domingo, 20 de outubro de 2013

Lições do santuário

Comentário da Lição da Escola Sabatina de 19 a 26 de outubro de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O autor é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga.

Introdução
O santuário era dividido em três partes: pátio ou átrio; o lugar santo e o lugar santíssimo, embora muitos comentaristas considerem o lugar santo e o lugar santíssimo como uma só parte.
Existe uma ideia de que os três compartimentos do santuário resumem o convite da salvação e a essência do evangelho. Ou seja: O átrio é o “vinde a Mim” e representa Cristo como o único caminho.
O lugar santo é um convite para seguirmos a Cristo. É o “vinde após Mim”. E o santíssimo é “permanecei em Mim”. Ele representa a vida, porque é no santíssimo que a nossa vida é garantida. Resumindo o santuário, semelhante a Cristo é o caminho, a verdade e a vida.
As taboas de acácia do santuário são consideradas por alguns comentaristas como Cristo revestido da humanidade. A madeira de acácia é pesada e dura, quase indestrutível pelo tempo ou pelos insetos. Por isso ela foi excelente para o uso do tabernáculo. A indestrutibilidade dessa madeira representa também que a humanidade de Cristo era incorruptível, nem o pecado e nem Satanás puderam atingi-Lo.
 Outros considerem as tábuas os seres humanos pecadores e a prata que os revestia, a graça de Cristo que nos envolve. Assim quando alguém olha para nós não vê um ser envolto em pecados, mas sim, a santidade de Cristo a nos envolver.
Todos os móveis do pátio eram de bronze ou cobre. O bronze e o cobre representam uma vida de sofrimento e pecado. Mas quando entramos no lugar santo nos deparamos com um altar revestido de ouro. É ali que Jesus transforma esse homem de cobre ou bronze fosco pelo pecado em ouro precioso de Ofir. 
O ouro representa a glória de Cristo e a Sua justiça como aquela vista sobre o propiciatório. Se o ouro significa a divindade e a madeira de acácia representa a humanidade, temos uma figura perfeita de um Cristo glorioso e justo, revestido da humanidade, pois Cristo é “Deus conosco” (Mateus 1:23).
A cor dos ornamentos do santuário tem muito a ver com a divindade de Cristo. O azul representa a natureza celestial de Cristo. Purpura tem a ver com a Sua realeza e soberania.
O carmesim fala do Seu sacrifício, enquanto a cor branca de linho tem a ver com a perfeição e aos que são lavados no sangue de Cristo.  O Linho Fino representa a justiça de Cristo e a daqueles que o aceitaram. (II Coríntios 5:21; Apocalipse 19:8; I Coríntios 1:30). Enquanto as peles de carneiro tingidas de vermelho era o emblema da Expiação de Cristo, ou a devoção do Sacerdote no seu oficio. Pele de texugos era sem revelo, manifestando o fato que o homem natural não vê em Cristo nenhuma formosura (Isaías 53:2).
 O azeite fala do Espírito Santo, ou Sua unção, I João 2:27. O Espírito Santo foi dado a Cristo sem medida, João 3:34. Cristo fez as Suas obras pela virtude do Espírito Santo, Hebreus 9:14; Sal 45:7; Isaías 11:2-4; Efésios 1:19. Cristo a Luz do mundo, João 8:12; a Sua sabedoria divina, I Cor 1:30 e as pedras de ônix e as pedras de engaste representam a união dos Cristãos a Deus por Cristo.

Domingo
            Já mencionamos em lição anterior que Deus não necessita de um lugar específico para a Sua habitação. Ele é onipresente e está em todo o lugar ao mesmo tempo.
            A ordem para fazer um santuário deixa bem claro o propósito divino: “para que Eu possa habitar no meio deles”. Já comentamos também que o propósito divino para a construção do santuário ‘terrestre não é porque Deus necessite de um lugar para morar, mas seria para que nós tivéssemos uma referencia de onde encontrá-Lo.
            Tanto o santuário celestial como o santuário terrestre é a referencia de onde encontrarmos Deus na Terra como no Céu. O santuário terrestre supriu a ausência do jardim do Éden onde Deus Se encontrava diariamente com Adão e Eva. Com a entrada do pecado Adão e Eva tiveram que deixar o Éden. A ordem para construção do Santuário era como se Deus estivesse dizendo: “Eu sio do Jardim junto com vocês, mas continuarei no meio de vocês em meio a poeira e o calor do deserto”.
            Com quatro rios serpenteando as suas terras o jardim do Éden era muito bem regado. Com certeza era o lugar mais aprazível da Terra. O homem não aprendeu a lição e, por causa de suas transgreções, ele é expulso de sua terra e desce para ser escravo no Egito. Em Sua misericórdia Deus o tirou de lá. Ao atravessar o deserto rumo à terra que mana leite e mel o homem mais uma vez exteriorizou a sua natureza carnal e, em consequência, permaneceu por quarenta anos vagueando pelo deserto. Mesmo assim Deus não o abandonou e pediu para que Moisés fizesse o santuário para que Ele pudesse morar entre eles.
            Que mudança drástica, deixar um jardim para morar em um deserto árido e inóspito onde as tempestades de areia faziam parte do dia a dia e onde o calor do dia era substituído pelo frio congelante da noite. Tudo isso para morar entre os Seus filhos que, embora rebeldes, continuava sendo os Seus filhos.

Segunda
            Levíticos 19:2 tem sido um permanente desafio para os filhos de Deus e é um texto que muitas pessoas têm dificuldade em compreender. Como ser santo como Deus é santo? Mas como Deus nos impõe uma meta impossível de ser atingida? Temos dois pensamentos a respeito. Primeiro a ordem divina constitui um alvo a ser alcançado e, em segundo lugar, seremos santos na esfera humana como Deus é santo na esfera divina.
            A busca por essa santidade termina com a nossa morte. Esse processo é conhecido por santificação e, falando de Santificação, a irmã Ellen G. White esclarece: “A santificação não é obra de um momento, de uma hora, de um dia, mas dá vida toda. Não se alcança com um feliz voo dos sentimentos, mas é o resultado de morrer constantemente para o pecado, e viver constantemente para Cristo” (Atos dos Apóstolos, p. 560).
            A santificação exige atenção diária. A rotina do santuário exigia cuidados específicos que não poderiam ser esquecidos. No processo de santificação acontece o mesmo.

Terça
            É fascinante o estudo do santuário. Na introdução descrevi alguns materiais usados na sua construção e alguns mobiliários.  Todos tem um significado e uma razão de ser dessa maneira. Na construção do templo a madeira foi importada do Líbano. Mas na construção do santuário todo o material foi proveniente das doações dos israelitas e a madeira de Acácia, usada não veio do Líbano, era própria do deserto. Como pode uma estrutura tão bem elaborada ser construída em uma região tão inóspita como o deserto!? Os construtores não puderam contar com material importado e nem com o auxílio de profissionais e ferramentas vindos de fora. Tudo foi resolvido entre eles.
         Deus ofereceu a chave para resolver o problema. “Eis que eu tenho chamado por nome a Bezaleel, filho de Iri, filho de Hur, da tribo de Judá, e o enchi do espírito de Deus, no tocante à sabedoria, ao entendimento, à ciência e a todo ofício, para inventar obras artísticas, e trabalhar em ouro, em prata e em bronze, e em lavramento de pedras para engastar, e em entalhadura de madeira, enfim para trabalhar em todo ofício. E eis que eu tenho designado com ele a Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã, e tenho dado sabedoria ao coração de todos os homens hábeis, para fazerem tudo o que te hei ordenado” (Êxodo31:2-6).  E completa: “Estes encheu de sabedoria do coração para exercerem todo ofício, seja de gravador, de desenhista, de bordador em azul, púrpura, carmesim e linho fino, de tecelão, enfim, dos que exercem qualquer ofício e dos que inventam obras artísticas” (Êxodo 35:35). Esse “inventar obras artísticas” não quer dizer que Bezaleel e Aoliabe inventaram as coisas como bem lhes vieram na cabeça. Deus lhes deu o dom de inventar como fazer as coisas.
É curioso observar que Barzilai e Aoliabe não receberam uma ordem de Deus. Eles receberam um convite. Eles não eram profissionais em todas as áreas, mas Deus os capacitou. Imagino que o Santuário não fazia parte das sete maravilhas do mundo daquela época. Ele era a maravilha das maravilhas do mundo.
Nos capitólios 37 e 38 temos o relato da ordem seguida na edificação do santuário. A construção foi realizada de dentro para fora iniciando pelos móveis do lugar santíssimo. Esse detalhe nos leva a duas considerações. Primeira, é que ao começar com a construção da arca com o seu conteúdo, do propiciatório e dos querubins, depois de pronto, não haveria necessidade dos construtores entrarem no Santíssimo onde só o Sumo Sacerdote poderia entrar. A segunda consideração é que somos o santuário de Deus e que a construção do nosso caráter também deve ser de dentro para fora.
E mais um adendo: a construção do santuário só foi possível porque os construtores se deixaram ser usados pelo Espírito Santo. O mesmo acontece conosco. Sem a direção do Espírito Santo nada será possível.
Bezaleel e Aoliabe fundaram a primeira escola de Belas Artes do mundo. E que bela arte eles fizeram! “Também lhe dispôs o coração para ensinar a outros; a ele e a Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã” (Êxodo 35:34).

