Comentário da Lição da Escola Sabatina de 5 a 12 de novembro de 2011.
Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, autor de a meditação Avivar a Esperança.
É membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Na época de frutas do campo como caju, mangaba, maminha de cadela e outras, mamãe, sempre saía conosco para procurá-las nos campos e cerrados de nossa região. Lembro-me de uma vez que, no final do passeio, não conseguíamos encontrar o caminho de volta. Para complicar as coisas trovões, relâmpagos e ventania anunciavam a chegada de uma forte tempestade.
Não é fácil manter a calma em situações assim. Em determinado momento, enxergamos um ipê florido que parecia estar a quilômetros de distancia. Marcamos um rumo em sua direção e, antes de chegarmos até ele descobrimos uma pista confiável que nos trouxe de volta para casa sob os pesados pingos da chuva que já caía.
O autor da lição fala que situações semelhantes podem acontecer em relação a algum ponto doutrinário da Bíblia como no caso em que, a maioria dos cristãos, acha difícil harmonizar lei e evangelho. Não é fácil encontrarmos um ipê florido que nos indique a direção certa. A falta de oração e estudo da Bíblia leva muitos a tomarem caminhos que os distanciam mais e mais do Autor de nossa salvação.
Nesta semana estudaremos um pouco sobre a lei de Deus. Com a ajuda do Espírito Santo, vamos conhecer melhor a sua relação com a promessa e conosco, ou seja: a lei e o homem. Para um estudo assim, temos que considerar dois pontos importantes: Nem sempre a maioria está com a verdade e que, às vezes, essa verdade não seja tão popular.
Para muitos estudar sobre a lei é perda de tempo, pois a cruz há dois mil anos, colocou uma pá de cal sobre esse assunto.
O verso áureo fala que a “Escritura encerrou tudo sob o pecado.” Creio não ser difícil entendermos o que Paulo está dizendo. A Escritura (ele está se referindo ao Velho Testamento e especificamente à lei), “encerrou tudo sob o pecado”. Ou seja, diante da lei todos somos condenados à morte porque somos pecadores. O apostolo enfatiza que isso aconteceu para que mediante a fé a promessa de um salvador nos alcançasse.
A promessa de um salvador foi manifestada no Éden e confirmada aos patriarcas e profetas, em especial a Abraão. A Bíblia afirma que o Cordeiro de Deus foi morto desde a fundação do mundo (Apocalipse 13:8). O plano da salvação não foi modificado com a morte de Jesus, ele foi apenas confirmado. A mesma graça estendida a nós hoje, foi outorgada a Adão e Eva no Éden. Caso contrário eles teriam morrido eternemente, pois é isso que a lei exige. Aquele primeiro cordeirinho sacrificado no Eden representou Jesus que um dia viria a este mundo morrer em nosso lugar. A fé que, naquele momento, foi exigida de Adão e Eva é a mesma exigida de nós hoje. A lei mostra que desde o surgimento do pecado, Cristo é a única solução para o transgressor.
Domingo
A lei não é contra as promessas de Deus. A promessa existe porque a lei existe. Caso não existisse a lei não seria necessário as promessas de Deus. As promessas são feitas a pecadores e aceitas pela fé por estes. Caso não existisse a Lei não existiria pecadores e as promessas não teriam razão de existir.
Paulo mostra que diante da ineficácia da lei para nos salvar foi necessário que a promessa se manifestasse. Levitemos 18:5 enfatiza que a observância da lei é um caso de vida ou morte e, diante da afirmação da Bíblia de que não há um justo sequer então, toda a raça humana está condenada a morrer. Diante desta realidade surge a promessa de Deus de um Redentor.
A promessa tem duas funções. A primeira oferece salvação para os pecadores e a segunda proporciona a todo pecador que se apodera dela, forças para “viver em novidade de vida”.
Segunda
Paulo está falando para um grupo de pessoas que defendia a observância da Lei como questão “sine qua non” para a salvação. Provavelmente o apóstolo usou a a expressão “antes que chegasse o tempo da fé” para enfatizar o por que do sacrificio de Jesus, que oferecia a salvação tanto para judeus como para gentios.
