quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Paulo: apóstolo dos gentios

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Comentário da Lição da Escola Sabatina de 24 de  setembro a 1° de outubro de 2011. Preparado por Carmo Patrocinio Pinto autor da meditação Avivar a Esperança. É membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga – Brasilia, DF.

Quem são os Gálatas? No tempo do NT, a Galácia era uma província romana da Ásia Menor, que abrangia a Galácia propriamente dita, a Frígia, a Pisídia e a Licaónia. As igrejas da Galácia devem ter sido fundadas por ocasião da 1.ª viagem missionária de Paulo (Act 13,1-14,26). O Apóstolo dos gentios escreve a Carta aos Gálatas entre 55 e 57, a partir de Éfeso ou de Corinto.
Enquanto as outras epístolas eram destinadas a uma igreja específica, a epístola aos gálatas destina-se a várias igrejas, acerca das quais não temos muitas informações específicas. Parece que a carta foi enviada para todas as cidades da Galácia incluindo também as cidades de Antioquia, Icônia, Listra e Derbe.
Gálatas é a epístola paulina que mais se apro­xima de Romanos. Pesquisadores afirmam que existem cerca de 25 passagens parale­las entre essas epístolas, defenden­do os mesmos ensinos (compare Romanos 4.3 com Gálatas 3.6; Romanos 4.10,11 com Gálatas 3.7).  A justificação pela fé é o principal tema abordado nas duas.
Os crentes da Galácia, em princípio, mostraram uma grande satisfação por causa do evangelho; e durante um tempo viveram a sua fé cristã com a mesma alegria e confiança com que também receberam a presença do apóstolo (Gálatas 4: 13 a 15). Mas, não muito depois, aquela primeira alegria e fervor pareciam ter se esfriado (Gálatas 5: 7), o que coincidiu com o surgimento de sérios problemas doutrinários entre eles. Por isso, Paulo se sentiu movido a escrever esta carta, na qual, por um lado reprova a frágil fé dos gálatas e, por outro, denuncia as atividades de certos “falsos irmãos que se entremeteram com o fim de minar a nossa liberdade que temos em Cristo Jesus” (Gálatas 2: 4).
O grupo que mais causou problemas aos gálatas foi os judaizantes. Eles insistiam que os conversos gentios deviam se submeter a praticas judaicas como a circuncisão. Temos duas definições para judaizantes. Na  primeira o judaizante é aquele judeu convertido ao cristianismo que pregava algumas praticas mosaicas, como a circuncisão para os gentios convertidos. Outra corrente afirma que judaizante é qualquer pessoa convertida, mesmo em nossos dias, que adotam algumas praticas judaicas como, por exemplo, a guarda do sábado.  Neste contexto, nós adventistas do sétimo dia, somos considerados judaizantes. Se guardar o sábado é ser judaizante, quem não rouba, não mata ou não adultera, também o é.  Porém, sabemos que pregar a observância do sábado não é pregar outro evangelho, mas é o mesmo Evangelho anunciado por Deus na criação do mundo.
Os judaizantes perturbavam os gálatas, pregando “outro evangelho” (Gálatas 1:6). De fato, não existe outro evangelho, mas estes estavam pervertendo “o evangelho de Cristo” (Gálatas 1:7). Perverter o evangelho quer dizer acrescentar ou diminuir sem a autoridade de Cristo. Paulo disse que qualquer pessoa que “vos pregue evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema.
Os judaizantes pareciam estar sempre acompanhando os passos de Paulo a fim de influenciar as igrejas por ele estabelecidas. A rapidez com que eles trabalhavam chamou a atenção do apostolo que, ao saber do estrago feito por eles entre os gálatas, assim se expressou: “Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho” (Gálatas 1:6). A epístola aos gálatas tem como assunto base a salvação pela fé.
Aparentemente a palavra diácono nos leva a imaginar um irmão simples de conhecimento e capacidade de argumentação a quem de um pastor ou ancião. Foi com esse raciocínio em mente que “levantaram-se alguns que eram da sinagoga chamada dos libertinos, e dos cireneus e dos alexandrinos, e dos que eram da Cilícia e da Ásia, e disputavam com Estêvão” (Atos 6:9). Os libertinos pregavam uma religião que permitia um viver sem exigencias e restrições. Porém, eles se esqueceram que Estêvão era cheio do Espírito santo “E não podiam resistir à sabedoria, e ao Espírito com que falava”(Atos 6:10).
