Comentário da Lição da escola Sabatina de 10 a 17 de setembro de 2011.
Preparado por Carmo Patrocínio Pinto – autor do devocional Avivar a Esperança.
É membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF
Jesus não foi tão bem sucedido na pregação do Evangelho como aconteceu com Pedro, Paulo e os demais apóstolos. A oposição dos lideres judeus, somada a ação política do império Romano bloquearam, em parte, a ação ministerial de Cristo. E, depois de Sua morte, o clima permaneceu tenso causando medo e preocupação para todos os Seus seguidores. Aparentemente não havia possibilidades para que o Evangelho fosse pregado e, o desenvolvimento da igreja parecia gessado.
Para desatar este grande nó, Deus proveu algo especial. A descida do Espírito Santo proporcionou o que faltava. Este foi um fenômeno que causou espanto entre os sacerdotes de então. O Espírito Santo atuou em três frentes prioritárias. Primeiro, nivelou os apóstolos de tal modo que o analfabeto Pedro conseguisse resultados tão surpreendentes como o intelectual Paulo. Segundo, os apóstolos foram tomados de um profundo amor pelas almas perdidas que, em favor delas, estavam dispostos a qualquer sacrifício e terceiro, o poder do Espírito Santo os capacitou com dons.
Quem foi Teófilo? O nome é grego, portanto, é provável que Teófilo fosse um converso gentil. Em grego teo quer dizer Deus e filo significa amigo. Alguns argumentam que, temeroso de expor os cristãos, num momento tão delicado, Lucas criou este nome ficticio a quem endereçou o seu evangelho e o livro de Atos. Uma outra idéia é que ele fosse um homem rico e culto que tenha solicitado a Lucas escrever os dois livros. O Comentário Bíblico Adventista dá o seguinte parecer: “Não há uma suficiente evidência que apóie a idéia popular de que Teófilo não era o nome de uma pessoa determinada senão que Lucas o tinha usado para representar aos cristãos em general; mas o título ‘excelentíssimo’ parece indicar claramente que se tratava de uma pessoa específica. Podemos aceitar a idéia de que Teófilo era uma pessoa real, com um nome bonito, embora não incomum, uma pessoa que deveria estar ocupando uma alta posição no mundo romano, e convertido ao Senhor Jesus.”
Vendo o estudo da lição desta semana detectamos que grandes pregadores e grandes sermões passaram a fazer parte da adoração na igreja primitiva. Após a morte de Cristo, os apóstolos passaram por um momento de dispersão. O medo afugentou alguns deles de Jerusalém e os poucos que ai permaneceram estavam enclausurados a sete chaves.
Jesus, após a ressurreição, tomou três atitudes fundamentais para a expansão da igreja primitiva após Ele subir para o Céu. Primeiro, por várias vezes, apareceu vivo entre eles. Segundo, prometeu o Espírito Santo e, terceiro pediu que eles permanecessem unidos em oração. Creio que os discípulos oraram pelo Espírito Santo pensando mais no consolo prometido, do que no poder propriamente dito.
O dia especial chegou e, as línguas de fogo abrasaram os corações daquele pequeno grupo homens assustados. O medo e a insegurança se tornaram em cinzas e a pregação do Evangelho irrompeu qual vulcão antes adormecido. Os longos dias de contrição, oração e adoração culminaram em algo de uma magnitude que jamais havia passado pela cabeça de algum deles.
Ainda hoje tem pessoas que tentam provar que a ressurreição de Jesus não existiu. Lucas é enfático: “Aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias, e falando das coisas concernentes ao reino de Deus” (Atos 1:3). Duas provas são claras: Jesus se alimetou com eles e o Seu corpo foi apalpado por Tomé. Do meu ponto de vista, a maior prova da ressurreição de Jesus, está no êxito da Igreja Primitiva. Como que um movimento acéfalo teria alcançado tamanhas proporções?
Mesmo depois da ressurreição, os discípulos alimentavam a esperança de Jesus fundar o Seu reino terrestre. Lucas volta a este assunto não só de interesse dos discípulos, mas também dos sacerdotes e do governo romano, apenas para alertá-los que o reino de Jesus não é deste mundo. A mensagem de Lucas nos primeiros dez versículos do capítulo um de Atos focaliza alguns pontos importantes:
- A ressurreição de Jesus foi real.
- Que a Sua ascensão aos Céus foi real.
