domingo, 11 de setembro de 2011

A autoridade de Paulo e o evangelho

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Comentário da Lição da Escola Sabatina de 1 a 8 de outubro de 2011.
Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, autor de a meditação Avivar a Esperança.
É membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Paulo foi acusado de pregar um evangelho fácil de ser aceito, apenas para multiplicar o número de conversos. Mas no verso áureo desta semana ele refuta essa possibilidade. Ele afirma que estava comprometido com Cristo e ignorava se a sua conduta era bem aceita ou não pelos seus ouvintes. Para os seus opositores ele era um oportunista que pregava um evangelho conveniente a si próprio.
É bom lembrar que a oposição ao evangelho que Paulo pregava se tornou mais evidente entre os seus próprios colegas de ministério. Pedro se destaca como o principal deles.
Enquanto nos últimos anos do seu ministério Paulo foi perseguido ferozmente pelos não conversos, nos primeiros anos foram os da igreja que lhe causaram os maiores dissabores. Após a sua conversão o apostolo Paulo passa a viver uma situação complicada. O seu encontro com Cristo na estrada de Damasco ocasionou uma mudança radical em sua vida e essa mudança causou uma polêmica que se estendeu a alguns grupos de cristãos de seu tempo.
Vejamos alguns fatos curiosos:
- Enquanto os demais apóstolos insistiam em pregar só para os judeus, por orientação divina, Paulo se propõe a pregar para judeus e gentios.
- Enquanto a maioria defendia que os gentios conversos deveriam ser circuncidados, Paulo não pregava essa prática.
- Paulo tinha consciência clara de que Deus o chamara para ser apóstolo, mas para alguns grupos, isso não passava de uma auto-afirmação sem autorização divina.
( Ainda hoje existe um grupo de pessoas, os ebionitas, que surgiu antes do cristianismo, que considera Paulo um herege e o chama de Saulo, ignorando a sua conversão). 
- Essa dúvida, fazia com que muitos não aceitassem o ponto de vista doutrinário de Paulo.
 Os opositores de Paulo estavam pulverizados em vários segmentos. Entre eles os Judaizantes que eram judeus que, embora convertidos, estavam voltados para algumas praticas cerimoniais.
Um outro grupo oriundo de entre os gentios convertidos defendia a prática da circuncisão entre eles. (alguns comentaristas consideram esse grupo como judaizante porque defendiam práticas judaizantes. Aliás, para esses estudiosos, nós adventistas, somos judaizantes porque pregamos a observância do sábado).
Em um terceiro segmento estavam os enciumados, que tinha dificuldades para aceitar um Paulo que nunca convivera com Jesus, e que agora se intitulava de apostolo.
E um quarto grupo era formado por aqueles que aceitavam o apostolado de Paulo, mas eram resistentes a uma salvação de graça pela graça.
A Galácia se tornou o palco, onde essas controvérsias vieram à tona causando grandes prejuízos para a igreja. Paulo que já havia pregado o Evangelho entre eles ficou estarrecido com a rápida atuação destes grupos na Galácia e teve que agir rápido. Como não poderia estar pessoalmente entre eles, escreveu uma carta, que difere bastante das demais que escreveu.
Em Gálatas ele abordou três assuntos básicos.
- A sua autoridade apostólica. Uma autoridade delegada por “Jesus Cristo e Deus o Pai” (1:1). Ele tinha certeza de que fora escolhido como apostolo antes de seu nascimento (1:15 e 16).
- A autenticidade do seu Evangelho. Ele tinha tanta certeza do que deveria ser pregado que, começou a fazê-lo sem consultar os apóstolos (1:17). Talvez, essa pratica, aparentemente arbitraria, tenha sido a causa central de tanta polemica.  Essa discussão durou pelo menos quatorze anos e, só depois, de uma orientação divina é que Paulo aceitou discutir o assunto com os demais apóstolos e líderes da igreja (2:1 e 2). Mesmo assim, as coisas não fluíram pacificamente. Pedro e Paulo, os mais fluentes pregadores da igreja primitiva, tiveram muita dificuldade para burilar as divergências doutrinárias (2: 11 a 14). Satanás não tinha como arrefecer o ânimo e a disposição daqueles pregadores e usou de uma estratégia que quase deu certo. Tentou implantar a discórdia doutrinária entre eles.