Era necessário silenciar Estêvão. E para fazê-lo só havia um recurso: eliminá-lo. Para condená-lo eles usaram de um recurso fácil e, que a pouco fora praticado com sucesso, para condenar Jesus: pagar caluniadores. O Sinédrio foi convocado, mas antes que a centença de morte fosse proclamada, algo de extraordinário aconteceu. No momento em que Estêvão usou da palavra todos viram o seu rosto como o de um anjo.
“Enquanto Estevão fixava os olhos no Céu, foi-lhe dada uma visão da glória de Deus e anjos o cercaram. Ele exclamou: "Eis que vejo os Céus abertos e o Filho do Homem, que está em pé à mão direita de Deus" Atos 7:56. (Atos dos Apóstolos p 234).
“Judeus eruditos de países circunvizinhos foram convocados para o fim de refutar os argumentos do prisioneiro. Saulo de Tarso estava presente e tomou parte importante contra Estevão” (Atos dos Apóstolos p 98). “Esses estudiosos dos grandes rabis estavam confiantes que numa discussão pública poderiam obter uma completa vitória sobre Estevão, por causa de sua suposta ignorância. Ele, porém, não somente falava com o poder do Espírito Santo, mas ficava claro a toda a vasta assembléia que era também um estudioso das profecias e versado em todos os assuntos da lei. Defendia habilmente as verdades que advogava, e confundia inteiramente seus oponentes” (história da Redenção p. 262).
Paulo recebeu uma valiosa recompensa para condenar este consagrado diácono. Diz Ellen G. White: “Depois da morte de Estevão, Saulo foi eleito membro do conselho do Sinédrio, em consideração à parte que desempenhara naquela ocasião” (Atos dos Apóstolos p 102).
A população de Tarso jactava-se de sua riqueza agrícola e comercial, bem como de sua universidade, julgada superior às grandes academias de Alexandria e Atenas. O historiador, geógrafo e filósofo grego Estrabão (58 a.C.) descreve o povo de Tarso como “apaixonados pela filosofia” e de “espírito enciclopédico. Os seus habitantes gostavam de associar o seu nome próprio com o da cidade. De onde veio Saulo de Tarso. Provavelmente Paulo viveu a sua juventude em Jerusalém, onde teve a sua formação acadêmica aos pés de Gamaliel.
Parece que Paulo gostou do que aconteceu com Estevão e, desde então, se empenhou na mais atroz perseguição aos seguidores de Cristo. Do ponto de vista humano, Paulo era um caso 100% perdido. Mas a graça de Deus Se manifestou de maneira tão surpreendente em sua vida que os próprios apóstolos tiveram dificuldade em acreditar. Enquanto, para os cristãos perseguidos, Paulo era um implacável carrasco, para Deus ele era um “vaso precioso”.
Depois do encontro com Jesus, Paulo ficou cego. O homem prepotente e cheio de orgulho próprio não tinha como se locomover sozinho. Humilhado até o pó se levanta tateante e tenta caminhar sem direção. Ananias recebe uma ordem divina que o deixa estarrecido. Ele será procurado por Saulo. O homem de Deus tremeu nas bases e gemeu profundo: “Quantos males este homem tem feito!” E Deus responde: “Quanta graça foi dispensada a Ele!” Depois de sua conversão, Paulo ficou maravilhado de como a graça de Deus é abrangente. Desde então a sua vida foi dedicada a proclamar esta graça principalmente para os gentios uma demonstração clara de que Deus não faz acepção de pessoas.  
Podemos imaginar como se sentia Paulo ao lembrar-se das atrocidades que cometera. Quanto arrependimento, quanta lágrima! O amor de Deus parece que foi além do impossível e o transformou em nova criatura. Que experiência maravilhosa!
Santo Agostinho escreveu:
“Paulo foi derrubado para ser cegado;
foi cegado para ser mudado;
foi mudado para ser enviado;
foi enviado para que a verdade aparecesse.”
            Enquanto em Atos dos Apóstolos Pedro é proeminente nos primeiros doze capítulos, o missionário da incircuncisão (Paulo) ocupa a segunda e maior metade do livro, do capítulo 13 a 28.
            Após a sua conversão, Paulo encontrou resistência entre os irmãos que desconfiavam da autenticidade de sua conversão e decorreram alguns anos para que ele ganhasse a confiança da igreja como um todo.
            O crescimento tão rápido da igreja primitiva teve oposição por parte dos judeus. As autoridades eclesiásticas logo perceberam que o cristianismo representava uma ameaça a suas prerrogativas como intérpretes e sacerdotes da lei. Dessa maneira começa a perseguição à primeira igreja, que veio em primeiro lugar por parte do Sinédrio, que com a permissão romana, supervisionava a vida civil e religiosa do estado. Pedro e João tiveram que comparecer perante o Sinédrio. Mais tarde a perseguição tomou cunho mais político, por exemplo, Herodes mata Tiago e manda prender Pedro (At.12).