Quarta
            Todas as atividades espirituais, sociais, jurídicas e também o proceder das pessoas tinham a ver com o santuário. Esse é um lembrete especial para todos nós. Toda a nossa vida deve estar voltada para o que acontece no santuário.
            Em qualquer situação em que encontrassem os israelitas deveriam ter a sua atenção e visão voltadas para o santuário ou o templo. Seria como se fosse um casamento dos israelitas com o templo. Tanto na prosperidade como na adversidade esse vínculo nunca deveria ser quebrado.
            Quando a colheita era farta eles se dirigiam ao santuário para agradecer a Deus. Ao caírem em pecado ou se sofriam a repreensão do Senhor a sua atenção deveria estar sempre voltada para o santuário.
            Mesmo exilados ou cativos em terras distantes eles deveriam volver o seu olhar na direção do santuário. Foi essa a postura de Daniel quando esteve exilado nas cortes de Babilônia. Três vezes ao dia ele abria a janela do palácio que dava para a direção do templo em Jerusalém e orava ao seu Deus. É interessante que Deus ouvia a oração de Seus filhos errantes em resposta à oração de Salomão.
            Todas as falhas que os israelitas cometiam contra Deus e contra o próximo tinha o seu desfecho no santuário. Aconselhamentos ou repreensões provinham do templo.

Quinta
            A depender da falha cometida o pecador deveria oferecer determinado tipo de sacrifício. Esse sacrifício apontava para Jesus que um dia daria a Sua vida em favor dos transgressores.
Caso o sacrifício fosse diferente do preestabelecido por Deus o pecador era punido. Oferecer o sacrifício específico era uma prova de aceitação da misericórdia divina. A depender do sacrifício oferecido o pecador seria perdoado ou justiçado. Deus é amor, mas a justiça é à base do Seu trono.
Davi se preocupou com o progresso do ímpio quando pessoas fiéis padeciam necessidades e enfrentavam provações. As suas dúvidas persistiram até que ele entrou no santuário e viu o fim dos perversos.
Semelhantes a Davi, muitas de nossas dúvidas serão dirimidas depois que conhecemos mais e melhor o santuário.
Em certo momento de sua vida Davi foi surpreendido por Saul que o ameaçava de morte. Ele conseguiu escapar, mas não foi possível levar coisas essenciais para a sua sobrevivência como alimentos e a sua espada. Em sua fuga ele se dirigiu ao santuário e procurou o sacerdote.
Ele estava desarmado e faminto. O sacerdote lhe ofereceu pão santo que a pessoa em pecado não poderia comer. E Davi teve uma surpresa especial. A espada de Golias que lhe foi tão útil um dia estava ali esquecida no santuário. “E disse Davi a Amoleque: Não tens aqui à mão uma lança ou uma espada? porque eu não trouxe comigo nem a minha espada nem as minhas armas, pois o negócio do rei era urgente.
Respondeu o sacerdote: A espada de Golias, o filisteu, a quem tu feriste no vale de Elá, está aqui envolta num pano, detrás do éfode; se a queres tomar, toma-a, porque não há outra aqui senão ela. E disse Davi: Não há outra igual a essa; dá-me” (1 Samuel 21:9). Foi no santuário que Davi encontrou solução para os seus problemas.
Davi ao vencer Golias achou que jamais iria necessitar daquela espada e a desprezou esquecendo-a no santuário. Muitos usam a Bíblia, a Espada do Espirito para vencer os Golias da vida. Mas às vezes a autoconfiança os leva a deixá-la na igreja embrulhada na poeira do esquecimento. É ela que nos ajuda a vencer o Golias e os demais inimigos que procuram nos destruir. Temos que ir ao santuário não para obtê-la, mas com ela nas mãos. (Sugestão de leitura: página 289 da Meditação Reavivar a Esperança).

Conclusão
            “Nenhuma linguagem pode descrever a glória do cenário apresentado dentro do santuário [...] tudo não era senão um pálido reflexo dos esplendores do templo de Deus no Céu” (Patriarcas e Profetas, p. 347).

           



sábado, 12 de outubro de 2013

Sacrifício

Comentário da Lição da Escola Sabatina de 12 a 19 de outubro de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma Meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia-Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            Com a entrada do pecado no mundo e como único meio de erradica-lo foi necessário a morte de Jesus como sacrifício expiatório, Deus direcionou a vida do homem a uma oferta de sacrifícios para que em qualquer momento de sua vida ele se lembrasse do sacrifício de Cristo como único meio de salvação.
            Desde o Éden altares têm sido erguidos e sacrifícios têm sido oferecidos a Deus como uma projeção do que Cristo um dia faria por nós. Caso os altares construídos pelos filhos de Deus permanecessem até hoje teríamos o mundo marchetado pela presença deles.
            Do meu ponto de vista servir a Deus no antigo testamento era mais difícil e penoso do que agora. Sacrificar um animal, para pessoas como eu, seria um ato difícil e doloroso demais.
            Podemos imaginar Deus pedindo a Adão e Eva que escolhesse o cordeiro mais lindo que existia no Éden e colocassem as mãos sobre a cabeça dele enquanto o Senhor o degolava. E mais, Deus deixou bem claro que aquele ato seria repetitivo diariamente até que Jesus, o Cordeiro de Deus, fosse sacrificado no Calvário.
            Com a morte de Jesus, hoje não oferecemos sacrifícios de cordeiros. Porém, o homem que até então, sabia de cor e salteado a rotina ao redor do altar, e que por tantas vezes viu o sangue de um cordeirinho correr sobre a pedra maciça, é convidado a participar do que acontecia em cima do altar. Até então ele sacrificou como ofertante, mas agora é desafiado a ser a oferta.
         Veja o recado divino: “Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Romanos 12:1).
         Esse sacrifício a que somos convocados a oferecer envolve renuncia diária das coisas que alimentam a nossa natureza carnal e, se necessário for, sermos ovelha sobre o altar. Tudo isso para que nunca percamos de vista o que Jesus fez por nós.

Domingo
         Que mudança trágica na vida do casal edênico! Participar da execução do cordeirinho deve ter sido uma experiência marcante na vida deles. E mais, ajudar a retirar a pele do cordeiro e ver o alfaiate do Universo fazer dela túnicas para eles próprios usarem.
         Caso o cordeiro não fosse morto naquele momento eles seriam eliminados imediatamente e a raça humana deixaria de existir. A pele do cordeiro cobriu a nudez mostrada pelo pecado. Aquela túnica, diferente da túnica de folhas de figueira, era a prova da misericórdia divina que os cobria naquele momento. Dali para frente o casal e seus descendentes teriam uma oportunidade de se reconciliarem com Deus.
         Cada vez que os nossos pais olhassem para as suas vestes viam não só o que o pecado causou, mas viam também a misericórdia divina a lhes envolver.
A nota do rodapé da página 30 esclarece um ponto curioso. Antes de Deus delinear para eles as consequências do pecado, o Senhor deu uma mensagem de esperança: a morte do cordeiro.  Naquele momento foi firmado o mais solene compromisso de todos os tempos. Com o pecado nós não teríamos mais condições de permanecer na presença de Deus. Mas o Senhor não queria perder o contato conosco então, Ele se fez humano e viveu entre nós. Que lição de amor!

