Comentário da lição da Escola Sabatina de 29 de outubro a 5 de novembro de 2011.
Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, autor de a meditação Avivar a Esperança.
É membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga.
Introdução
O homem necessita da salvação, mas não fez nada para consegui-la. Nem mesmo solicitou que Deus prometesse alguma coisa. Tudo foi iniciativa do Céu. Deus nos criou e ao fazê-lo, nos amou; e foi esse amor que levou o Criador a providenciar tudo para que pudéssemos ser salvos. Deus gostou da nossa companhia e nesse particular, em relação a Ele, não vale o provérbio: “Mostra-me com quem tu andas e direi quem tu és.” Deus vê em cada filho Seu a possibilidade de se tornar uma nova criatura.
Imagine Deus mostrando os Seus filhos para o Universo como seus amigos especiais. Um rouba, o outro é assassino, estuprador, caloteiro e assim por diante. Há! Ainda tem os que prometem e não cumprem. Jurou amor a verdade, mas tem filhos com a mentira. Que amigos de terceira classe! São para pessoas assim que Ele promete não só salvação de graça, mas uma vida eterna longe da dor, da morte e do pecado.
Por esses amigos Deus foi às últimas consequências. O Seu desejo não é estar junto conosco somente vinte, quarenta ou oitenta anos, Ele deseja passar a eternidade conosco. E vem o conselho bíblico: Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; porque fiel é o que prometeu” (Hebreus 10:23). E “Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa; porventura diria ele, e não o faria? Ou falaria, e não o confirmaria?” (Números 23:19).
Domingo
Deus fêz várias promessas a Abraão. Mas a principal foi: “E a tua descendência será como o pó da terra, e estender-se-á ao ocidente, e ao oriente, e ao norte, e ao sul, e em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra” (Gênesis 28:14). Esta promessa mostra dois pontos importantes. Primreiro, está claro que o nascimento do Salvador se daria em sua familia, na sua descendência. E segundo, Essa é uma promessa extensiva a todo ser humano de todas as raças e de todos os tempos. Essa salvação oferecida de graça para todas as raças se tormou o nó difícil que os judeus sempre tiveram dificuldade em desatar.
Para os opositores de Paulo a Lei que veio quatrocentos anos depois de Abraão se tornou a base da salvação e, com um detalhe: apenas para um grupo especial. Refutaram a promessa de Deus em relação ao restante da humanidade: “em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra”.
A Lei não foi outorgada para anular as promessas divinas e nem essas para anular a Lei. Elas caminham juntas e desempenham papeis distintos e insubstituíveis em nossa salvação. Sem Lei não existe pecadores e sem pecadores Jesus teria morrido em vão. Quem fêz a promessa é o mesmo que deu a Lei e em Deus não existe incoerencias.
A Lei mostra a necessidade que o homem tem de um Salvador e o plano da salvação pela fé em Cristo veio para suprir essa necessidade. A salvação defendida pelos judeus tinha por base o fiel cumprimento da Lei, algo impossivel para o ser humano sem que o manto da graça o capacite para isso. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Coríntios 5:1). Mesmo assim, João faz uma ressalva: “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo” (1 João 2:1). A promessa de que todas as familhas da terra seriam abençoadas teria o seu cumprimento com o nascimento de Jesus. Nele, realmente todos seriam abençoados. ” Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (João 14:27).
Segunda
Na parte de segunda parece que o assunto se repete, mas veremos que ele é abordado sob um aspécto diferente. O apostolo Paulo finaliza o capítolo três com uma pergunta. “Anulamos a Lei pela fé?” E ele mesmo se apressa em responder “de maneira nenhuma”. Embora a sua resposta seja tão enfática, ela não foi aceita pelos judaizantes e continua sendo objeto de repúdio para muitas pessoas até os dias de hoje. Aceitar a perpetuidade de toda Lei de Deus é uma missão difícil de ser assimilada pela maioria da cristandade. Paulo usa toda a enfase para afirmar: “porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada” (Gálatas 2:16). A salvação pelas obras da Lei não exige o exercício da fé, pois é uma questão de pratica-la ou não. Mas sem o exercício da fé não tem como nos aproximarmos de Deus.“Ora, sem fé é impossível agradar-Lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam” (Hebreus 11:6).
