Comentário da Lição da Escola Sabatina de 27 a 3 se setembro de 2011.
Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, autor do devocional Avivar a Esperança.
É membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
O estudo retrata um período difícil para o povo de Deus. Os Jebuseus habitavam Jerusalém na época da conquista da Palestina pelos israelitas. Eles ainda viviam em Jerusalém antes da sua ocupação pelo rei Davi, narrada no livro de II Samuel 5:6-9; o livro dos Reis afirma que Jerusalém era conhecida como Jebus antes da ocupação israelita. Devido à vantagem militar que possuía e a segurança garantida pelas muralhas da cidade, também conhecida por fortaleza de Sião, os jebuseus não foram expulsos quando os israelitas entraram na terra Prometida, contrariando a ordem divina dada a Israel. Josué 15:63 afirma: “porém os filhos de Benjamim não expulsaram os jebuseus que habitavam em Jerusalém tornando-se então um território neutro na fronteira entre as tribos de Benjamim e de Judá”. Eles faziam parte das sete tribos que habitavam as Palestina por ocasião da chegada dos israelitas em Canaã.
A convivência com os Jebuseus conduziu o povo de Deus a apostasia. Passaram a dorar ídolos e profanaram a adoração. O reino do norte foi decaindo e, também, Judá não ficou imune. Desde então a vida dos filhos de Deus se tansformou em uma inconstante instabilidade que culminou com o cativeiro. Assíria emergiu como uma potência. No auge do seu poder, ela tomou a Síria, o Egito e Israel (o Reino do Norte). Anos depois, Nabucodonosor invade Jerusalém. O povo é levado cativo e, com a destruição do templo, eles perderam a sua identidade étnica e religiosa. Daí para frente foram setenta anos de cativeiro humilhante e infame. A causa ficou bem clara: no passado o povo de Deus permitiu que um povo idólatra permanecesse entre as suas tribos.
Por ser o templo a casa de Deus, o povo não acreditava que o Senhor, um dia, iria permitir a sua destruição. Ledo engano! Do momento em que o templo foi usado para agasalhar falsos deuses, ele deixou de ser a habitação de Deus e a sua existência não tinha mais sentido. Curioso: Ezequiel viu setenta anciãos de Israel dentro do templo ofertando incenso aos ídolos e foram setenta anos a duração do cativeiro. É lamentável, mas o pecado continua destruindo templos, vidas e sonhos. Compactuar com ele é um desastre.
O povo foi previamente instruído de que se a apostasia prevalecesse os juízos de Deus seriam inevitáveis. Parece que eles pensaram que Deus não seria tão justo assim. Todo cuidado em nossa adoração nunca será demais. É necessário fazermos uma avaliação de como estamos adorando. Quando a adoração se transforma em provocação Deus age com firmeza. “Por isso também eu os tratarei com furor; o meu olho não poupará, nem terei piedade; ainda que me gritem aos ouvidos com grande voz, contudo não os ouvirei” (Ezequiel 8: 18).
Os setenta sacerdotes da visão de Ezequiel foram vistos oferecendo incenso às imagens de animais pintados nas paredes internas do templo. Já estudamos em lições anteriores que o grande conflito será travado no campo da adoração. E o autor da lição nos adverte que o segundo mandamento que proíbe a idolatria e o quarto mandamento que mostra a identidade do verdadeiro Deus, foram alterados pela igreja católica. Os livros proféticos de Daniel e Apocalípse deixam isso bem claro. Em breve o mundo será convocado a adorar a besta e a sua imagem.
Na parte de terça nos deparamos com uma mensagem de esperança. Jeremias mostra o grande amor de Deus para com o Seu povo apostatado e o desejo de resgatá-los do cativeiro. Ageu traz a séria advertência de que era chegada a hora de reconstruir o templo. Porém, algo grave estava acontecendo. O povo já havia se acostumado com o cativeiro. Mesmo pagando pesados impostos, cada um conseguiu construir a sua casa própria e se achavam felizes nesta situação. Aqui temos duas lições. Na primeira aprendemos que é facil a pessoa se acostumar com o pecado. E na segunda, a doutrina da prosperidade tem miminizado tanto a necessidade de um lar de descanso, que dificilmente uma das igreja que advogam essa prática, fala sobre a volta de Jesus e muito menos sobre as maravilhas da Nova Terra.
Para o povo de Deus não era o momento para se preocupar em voltar do cativeiro e reconstruir o templo. Eles tinham coisas mais atraentes e mais importantes para fazer. Este espírito de acomodação ameaça a vida cristã de todos nós. Ageu mostrou para o povo que Deus estava limitando as Suas bênçãos por causa do desinteresse pela reconstrução do templo. O momento não era para apatia, mas para ação e reação. “Semeais muito, e recolheis pouco; comeis, porém não vos fartais; bebeis, porém não vos saciais; vesti-vos, porém ninguém se aquece; e o que recebe salário, recebe-o num saco furado.
