Carmo Patrocínio
Pinto
Noé e sua família estavam
vivendo um momento especial de suas vidas. Por quase um ano eles estavam
enclausurado dentro da arca. Lá fora um rastro de destruição mostrava para o
Universo que a misericórdia divina tem limites.
Por mais que Deus
tenha feito funcionar o sistema de ventilação da arca, o perfume ali não era
dos melhores. Por mais que a esposa de Noé caprichasse na limpeza, a higiene do
ambiente deixava a desejar. Por mais que Noé procurasse miminizar a inquietação
dos animais o barulho era crescente dentro da arca. Algumas dúvidas, talvez, estivessem surgindo
na cabeça de Noé: será que, um dia, num futuro próximo, ele teria uma casa só
para a sua família? Voltaria, um dia a pisar em terra firme? A terra
continuaria a produzir flores, sementes e alimento como antes?
Como, ele e sua família, anelavam pelo momento
de saírem da arca e contemplar, novamente, o Céu azul. Que emoção seria ver os
raios do Sol formando minúsculos arcos íris nas gotinhas de orvalho que placidamente
descansavam nas coloridas pétalas de rosas que exalavam o seu perfume para uma
minúscula platéia de privilegiados. Mas, isso, só quando elas surgissem
novamente! Como seria sair correndo em terra firme de encontro ao vento que ao bater-lhes
no peito parecia parabeniza-los pelo grande milagre.
Para estes ocupantes
da arca era grande a expectativa. Sairiam todos vivos dali? A terra voltaria a
favorecer a vida como antes? As árvores voltariam a cobrir a Terra com o manto
verde da esperança e a oferecer guarida para as aves e para os irrequietos
macaquinhos? Os animais se multiplicariam e voltariam a povoar a Terra
enchendo-a de vida? A não ser a confiança
nas promessas divinas, não existia nenhuma garantia aparente de que tudo seria
como antes. De dentro da arca não era possível ter uma idéia da vazão das águas
e de quando poderia se dar o possível desembarque. Para Noé e para os demais ao seu redor o
momento era de incertezas. Como desejavam eles, neste momento de dúvida,
receber uma mensagem de esperança! Afinal, já há quase um ano estavam presos
dentro de um barco e vivendo em condições precárias.
Noé procura uma
maneira de ver como estão as águas lá fora. Primeiro soltou um corvo, mas sem
ter onde pousar, depois de idas e vindas foi recolhido para dentro da arca.
Depois soltou uma pomba. A população da arca ficou aguardando com expectativa o
que aconteceria com a emissária da paz. Mas após um rápido sobrevôo ei-la de
volta a procura de socorro. Passara-se mais uma semana de incertezas e Noé
envia a pomba para mais uma missão de reconhecimento de área. Podemos imaginar
a cerimônia de lançamento. Provavelmente oraram com fervor para que Deus a
usasse para trazer uma mensagem de esperança.
Desta vez ela
demorou um pouco mais aumentando assim as expectativas. O nervosismo passou a
dominar os corações. Afinal, não tinham nenhum sinal de que a vida recomeçava
lá fora. Mas quando todos questionavam sobre o futuro incerto que se desenhava
Noé observa um pontinho se movimentando lá ao longe. Após alguns minutos a
mensageira pousa na janela trazendo uma folha de oliveira no bico. A euforia
foi geral. Tinham certeza de que a Terra estava se refazendo e a vegetação aos
poucos ia ocupando o seu lugar. Agora podiam acreditar que em breve deixariam a
arca para desfrutarem a vida em liberdade.
Mas por que a pomba
trouxe uma folha de oliveira e não uma outra folha qualquer? Uma lenda diz que houve uma grande disputa entre os
deuses Posídon e Atena para decidirem qual deles daria o seu nome e a sua proteção
para a capital da Grécia. O Tribunal dos Deuses decidiu que venceria a disputa
quem conseguisse apresentar perante o tribunal a obra mais bela. Posídon bateu
com o seu tridente numa rocha e fez nascer um cavalo maravilhoso. Atena
apareceu, afugentou o cavalo e fez surgir da terra uma oliveira, símbolo da
paz, coberta de azeitonas, com as quais seria possível fazer azeite, o mais
precioso de todos os líquidos... Os deuses não tiveram dúvidas e escolheram
Atena para deusa protetora da cidade de Atenas. Embora seja uma lenda ela nos
dá uma idéia da importância da oliveira na crendice popular naqueles tempos.
A oliveira
era uma planta bastante familiar para os homens e os animais naquele tempo e
era considerada o símbolo da longevidade. Ela produz o precioso óleo que possui
múltiplas utilidades. No passado servia de combustível para alimentar as
lamparinas; é usado pela culinária para dar sabor aos alimentos. A farmacologia
o emprega na elaboração de muitos medicamentos, cosméticos,
relaxantes, etc. As folhas também são usadas em chás medicinais e a lenha é boa
para alimentação de lareiras. Acima de tudo o óleo da
oliveira é considerado o símbolo do Espírito Santo. A oliveira é uma planta
super resistente e suas raízes, mesmo que maltratadas brotam rápido. Ela tem
uma longevidade invejável e pode viver por mais de mil anos. Alguns
pesquisadores afirmam que muitas delas hoje, já existiam nos tempos de Jesus.
Agora podemos ter
uma idéia porque Deus escolheu uma simples folha de oliveira para ser transportada
para dentro da arca naquele momento de tanta dúvida para Noé e sua família. A
Sua mensagem era de que o Espírito Santo esteve com eles até aquele momento e
que jamais os abandonaria. Eles podiam ter a certeza de que por mais escura que
aquela situação se apresentasse haveria sempre uma luz a direcionar o caminho.
Naquela folha de oliveira estava a promessa de muita saúde física e espiritual.
A longevidade da oliveira se assemelha as infalíveis promessas de Deus de uma
vida eterna para aqueles que aceitarem o plano da salvação. Semelhante às
raízes da oliveira qualquer ser humano maltratado pelo pecado poderá, pela
graça de Cristo, ressurgir para uma vida nova.
É interessante que
Deus não usou um anjo, um leão ou outro animal de grade porte para transportar
esta grande mensagem de esperança para os apreensivos ocupantes da arca. Ele
usou o que havia de mais simples, uma folha de oliveira e uma inocente
pombinha.
Hoje muitos estão
vagando por aí sem esperança. Talvez você não seja um eloqüente pregador. Talvez
você imagina que a sua presença nem seja notada no meio em que você vive. Pode
passar por sua cabeça não ter nada de valioso para oferecer ao seu próximo. Mas
Deus pode transformar a sua simples atuação e a sua modesta folha de oliveira
em uma mensagem oportuna e significativa para alguém que esteja vivendo uma
situação crucial.
Você pode ser o
portador de uma grande mensagem de esperança. Pode ser uma palavra amiga ou uma
simples página deste Jornal. Estamos iniciando uma nova etapa do Jornal
Esperança. Que você esteja disposto a
usá-lo durante o ano de 2007, fazendo desta modesta folha de oliveira o
lenitivo para aqueles enclausurados na arca da dúvida e do desânimo.
Revigorados, possamos juntos, contemplar um novo mundo risonho que
caprichosamente Deus está preparando para todos nós.
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