Comentário da lição da Escola Sabatina de 21 a 28 de abril de 2012 preparado por Carmo patrocínio Pinto, ex-diretor do jornal esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
No momento em que escrevo este comentário, uma rede de televisão está dando grande ênfase a um determinado líder de igreja que, segundo a emissora, está investindo o que a igreja arrecada em patrimônio pessoal. Por outro lado essa rede de televisão também foi adquirida da mesma maneira. E pior, exibe novelas, propaga bebidas alcoólicas e se mede de igual para igual com as outras emissoras. Fica evidente uma verdadeira guerra de interesses. São testemunhos de vida nada condizentes para a salvação das pessoas.
A lição desta semana enfatiza a importância de uma vida exemplar como principal estratégia para influenciar pessoas ao nosso redor. Ao falar da Igreja Primitiva Ellen G. White afirma: “Notava-se uma transformação na vida dos que tinham professado o nome de Jesus. A comunidade se beneficiava por sua influência. ...” (Reavivamento e seus Resultados, p 8).
Não é fácil fazer de nossas ações no dia a dia um sermão eficaz. Mas é a maneira mais convincente de atrair pessoas para Cristo. Viver todos os dias em novidade de vida é o grande desafio proposto para cada um de nós.
Em uma de minhas férias escolares trabalhei com um jovem que se propunha ser um pastor da igreja Adventista do Sétimo Dia. Certa vez ele me surpreendeu com uma declaração assustadora: “Quando entro em uma casa e uma mulher me dá alguma oportunidade eu não deixo passar em branco.”
Aquele rapaz fez teologia e se tornou um pastor da igreja. Pouco tempo depois foi excluído do ministério por motivos semelhantes aos confidenciados a mim naquela época. A nossa vida lá fora fala mais alto do que aquela que vivemos dentro da igreja.
Domingo
Certa vez um garotinho, em seu aniversário, ganhou uma determinada soma de dinheiro. Ele decidiu comprar algumas peças de roupas. Ao chegar em casa, trazia com as compras um pequeno embrulho de presente. Ao ser perguntado pela mãe de quem era o presente? E o garotinho respondeu: “Eu me lembrei do meu irmão.” Esse garotinho mostrou a sua verdadeira identidade cristã.
O amor ao próximo é difícil de ser praticado tanto fora como dentro da igreja. Lá fora fazemos da desconfiança a nossa principal defesa. Realmente hoje não é fácil mostrar essa principal característica do cristão.
Quando eu era criança morávamos na margem de uma estrada bastante movimentada para a época. Era comum a presença de andarilhos pedindo comida, água e ás vezes pousada. Papai sempre os recebia em casa. Um deles confessou que era alcoólatra e saiu de sua casa em Belo Horizonte com o proposito de deixar de beber. A sua passagem por nossa casa que deveria durar apenas o tempo de beber um gole de água durou mais de dois anos. Chegou ao ponto de ser considerado um membro da família. Hoje a insegurança mete medo e desconfiamos de tudo e de todos. Mas não é por isso que no dia do juízo não seremos cobrados.
Se for difícil exercitar a hospitalidade com pessoas desconhecidas temos que descobrir outras maneiras de mostrar a nossa identidade cristã para o mundo. Independente disso, um sorriso, om olhar de simpatia ou um gesto cabe em qualquer lugar.
Dificilmente alguém de estômago vazio ou carente de afeto se detém para ouvir a palavra de Deus. Ellen G. White nos mostra o caminho: “Unicamente os métodos de Cristo trarão verdadeiro êxito no aproximar-se do povo”. O Salvador misturava-Se com os homens como uma pessoa que lhes desejava o bem. Manifestava simpatia por eles, ministrava-lhes às necessidades e granjeava-lhes a confiança. Ordenava então: "Segue-Me"” (Maranata, Meditação, p 101).
Segunda
Compaixão (do latim compassione) pode ser descrito como uma compreensão do estado emocional de outrem. A compaixão frequentemente combina-se a um desejo de aliviar ou minorar o sofrimento de outra pessoa, bem como demonstrar especial gentileza com aqueles que sofrem.
É interessante que a definição de compaixão se atém exclusivamente no sentido de minorar o sofrimento de alguém. Mas existem pessoas que torcem o verdadeiro sentido de compaixão e em seu nome cometem os mais hediondos crimes. No momento em que escrevo, os meios de comunicação denunciam dois enfermeiros argentinos que eliminaram uns cinquenta pacientes com injeções letais. Afirmam eles que foi um ato de compaixão, uma vez que não queriam ver os pacientes sofrendo.
Normalmente a compaixão se evidencia por meio de ações em favor de alguém. Estudos científicos afirmam que a prática da compaixão produz o hormônio DHEA que, segundo especialistas, retarda o processo de envelhecimento e ameniza o stress.
Jesus se movia de compaixão das multidões que viviam abandonadas como ovelhas que não tinham pastor. Hoje é o que mais existe no mundo. O seu conselho para que os discípulos orassem solicitando trabalhadores para ajudar na colheita dá a ideia de que tem muita gente que poderia estar fazendo alguma coisa e estão acomodadas.