E os que foram dispersos pela perseguição que sucedeu por causa de Estêvão caminharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus. Percebemos então que o primeiro centro cristão, depois de Jerusalém, foi Antioquia que ocupa um importante lugar na história do cristianismo. Foi onde Paulo de Tarso pregou o seu primeiro sermão cristão (numa sinagoga), e foi também onde os seguidores de Jesus foram chamados pela primeira vez de Cristãos (Actos 11:26). Mas o fato de Antioquia ter sido posta em tanta evidência explica-se por pertencer ela ao mundo helenístico e não ao aramaico. Em Damasco os cristãos são chamados “os homens deste caminho”, o que equivale a uma designação propriamente judaica para uma seita. Um dos cristãos de Damasco, Ananias, é nomeado (9,10): homem piedoso, “segundo a Lei”, e estimado pelos judeus (At 22,12).
Os helenistas são as pessoas de origem judaica que vivia fora da Palestina e falavam normalmente a língua grega. Eles têm posições diferentes, não são tão apegados à Lei e ao Sistema de pureza: para eles não há dificuldade de relacionamento com pessoas de outras culturas e de outras raças, pois viviam no meio desta gente. Os hebreus são judeus que falam o aramaico. Os hebreus eram mais apegados ao Templo e à Lei, por isso tinham muita dificuldade de se relacionar com pessoas que não tinham sangue judeu puro, especialmente tinham dificuldade de sentar na mesma mesa e partilhar dos mesmos alimentos. O grupo dos hebreus é formado por judeus cristãos de língua aramaica e de cultura tradicional hebraica. São. A ele pertencem sacerdotes (6,7) e fariseus convertidos (15,5). Os doze apóstolos são responsáveis por este grupo, mais tarde liderado por Tiago, o irmão do Senhor.
A história da igreja primitiva está repleta de nomes de pessoas que, segundo a Bíblia, eram “cheias do Espírito santo”. Estevão, Barnabé, Pedro, Ananias, Tiago, Paulo e tantos outros. E foi, graças à ação do Espírito Santo, que o Evangelho foi pregado em todo o mundo conhecido de então. Antioquia estava vivendo um momento de intensa ebulição cristocêntrica “e chegou a fama destas coisas aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé a Antioquia” (Atos 11:22). Barnabé buscou Paulo e, logo depois, um grupo de profetas vindos de Jerusalém reforçou a equipe evangelistica. Que momento apoteótico para um povo que até a poco tempo atrás, não era digno da salvação e agora, recebia um nome especial, que dai para frente identificaria a todas as pessoas de todas as épocas e de todas as partes do mundo que aceitassem a Cristo: Cristãos.  
O motivo de não vermos algo semelhante nos dias de hoje ralvez, seja porque ao invés de estarmos cheios do Espírito Santo estamos nos enchendo de dinheiro, fama e de pecados talvez, mais graves. Diz Ellen G. White: “Um reavivamento da verdadeira piedade entre nós, eis a maior e a mais urgente de todas as nossas necessidades. Buscá-lo, deve ser a nossa primeira ocupação. Importa haver diligente esforço para obter a bênção do Senhor, não porque Deus não esteja disposto a outorgá-la, mas porque nos encontramos carecidos de preparo para recebê-la. Nosso Pai celeste está mais disposto a dar Seu Espírito Santo àqueles que Lho peçam, do que pais terrenos o estão a dar boas dádivas a seus filhos. Compete-nos, porém, mediante confissão, humilhação, arrependimento e fervorosa oração, cumprir as condições estipuladas por Deus em Sua promessa para conceder-nos Sua bênção” (Caminho a Cristo, p 285). 
Com o rápido avanço e aceitação da mensagem de salvação pela graça, Satanás entrou em polvorosa. A sua grande investida foi no sentido de dividir a igreja. Despertou o descontentamento de alguns judeus cristãos que não aceitavam de bom grado a conversão dos gentios.  Logo surgiu um grupo que defendia a obrigatoriedade de os gentios convertidos se submeterem a circuncisão. Mas o mesmo Espírito que moveu Paulo a pregar-lhes o Evangelho mostrou o melhor caminho.
Satanás não desistiu e a resistência ao Evangelho da graça continuou ainda por muitos anos tendo nos fariseus convertidos o seu principal foco. Hoje, Satanás continua com os seus métodos escusos. Descaracteriza a Lei de Deus e oferece uma salvação barata que não produz frutos de genuína conversão.  Ainda bem que este será o tema que estudaremos durante este trimestre.

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