Diante de um público extremamente legalista a proclamação da mensagem de Paulo era realmente um novo tempo. Desde o Éden não mudou a lei e não mudou a graça, mas sim, a meneira de como os judeus se relacionavam com ambas. O apostolo afirma em Romanos 6:14 e 15 que mais importante do que as praticas legalistas com enfaze para a salvação, é a pessoa se tornar uma nova criatura. Os judeus tinham mais de duas mil e quinhentas “leis” que eram observadas com todo o rigor. A expressão “até que chegasse o tempo da fé” não era nenhuma nenhuma novidade bíblica, mas para os judeus era realmente um novo tempo que eles tinham muita dificuldade para aceitar.
Quando o apostolo Paulo fala que Jesus veio para remir os que estavam debaixo da lei essa mensagem era dierecionada especificamente aos judeus. Eles eram os únicos que defendiam a observancia explicita da lei como quisito impresindivel para a salvação. Todos os seres humanos estão sob a condenação da lei até que recebam a justiça imputada de Cristo. Era dificil para os jusus acreditarem que o sacrificio de Jesus é capaz de apagar todas as transgressões da lei e fazer de cada pessoa que O aceita uma nova criatura. Era objetivo de Paulo libertá-los desta prisão.
Terça e quarta
O pai de minha nora é pastor no Japão. Quando ele foi para lá, ela e sua irmã permaneceram aqui no Brasil e eram menores de idade. Naquela ocasião ele indicou um pastor que morava em São Paulo para ser o tutor das meninas. A primeira idéia que se tem é que o tutor é um vigia implacável. Mas ele se tornou a pessoa de confiança para aquelas meninas. Em varias situações de dúvida ele estava presente para orientá-las com segurança.
Um ponto importante é que o tutor representava o próprio pai daquelas jovens. Como não é possível Deus estar visivelmente ao nosso lado a Sua lei nos mostra o caminho. Ela representa o Seu querer.
Quando Davi exclama “Oh! quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia” (Salmos 119:97). Ele está exteorizando o seu amor ao Deus criador e autor da lei. É por ela que ele norteava o seu caminho para andar com o Senhor. É a lei que fala aos nossos ouvidos: “este é o caminho, andai por ele” (Isaías 30:21). Ignorar a lei é desconhecer Deus que a instituiu.
É interessante que em Romanos 3:1 e 2, Paulo pergunta: “qual a vantagem do Judeu”? E ele mesmo responde: “muita, porque a Palavra de Deus lhe foram confiadas”.
Pela lógica, os judeus deveriam ser os verdadeiros tutores que deveriam guiar o povo aos pés de Jesus. Mas infelizmente a sua ação foi contrária a esse pensamento.
A lei tem, pelo menos duas funções: mostra o pecadoe nos conduz a Cristo. É impossível alguém melhorar o seu proceder caso não exista um padrão de conduta.
Quinta
Paulo está escrevendo para um público que, depois da conversão, ficou fascinado por um outro evangelho e abandonou o seu primeiro amor. Provavelmente era a sua intensão, levar esse grupo novamente, a sentir a paz que um dia inundou o seu coração. Em seu evangelho Paulo já lhes havia falado que a Lei não salva mas nos mostra a necessidade de um Salvador. Uma vez convertido, a lei cumpriu o seu objetivo de guiar o pecador até Jesus. Ela continuará a faze-lo mas sem o impácto que a coversão exerce em qualquer pessoa.
Em comentários anteriores já mensionamos inumeras passagens biblicas onde o próprio Paulo enaltece a importancia da lei. Já falamos também que nos dias de Paulo a circuncisão dominava as discuções sobre a lei. Hoje o foco das discuções sobre a validade da lei está circunscrita a um único mandamento: o sábado.
A lei tem a sua real importancia na nossa vida cristã. Achei interessante uma adirmação encontrada na página 59 da lição dos jovens: “A lei de Deus nos mostra como Ele acha que um cristão deveria ser.”
Conclusão
Em nossa caminhada cristã, a fé nos proporciona a certeza de que, em Cristo seremos novas criaturas. A nova vida que passamos a desfrutar gera em nós o desejo de pautar o nosso viver com a Sua vontade.
A salvação em Cristo visa projetar em nós uma nova criatura que será moldada em conformidade com o Seu querer expresso em Sua lei.
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