- Ele foi recebido no Céu.
- Os discípulos em permanente vigília pelo Espírito santo.
- A segunda vinda de Jesus será real.
O Pentecostes, era uma festa conhecida como das sete semanas por ser celebrada sete semanas depois da festa da páscoa, no quinquagésimo dia. Daí surgiu o nome Pentecostes, que significa “quinquagésimo dia”.
Podemos imaginar como transcorreu a adoração no dia de Pentecostes, quando todos os que estavam reunidos foram destituídos de suas limitações para pregar o Evangelho. De repente, o reboliço que aconteceu no Cenáculo invadiu as ruas com homens e mulheres testemunhando de Cristo com ousadia. Cada habitante do mundo que estava em Jerusalém naqueles dias ouviu a mensagem de salvação em sua própria língua.
O verso sete nos dá a idéia de como foi isso. “E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois quê! não são galileus todos esses homens que estão falando?” Os dicionários definem pasmado como apalermado espantado, estupefato. Ficar ou estar sem ação, atônito diante de uma determinada situação. Perto de nossa casa, em meus tempos de garoto, existiam dois moirões de porteira fincados em uma das estradas da região. A porteira mudou de lugar mas os moirões permaneceram ali sem ação. Eles foram apelidados de pasmados. Primeiro, porque permaneciam imóveis e estáticos e segundo, porque as pessoas que não sabiam da existêcia deles, e passavam por ali durante a noite, ficavam pasmadas de medo diante daquela assombração. Realmente ficar pasmo é o fenômeno que acontece com alguém que, de súbto, vê algo fora do normal. Foi essa a reação das pessoas ao verem aqueles galileus falando em outras linguas. Os sacerdotes, por outro lado, os acusavam de embriaguêz.
Diante de toda essa confusão, Pedro, se levanta e, com veemencia, fala da promessa do Espirito Santo encotrada em Joel. “E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito. E mostrarei prodígios no céu, e na terra, sangue e fogo, e colunas de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor” (2:28-31).
Imaginemos este Pedro que, poco antes, havia negado a Jesus e agora se levanta e com veemencia fala em favor do Mestre e expoe as mazelas das autoridades que O cruxificaram. O sermão de Pedro focou:
- O cumprimento profético da promessa do Espírito Santo.
- Os sinais precursores da volta de Cristo. (Escurecimento do Sol e da Lua).
- A promessa de salvação para todos que aceitassem o sacrifício de Jesus.
- Jesus, a quem eles cruxificaram, era o Messias enviado de Deus.
- Focou a divindade de Jesus.
- Ofereceu esperança de reconciliação.
O resultado foi o batismo de três mil pessoas.
Reviver a experiencia do Pentecostes em nossos cultos hoje constitue o maior desafio para nós adventistas. E para que isso aconteça só existe um caminho: entrega total e muito clamor em oração. Diz Ellen G. White: “Devemos orar tão fervorosamente pela descida do Espírito Santo como os discípulos oraram no dia de Pentecostes. Se eles precisaram disso naquele tempo, nós, hoje, mais ainda” (Testimonies, vol. 5, pág. 158).
Pedro, um homem inculto, pregou para as massas e o resultado foi sucesso total. Já no capitulo dezessete de Atos surge Paulo, um intelectual, pregando para as elites de seu tempo. As boas novas de salvação correram o mundo e chegou a Tessalônica onde Paulo discutia nas sinagogas. Não faltaram opositores e mordendo em ira bradaram: “Estes que têm alvoroçado o mundo, chegaram também aqui.” Quem dera essa exclamação fosse proferida por todas as cidades e lugarejos do mundo!
Como não foi possivel por as mãos em Paulo e Silas, prenderam a Jason que os ospedara em sua casa. Durante a noite, os irmãos enviaram os dois para Bereia e mais uma vez procuraram a sinagoga dos judeus. Ali o resultado foi diferente. O povo ouvia a amensagem e comparava com as Escrituras. Muitos se converteram.
Paulo chega a Atenas, o centro intelectual daquele tempo. Comovido com a idolatria dos atenienses resolveu pregar não só nas sinagogas mas também nas praças. Duas classes de filósofos se reuniram para debater com ele. Os epicureus e os estóicos. Epicureos eram os filósofos adéptos de Epicuro, filosofo que civeu trezentos anos antes de Cristo. Ele acreditava em Deus, e quando os seus colegas diziam que tudo veio do caus, ele perguntava: “e o caus veio de quem”?