- A salvação pela graça para todas as pessoas. Paulo conclui a epistola aos gálatas enaltecendo a salvação pela graça. Diz ele: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (6:14). É curioso que Paulo inicia as suas epistolas falando de graça e paz. Galatas 1:3, Efésios 1:2, Colocensses 1:2 e assim por diante. A salvação pela graça estendida a todo o ser humano, era um assunto de dificil compreensão e, por isso, estava tirando a paz dentre eles.  Ele encerra a epistola com um recado incisivo: “Desde agora ninguém me inquiete (moleste); porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus” (6:17).
Não foi fácil para Pedro entender e aceitar o Evangelho da salvação pela graça apresentado por Paulo e, confessa: “Falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição” (2 Pedro 3:16).
Creio que escrever aos Gálatas não foi uma tarefa fácil para Paulo. Vejamos porque:
- Os opositores minaram a sua autoridade apostólica.  Para eles, Paulo era apenas um usurpador que jamais recebera qualquer autoridade  apostólica de Deus.
- Eles apresentaram um outro evangelho que foi amplamente aceito pelos gálatas. Um evangelho mais complicado, preso a tradições das quais os próprios gentios já conheciam.
- Paulo viu que a sua mensagem, antes aceita com tanto fervor pelos gálatas, fora substituída por outra como numa brincadeira de faz de conta.
            - Os gálatas continuavam fervorosos mas, por um outro evangelho.
              Podemos imaginar qual seria a nossa reação, caso um grupo de pessoas seguisse os nossos passos difamando e ridicularizando a nosa conduta. Para resolver estas questões Paulo tinha que usar um ingridiente dificil de ser acrescentado em tais situaçõe: amor, muito amor.
            Na pergunta de número cinco, o autor chama a nossa atenção para um detalhe curioso. Nas outras epistolas escrita pelo apostolo Paulo ele enfatiza o Evangelho da salvação pela graça. Mas ao escrever aos gálatas ele fala de um “outro evangelho” apresentado pelos seus opositores e que foi amplamente aceito entre os gálatas. Paulo insiste que existe apenas um Evangelho e aquilo que estava sendo pregado para eles era doutrina de homens.
Os seus opositores agiram rápido e os estragos foram imediatos. Paulo ficou adimirado da velocidade com que as heresias se espalharam entre eles. O apostolo usa dois termos fortes para identificar os seus opositores: Inquietadores e Anátema. O dicionario define inquietador como alguém ansioso, apoquentador, nervoso e agitador. E define apoquentar como atormentar, enfadar, importunar, irritar e, o pior de todos: alguém que tortura moralmente. Anátema na Grécia Antiga era uma oferenda posta no templo de uma deidade, constituída inicialmente por frutas ou animais e, posteriormente, por armas, estátuas, etc. Seu objetivo era agradecer por uma vitória ou outro evento favorável. No cristianismo o termo anátema define o mais severo caso de excomunhão, ocorrendo somente nos piores casos possíveis de heresia contra a fé.
Paulo reafirma aos gálatas que se existisse alguém com autoridade para defender as tradições judaicas essa pessoa seria ele proprio. Ele diz: “E na minha nação excedia em judaísmo a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais” (Gálatas 1:14). Após o encontro com Cristo, ele abriu mão de seus conceitos e tinha em mente apenas exaltar o Seu nome. Provavelmente não foi fácil para Paulo abrir mão de tudo o que até a pouco tempo ele defendia usando mesmo de violêcia e extremos.
Os opositores de Paulo não compreendiam a profundidade do que o evangelho de Cristo era capaz de operar na vida de uma pessoa. 

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