Preparado por Carmo Patrocínio Pinto. Autor de a Meditação Bíblica Avivar a Esperança. É membro da Igreja Adventista do Sétimo – Central de Taguatinga, DF.
Nesta semana vamos estudar um assunto que fala da nossa necessidade de vivermos em permanente espírito de adoração ao nosso Criador, Mantenedor e Salvador. Veremos que uma adoração, apenas de fim de semana, por mais dedicada que seja, deixa a desejar em nosso relacionamento com Deus. Quando adoramos assim, a tendência é esquecermos-nos dos nossos compromissos com o Criador durante os dias que antecede o sábado. O resultado desta adoração seccionada nos induz gradativamente a uma vida negligente e hipócrita.
Na minha infância conheci um garoto muito peralta. A sua presença na sala de aula era sinal de problemas para a professora. Em quanto ela escrevia na lousa ele aprontava as suas, mas logo que a mestra voltava os olhos ele se apresentava tão concentrado na aula que fazia dó repreender um aluno tão exemplar. Certo dia, após aprontar mais uma, a professora olhou firmemente para ele e falou sério: “você é um santo, mas está expulso da sala de aula”. Aqueles momentos de santidade fingida daquele aluno eram mais irritantes para a professora do que as falcatruas que ele havia praticado antes. Uma adoração ocasional, às vezes fingida, é vista por Deus como deboche intolerável. Um lembrete: somos salvos pela graça, mas as nossas obras podem afastar muitos do caminho rumo ao Céu.
O povo de Israel e depois, também Judá, viviam de qualquer jeito durante a semana, mas no sábado desfilavam santidade. E pior, não faltavam conselheiros para endossar essa prática hipócrita. Alguns profetas, como Isaías, Jeremias, Ezequiel e Miquéias, lutaram muito para conduzir os dois povos à verdadeira adoração.
A principal bronca de Miquéias versava sobre o ato indiscriminado de oferecer sacrifícios. A oferta de animais apontava para Jesus que, um dia viria ao mundo morrer pelos pecadores. O sacrifício só deveria ser oferecido quando o pecador demonstrava profundo arrependimento de seus pecados. Mas o comum, naquela época, era ofertar o animal sem nenhuma reflexão da parte do ofertante, a respeito de sua vida pessoal. Tal prática era vista pelo Céu não como adoração, mas como uma afronta ao Criador.
Miquéias relembra o povo de como Deus foi paciente com eles desde a saída do Egito até Canaã e, insiste para que o povo relembre de tudo o que aconteceu no curto trajeto entre Gilgal e Sitim. Gilgal se localiza ao lado das margens do Jordão e foi o último acampamento de Israel antes de entrar na terra de Canaã. Foi ai que Moisés indicou Josué para conduzir o povo até a terra prometida. Foi ai que ele elaborou o seu último cântico exaltando o cuidado de Deus para com o Seu povo. Ali encerrava a providencial travessia do deserto. Não mais a escravidão egípcia, não mais as agruras do deserto. Não mais o Maná. Pela providência divina eles chegaram a Gilgal sãos e salvos. E do outro lado, a poucos metros, estava a esperada terra dos seus sonhos. Eles deveriam lembrar-se da incrível travessia do Jordão numa época de cheias. O primeiro acampamento ao pisarem a terra prometida aconteceu em Sitim. Esta cidade representou um marco da vitória de Deus em favor de Seu povo. Foi ali que o Senhor provou, mais uma vez, o Seu imensurável amor por Seus filhos errantes. Balaque contratou Balaão para amaldiçoar Israel. Deus agiu rápido e as palavras que saíram da boca deste profeta foram de bênçãos e não de maldição.
A intenção de Ezequiel era que, diuturnamente, o povo vasculhasse as prateleiras da memória e, com estas lembranças bem vívidas em suas mentes celebrassem cultos de sincera gratidão. Mas o que se via durante a semana era uma vida em verdadeiro descompasso com os princípios divinos.