Segunda
As ofertas ou sacrifícios eram divididos em cinco grupos: Holocausto, Manjares, Pecado, Pacíficas e Oferta pela Culpa.
a) Holocaustos (Levíticos 1) - Tinha o propósito de expiar os pecados em geral. Era sacrificado um bezerro, carneiro ou ave.
b) Oferta de manjares (Levíticos 2) - Demonstrava honra e respeito a Deus em adoração. Eram oferecidos grãos, flor de farinha, incenso e pão sem fermento. Esclarecendo que flor de farinha era a farinha do trigo que depois de pilada no pilão era peneirada. Era como se estivesse oferecendo o melhor do trigo ao Senhor. O propósito da oferta de manjares era um oferecimento de presentes, e fala de uma vida que é dedicada a dar, e à generosidade. 
c) Sacrifício Pacífico (Levíticos 3) - Expressava gratidão a Deus, pela paz e comunhão com Ele. Consistiam no oferecimento de um novilho ou de um carneiro ou de uma cabra.
d) Ofertas Pelo Pecado (Levítico 6-24 a 30) – Expiavam as fraquezas e fracassos não intencionais dos adoradores diante do Senhor.
e) Oferta pela Culpa (Levíticos 6:5-7) - Era parecida com a oferta pelo pecado, mas a diferença principal era que a oferta pela culpa era uma oferta em dinheiro para pecados de ignorância relacionados à fraude. Por exemplo, se alguém enganasse sem querer a outro por dinheiro ou propriedade, o sacrifício dele devia era ser igual à quantia levada, mais um quinto para o sacerdote e para o ofendido. Então ele reembolsou a quantia levada mais 40%.
Em todas as ofertas e sacrifícios era oferecido o melhor para o Senhor.
É importante notar que os israelitas tinham que viver sintonizados no rito sacrifical. Para cada tipo de pecado era uma oferta diferente e Deus não permitia equívocos. Assim como hoje a salvação dependia de uma entrega diária e continua.

Terça
Sempre que leio o capitulo vinte e dois de Gênesis me detenho nos versos um, sete e onze.  Os três versos apresentam três momentos distintos na vida de Abraão que o identifica como o pai da fé,
No primeiro verso vemos um Abraão riquíssimo bem acomodado em sua fazenda. Deus o chama e ele responde: “Eis-me aqui.” Nesse momento é fácil dizer “eis-me aqui”. Ele está cercado de riquezas; fazendas a perder de vista e lotadas de rebanhos diversos; dezenas de servos prontos a atender as suas ordens e o melhor de tudo: Isaque, o filho da promessa, a cada dia cresce em estatura diante de Deus e dos homens.
No verso sete o senário da vida muda por completo. Ele está a caminho da terra de Moriá para lá oferecer o seu filho em holocausto conforme a orientação divina. Nesse momento ele ouve uma voz familiar. É Isaque que o chama e mais uma vez Abraão responde: “Eis-me aqui.” “Eis-me aqui meu filho, longe de casa, angustiado, coração partido e sem palavras pera responder às suas dúvidas e indagações. Mas eis-me aqui disposto a atender a ordem do Senhor.”
No verso onze vemos Isaque submisso, amarrado e pronto para o sacrifício. Ele sabia de cor e salteado a rotina ao redor do altar, mas nunca havia experimentado o que é ser o cordeiro sobre o altar. De pé, junto do altar, está Abraão que, por dezenas de vezes, degolou um cordeiro e viu o seu sangue banhar as pedras rústicas dos altares por onde passou. Mas agora o cordeiro é o seu próprio filho.
É nesse momento que a voz do Céu brada fortemente: “Abraão, Abraão” e com voz embargada ele responde mais uma vez: “Eis-me aqui.” “Eis-me aqui Senhor com o cutelo suspenso na mão; eis-me aqui banhado em lágrimas; eis-me aqui pronto a degolar o meu filho da promessa. Enfim, eis-me aqui pronto a fazer o Teu querer.”
Deus interveio no momento crucial. Um cordeiro foi miraculosamente provido e Isaque escapa ileso. Não foi necessário Deus explicar nada. Abraão entendeu tudo. Sugerimos que você leia as páginas 77,78 e 79 de nossa meditação Reavivar a Esperança.

Quarta
            A proibição, feita por Deus, para que os seres humanos não comessem sangue teve como explicação de que a vida está no sangue. Mas essa simples proibição envolve um raciocínio mais acurado.
            O sangue derramado de alguns animais prefigurava o sangue de Cristo que um dia seria vertido no Calvário para nos poupar da morte eterna. Sem o sangue correndo nas veias o corpo não tem vida. Assim, a vida do corpo está no sangue porque sem sangue o corpo não sobrevive.
            Ao orientar que o Seu povo evitasse comer sangue, Deus tinha dois propósitos. O primeiro seria que o sangue vertido de algum animal nos fizesse lembrar do sangue de Cristo vertido para salvação de todo aquele que Nele crê. O segundo seria que o não alimentar de sangue é saudável ao ser humano.
            O nosso sangue contaminado pelo pecado gera a morte eterna. Quando aceitamos o sacrifício de Cristo na cruz o Seu sangue, isento de pecado cobre as nossas transgreções. Assim a Sua vida foi dada pela nossa vida.
            O plano da salvação é resultado do grande amor de Deus por nós. Jesus Se revestiu da humanidade e arriscou a Sua divindade para nos redimir.
            Os judeus fizeram da rotina sagrada do santuário algo comum e profanaram o lugar santo. Jesus reprovou a postura deles esclarecendo: “Ide, pois, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifícios” (Mateus 9:13).

Quinta
            Hoje não oferecemos mais o sacrifício de um animal porque Jesus veio a esse mundo e cumpriu tudo o que estava escrito a Seu respeito pelos profetas. Ele é o Cordeiro morto desde a fundação do mundo.
         O fato de não oferecermos mais sacrifícios de animais pode arrefecer em nós o preço real de nossa redenção. Para que tal não aconteça o Senhor nos orienta a oferecermos diariamente o nosso corpo em sacrifício não morto, mas vivo. É interessante que em nossa luta para perseguir esse ideal Paulo afirma: “Eu vos declaro, irmãos, pela glória que de vós tenho em Cristo Jesus nosso Senhor, que morro todos os dias” (1 Coríntios 15:31).
         Esse morrer diário para o mundo é o nosso grande desafio. Só o amor a Cristo pode nos proporcionar a força necessária para morrermos diariamente para o mundo. Esse amor ardendo em nosso coração é que mantém a nossa chama acesa sobre o altar.
         O nosso relacionamento diário com Cristo torna o nosso sacrificar diário mais leve. Disse Jesus: “Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo e leve” (Mateus 11:30).

Conclusão

         Jesus nos convida a oferecermos o nosso corpo diariamente em sacrifício não morto, mas vivo. Que a nossa resposta ao Seu convite seja semelhante à de Abraão: “Eis-me aqui” (Gênesis 22:1).

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

"Céu" na Terra

Comentário da Lição da Escola Sabatina de cinco a doze de outubro de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            Alguns odontólogos ainda usam o molde de cera para moldar a arcada dentaria de alguém que perdeu todos os dentes. A cera é colocada em uma chapa e depois de aquecida é aplicada nas gengivas do paciente. Após o esfriamento é retirada e com esse molde em mãos o protético molda os novos dentes do cliente.
            O verdadeiro santuário está no Céu onde Cristo, o “Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo”, ministra e intercede por cada um de nós. Antes de Cristo assumir as Suas funções no santuário celestial, o que aconteceu só depois da Sua ressurreição, Deus mostrou para Moisés um modelo ou molde do santuário para que um semelhante ao celestial fosse erguido e usado na Terra.
            Com a morte de Cristo ele perdeu a sua funcionalidade na Terra e passou a funcionar literalmente no Céu, onde Cristo ministra no verdadeiro santuário que Deus erigiu e não o homem.

Domingo
         Alguns aspectos curiosos relembram o santuário e a sua importância em nossa vida. Temos por exemplo o próprio Cristo que considerou o Seu corpo um templo ou santuário. Referindo-Se a Sua morte e ressureição Ele disse: “Respondeu-lhes Jesus: Derribai este santuário, e em três dias o levantarei” (João 2:19).
A igreja é o santuário onde nos encontramos com Deus. É bom esclarecer que igreja não quer dizer um prédio de quatro paredes dedicado especificamente para igreja.
Na última semana foi realizado aqui em Brasília o Impacto Esperança. Fiz eram parte do projeto dois programas a céu aberto na Esplanada dos Ministérios. Naquele momento aquele local, com cerca vinte mil pessoas reunidas, se transformou na igreja de Deus. Qualquer lugar onde um grupo de pessoas se reúne com o objetivo de encontrar com Deus é a igreja de Deus reunida. E a promessa divina é: “Eu estarei no meio deles.”
O jardim do Éden era considerado o santuário antes do pecado. Ali Deus tinha um encontro diário com o homem. Com a entrada do pecado surgiu o Santuário celestial. Como o pecado não permite que estejamos no santuário no Céu, e como Deus deseja estar em continuo relacionamento conosco, Ele orientou Moisés a construir o santuário terrestre. Ali Deus Se manifestava em gloria. Hoje não temos o santuário que existiu até à morte de Cristo e a igreja faz o papel do santuário ao mesmo tempo em que nos direciona pela fé para o santuário celestial.
Assim como o corpo de Cristo, na forma humana, era considerado um santuário a Bíblia afirma que o nosso corpo também é um santuário: “Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1 Coríntios 6:19).
No santuário celestial é onde Deus habita e é onde processa a nossa salvação.  Assim o nosso corpo é o Santuário onde Deus deseja habitar. Por outro lado, assim como a nossa salvação se possessa no santuário celestial temos que processa-la também em nossa vida diária.

