segunda-feira, 14 de maio de 2012

Uma folha de oliveira

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Carmo Patrocínio Pinto

     Noé e sua família estavam vivendo um momento especial de suas vidas. Por quase um ano eles estavam enclausurado dentro da arca. Lá fora um rastro de destruição mostrava para o Universo que a misericórdia divina tem limites.
     Por mais que Deus tenha feito funcionar o sistema de ventilação da arca, o perfume ali não era dos melhores. Por mais que a esposa de Noé caprichasse na limpeza, a higiene do ambiente deixava a desejar. Por mais que Noé procurasse miminizar a inquietação dos animais o barulho era crescente dentro da arca.  Algumas dúvidas, talvez, estivessem surgindo na cabeça de Noé: será que, um dia, num futuro próximo, ele teria uma casa só para a sua família? Voltaria, um dia a pisar em terra firme? A terra continuaria a produzir flores, sementes e alimento como antes?
      Como, ele e sua família, anelavam pelo momento de saírem da arca e contemplar, novamente, o Céu azul. Que emoção seria ver os raios do Sol formando minúsculos arcos íris nas gotinhas de orvalho que placidamente descansavam nas coloridas pétalas de rosas que exalavam o seu perfume para uma minúscula platéia de privilegiados. Mas, isso, só quando elas surgissem novamente! Como seria sair correndo em terra firme de encontro ao vento que ao bater-lhes no peito parecia parabeniza-los pelo grande milagre.
     Para estes ocupantes da arca era grande a expectativa. Sairiam todos vivos dali? A terra voltaria a favorecer a vida como antes? As árvores voltariam a cobrir a Terra com o manto verde da esperança e a oferecer guarida para as aves e para os irrequietos macaquinhos? Os animais se multiplicariam e voltariam a povoar a Terra enchendo-a de vida?  A não ser a confiança nas promessas divinas, não existia nenhuma garantia aparente de que tudo seria como antes. De dentro da arca não era possível ter uma idéia da vazão das águas e de quando poderia se dar o possível desembarque.  Para Noé e para os demais ao seu redor o momento era de incertezas. Como desejavam eles, neste momento de dúvida, receber uma mensagem de esperança! Afinal, já há quase um ano estavam presos dentro de um barco e vivendo em condições precárias.
     Noé procura uma maneira de ver como estão as águas lá fora. Primeiro soltou um corvo, mas sem ter onde pousar, depois de idas e vindas foi recolhido para dentro da arca. Depois soltou uma pomba. A população da arca ficou aguardando com expectativa o que aconteceria com a emissária da paz. Mas após um rápido sobrevôo ei-la de volta a procura de socorro. Passara-se mais uma semana de incertezas e Noé envia a pomba para mais uma missão de reconhecimento de área. Podemos imaginar a cerimônia de lançamento. Provavelmente oraram com fervor para que Deus a usasse para trazer uma mensagem de esperança.
     Desta vez ela demorou um pouco mais aumentando assim as expectativas. O nervosismo passou a dominar os corações. Afinal, não tinham nenhum sinal de que a vida recomeçava lá fora. Mas quando todos questionavam sobre o futuro incerto que se desenhava Noé observa um pontinho se movimentando lá ao longe. Após alguns minutos a mensageira pousa na janela trazendo uma folha de oliveira no bico. A euforia foi geral. Tinham certeza de que a Terra estava se refazendo e a vegetação aos poucos ia ocupando o seu lugar. Agora podiam acreditar que em breve deixariam a arca para desfrutarem a vida em liberdade.
   Mas por que a pomba trouxe uma folha de oliveira e não uma outra folha qualquer? Uma lenda diz que houve uma grande disputa entre os deuses Posídon e Atena para decidirem qual deles daria o seu nome e a sua proteção para a capital da Grécia. O Tribunal dos Deuses decidiu que venceria a disputa quem conseguisse apresentar perante o tribunal a obra mais bela. Posídon bateu com o seu tridente numa rocha e fez nascer um cavalo maravilhoso. Atena apareceu, afugentou o cavalo e fez surgir da terra uma oliveira, símbolo da paz, coberta de azeitonas, com as quais seria possível fazer azeite, o mais precioso de todos os líquidos... Os deuses não tiveram dúvidas e escolheram Atena para deusa protetora da cidade de Atenas. Embora seja uma lenda ela nos dá uma idéia da importância da oliveira na crendice popular naqueles tempos.
     A oliveira era uma planta bastante familiar para os homens e os animais naquele tempo e era considerada o símbolo da longevidade. Ela produz o precioso óleo que possui múltiplas utilidades. No passado servia de combustível para alimentar as lamparinas; é usado pela culinária para dar sabor aos alimentos. A farmacologia o emprega na elaboração de muitos medicamentos, cosméticos, relaxantes, etc. As folhas também são usadas em chás medicinais e a lenha é boa para alimentação de lareiras. Acima de tudo o óleo da oliveira é considerado o símbolo do Espírito Santo. A oliveira é uma planta super resistente e suas raízes, mesmo que maltratadas brotam rápido. Ela tem uma longevidade invejável e pode viver por mais de mil anos. Alguns pesquisadores afirmam que muitas delas hoje, já existiam nos tempos de Jesus.
     Agora podemos ter uma idéia porque Deus escolheu uma simples folha de oliveira para ser transportada para dentro da arca naquele momento de tanta dúvida para Noé e sua família. A Sua mensagem era de que o Espírito Santo esteve com eles até aquele momento e que jamais os abandonaria. Eles podiam ter a certeza de que por mais escura que aquela situação se apresentasse haveria sempre uma luz a direcionar o caminho. Naquela folha de oliveira estava a promessa de muita saúde física e espiritual. A longevidade da oliveira se assemelha as infalíveis promessas de Deus de uma vida eterna para aqueles que aceitarem o plano da salvação. Semelhante às raízes da oliveira qualquer ser humano maltratado pelo pecado poderá, pela graça de Cristo, ressurgir para uma vida nova.
     É interessante que Deus não usou um anjo, um leão ou outro animal de grade porte para transportar esta grande mensagem de esperança para os apreensivos ocupantes da arca. Ele usou o que havia de mais simples, uma folha de oliveira e uma inocente pombinha.
     Hoje muitos estão vagando por aí sem esperança. Talvez você não seja um eloqüente pregador. Talvez você imagina que a sua presença nem seja notada no meio em que você vive. Pode passar por sua cabeça não ter nada de valioso para oferecer ao seu próximo. Mas Deus pode transformar a sua simples atuação e a sua modesta folha de oliveira em uma mensagem oportuna e significativa para alguém que esteja vivendo uma situação crucial.
     Você pode ser o portador de uma grande mensagem de esperança. Pode ser uma palavra amiga ou uma simples página deste Jornal. Estamos iniciando uma nova etapa do Jornal Esperança.  Que você esteja disposto a usá-lo durante o ano de 2007, fazendo desta modesta folha de oliveira o lenitivo para aqueles enclausurados na arca da dúvida e do desânimo. Revigorados, possamos juntos, contemplar um novo mundo risonho que caprichosamente Deus está preparando para todos nós.
                                                                                                            carmojornalesperanca@yahoo.com.br

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