Isaías foi o profeta do reino de Judá. O seu chamado para o serviço profético se deu no ano em que morreu o rei Usias. Este rei revolucionou a agricultura de seu tempo e fortaleceu as forças armadas. Foi um governante próspero e eficiente. Mas no final de sua vida se aventurou a entrar no Santuário e ofereceu sacrifícios, uma atividade exclusiva dos sacerdotes. Em consequência morreu leproso. Creio que a maneira como Deus chamou Isaías tinha, pelo menos, cinco propósitos: Primeiro, consolar o profeta mostrando que Deus é o nosso grande Rei de verdade. Segundo, mostrar para Isaías a Sua glória e poder. Terceiro, o profeta deveria ter uma noção do que representa estarmos diante deste Deus onipotente. Em quarto lugar o que Deus fez com os lábios de Isaías Ele esperava fazer com todos os filhos de Judá. E, por último, a visão mostrou para Isaías, a incoerência que existia entre Judá e a verdadeira adoração.
Seria bom ler a primeira parte do capítulo 1, especialmente os versos 4 e 9. Diz os versos: “Ai, nação pecadora, povo carregado de iniquidade, descendência de malfeitores, filhos corruptores; deixaram ao Senhor blasfemaram o Santo de Israel, voltaram para trás... Se o Senhor dos Exércitos não nos tivesse deixado algum remanescente, já como Sodoma seríamos, e semelhantes à Gomorra.” A advertencia foi feita não para o mundo, mas, para a igreja daquele tempo. E mais, pela misericordia de Deus, ali estava o remanecente de Judá, pois a maioria do povo já havia sido destruída por causa da sua apostasia. Agora Isaias vê este remanecente que deveria erguer a bandeira da verdadeira adoração, apresentar um culto hipócrita e repugnante a Deus. O profeta continua fazendo um apelo: “Aprendei a fazer o bem; procurai o que é justo; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas” (verso17). E conclui com um convite de amor: “Vinde então, e argui-me, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã” (verso 18). O amor de Deus é algo incompreensível ao entendimento humano!
No capítolo 44 o Senhor Se apresenta como o Deus criador, protetor e mantenedor. Mas com todo este quadro de apostasia, Deus manifesta a Sua esperança de que um dia o povo voltaria com coração contrito. Diz o verso 5: “Este dirá: Eu sou do Senhor; e aquele se chamará do nome de Jacó; e aquele outro escreverá com a sua mão ao Senhor, e por sobrenome tomará o nome de Israel.
Nos versículos de 9 a 20, Deus mostra a inutilidade dos ídolos e apresenta a triste conclusão a que chegam os seus adoradores: ” Tal homem se apascenta de cinza. O seu coração enganado o transviou, de modo que não possa livrar a sua alma nem dizer: Porventura não há uma mentira na minha mão direita?”
O que poderá ser o meu ídolo? Uma pessoa famosa, dinheiro, um dom ou até mesmo uma roupa ou modelo de calçado. A lição esclarece que uma adoração assim é “sem nenhum valor”. É triste a situação de quem vive apegado a algum ídolo. E lembremos de uma triste realidade, o pior ídolo se chama EU. Quando ele se sobressai no altar, podemos imaginar que os anjos batem asas em retirada. E um detalhe: quando isso acontece, as vezes, só Deus detecta.
Para prestarmos um culto aceitável a Deus temos que estar bem alertas. Paulo nos adverte: “Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados” (2 Co 13:5).
Na parte de quinta feira Jeremias mostra até onde pode ir a presunção de um suposto filho de Deus. O povo estava usando o templo para oferecer sacrifícios a rainha do céu que, segundo alguns comentaristas, seria esposa do deus Baal. Era uma deusa voltada para o séxo e a sua cultuação era acompanhada de orgias sexuais. No momento em que tomaram essa atitude, o templo deixou de ser o lugar da habitação de Deus. A profanação foi tamanha que Jeremias se recusou a entrar nele. O profeta se posicionou na porta e dali deu a sua mensagem. Algo parecido fêz Lutero, séculos depois, em 31 de outubro de 1517 quando fixou na porta da Abadia de Wittenberg as 95 teses "Contra o Comércio das Indulgências.”
Com toda essa profanação os adoradores insistiam em dizer: “Templo do Senhor templo do Senhor, templo do Senhor é este” (verso 4). Quando entramos na igreja, ou mesmo na nossa devoção doméstica, devemos ter a concienscia de que estamos diante do “...Alto, e o Excelso, que habita a eternidade, de quem o nome é Santo: Habito no alto e santo lugar...”(Isaías 57:15).
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