Comentário da Lição da Escola Sabatina de 3 a 10 de setembro de 2011. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, autor de a meditação matinal Avivar a Esperança. É membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
O caminho mais curto entre a Judéia e a Galiléia passava por Samaria. Mas os judeus usavam outro roteiro mais longo para evitar o contato com os samaritanos. Jesus, na intenção de remover barreiras, passou por Samaria. A cidade de Sicar era fora de rota, mas Ele decidiu passar por lá.
No caso da mulher samaritana o relato bíblico mostra que à medida que evoluía a sua conversa com Jesus, ela tinha uma nova compreensão de quem era Ele. Primeiro, ela vê um judeu atrevido que procura assunto com uma samaritana. Segundo, era um homem qualquer e, como qualquer outro, também tinha sede. Terceiro, um homem desprevenido, pois, estava junto do poço, mas não tinha vasilha para tirar água. Em quarto lugar, aparece uma dúvida: será que Ele é alguém maior que o nosso pai Jacó? Lembrando que os samaritanos tinham Jacó por pai assim como os judeus diziam serem filhos de Abraão. Em quinto lugar ela vê um homem que tinha uma água melhor do que a do poço de Jacó. Sexto, quando Jesus revelou que conhecia toda a sua vida íntima ela já viu nEle um profeta.
Neste ponto ela altera o roteiro da conversa. Ela mudou de assunto por dois motivos. Primeiro, o tema a incomodava, pois, aquele “profeta” sabia muito de sua vida íntima. Segundo, sendo Ele profeta teria condições de lhe esclarecer qual era o verdadeiro local de adoração. Os samaritanos esperavam um profeta que daria a palavra final sobre este tema. Jesus esclareceu que mais importante que o local, era o espírito do adorador. Ao fazer esta afirmação o objetivo de Jesus não era subestimar a adoração na igreja, mas chamar a atenção da mulher para Si próprio que deve ser o centro de toda a adoração.
Para os samaritanos o morro Gerizim, a cujo pé estão Sicar e o poço de Jacob era o verdadeiro lugar de adoração. Os samaritanos tinham erigido um templo em Gerizim ao redor do ano 432 a . C., mas tinha ficado em ruínas desde que foi destruído por Juan Hircano ao redor do ano 129 a . C.
Jesus foi claro a afirmar que o Redentor seria de origem judia e que era Ele próprio. Por fim, ela faz a sétima descoberta: estava diante de Jesus, o cordeiro de Deus. A mulher tinha expressado a crença de que quando viesse o Messias, ele declararia "todas as coisas" (Juan 4: 25), e agora este "profeta" declarava ser o Messias. A hora mencionada por Jesus já havia chegado. Poucos anos depois Jerusalém não seria mais a capital da adoração e o povo deveria saber disso com antecedência.
Até então, a adoração dos samaritanos e a dos judeus eram destorcidas. Os dois povos não se davam. Tanto em Jerusalém como em Gerizim ao invés de adorarem em espírito e em verdade o faziam em espírito de rivalidade. Jesus esclareceu que os verdadeiros adoradores seriam aqueles cuja adoração emana de um coração sincero, e não o culto que consiste essencialmente em formas e rituais realizados em algum lugar específico. Naqueles dias Jesus estava tentando unir todos os povos em uma adoração sem divergencias. E acrescentou: “o Pai procura a tais que assim o adorem”.
Na parte de domingo estudamos o Magnificat, "engrandece". A primeira metade do cântico de Maria expressa a sua gratidão pessoal (vers. 46-50), e a segunda metade se refere à ação de graças da nação (vers. 51-55). Este canto revela o caráter de Deus e destaca a graça (vers. 48), a onipotência (vers. 49, 51), a santidade (vers. 49), a misericórdia (vers. 50), a justiça (vers. 52-53) e a fidelidade (vers. 54-55) de Deus. “Maria pensa primeiro em si mesma, em seus profundos sentimentos de adoração e de santo gozo. Foi escolhida e honrada acima das outras mulheres, e se maravilha de que Deus a tenha tomado em conta passando por alto a outras. Não vê nenhuma razão para que tenha sido escolhida antes que outras. Não vê nada que a faça digna ante Deus” (Comentário Bíblico Adventista)
Em suma, o seu cântico tinha por objetivo magnificar o nome de Deus e ela o fez com uma sabedoria que só o Espírito Santo poderia inspirar. O foco principal do seu cântico é enaltecer a misericórdia de Deus.
Na segunda, estudamos adoração e serviço no contexto das tentações de Jesus segundo narra São Lucas. Em se tratando das tentações de Jesus, pessoalmente prefiro a sequencia apresentada por este evangelista. Para mim, ela oferece uma melhor adequação às fases da existência humana. Serviço neste caso não é no sentido de trabalhar mas sim, de servir a Deus e ter Ele como Senhor da vida.
O servir dá a idéia de que a pessoa se dedica completamente ao Senhor. Sem entrega completa não há adoração completa. Não há como oferecer perfeita adoração com coração dividido. O próprio Jesus afirmou: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom” ( Mateus 6:24). Servir por inteiro não é fácil e, como satanás sabe disso, ele se esmera em propor situações que desviam o nosso foco dAquele que nos criou. Na terça estudamos que antes de sabermos onde adorar é necessário conhecer a quem adorar. Provavelmente a samaritana tenha ficado pasma com as palavras de Jesus: “vós adorais o que não abeis” (João 4:22). Enquanto os seus pensamentos vagavam entre o monte Gerizin e Jerusalém Jesus, que estava junto dela e que deveria ser o centro da adoração era ignorado.
Talvez, a nossa situação não seja a mesma dos atenienses que adoravam “o deus desconhecido”, pois não é dificil identificar os deuses que teem desviado o foco de nossa adoração. De todos eles, o que mais exerce domínio sobre nós e, o mais difícil de ser identificado, se chama EU. Qualquer descuido é suficiente para ele se projetar no altar da adoração.
A adoração em espirito e em verdade só pode partir de um coração inteiramente entregue ao Senhor. Um coração que ame a Deus e ao próximo. “E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Lucas 10:23). Como os samaritanos poderiam demonstrar amor ao próximo tendo os judeus sempre atravessados na garganta? E nestas condições como apresentar a Deus uma adoração aceitável? Tanto judeus como samaritanos tinha muito o que aprender para se encaixarem na qualificação de verdadeiros adoradores.
Um detalhe curioso que temos visto nos estudos deste trimestre é que Jesus em nenhum momento recusou a adoração das pessoas. Desde o leproso agradecido até o presidente da sinagoga implorando por socorro, de nenhum deles Jesus recusou a adoração. Com essa atitude o Mestre não estava demonstrando nenhum egocentrismo ou usurpação de direitos. Ele é Deus eterno e incriavel e “todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez” (João 1:3) “Cantai a glória do Seu nome; dai glória ao Seu louvor” (Salmo 66:2).
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