Segunda
            Em determinada fase do “curso primário” era comum a professora pedir aos alunos, como tarefa de casa, que fizessem uma cópia de determinada página de um livro. No outro dia ela passava caderno por caderno revisando a cópia que havíamos feito. Com frequência tinha uma letra trocada aqui ou faltava outra ali. E por mais que a classe se esforçasse para tirar nota dez, dificilmente alguém conseguia.
            Hoje, com a frequência de concursos e provas de vestibular é comum a palavra “gabarito.” Para alguém se sair bem em um exame, as respostas que ele colocou na prova devem coincidir com as respostas especificadas no “gabarito”. O “gabarito” é o modelo de uma prova bem feita.
            Na minha juventude me lembro do meu avô fabricar alguns violinos. Para cada parte do violino ele fazia um “gabarito.” As peças tinham que ser idênticas ao gabarito e qualquer diferença entre os dois impedia que o violino viesse a se tornar uma obra de arte. O “gabarito” e a peça resultante dele deveriam ser idênticos.
            Foi isso que Deus exigiu de Moisés. Primeiro Deus mostrou o modelo e depois solicitou que tudo fosse feito conforme o modelo mostrado no monte.
            Nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Com a entrada do pecado essa semelhança foi descaracterizada. Jesus ao tomar a forma humana e viver sem pecado, Ele Se tornou o nosso Modelo. Mas é impossível, por nós mesmos, vivermos exatamente como esse Modelo proposto.  Ai entra o santuário. É nele que encontramos a graça necessária que nos torna semelhante ao Modelo.
Esse contínuo modelar o nosso corpo de acordo com o Modelo a nos apresentado chama-se santificação, e a santificação é uma obra para a vida toda.

Terça
A nossa salvação passa pelo santuário. Não pelo fato de ser o santuário, mas este é o lugar onde Cristo intercede por nós. Não que o santuário não tenha a sua importância. Ele é o porto seguro onde encontramos Cristo fazendo propiciação pelos nossos pecados.
Na forma humana Jesus sentia necessidade de um relacionamento íntimo com Deus. Esse relacionamento foi responsável por sua vida sem pecado. E foi tão real que mesmo na forma humana Ele pode dizer: “Eu e o Pai somos Um.”
Quando Jesus igualou o Seu corpo a um templo ou santuário e, quando observamos as divisões do santuário, vemos que a Sua vida em Si exemplificava bem o que é o Santuário em sua forma física.
Podemos imaginar que a infância e juventude de Jesus seria o pátio do santuário. Os três anos e meio de ministério seria o lugar santo e a sua morte e ressurreição, o santíssimo. (Opinião pessoal do comentarista).
Quando Jesus declarou ser o Seu corpo um templo, além da lição que Ele nos ensina de fazermos do nosso corpo a morada Dele em nossa vida é importante lembrar que um de Seus objetivos era chamar a atenção do povo para o sentido da verdadeira adoração. Veja que segundo a dúvida apresentada pela samaritana existiam na época dois lugares específicos de adoração, diz o texto: “Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar” (João 4:20). Os samaritanos adoravam no monte, enquanto os judeus adoravam em Jerusalém. Eles davam mais importância ao local de adoração do que ao Objeto da adoração: Cristo.
Daí a ênfase de Jesus: “Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (João 4:24). E logo depois Jesus Se identifica para a samaritana: “Replicou-lhe a mulher: Eu sei que vem o Messias (que se chama o Cristo); quando ele vier há de nos anunciar todas as coisas. Disse-lhe Jesus: Eu o sou, eu que falo contigo” (João 4:25 e 26).

Quarta
O autor da lição menciona a Igreja como santuário, mas nas passagens bíblicas apresentadas o nosso corpo é o templo de Deus. Em principio as colocações do autor se centralizam no corpo humano como santuário. É lógico que um grupo de pessoas forma a Igreja e partindo desse raciocínio as suas colocações são válidas.
Quando voltamos o nosso pensamento para o Céu lá está o santuário de Deus de onde procede a nossa salvação enquanto aqui na Terra é a Igreja que nos leva ao santuário celestial. A nossa frequência à Igreja nos aproxima mais e mais do santuário celestial.
A Igreja funciona como uma escola onde tenho a minha atenção dirigida para o santuário celestial. É na igreja que eu vou aprender a importância do santuário para a minha salvação.
A Igreja me ensina e me estimula a ter uma vida santa e a me apartar de toda a aparência do mal. Caso o pecado reine em mim não há como Jesus ocupar o meu coração. O propósito de Deus é que façamos do nosso corpo o Seu santuário aqui na terra. Aceitar ou não a proposta divina é uma questão nossa.

Quinta
Todo o esforço de Deus para retratar o santuário aqui na Terra quer seja por meio da Igreja ou do nosso corpo visa nos moldar para habitar no santuário celestial.
Na caminhada pelo deserto Israel contava com a presença diuturna de Deus na nuvem e também no santuário. No Céu desfrutaremos de Sua companhia por toda a eternidade. Como na caminhada pelo deserto, o Senhor estenderá o Seu tabernáculo sobre nós. Isso quer dizer que estaremos dentro do tabernáculo celestial e mais: ocuparemos tronos. E com Jesus, seremos reis e sacerdotes.
 O Céu será um lugar onde o mal jamais voltará a existir. Não haverá mais lágrimas nem dor. E a Bíblia afirma: “As primeiras coisas são passadas.” Só desfrutaremos dessas delicias se, enquanto aqui na Terra, atendermos a dois quesitos. O primeiro é fazermos do nosso corpo o santuário para habitação do Senhor e, o segundo, é aceitarmos o que Jesus faz por nós hoje no santuário celestial.
No rodapé da página a irmã White faz uma pergunta que merece a nossa reflexão. Diz ela: “Por que é tão importante andar, agora em íntima comunhão com Deus?”

Conclusão 
         Caminhar sobre ruas de ouro puro, possuir uma mansão já preparada para cada um de nós, vivermos isentos dos percalços que o pecado nos impõe será assim a nossa vida na nova Terra. Porém, mais importante do que tudo isso é estamos para sempre na companhia Daquele que nos redimiu.
            Façamos de nossa vida aqui um estagio bem vivido para desfrutarmos das delícias que nos esperam na cidade de Deus.


             

sábado, 28 de setembro de 2013

O santuário celestial

Comentário da Lição da Escola Sabatina de 28 de setembro a 5 de outubro de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga.

  Introdução 
 O autor da Lição inicia o estudo sobre o Santuário enfatizando o pouco que conhecemos sobre ele. Realmente conhecemos muito pouco desse assunto tão vasto. Mas duas coisas devem ser consideradas quando se fala do santuário. A primeira é que não conhecemos tudo o que foi revelado a seu respeito e a segunda, é que Deus revelou o necessário para entendermos o plano da redenção. Temos a certeza de que todo aquele que estuda a Palavra de Deus com oração e humildade, Deus vais clarear os pontos obscurecidos e irradiar a luz suficiente para lhe mostrar o caminho que leva ao Céu. Deus não necessita de um lugar para a Sua habitação. Uni presente como Ele é pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo inclusive no coração de cada alma contrita. A Bíblia afirma: “Porque assim diz o Alto e o Excelso, que habita na eternidade e cujo nome é santo: Num alto e santo lugar habito, e também com o contrito e humilde de espírito, para vivificar o espírito dos humildes, e para vivificar o coração dos contritos” (Isaías 57:15). Existem duas razões para o santuário ser a morada de Deus. A primeira razão não é porque Deus não tenha e nem necessite de um lugar para a Sua habitação. Mas é unicamente para que nós, seres humanos, tenhamos uma referencia de onde encontrá-Lo. A segunda razão é que, em Sua imensa sabedoria, Ele quis retratar aqui na Terra o que acontece no Céu no que tange a dinâmica de nossa salvação. Assim, Ele uniu útil ao agradável. O ato de busca-Lo no santuário faz com que encontremos com Cristo ministrando em nosso favor. O estudo do santuário é algo maravilhoso. Compreender o que Cristo fez e faz para nos salvar é necessário e ao mesmo tempo é muito gratificante.

