Comentário da Lição da Escola Sabatina de 22 a 29 de outubro de 2011.
Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, autor de a meditação Avivar a Esperança.
É membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Os adventistas não só harmonizam a salvação pela graça e a Lei, mas estabelecem também, uma harmonia entre o Velho e o Novo Testamento. A Bíblia é um todo e, sem o Velho Testamento não tem como entender o novo Testamento. Há o perigo de eu ler a Bíblia descartando mensagens inconvenientes para mim e, abraçar outras, às vezes, velho testamentárias, mas que sejam de meu interesse. É o caso do dízimo e das ofertas que, embora tenham a sua base no Velho Testamento são aceitas pela maioria das igrejas.
Na semana passada comentei que a fé não nos salva, mas é a ferramenta que está à nossa disposição para apoderarmos dos méritos de Cristo. Na lição desta semana estudamos de maneira mais profunda os resultados da fé na vida daqueles que antecederam o sacrifício de Jesus.
O apostolo Pedro confessa: "Foi a respeito desta salvação que os profetas indagaram o inquiriram, os quais profetizaram acerca da graça a vós outros destinada, investigando atentamente qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicados pelo Espírito de Cristo, que neles estava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos referentes a Cristo, e sobre as glórias que os seguiriam. ... Coisas essas que anjos anelam perscrutar" (I S. Ped. 1:10-12).
O verso áureo afirma que Jesus nos resgatou da maldição da Lei. Ela não apenas nos mostra o nosso pecado, mas nos condena também. Uma vez transgredida, o transgressor está condenado à morte. Mas se esse pecador aceitar o sacrifício de Jesus, Ele o livra desta condenação pelos pecados cometidos. Após a conversão, ele passa a andar em novidade de vida. Mas, se porventura ainda pecar, Jesus Se coloca como advogado junto ao Pai e pleiteia a sua absorção. “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo” (1 João 2:1).
Domingo
Em sua mensagem de repreensão aos gálatas, Paulo usa dois termos bem pesados. No primeiro ele os identifica como “insensatos” que quer dizer: perdeu a razão, louco, insano ou o que é contrário ao bom senso e, “fascinados” ou atraidos, cativados, encantados e enfeitiçados.
Paulo ficou estupefato diante da conduta dos gálatas. Eles foram bem orientados a respeito da salvação pela graça e da ineficacia das obras para a nossa salvação. Parece que realmente perderam a razão.
Quem vos fascinou? Na minha infãncia era comum grandes boiadas passaren em frente a nossa casa. Antes, aqueles bois desfrutavam de relva verde, água fresca e muita sombra na fazenda onde moravam. Mas, um dia, apareceu por aquelas cercanias um homem montando um elegante cavalo e tocando um berrante. O som era maravilhoso e, os bois, “fascinados”, decidiram segui-lo. Mas depois de semanas de caminhada iam eles com fome, cansados e sedentos rumo aos grandes abatedouros de São Paulo (Ver meditação Avivar a Esperança, p 341).
Desde o Éden, o “homem do berrante” tem fascinado as pessoas a tomarem uma direção contrária a vontade de Deus. E nos dias de Paulo não foi diferente. Muitos que se converteram ao cristianismo ouvindo as mensagens do apostolo dos gentios, logo depois, estavam fascinados pelo evangelho apresentado por um grupo de inquietadores. “Mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo” (Gálatas 2:7).
Segunda
A mensagem que Paulo pregava jamais entrou em conflito com os ensinos do Velho Testamento. Ele apresentou as Escrituras como fonte de ensino e esperança. “Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança” (Romanos 15:4). Em seus dias só existia o Velho Testamento. Paulo elogia a conduta dos bereanos que ao ouvir a mensagem conferiam as suas palavras com o que diziam as Escrituras. “Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (Atos 17:1).
"Foi a respeito desta salvação que os profetas indagaram o inquiriram, os quais profetizaram acerca da graça a vós outros destinada, investigando atentamente qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicados pelo Espírito de Cristo, que neles estava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos referentes a Cristo, e sobre as glórias que os seguiriam. ... Coisas essas que anjos anelam perscrutar" (I S. Ped. 1-10-12).
O Velho Testamento é a base do Novo Testamento. Em sua exposição em Gálatas 3:6-14, pelo menos quatro vezes, Paulo remonta ao Velho Testamento. Diz Ellen G. White: “Os que duvidam da fidedignidade dos relatos do Velho e Novo Testamentos, muito amiúde vão um passo além, pondo em dúvida a existência de Deus e atribuindo à Natureza o poder infinito. ... Assim muitos se desviam da fé, e são seduzidos pelo diabo” (Maranata! - Meditação Matinal, p 133).
A rotina dos sacrifícios exigia uma fé incondicional de que a promessa da vinda do Cordeiro de Deus que tiraria o pecado do mundo aconteceria um dia em um futuro distante. Até então, tudo não passava de promessas. A Bíblia afirma: “E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Apocalipse 13:8).
Terça
Uma pessoa que se destacou no exercício da fé no Velho Testamento foi Abraão. Do meu ponto de vista, dois momentos máximos identificam Abraão no exercício da fé.
O primeiro aconteceu quando ele morava em Ur dos caldeus. A história define Ur como a cidade mais rica e desenvolvida nos tempos de Abraão. As casas eram luxuosas e normalmente tinham dois pisos. A cidade tinha rede de esgotos e o dinheiro circulava fácil. Por outro lado, Abraão era rico e, com certeza, desfrutava de um conforto raro em seus dias.
Quando tudo parecia bem Deus aparece para o patriarca e o convida para deixar para traz os amigos, os familiares e a vida regalada para viver uma vida nômade e morar em barracas. E o pior: deveria partir para uma terra que ele não sabia onde ficava e nem mesmo se realmente existia. Uma dúvida poderia surgir: essa terra seria melhor ou, pelo menos semelhante a sua terra natal? A Bíblia afirma que “Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia” (Hebreus 11:8).
Esse texto une de maneira linda fé e obras. A Bíblia afirma que tudo aconteceu Pela fé. E essa fé incondicional o levou a obedecer. Diz o texto: “obedeceu”. As obras não salvam mas é um testemunho universal de que aceitamos o plano divino.
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