O verso sete de Romanos sete esclarece que a Lei é o instrumento que nos mostra o pecado. É ela que nos mostra a necessidade de um Salvador. Paulo usa uma expressão carinhosa para esclacer a função da Lei. “De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo” (Gálatas 3:24). Nos tempos de Paulo, Aio era a pessoa que cuidava de crianças de uma família abastada. Uma criança nescessita de alguém para conduzi-la até à escola, igreja ou a um outro lugar. Assim, a Lei mostra o nosso pecado e nos leva a Cristo, o único que pode prover a nossa justificação.
Para os que advogam a nulidade da Lei após a morte de Cristo, o aio subjugava a criança (o pecador) e com a morte de Jesus o homem se livrou do aio. Mas não é isso que Paulo esta dizendo em Gálatas 3:24.
Ao Jesus assumir a carne humana, viver e morrer sem pecado, Ele Se tornou o único que tem condições de salvar o pecador. O pecador nescessita exercitar a sua fé e acreditar que Nele. O profeta Isaías assim define Cristo: “Quem é este, que vem de Edom, de Bozra, com vestes tintas; este que é glorioso em Sua vestidura, que marcha com a Sua grande força? Eu, que falo em justiça, poderoso para salvar” (Isaías 63:1). E Paulo mais uma vez insiste no exercício da fé: “Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno. (Hebreus 4:16).
Terça
Uma leitura rápida e pouco comparativa com outros textos pode levar o leitor a deduzr que em Gálatas 3:19, Paulo esteja anulando a lei de Deus com o cumprimento da promessa do nascimento e morte de Jesus. Mas observe que o apostolo está afirmando que a Lei foi instituida para que o homem tivesse um parâmetro de conduta. Esse parâmetro mostra se ele esta vivendo de maneira condizente com a vontade divina ou não. E como todo homem transgride a Lei, ele necessita de um Mediador junto ao Pai. Existe uma tendencia generalizada no cristianismo de colocar a Lei moral dos Dez Mandamentos no mesmo patamar da lei ceremonial. Para estas pessoas quando se fala em lei todas foram anuladas com a morte de Jesus. Caso isso fosse verdade, qual a necessidade de igrejas, pregações sobre perdão, conversão etc? Paulo afirma: “Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás” Romanos 7:7). Para Paulo e para toda a humanidade, a Lei moral dos Dez mandamentos mostra o pecado e a nossa necessidade de um salvador.
Em Romanos 5:13 o apostolo afirma que antes da morte de Jesus o pecado permanecia intacto. A Lei cerimonial provia um perdão que necessitava ser referendado na cruz. Porque até a lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado, não havendo lei. Romanos 5:13. No verso 20 esclarece que, sem a Lei o pecador não tem noção do que é o pecado.
A Lei de Deus rege o Universo. Nos mundos não caídos talvez, ela nem seja explicitada porque o relacionamennto entre Criaturas e Criador é algo tão intimo que se faz desnecessário a sua referencia clara como acontece conosco que demos margem ao pecado. A Lei nos ajuda a manter um relacionamento com Deus que nos aproxime do ambiente celestial. Não pela obediencia em si, mas porque tal relacionamento nos leva a apoderarmos da graça que a cada dia nos faz novas criaturas.