 Domingo 
Deus revela o local de Sua habitação tanto no Céu como na Terra. É o Santuário. Sabemos que Ele é onipresente e que habita “num alto e santo lugar” e também com o “abatido de espírito”. Ele sabe que somos pecadores carentes de Salvação, assim Ele relacionou a Sua morada com o local onde a nossa salvação acontece. Sempre que olharmos para a Sua morada estaremos olhando para o Santuário e sempre que olhamos nos deparamos com Cristo intercedendo por nós. O fato de olharmos para o santuário estar nos céus onde Deus habita e Cristo intercede por nós nos leva a dois raciocínios: primeiro, faz com que nos esqueçamos das coisas terrenas e nos mantenhamos sempre voltados para cima. Segundo, nos leva a entender que em qualquer momento o nosso refúgio vem de cima. Paulo faz um veemente convite a todos nós: “Cheguemo-nos, pois, confiadamente ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e achemos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno” (Hebreus 4:16).

Segunda
 O fato de a Bíblia dizer que Deus tem um trono e de que está sentado nele não quer dizer que Deus está comodamente sentado em um trono de ouro ou marfim para se ufanar de Sua grandeza. Creio que o propósito maior é que entendamos a Sua grandiosidade e que todos os reinos e autoridades estão sob a égide do Seu poder. Ele esta acima de todos os reinos. Ele é Rei dos reis e Senhor dos Senhores. Deus nos mostra a Sua glória, o Seu poder para que não venhamos a por a nossa fé em alguma coisa terrena e que resulte em frustração para nós. Quantos por ai estão se firmando em riquezas, fama ou em algum ser humano falível. Felizmente nos temos em quem confiar. Deus nos oferece paz e segurança. Ele é a Rocha capaz de nos proteger. Vivemos em um mundo onde a injustiça impera e a maioria não acredita que um dia o Senhor agirá com justiça. O salmista afirma: “Justiça e juízo são a base do teu trono; benignidade e verdade vão adiante de ti” (Salmo 89:14). O autor da Lição nos adverte que assim como a justiça e o amor são à base do trono de Deus, essas virtudes devem fazer parte de nossas vidas, e afirma: “É um sagrado privilégio fazer isso.”

 Terça 
 O autor da lição confirma um pensamento que abordei no inicio deste estudo: “A visão do trono celestial é uma visão do Santuário Celestial.” E acrescentamos o porquê Dele associar o Santuário com a Sua morada. O livro do Apocalipse retrata a grandiosidade do nosso Deus. Ela se equipara a apresentada por Isaías no capitulo quatro do seu onde ele ressalta o temor que lhe causou estar diante da magnificência do Infinito: Exclamou ele: “Ai de mim! pois estou perdido” (Isaías 6:5). É interessante pensar que Isaías estava diante do trono, isso quer dizer que Ele estava diante do único ser no mundo que o poderia salvar, pois do trono emana amor e graça e foi justamente nesse momento que ele imaginou que seria consumido. Isaías não foi consumido, mas os seus pecados sim. Uma brasa trazida do altar purificou a sua língua e a sua vida. João ao ver esse amor que não mata, mas redime exclamou: “Digno és”, (Apocalipse 04:11).

Quarta 
Há poucos dias houve uma manifestação em frente ao Supremo Tribunal Federal de Justiça, quando um grupo de pessoas atiraram pedaços de pizza na escultura que representa a justiça. Era uma represália ao ato do supremo em conceder aos réus do Mensalão a oportunidade de ir a novo julgamento. Para os sedentos de justiça a ação do Supremo extrapolou os limites da paciência. O meu pai contava a história de um jovem advogado a quem o pai confiou a condução de todos os processos que tinha em mãos. Certo dia o filho chegou sorridente e com uma boa dose de confiança própria foi dizendo: “Hoje eu resolvi aquela causa que por mais de trinta anos o senhor não conseguiu resolver.” Ciente do que estava acontecendo o pai lamentou: “Você jogou fora uma das melhores minas de dinheiro.” E continuou: “Com aquela causa eu formei você e seus irmãos, ela também é responsável por uma boa parte do patrimônio que temos hoje.” Esse profissional do direito estava interessado mais no dinheiro de seu cliente do que em fazer justiça. Em breve Deus agirá com justiça. Ele não age impulsionado por dinheiro e nem usa de paternalismos e nem de corporativismo. Diante Dele a justiça é igual para todos.

Quinta
Antes de João relatar a magnificência do santuário celestial, Moisés, teve uma visão no monte Sinai na qual Deus mostrava detalhes sobre o santuário celestial. A construção do santuário terrestre envolveu muitas minúcias que, a primeira vista, parece supérfluo. Mas quando vemos a maneira como João descreve o Santuário no Apocalipse entendemos melhor a ordem divina: “Atenta, pois, que os faças conforme o seu modelo, que te foi mostrado no monte” (Êxodo 25:40). Já que naquela época não existia máquina fotográfica e nem filmadora, provavelmente, Moisés teve de fazer anotações de tudo que lhe era mostrado para que a orientação divina fosse seguida a risca. E quando lemos Isaías, Hebreus, o Apocalipse e outros textos bíblicos que mencionam detalhes sobre o Santuário entendemos melhor quão magnificente ele é. Temos que entender tanto a planta física do Santuário como o propósito de sua criação. Ele foi criado depois do pecado, portanto criado por nossa causa. No Santuário temos uma noção de quão terrível é o pecado. Quanto detalhe para que a nossa salvação se tornasse possível!

Conclusão
 Na nota da lição de sexta-feira a irmã Ellen G. White mostra quão profundo e maravilhoso e o Santuário e o seu significado. Ela afirma que Paulo ficou maravilhado e que teve dificuldade para descrevê-lo. Esta diante de nós uma rara oportunidade de entendermos um pouco mais por onde passa o caminho de nossa salvação. Os detalhes que envolvem o Santuário nos dá uma ideia de quão cuidadosos devemos ser com a nossa salvação. Depois de entender um pouco mais da glória e santidade que envolve o Santuário, Paulo nos adverte: “Efetuai a vossa salvação com temor e tremor” (Filipenses 2:12).