Assim diz o Senhor dos Exércitos: Considerai os vossos caminhos. Subi ao monte, e trazei madeira, e edificai a casa; e dela me agradarei, e serei glorificado, diz o Senhor. Esperastes o muito, mas eis que veio a ser pouco; e esse pouco, quando o trouxestes para casa, eu dissipei com um sopro. Por que causa? Diz o Senhor dos Exércitos: Por causa da minha casa, que está deserta, enquanto cada um de vós corre à sua própria casa” (Ageu 1: 6-9).
Nem todos os judeus foram levados para o Babilônia. Apena os mais fortes e os mais saudáveis. Em Jerusalém permaneceram os dficientes, os incapases e desprotegidos. Com a cidade destruída e um governo subjugante podemos imaginar como era a vida dessas pessoas.
A mensagem de Deus foi: “não é tempo de morar em casas estucadas” e o Senhor completa: “reconsiderai os vossos caminhos”. Certa vez os irmãos de minha igreja resolveram reformar a minha pequenina igreja natal. Nas discuções sobre o que fazer e como fazer um membro foi enfático: “A nossa igreja necessita com urgencia de uma reforma e ela deve ficar melhor do que as nossas casas.” E assim aconteceu.
Vivemos no momento mais solene da história da humanidade. O mundo caminha rapidamente para o fim e Deus nos confiou uma urgente mensagem de salvação para anunciar.
O povo tinha lá os seus motivos para postergar a reconstrução do templo. Primeiro, aparentemente a vida estava muito boa. Segundo, eles não viam possibilidades financeiras e nem políticas favoráveis à reconstrução do templo. Mas o Senhor insistiu: “É hora de reconstruir.” Nos tempos bíblicos a memória dos antepassados era lembrada com respeito e carinho. Os ossos de José foram transportados do Egito para a terra de Canaã. Ser sepultado na terra natal significava honra e respeito. Os sepulcros dos pais mereciam uma atenção especial e, Deus na luta para convence-los pergunta: “Onde estão agora os seus antepassados?” Muitos estavam sepultados no exílio, bem longe de Jerusalém e os sepulcros dos que morrema em Jerusalém estavam abandonados. Tudo porque negligenciaram a adoração ao Deus verdadeiro.
Neemias fêz parte do grupo que foi deportado. Parece que a vida dele no exílio era muito boa. Morava no palácio real incrustrado dentro de uma fortaleza e o rei gostava muito dele. Mas saber como estavam os que permaneceram em Jerusalém era uma preocupação que lhe roubava a paz. E foi neste contexto que alguns mensageiros truxeram o triste relato: “E sucedeu no mês de Quisleu, no ano vigésimo, estando eu em Susã, a fortaleza, que veio Hanani, um de meus irmãos, ele e alguns de Judá; e perguntei-lhes pelos judeus que escaparam, e que restaram do cativeiro, e acerca de Jerusalém. E disseram-me: Os restantes, que ficaram do cativeiro, lá na província estão em grande miséria e desprezo; e o muro de Jerusalém fendido e as suas portas queimadas a fogo” (Neemias 1:1-3).
Neemias fêz o que lhe era possível: Jejuou e fez uma poderosa oração intercessória.. Na sua súplica ele lamenta os desvios de seu povo e, como é próprio do intercessor, ele se coloca como o principal trangressor. Ele não teve como ocultar a sua tristeza diante do rei e, este desejou saber o que estava acontecendo. Mesmo correndo risco de vida, ele foi claro: “Viva o rei para sempre! Como não estaria triste o meu rosto, estando a cidade, o lugar dos sepulcros de meus pais, assolada, e tendo sido consumidas as suas portas a fogo?” (Neemias 2:2 e 3).
Parece que os judeus que moravam confortavelmente no exílio não sabiam da triste situação de seus irmãos em Jerusalém. Mas Deus sabia e Se preocupou em resolver a situação. E, enquanto os exilados continuavam apáticos e indiferentes, Deus comoveu o próprio rei opressor para abrir as postas para que a reconstrução acontecesse. Cada profecia bíblica tem o seu cumprimento exatamente conforme foi anunciada, acredite o homem ou não.
Não esqueçamos da leitura da nota do estudo adicional de sexta: “Os tempos de provação que estão diante do povo de Deus reclamam uma fé que não vacile. Seus filhos devem tornar manifesto que Ele é o único objeto do seu culto” (Profetas e Reis p. 512). E “há o constante perigo de que cristãos professos venham a pensar que para exercer influência sobre os mundanos, necessitem conformar-se até certo ponto com o mundo” (Profetas e Reis p.570).
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