Quarta
Alguns apresentam o ato de Cain matar seu irmão e, a repulsa de Deus a esse ato, como prova de que a Lei de Deus já existia nos primordios da criação, o que não deixa de ser uma grande verdade. Mas podemos somar a essa verdade o fato de Cain e Abel oferecer o sacrificio já era um indicio de que a Lei era vigente naquela época. Caso Os filhos de Adão não se sentissem pecadores não haveria necessidade de sacrifício. E se pecaram é porque trangrediram alguma lei vigente. E os atediluvianos foram destrídos porque recusaram pautarem a vida em conformidade com a Palavra de Deus.
Um outro aspécto que não pode ser esquecido é que, no término da criação, Deus instituiu o sábado como dia de repouso para o ser humano.E enquanto existir o homem a observancia do sábado será uma necessidade. Pois “"O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado" (Marcos 2.27). E é justamente esse mandamento o mais repudiado da Lei de Deus. Os cristãos aceitam que matar e roubar seja pecado mas insistem que o sábado, em especial, foi abolido na cruz.
“A mensagem lhes ordena temer a Deus e dar-Lhe glória, "e adorar Aquele que fez o céu e a Terra, e o mar, e as fontes das águas". O resultado da aceitação destas mensagens é dado nestas palavras: "Aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus, e a fé de Jesus." A fim de se prepararem para o juízo, é necessário que os homens guardem a lei de Deus. Esta lei será a norma de caráter no juízo” (O Grande Conflito, págs. 433-436). Esse foi o recado que João, no livro do Apocalipse, passa para a humanidade de todos os tempos. A Lei de Deus será a norma do juízo. Aliás se a Lei foi abolida seria um grande equivoco pensar em um dia de juízo.
No estudo de terça fiz o seguinte comentário: Em Romanos 5:13 o apostolo afirma que antes da morte de Jesus o pecado permanecia intacto. A Lei cerimonial provia um perdão que necessitava ser referendado na cruz. “Porque até a lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado, não havendo lei” (Romanos 5:13). No verso 20 esclarece que, sem a Lei o pecador não tem noção do que é o pecado.
Um detalhe que deve ser lembrado: Só foi possível Jesus Se tornar o nosso salvador porque Ele viveu sem transgredir a Lei. “Cristo viveu uma vida de perfeita obediência à Lei de Deus, deixando nisto um exemplo perfeito a toda criatura humana. A vida que Ele viveu neste mundo, devemos nós viver, mediante Seu poder, e sob as Suas instruções” (A Ciência do Bom Viver p 180). O autor da lição faz a seguinte colocação: “O papel da lei não acabou com a vinda de Cristo. Ela continuará a apontar o pecado...”).
Quinta
A promessa é superior a Lei por alguns motivos. Vejamos: caso não houvesse a promessa de salvação em Jesus a nossa vida seria um eterno desepero. Pois a lei mostrava o pecado e nós não tinhamos a quem recorrer. A promessa nos dá a certeza de que; “ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã” (Isaías 1:18). Mais uma vez insisto no raciocínio de que a promessa da vinda da posteridade era uma referencia a Cristo, descendente de Abraão. Até a cruz, a justificação imputada ao pecador estava condicionada ao sacrificio que um dia teria lugar no Calvário.
O autor da lição finaliza: “No fim, por mais importante que seja a lei, ela não é substituto para a promessa da salvação pela graça através da fé. Ao contrário, a lei nos ajuda a entender melhor o quanto essa promessa é realmente maravilhosa” ( Lição professor p 43).
Conclusão
A lei mostra o pecado e, só existe uma possibilidade de satisfazer os seus reclamos, a morte do transgressor. Jesus morreu por nós e oferece perdão a quem aceitar o Seu sacrifício na cruz. A promessa de um salvador foi feita no Éden e foi referendada a Abraão. Antes do Sinai a lei foi observada pelos israelitas durante a sua peregrinação no deserto e desde o Éden era passada de pai para filho. Com o aumento da população, Deus achou melhor escrevê-la e, o fez com o Seu próprio dedo em tábuas de pedra. A promessa da salvação é a melhor noticia que um pecador pode ouvir e, graças a Deus por isso.
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