sábado, 21 de setembro de 2013

Reavivamento prometido: missào cumprida

Comentário da Lição da Escola Sabatina de 21 ao dia 28 de setembro de 2013. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF. Introdução Chegamos ao final de mais uma série de lições da Escola Sabatina. Foi u estudo apaixonante. Pena que notamos certo desinteresse em estudá-lo da parte de alguns membros da Igreja. Não sabemos se algum dia voltaremos a estudar esse tema. Talvez, essa tenha sido a última oportunidade. Para que seja concretizada a pregação do Evangelho em todo o mundo deparamos com duas situações preocupantes. Primeiro, o vertiginoso índice demográfico da população mundial supera em muito o crescimento da Igreja adventista, o que dificulta para a Igreja anunciar a mensagem de salvação a toda nação, tribo, língua e povo. A segunda situação é certa indiferença que notamos sobre o assunto visível na maneira de ser e proceder de um grande número de membros da Igreja. Mas de um detalhe não podemos esquecer. O reavivamento associado ao término da pregação do evangelho é profecia bíblica e, independente das nossas dúvidas ou indiferenças terão o seu cumprimento. Com certeza Deus vai agir no momento certo, a mensagem será anunciada e Cristo voltará. Domingo O IDE de Jesus esta soando desde a Sua ascensão no monte das Oliveiras. Seria mais difícil para os discípulos aceitarem esse desafio naquele tempo do que nós hoje. Dois fatores colaboram para esse pensamento. Primeiro eles eram um grupo de pessoas reduzido comparados com a população mundial naquele tempo. Em segundo lugar naquela época não existia nenhuma tecnologia que pudesse facilitar a pregação do evangelho. O sucesso alcançado foi unicamente resultado da obra do Espírito Santo. Eles cumpriram a missão para aquele tempo. A Bíblia afirma: “Se é que permaneceis na fé, fundados e firmes, não vos deixando apartar da esperança do evangelho que ouvistes, e que foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, fui constituído ministro” (Colossenses 1:23). O autor da Lição afirma que independente das aparentes dificuldades que possam existir a promessa de Deus se cumprirá. Embora a participação humana seja necessária e importante para a finalização da obra não será ela a única responsável por esse feito impossível de ser realizado só com as limitações humanas. O poder do Espírito Santo agirá fazendo a grande diferença. Ele fará com que o IDE apresentado aos discípulos soe de maneira poderosa aos nossos ouvidos fazendo com que a mensagem seja anunciada com coragem e determinação. Apenas o poder prometido fará com que a mensagem flua de maneira rápida e abrangente. Segunda Era dia vinte e nove de setembro. O ano não me lembra, eu era muita criança. Até aquele dia ainda não havia chovido naquela região das Minas Gerais e um tio meu comentava com meu pai: “estamos no final do mês de setembro e as chuvas ainda não chegaram”. Éramos agricultores e aguardávamos com ansiedade a chegada das chuvas quando o céu fumacento se transformava em nuvens escuras e a chuva caia em meio à ventania, raios e trovões. Antes que a chuva chegasse o ambiente era desanimador. O gado emagrecido desfilava lentamente como se em contrita procissão pedindo chuva. A vegetação ressequida e coberta de poeira era castigada ainda mais com um Sol causticante e abrasador. A única coisa que nos trazia um pouco de alento era ouvir o sabiá insistir em dizer com o seu cântico melancólico: “dia sete de setembro tem chuva, tem chuva, tem chuva”. Era frequente passar o dia sete de setembro sem que a chuva aparecesse. Lembro-me de ver pessoas, em penitencia, subir encostas com baldes de água e molhar o pé de alguma cruz plantada no alto de algum morro para que a chuva caísse. Em meio ao cenário tétrico comum no mês de setembro, um quadro sempre me chamou a atenção. É ver as mangueiras que, mesmo em meio ao calor causticante, se revestem de flores. Parece que elas têm certeza de que a chuva virá e se adiantam para que quando ela chegar os frutos já esteja a caminho. Para muitos de nos hoje a vida espiritual apresenta um senário desolador; árida, sem vida, enfumaçada. Mas a promessa de chuva abundante é divina e em seu tempo se cumprirá. Cabe a nós, que vivemos em meio à aridez de um mundo inóspito, produzir flores que no tempo certo receberão as bênçãos da chuva serôdia e se transformarão em bênçãos de conversos para a eternidade. Terça É interessante ver como Deus age na comunicação com os Seus filhos. Ele usa expressões familiares ao ser humanos para transmitir os Seus ensinamentos. Enquanto esteve na terra Jesus usou parábolas e ilustrações ligadas ao cotidiano das pessoas. A parábola do semeador e suas colocações no sermão da montanha são exemplos bem claros. Ao usar a água para simbolizar o Espirito Santo Ele transmite algumas lições. A água ocupa todos os espaços. Em um balde cheio de pedras ainda cabe muita água. Mas em um balde cheio de água não dá para acrescentar mais nada. Somos orientados a tomar oito copos de água por dia e setenta por cento do nosso corpo é água. Devemos ingerir alimento quando estamos com fome, mas a ingestão de água deve acontecer independente de estarmos ou não com sede. A água lava toda a sujeira do nosso corpo. Ela é um bem abundante na natureza e comum a todas as pessoas. Ela faz bem ao nosso corpo por dentro e por fora. Em Sua sabedoria Deus usa a chuva para exemplificar a descida do Espirito Santo. É curioso que a chuva cai dos céus. Assim é o Espirito Santo. Ele também vem de cima. A chuva cai independente de nossa vontade embora a sua demora em chegar desperta no agricultor o desejo de que ela caia o mais rápido possível e a sua escassez é motivo de preocupação e angustia. Já a chuva do Espirito Santo deve ser desejada e buscada com todo o empenho. Para ter um bom aproveitamento da chuva o agricultor prepara a terra e a semente. O agricultor sabe que sem a chuva não adianta semear e todo o seu trabalho é vão. Assim nós devemos nos conscientizar que sem a chuva do Espírito Santo o nosso trabalho é vão. O nosso dever é semear com a certeza de que o Espirito Santo fará a semente germinar, crescer e frutificar. Quão importante Ele é em nossa vida! É nosso dever clamar pela chuva serôdia, se alimentar da Palavra e estreitar os nossos relacionamentos na horizontal e na vertical. As pessoas que no passado e, ainda agora, sobem encostas para rezar ao pé de alguma cruz pedindo chuva, longe de serem criticadas, nos transmitem uma grande lição. Quem dera seguíssemos o seu exemplo no que se refere à chuva serôdia. Quarta A água e o fogo são frequentemente usados na Bíblia para representar o poder e a glória de Deus. Do meu ponto de vista a sarça, que diante de Moisés aparece envolta em labaredas e não se queima, retrata bem a atuação do Espirito Santo em nossa vida. Ele nos purifica sem, contudo nos consumir. O processo, embora doloroso poupa a nossa vida e a purifica ao mesmo tempo em que a santifica. No pentecostes o fogo consumiu as indiferenças que permeavam entre os apóstolos e fez deles pessoas consagradas e prontas para a pregação do evangelho. O processo foi dolorido? Com certeza sim! Eles tiveram de abrir mãos de ressentimentos acariciados e aspirações egoístas. Os juízos de Deus também se manifestam através da água e do fogo. Foi assim que aconteceu com Nadabe e Abiu ao tocarem na arca de Deus e serem consumidos com fogo. No diluvio os juízos de Deus caíram sobre a Terra em forma de água e no final do milênio serão em forma de fogo. Diz Malaquias: “Pois eis que aquele dia vem ardendo como fornalha; todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como restolho; e o dia que está para vir os abrasará, diz o Senhor dos exércitos, de sorte que não lhes deixará nem raiz nem ramo” (Malaquias 4:1). Quinta Certa vez vi uma imagem na televisão que me chocou. Em certo país, não me lembro qual, ocorreu uma grande inundação. Em meio aos torvelinhos de água barrenta apareceu uma jovem adolescente que lutava bravamente por sua vida. Não havia como resgatá-la e agarrada a alguma coisa ela se mantinha apenas com a cabeça fora da água. O volume de água foi aumentando até que a cobriu por completo. A última imagem foi a sua mão acenando para as câmaras com um até nunca mais. Esse é o mundo em que vivemos. Desastres, incêndios, tormentas, violência, fome, dor, aflição e morte fazem parte do nosso dia a dia. Mas a promessa de Deus é que essa igreja, hoje letárgica, será revestida de poder e com ousadia concluirá a pregação do evangelho a todo o mundo e então virá o fim. Sim, Deus promete um fim para tudo de mal que existe hoje. Será o fim do grande conflito e o alvorecer de um novo mundo sob a égide da justiça, da paz e da ordem. O Dragão, que até agora tem lutado freneticamente para destruir os filhos de Deus, será vencido pelo Cordeiro. A promessa de Deus é: “Eles o venceram pelo sangue do Cordeiro” (Apocalipse 12:11). O grande Conflito chegará ao fim com uma abrangente atuação da Igreja anunciando a última mensagem de misericórdia. Os membros da Igreja de hoje que permanecerem acomodados preguiçosamente na rede da indiferença “será quebrantado de repente sem que haja cura”. Conclusão O nosso dever é pregar a mensagem de salvação a todo o mundo. Mas a decisão pela verdade é obra do Espirito Santo. Essa união do humano com o divino é que preparará o mundo para o juízo final. Que privilégio fazer parte desse grande momento

domingo, 15 de setembro de 2013

Reforma: quebrando relacionamentos quebrados

Comentário da Lição da Escola Sabatina de14 a 21 de setembro de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            Está diante de nós o segundo tema mais complicado do trimestre. O primeiro foi a lição “Unidade: o vínculo do reavivamento.” Mais uma vez um tema fácil de ser compreendido e difícil de ser praticado.
            Os que leram o meu comentário sobre aquela lição vão se lembrar do que escrevi na introdução, onde adaptei um céu coerente com as indiferenças e porfias existentes entre nós.
            O autor da lição deixa claro que mesmo depois do Pentecostes surgiram divergências entre os apóstolos. E em nossos dias dificilmente vamos encontrar um irmão que não esteja descontente com alguém na Igreja. Isso nos mostra o quanto Satanás trabalhou e continua trabalhando para emperrar a proclamação da mensagem.
            Pela graça divina as divergências nos dias dos apóstolos foram superadas. E temos consciência de que se não permitirmos que essa mesma graça atue poderosamente entre nós, com certeza, haverá muita mansão vazia na Nova Terra.
            Problemas de relacionamento sempre existiram entre o povo de Deus. A irmã Ellen G. White fala do cuidado que se exigiu de cada pioneiro para que a unidade doutrinária da Igreja não fosse afetada. Diz ela: “Procurávamos fazer com que as nossas divergências de opiniões fossem tão pequenas quanto possível, não insistindo nós sobe pontos que eram de menos importância, a respeito dos quais havia opiniões divergentes. A preocupação de toda alma, porém, era promover entre os irmãos uma condição que correspondesse à oração de Cristo para que Seus discípulos pudessem ser um, assim como o são Ele e o Pai” (A Igreja Remanescente, p. 21).