Os estoicos formaram a escola estóica e recebe esse nome em homenagem do local onde foi fundada, a porta pintada ("Stoa Poikile"), em Atenas, por Zenão de Cício, por volta de 300 a .C. Paulo foi conduzido ao Areópago este, era o tribunal supremo de Atenas, composto de 31 membros, antigos arcontes, e encarregado do julgamento das questões criminais mais graves. Alcançou reputação de equidade e sabedoria e, por isso, o areópago passou a significar, figuradamente, assembléia ou corte de justiça augusta, imparcial e soberana.
Fico imaginando como Deus escolhe a pessoa certa para o momento e local certo. Pedro, indouto, o Espírito Santo o usou para pregar para as multidões. E Paulo, o apóstulo intelectual, foi uado pelo mesmo Espírito, para abalar os alicerces da cultura grega. Pelo pedigree apresentado pelos filósofos podemos imaginar o nível da discussão entre eles e Paulo.
Paulo iniciou o sermão, abriu as Escrituras e mostrou um Deus real. E mostrou que o Deus criador era o deus desconhecido que os atenienses adoravam sem saber quem era. “Paulo procurou desviar o culto e a devoção deles, dos ídolos e outras coisas vãs, para Deus vivo” (Lição página 149). O foco de sua mensagem foi:
- Deus é real e deve ser adorado
- Os atenienses não conheciam o Deus criador
- Deus é o criador do homem
- O Deus criador não pode ser comparado com os ídolos.
- A misericórdia divina.
- A ressurreição
- Os juízos de Deus. ( Ele estava falando para uma elite de juízes).
Devido um público diferenciado, a abordagem de Paulo foi mais doutrinária do que a de Pedro.
Na quarta, o estudo nos mostra o Evangelho sendo pregado em Corinto.Uma das cidades mais corruptas daquela época. E Paulo esclareceu que a adoração não se prende apenas aos fins de semanas, mas que faz parte de um estilo de vida.
Paulo recebe uma ordem divina para insistir na pregação, pois ainda tinha muita gente para ser alcançada em Corinto. A ordem veio acompanhada de uma promessa: “ninguém lançará mão de ti para te fazer mal”. O curioso é que, logo depois, os judeus prenderam a Paulo e o levaram ao tribunal. Mas o juiz recusou lhes dar atenção e os expulsou do dali e, Paulo saiu livre. Deus não nos livra da provação, mas sim na provação. Ele não livrou os amigos de Daniel da fornalha, mas sim na fornalha.
Dois motivos levaram os judaizantes a levarem Paulo ao tribunal. Eles não aceitavam a salvação pela graça. Se era difícil aceitar a Jesus como o salvador mais difícil ainda era abrir mão das regras acrescentadas, por eles próprios, a Lei. Eles fizeram uma regulamentação da Lei de Deus que era incoerente com os princípios divinos.
Na parte de quinta, Paulo dirige não mais ao “povo” de Corinto, mas a igreja de Corinto. “Å igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus , chamados santos, com todos os que em todo o lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso” (1 Corintios 1:2).
A igreja de corinto estava dividida em vários grupos e cada um era seguidor deste ou daquele apóstolo. “Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo. Está Cristo dividido? foi Paulo crucificado por vós? ou fostes vós batizados em nome de Paulo?” ( Atos1: 12 e 13). Os quatro primeiros capitolos Paulo aborda a necessidade de terem a Cristo como modelo e prega a necessidade de união entre eles.
Com uma igreja dividida assim, haja amor para neutralizar todas as divergencias. Mas os problemas da igreja de Corinto não restringiam apenas a este ponto. Lendo I Corintios vamos detectar uma enorme lista de desatinos cometidos por aquela igreja que causariam calafrios em qualquer pastor que fosse enviado para lá.
Como os irmãos de Corinto poderiam adorar em Espírito e em verdade se agasalhavam dentro de si divergências e pecados tão graves? Diante deste quadro, como está a nossa adoração? Diz Ellen G. White: “O culto de coração é o que Deus requer; as formas e o culto de lábios são como o metal que soa e o címbalo que tine. Vosso canto visa a exibição, não louvar a Deus com o espírito e o entendimento. O estado do coração revela a qualidade da religião do que professa piedade. Carta 1a, 1890” (Evangelismo, p 507).
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