“Há um pavoroso estado de indiferença e apatia entre professos cristãos. Eles são insensíveis, descaridosos, implacáveis” (Fundamentos da Educação Cristã, p 66). A melhor maneira de definir compaixão é ação. É o que Jesus espera de cada um de nós.
Terça
Um olhar altivo de nossa parte, com certeza tornarão as pessoas desinteressadas em nos ouvir. Um comportamento farisaico de supremacia tem levado muito trabalho missionário ao fracasso.
Quando o meu pai foi acidentado, deixei os meus estudos e voltei para casa. Impossibilitado de trabalhar, as suas lavouras estavam cobertas de mato. Reuni os trabalhadores e os convoquei para uma ação enérgica no sentido de botar tudo em ordem. Disse para eles que eu nunca iria exigir que eles fizessem qualquer coisa. Iria sim, convidá-los para fazermos juntos. A reação foi positiva e em poucas semanas as lavouras estavam limpas.
Lá pelos idos de 1960 o pastor Nevil Gorski fez um giro pelo Triângulo Mineiro. Era uma época de muita chuva e um dia ao chegar a nossa casa disse: ”Ontem a chuva molhou minhas calças, mas deixei-as debaixo do travesseiro durante a noite e amanheceram em condições de vesti-las.” A sua simplicidade mexeu com o meu pai. Ali estava um homem culto, de terno e gravata, mas que se identificou conosco.
A Bíblia afirma que Jesus é “Deus conosco.” Ele despojou de tudo que o Céu oferecia. Sujou os pés com a poeira dos nossos pecados e foi mais além: lavou os nossos pés. Esse foi o recado do profeta Isaias: “Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, E chamá-lo-ão pelo nome de Emanuel, Que traduzido é: Deus conosco” (Mateus 1:2).
Jesus não foi aceito por sacerdotes, saduceus e fariseus. Era algo que ia de encontro à maneira de ser e de proceder deles. Isaias falou de um comportamento “impossível” de ser vivido por qualquer líder judeu. E aconteceu o pior: “Veio para o que era Seu e os seus não o receberam” (João 1:11).
Por mais de vinte anos trabalhei em um hospital que se localiza pertinho da igreja que frequento. Certo dia, conversando com uma colega de serviço que morava naquelas imediações, ela comentou: “As mulheres de sua igreja se vestem tão bem que eu não tenho coragem de ir lá.” É louvável se apresentar bem vestido na igreja, mas não podemos permitir que a nossa roupa oculte a simplicidade de Cristo em nossa vida.
Quarta
A breve estada de Jesus entre os gadarenos nos ensina uma grande lição. Ao curar um endemoninhado aconteceram duas coisas curiosas. Primeiro, temendo por mais prejuízos, os gadarenos expulsaram Jesus de seus temos. Por outro lado, o homem beneficiado demonstrou o desejo ardente de seguir a Jesus.
O salvador, em Sua excelsa sabedoria, previu que seria impossível Ele pregar o evangelho para aquele povo. Viu naquele homem liberto de Satanás, alguém capaz de apresentar a mensagem de salvação com mais eficácia para toda a sua gente. Aquele homem tinha algo a lhes mostrar que Jesus não tinha. Ele sabia o que era ser liberto de Satanás. O seu testemunho pessoal seria mais eficiente do que os sermões do grande Mestre. Ele continuaria seguindo o Mestre e, testemunhando do Seu amor, seria um cheiro de vida para vida onde a presença pessoal de Jesus se tornara impossível.
O nosso testemunho pessoal, dado com simplicidade, causará um impacto nas pessoas capaz de leva-las a decidir por uma vida melhor. O seu e o meu testemunho pessoal é uma experiência linda que nenhum ser celestial experimentou. Que privilégio partilhar essas maravilhas com os que sofrem ao nosso redor.
Quinta
João apresenta a preocupação de Jesus a respeito de seus seguidores. Ao mesmo tempo em que Ele ordena que preguemos o evangelho a toda nação, tribo, língua e povo e que façamos outros discípulos por onde quer que passemos. Ele reconhece que não é fácil testemunhar em um mundo avesso aos princípios do Céu. Na sua oração relatada por João no capitulo dezessete do seu livro, Ele Se lembrou de todos os Seus seguidores de todos os lugares e de todos os tempos. Ele se lembrou de mim e de você.
Paulo nos exorta a uma vida de oração para que as portas se abram à pregação do evangelho. A Sua promessa é de que Ele enviará os Seus anjos à nossa frente para preparar o nosso caminho.
Conclusão
Vamos concluir o nosso estudo com o pensamento encontrado na primeira nota de nossa lição de quarta feira: “As pessoas não se importam com o que sabemos até que saibam o quanto nos importamos com elas”.
O testemunho é tudo em nossa vida devemos ser zelosos,manter o testemunho nais limpo do que água cristalina e assim então seremos as cartas do nosso Senhor Jesus Cristo.
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