Domingo
            A Bíblia apresenta pelo menos três episódios de divergências que aconteceram na Igreja primitiva. O primeiro, de cunho social, foi o tratamento exclusivista dado às viúvas e que levou a instituição do diaconato na Igreja.
            O segundo foi o desentendimento entre Paulo e Timóteo por causa de João Marcos. Temendo perseguições, João Marcos se afastou de Paulo em um momento em que o apostolo contava com o seu apoio e companhia. Mas em dado momento Timóteo desejou convidar João Marcos para reintegrar a equipe o que foi veementemente contestado por Paulo, levando a separação dos dois. Não sabemos como, mas o Espirito Santo trabalhou com os três e logo depois voltaram a trabalhar juntos.
            O terceiro episódio de divergências foi no âmbito doutrinário. Era necessária uma linha única de orientação para os conversos gentios e os apóstolos divergiam a respeito. Um concílio realizado em Jerusalém e presidido por Tiago resolveu o impasse.
            Não foi por um simples passo de mágica que esses conflitos foram resolvidos. De ambas as parte houve muita luta pessoal e renuncia. Para o bem da Igreja prevaleceu o bom censo. Podemos imaginar como isso foi difícil para cada um dos apóstolos. Em dado momento, falando de Pedro, Paulo foi categórico: “eu o resisti na cara”.

Segunda
         A carta de Paulo endereçada à Filemom constitui no mais fidedigno resumo do plano da redenção. Filemom era um crente abastado, tinha um escravo chamado Onésimo, que o furtou algo, provavelmente dinheiro, e fugiu para Roma. Em Roma encontrou-se com Paulo e converteu-se.
         Sabedor do seu passado, Paulo viu a necessidade de promover a reconciliação entre os dois. Tratava-se de uma tarefa difícil.  Os dois pertenciam a classes sociais distintas. Filemom era um próspero empresário e Onésimo um simples escravo que havia cometido uma falta grave contra o seu senhor e fugiu para não ser justiçado.
         O apelo de Paulo não fica só por ai. Ele pede para que Filemom receba Onésimo não como escravo, mas como filho. Isso significava que Onesimo dali para frente faria parte de sua família. Não só moraria dentro de sua casa e comeria em sua mesa, mas seria também herdeiro de todo o seu patrimônio como os demais filhos.
Para evitar que Onésimo sofresse algum tipo de punição Paulo assumiu toda a sua dívida para com Filemom. Ou seja, fez o mesmo que Jesus fez por nós. Ellen G. White escreve: “Paulo se propôs voluntariamente assumir o débito de Onésimo para que ao criminoso fosse poupada a agrura da punição, e pudesse ele de novo se regozijar nos privilégios que tinha rejeitado. “Se me tens por companheiro”, escreveu a Filemom, “recebe-o como a mim mesmo”. E, se te fez algum dano, ou deve alguma coisa, põe isso à minha conta. Eu, Paulo, de minha própria mão o escrevi” (Atos dos Apóstolos, p. 458).

Terça
Satanás conseguiu semear o espírito de competição entre os crentes de Corinto. Os que conheceram a mensagem por intermédio de Paulo se julgavam ser mais importantes do que os demais que ouviram a mensagem por intermédio de Apolo ou de outra pessoa. Paulo deixou claro que todos são iguais diante de Deus.
Outro problema que surgiu foi referente aos dons. Uns julgavam esse ou aquele dom mais importante que os demais. Paulo afirmou que para o perfeito relacionamento de um corpo, todos os seus membros são necessário e importante.
O pé não é mais importante do que o nariz e nem o dedo mindinho menos desprezível que os olhos. Assim todos os membros da Igreja trabalham dentro de suas habilidades e dons para o crescimento da Igreja.
            Um terceiro problema que surgiu ente eles foi o espirito de vanglória. Facilmente se ufanavam daquilo que realizavam na Igreja. Talvez esse fosse o pior problema que surgiu entre eles, pois foi o pecado que afastou Lúcifer do Céu.
            Conheci um padre que se tornou alcoólatra. Ele era um acurado conhecedor da língua portuguesa e tinha muita facilidade para falar em público. Com frequência era convidado para casamentos, aniversários e outros eventos. Passou a se achar importante e a beber com frequência. Certa vez engasgado ele me confessou: “O meu fracasso foi eu ter me vangloriado de muitas glórias.” A sua vida terminou na sarjeta e morreu precocemente. (Ver meditação Reavivar a Esperança, p.174).
 É necessário estarmos vigilantes para que esses pecados ou outros não se manifestem entre nós e caso já existam que sejam extirpados pelo poder do Espírito.

Quarta
            A Bíblia apresenta lições máximas de pessoas que responderam a provocações com o perdão. O exemplo máximo foi Jesus que mesmo na cruz orou pelo perdão dos seus agressores.
         Enquanto o Mestre, maltrapilho e ferido, caminhava rumo ao Calvário ele alertou as pessoas que choravam ao Seu redor dizendo que elas deveriam estar preparadas para os momentos de provas e aflições. Indo mais longe em sua observação disse: “Porque, se isto se faz no lenho verde, que se fará no seco?” (Lucas 23:31).
         Paulo concita os corintianos a se reconciliarem com Deus. A reconciliação com Deus deve ser precedida da reconciliação entre irmãos. E o apostolo faz uma seria advertência: “Irai-vos, e não pequeis.” Ele completa: “Não deis lugar ao diabo.”
         No exercício de perdoar o próximo é necessário não perdermos de vista o exemplo de Cristo que nos amou e nos ama ao ponto de morrer pelos nossos pecados.

Quinta
         Na minha juventude me enamorei de uma garota nissei. Na sua família o namoro só poderia acontecer caso eu fosse nissei oriundo de Okinawa, uma das ilhas japonesas.
         Certa vez, caminhávamos pela rua Direita em São Paulo quando ela me falou: “aquele jovem vestido com roupa assim e assim que vem ao nosso encontro é o meu irmão mais velho.” No momento eu perguntei para ela: e o que ele vai dizer agora? “Nada” respondeu ela, e acrescentou: “Ele vai apenas me cumprimentar para que eu tenha certeza de que ele me viu com você.” Então ponderei: Agora toda a sua família vai saber do nosso namoro e, ela mais uma vez se adiantou afirmando: “Primeiro ele vai falar comigo e se eu persistir no namoro ele vai convidar o meu irmão abaixo dele para juntos falarem comigo.” Caso eu ainda persista ele convidará mais um membro da família para juntos falarem comigo. Isso acontecerá até que toda a família seja envolvida.
         Depois de tudo isso virá meu pai e minha mãe e caso eu não os ouça será reunido todos os familiares e eu serei excluída do círculo familiar. Depois que nos distanciamos daquele jovem o namoro terminou. Apenas aquele rapaz ficou sabendo do nosso meteórico relacionamento.
         Aquela família não era cristã, porém, aplicava o princípio bíblico como poucos entre nós o fazem.
         A orientação bíblica é de que os conflitos sejam resolvidos envolvendo o mínimo de pessoas possível. Isso porque, quanto mais pessoas se envolverem mais ele se alastra e mais danos causam à igreja.

Conclusão
         Caso não estejamos dispostos que o Espírito Santo restaure algum relacionamento quebrado é porque o nosso relacionamento com Ele já está afetado.
        


segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Reforma: vontade de crescer e mudar

Comentário da Lição da Escola Sabatina de 31 de agosto a sete de Setembro de 2013. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            Certa vez uma mãe me confessou que sua garotinha de cinco anos se queixava de dor nas pernas. Aquela mãe cochichou em seus ouvidos dizendo que aquela dor era a do crescimento e quando fosse grande não sentiria mais esse desconforto. A filha respondeu de imediato: “Mas eu não quero crescer.”
            Depois de alguns anos a mãe entendeu a afirmação da filha. Aquela garotinha havia notado que as pessoas cresciam, ficavam velhas e morriam. Assim ela não queria crescer para não morrer.
            Porém, o crescimento proposto na lição dessa semana tem consequências diferentes. Ao invés de morrer vamos viver a plenitude da vida cristã.
            Esse crescimento na graça tem um limite apresentado na Bíblia. Diz o Livro do Senhor: “Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Efésios 4:13).
            A reforma vai despertar em nós o desejo de alcançarmos esse elevado patamar e com o objetivo de alcança-lo vamos realizar mudanças em nossa vida cristã. Mas tudo isso só será alcançado se atendermos os apelos do Espirito Santo em despertar em nós o desejo de crescer.
            No caso da garotinha, contrariando a sua própria vontade, ela cresceu e hoje é uma senhora adulta. Mas em termos espirituais as coisas não acontecem assim. Caso recusemos crescer Deus respeita a nossa decisão. Temos de orar para que Deus opere em nós “tanto o querer como o efetuar”.

