortinas para o mundo e me propiciou uma infância rica de detalhes que marcaram de maneira positiva a minha vida. Mas, por que, às vezes, menciono o nome de Juvenal Francisco Pinto em meus sermões?
     Durante uns vinte anos papai pregou mais de mil e quinhentos sermões em nossa igrejinha local. Com raríssimas exceções ele era o pregador em todos os cultos, sepultamentos, aniversários e outras datas especiais. Trabalhava o dia todo na roça, de domingo a sexta feira, mas nos dias de culto parava uma hora mais cedo e pedalava a sua bicicleta para casa. Esse era o tempo que normalmente ele usava para preparar os seus sermões cheios de vida; o que me leva a crer piamente que o  Espírito Santo ungia este homem que tinha apenas o quarto ano primário.
     Mas o motivo principal que sempre está presente em minha memória é que meu pai, durante toda a sua existência viveu às avessas o versículo da nossa meditação desta manhã. Ele amava o próximo mais do que a si mesmo. Até hoje me questiono o porquê deste equívoco.
     Por alguns anos papai fez as melhores lavouras de abacaxi do Triângulo Mineiro e, como resultado, os seus negócios de venda da produção serviam de parâmetro para os demais produtores da região. A nossa casa simples com piso de cimento grosso transmitia para muitos a idéia de que ele dispunha de uma boa fortuna guardada a sete chaves. Mas a realidade era outra, pois várias vezes o vi recorrer a agiotas e pegar dinheiro emprestado para auxiliar  a alguém necessitado.
    Papai tinha três problemas sérios. Ele fazia negócios sem nunca exigir qualquer documento. Imaginava que todas as pessoas eram corretas como ele. Eu nunca o vi sair de casa para cobrar de alguém. E, por último, parece que ele se sentia responsável por todas as misérias do mundo. Vivia construindo casas para necessitados, custeando cirurgias para terceiros e, às vezes, vestia e alimentava famílias inteiras.  Ele chegou a aposentar do seu próprio bolso um senhor que trabalhava conosco.
      Duas lembranças me fazem doer o coração. A primeira vê-lo, no final de sua vida, durante cinco anos, em cima de uma cama vivendo com  um salário mínino que alguém teve a bondade de providenciar para ele.  A segunda é rever a velha mesa que no passado, por tantas vezes, reuniu dezenas de pessoas, em suculentas refeições e depois, desfalcada de seus principais ocupantes de outrora, passou a oferecer magros jantares com sobremesas de saudade. Hoje,  seria o seu aniversário.

Nenhum comentário:

Postar um comentário