Domingo
            Diante da recusa dos samaritanos de receber e hospedar Jesus, Pedro e João ficaram revoltados e aconselharam Jesus a usar medidas extremas. Aquela cidade deveria, imediatamente, ser destruída com fogo. Até ai duas coisas estavam acontecendo: Primeiro eles não haviam entendido a missão do Mestre como salvador de todas as pessoas e segundo eles não estavam convertidos.
            Mateus apresenta o desejo de toda a mãe. Ter os seus filhos em tronos ao lado de Cristo no Céu.  Quando essa mãe especifica ter um sentado a direita e o outro sentado a esquerda ela não sabia que esses dois lugares já estava reservado para os dois ladrões que passariam pela cruz junto com Cristo.
Esse pedido causou ciúmes entre os discípulos.  Mas a atitude egoísta dos dois não ficou só por aí. Em outra ocasião, durante seus primeiros labores evangelísticos, Tiago e João encontraram alguém que, embora não fosse reconhecido seguidor de Cristo, estava expulsando demônios em Seu nome. Os discípulos proibiram-no de fazê-lo, e julgaram que estavam certos assim procedendo. Mas quando expuseram o assunto a Cristo, Ele os reprovou” (Atos dos Apóstolos, p. 546).
Thiago e João ainda teriam um longo caminho a percorrer. Eles não estavam preparados para o grande trabalho evangelístico que os aguardava. Eram crianças espirituais e tinham que crescer muito na graça. A experiência do Pentecostes mudaria por completo a vida deles.  Não mais o desejo de exaltação própria. Mas humildade ao ponto de se entregarem nas mãos de Deus independente do que viesse a acontecer com eles.

Segunda
            Deus está ansioso que o Seu povo experimente o reavivamento e que faça uma reforma em sua vida espiritual. Para que isso aconteça Ele proveu o Espírito Santo para impressionar o nosso coração.
É Ele que atua em nós “tanto o querer como o efetuar”.  Mas autor da lição esclarece: “Deus não agirá, porém, sem a cooperação do homem. Deus está procurando a nos impressionar pela necessidade de reavivamento e reforma mas nada será realizado sem a nossa permissão.
Jesus afirma no Apocalípse que Ele está batendo na porta do nosso coração. Compete a cada um de nós abrir ou não a porta para que Ele entre. A Sua promessa é: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo” (Apocalípse 3:20).
Aqui entra a declaração de Paulo diante de Festo e Agripa: “Não fui desobediente à visão celestial.” Para Paulo obedecer a visão celestial ele teria de romper com todo o Seu passado e isso seria impossível sem a atuação do Espirito Santo.
A Bíblia afirma que o Espirito intercede por nós com gemidos inexprimíveis: “Do mesmo modo também o Espírito nos ajuda na fraqueza; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Romanos 8:26).
Deus conhece a nossa natureza e tomou as providencias para que o nosso coração se sensibilize ao Seu chamado. Ele não deseja que nenhum se perca. Inclusive você.

Terça
            Antes do reavivamento Pedro tinha por costume resolver as coisas ao seu modo. Ele se julgava auto competente e senhor das situações. Pedro tinha um excesso de confiança própria. Em vários momentos Jesus mostrou para ele que a força humana e a confiança própria nada resolvem sem o auxilio divino. Compreender isso lhe custou muitas lágrimas. Mas a sua experiência é uma mensagem de conforto para todos nós.
            Mesmo as mentes mais conturbadas podem ser transformadas caso deem margem a atuação do Espírito Santo e sejam sensíveis aos Seus apelos.
            Os discípulos conviveram com Cristo durante três anos e meio. Por várias vezes eles ouviram do Mestre sobre a morte na cruz e a ressurreição e mesmo assim estavam tomados de dúvidas. Ao ouvir falar da ressurreição de Cristo e de Sua aparição a muitos, Tomé duvidou que o Mestre houvesse ressurgido.
            Jesus orientou que eles permanecessem em Jerusalém em oração até que do céu fossem revestidos de poder. Porém, não sabemos o porquê, mas no momento em que Jesus apareceu entre eles, Tomé não estava orando com o grupo e a dúvida o envolveu.
            Não há como ser vitoriosos por nós mesmos. O espírito de humildade, oração e união deve nos envolver. Buscar o reavivamento e a reforma de maneira isolada é se candidatar ao fracasso.

Quarta
         O filho pródigo ao se deparar com a miséria, ao invés de voltar para a casa do pai, ele se distanciou mais ainda. Foi procurar socorro com o “dono da terra distante”. O dono da terá distante não tem nada de bom para oferecer. O pródigo que até a pouco morava em uma confortável mansão agora passa a viver dentro de um chiqueiro de porcos.
         Ele está vivendo em miséria absoluta. Desde que saiu da casa do pai ele experimentou várias quedas e a sua penúltima foi cair dentro de um chiqueiro de porcos. Foi nesse momento que ele caiu mais uma vez. Diz a Bíblia que “ele caiu em si” e decidiu voltar para a casa do pai.
         Bendita queda. Ali, junto com os porcos ele deixou todo o seu orgulho. Estava faminto, sujo, mal cheiroso e maltrapilho. A sua mala antes recheada de dinheiro, revolta, ingratidão e confiança própria agora esta repleta de humildade e submissão. Antes ele havia “ajuntado tudo” descontentamentos e queixumes e colocado na mala e depois da última queda o conteúdo da bagagem é outro. Sugerimos ler as páginas 349 a 351 de Reavivar a Esperança.
         A casa, até então, sombreada pela tristeza e a saudade de um momento para o outro está em ritmo de festa. O pai visualizou no horizonte distante a silhueta inconfundível de seu filho errante.
A decisão do pródigo de voltar para os braços do pai só aconteceu quando ele vivia o momento máximo de miséria e solidão. Que pena o pródigo ter prognosticado tanto a sua volta!  Por que ele demorou tanto para usufruir das bênçãos do perdão? Ou melhor: Por que saiu de casa?!
Simplesmente porque ele era ser humano como qualquer um de nós.
Não sabemos por quanto tempo o pai o esperou. Mas o certo é que a sua longa espera só terminou com a volta do filho. Sugerimos ler as páginas 349 a 351 de Reavivar a Esperança.

Quinta
         Não sabemos por quanto tempo o paralítico permaneceu junto ao tanque de Betesda aguardando ajuda humana. Não sabemos para quantas pessoas ele solicitou auxilio sem ser atendido. De uma coisa temos certeza: sozinho jamais ele conseguiria o mergulho tão esperado.
         Um detalhe interessante. Caso ele fosse jogado dentro do tanque e não fosse curado corria o risco de morrer afogado. Mas ele tinha certeza de que seria restabelecido e sairia do tanque com as suas próprias pernas.
         Ao Jesus lhe perguntar se queria ser curado ele desviou a resposta abordando as dificuldades encontradas. Jesus sabia o grande desejo que emergia do seu coração e ignorou as suas queixas. Disse apenas: “Levanta-te, toma o teu leito e anda” (João 5:8).
         O céu está ansioso que a Sua Igreja experimente o reavivamento e a reforma, pois representam a única possibilidade para que o mundo conheça a salvação oferecida por Cristo. Deus não quer saber de explicações de nossa parte. Ele apenas espera pelo nosso clamor para agir.
         Hoje milhares de igrejas se assemelham ao tanque de Betesda. Milhões estão à espera de supostos anjos que agitem as suas águas e lhes proporcione salvação. Sem alarde, sem agitação Jesus pergunta a cada ser humano: “Queres ficar são?” Ele não quer ouvir respostas evasivas e elaboradas. Ele espera apenas que tenhamos fé para que Ele possa agir em nossa vida.

Conclusão
O reavivamento jamais vai acontecer em nossa vida sem que haja em nós o desejo de crescer em nossa vida espiritual. Sabemos que é Ele que opera em nós “tanto o querer como o efetuar”. Oremos para que essa vontade de crescer e mudar aflore mais e mais em nossa vida.